“A esperança não decepciona” (Mt.5,5)
Além de
correr um risco - chamei até de “ousadia” – eu não imaginaria o tipo de
pergunta que me fosse feita, quanto às maledicências ou às “cascas de bananas”
que me fariam “escorregar”. Mas, topei o novo desafio, enfrentando a distância
que nos separa (450 km), o desconhecimento mútuo e o espaço de tempo a ser
empreendido, entre o “pergunte e responderemos” ou o “quem pergunta
quer saber” vivenciado no tempo das Rádios.
Disse-lhe,
ao longo desses 03-04 meses, que há uma grande diferença entre a postura da
Igreja católica que tem dois mil anos de história, com a presença do Espírito
Santo, e a postura dos poderes políticos que, aqui entre nós, têm 500 anos, e
que nem sempre cuida bem da “res pública”.
Nestes
últimos dias, falamos sobre as Congregações Vicentinas: leigas e Religiosas,
masculinas e femininas, que se estendem pelo mundo de 400 anos para cá, como um
dos modelos de esperança e caridade a serem seguidos e que Mateus, 5,5
acrescenta: ‘a esperança não decepciona’.
Para
completar a minha linha de raciocínio, meu ainda desconhecido amigo, Dr.
Mariano Freitas, aumenta mais sua curiosidade e aguça a minha: o que há em
comum e o que diferencia um do outro, para entender bem o Pe. Teilhard de
Chardin e o Pe. Henrique Claudio de Lima Vaz?
O que
eles têm em comum é terem sido ambos: jesuítas, padres, professores
universitários e de seminários, filósofos, teólogos e terem vivido, ao mesmo
tempo, 34 anos de suas vidas entre 1921 a 1955.
O Padre
Pierre Marie Joseph Teilhard de Chardin nasceu em Orcines, na França em 1º de
Maio de 1881 e morreu em Nova Iorque em 10/04/1955.
O Padre
Henrique Claudio de Lima Vaz nasceu em Ouro Preto – MG, Brasil aos 24 de agosto
de 1921 e morreu em Belo Horizonte em 23/05/2002.
Portanto,
os 34 últimos anos de vida do Pe. Teilhard Chardin coincidem com os 34 anos
iniciais de vida do Pe. Lima Vaz. É nessa reciprocidade de experiências ou
nessa ajuda mútua que vamos caminhando, aprendendo e ensinando uns aos outros.
Ninguém pode dizer que não precisa de alguém.
Há
também notáveis diferenças entre si: o Pe. Teilhard Chardin nasceu na França e
morreu nos EEUU e o Pe. Lima Vaz nasceu e morreu no Brasil. Quanto ao
Curriculum Vitae de ambos, além do que já dissemos acima, que os une, o Pe.
Teilhard se ocupou ou exerceu funções paleoantropológicas e geológicas,
acrescentadas às suas especialidades.
É claro
que estes dois ‘monstros sagrados’ da sabedoria eclesiástica
impressionam a qualquer estudioso sócio-político, como é o Dr. Mariano; daí a
sua curiosidade e o aguçamento da minha, como me referi ali acima. Ambos foram
alvos de direcionamento da Igreja oficial e de cristãos mais conscientes a
respeito da missão e das funções por eles exercidas. O mais antigo - Pe.
Teilhard Chardin - foi censurado por ilustres membros da Igreja Católica e por
‘biólogos evolutivos’ por causa de seus pontos de vista sobre o pecado
original, embora tenha contado com os apoios de proeminentes líderes e teólogos
como os Papas João Paulo II e Bento XVI que escreveram, positivamente, a
respeito de suas ideias. Também o Papa Francisco se baseou em seus ensinamentos
teológicos para escrever a Encíclica “Laudato Si” em 2015.
Atendendo ao meu interlocutor, à
distância, que me pede a citação de uma obra dos dois, começo com o Fenômeno
Humano do Pe. Teilhard Chardin em que ele diz, textualmente: “Aparentemente,
a Terra Moderna nasceu de um movimento antirreligioso. O Homem bastando-se a si
mesmo. A razão substituindo-se à crença. Nossa geração e as duas precedentes
quase só ouviram falar de conflito entre Fé
O
mais recente – Pe. Henrique Claudio de Lima
Vaz – é também possuidor de uma vasta obra filosófica, bem conhecida e
divulgada, sobretudo em sua metafísica clássica, permeando o pensamento
filosófico moderno, a partir do profundo conhecimento da obra filosófica do
alemão Hegel. Este, entre os séculos 18 e 19 ensinava que “a razão e a realidade são inseparáveis. O desenvolvimento histórico se
dá através de um processo dialético de oposição e superação, buscando a
realização da liberdade e do Espírito absoluto”.
Influenciado
por seu irmão bispo, D. José Carlos de Lima Vaz, entrou na ordem dos Padres
Jesuítas, em 1938, cursando a Filosofia em Nova Friburgo-RJ. Em 1945 foi fazer
o curso de Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, de onde
voltou laureado, com o doutorado, defendendo a Tese: O problema da beatitude em Aristóteles e Santo Tomás e em
1948, três anos depois, mais um doutorado, na mesma Universidade sobre a dialética e a intuição nos diálogos
platônicos da maturidade.
Com
um Curriculum destes, com prática acadêmica dentro e fora do Brasil, convites pra
lecionar em toda parte, o que esperar do Dr/Pe. Lima Vaz? Exerceu a plena Missão de Pastor, cuidador do Rebanho de
que falou Jesus no Evangelho de João 10,14: Pe. Lima Vaz tornou-se mentor da J.U.C.
(Juventude Universitária Católica) e da A.P.
(Ação Popular). Ambas ligadas à Igreja Católica e malvistas pela Ditadura
Militar que dominava à época. Basta lembrar no atentado que aconteceu no
Aeroporto dos Guararapes, em Recife, em 1968, que serviu de pretexto para o
governo ditatorial de Costa e Silva decretar o famoso AI-5 e o Padre Lima Vaz
escreveu sobre isto, referindo-se ao cenário tão agitado e confuso, à época,
que causou impactos políticos e culturais.
Ele
não teve medo de se expor porque se baseava em ensinamentos de filósofos como
Platão, Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino e Hegel cujas metafísica, profundidade, lucidez e equilíbrio são
fundamentais em suas intuições ainda capazes de fecundar suas reflexões. De
santo Agostinho ele mantinha sempre um princípio: “crê para entenderes e entende para creres”
Como citei ali acima a
obra Fenômeno Humano do Pe.
Theilhard de Chardin, cito agora o último livro, Raízes da Modernidade do
Pe. Lima Vaz em que ele propõe para o nosso tempo de incertezas e de
renovadas articulações, o humanismo teocêntrico como itinerário para a
realização plena do ser humano em sua existência pessoal e social. Interessante!
Até hoje não me tinha passado pela mente lembrar alguém que foi meu
conterrâneo, meu professor no ITER, assistente eclesiástico da J.U.C., assíduo
estudioso de toda a obra Teilhardiana e de tudo o que outros autores escreveram
sobre ele, era apelidado de “Cur hoc?” = “Por
que isto?” – sempre perguntava em latim quando lia ou ouvia sem entender. -
Quem era? - O Pe. Joaquim Diomar Lopes Araújo: nasceu em Bela Cruz: 15/04/1923
e morreu em Recife: 27/06/1982. Não seria uma boa dica para ilustrar mais
nossas reflexões?

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