Em Fortaleza:
CASSACOS NO TEATRO DO DRAGÃO DO MAR
No próximo final de
semana, retornarei à nossa Guaraciaba do Norte para ver o desfile da
Independência que acontecerá no sábado, dia 6 de setembro.
Fui convidado para
participar em duas Escolas municipais. Uma é a Escola Francisco José Feitosa,
do distrito de Morrinhos que demonstrará o reconhecimento pela nossa dedicação
à Educação em nosso município.
A outra é Escola Profª
Maria Marina Soares, que destacará o nosso trabalho na publicação de livros de
relevância para a comunidade e para a região. Sou muito grato pelas iniciativas
e estarei presente.
Neste sábado, 6 set, o Grupo CriAr de Teatro inicia a temporada de CASSACOS, seu mais novo espetáculo, no Teatro Dragão do Mar, que seguirá nos dias 7, 13 e 14 de setembro, sábados às 20h e domingos às 19h.
Com texto e direção do
premiado Mailson Furtado, o espetáculo aborda a saga dos operários das frentes
de serviço das obras públicas contra as consequências das secas no Nordeste do
final do século XIX até metade do século XX.
O espetáculo traz um
retrato particular do migrante do semiárido brasileiro que, apesar de todas as
dificuldades, permaneceu em seu território. Mailson Furtado, de Varjota, foi
ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura.
É importante saber
que Varjota é uma cidade que cresceu a partir da construção do Açude Araras
como motivação de gerar empregos para as vitimas da seca. “Cassacos” eram
intitulados os trabalhadores naquela construção, liderada pelo DNOCS.
Quando menino ouvi
uma interpretação própria para a sigla DNOCS: “Deus Não Ordena Cassaco
Sofrer”. Na ordem inversa da sigla era dito: “Sofre Cassaco Ordinário
Neste Departamento”. Manifestação do humor cearense.
Santa Casa de Sobral é o primeiro hospital filantrópico do Ceará
a aderir ao programa Agora Tem Especialistas. O Ministério da Saúde
anunciou a adesão da Santa Casa de Misericórdia de Sobral ao programa Agora Tem
Especialistas.
A instituição é o primeiro hospital filantrópico do Ceará a aderir à iniciativa do Governo Federal e está entre os três primeiros hospitais privados e filantrópicos a aderirem a esta modalidade do programa em todo o País.
O anúncio foi feito pela diretora de Programas da Secretaria de
Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Regina Vianna Brizolara,
na sexta-feira, 29 de agosto.
O Programa tem como
principal objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos no Sistema Único
de Saúde - SUS. A comunidade, com certeza, agradece pela feliz iniciativa.
O
radialista sobralense Tupinambá Frota, hoje residindo em Guaraciaba do Norte,
acaba de inaugurar a Rádio GUARÁ FM, on line. Pelas características do
fundador, a nova rádio deverá marcar pelo bom gosto.
Ao
que tudo indica, as iniciativas sui generis do Presidente dos Estados
Unidos já começam a ter efeitos contrários ao esperado por ele. São muitas as
queixas sobre os elevados preços, sobretudo das carnes.
Ao que tudo indica as
decisões oriundas de uma só cabeça terão rejeição dos órgãos da Justiça do país.
E o Congresso americano vive em silêncio absoluto, pelo que se percebe.
As atenções do mundo
estão voltadas para o julgamento histórico e inédito dos que planejavam um
golpe na democracia brasileira. Os líderes viraram réus e começam a ser
julgados.
O ex presidente que
elogiou o torturador Ustra agora parece que anda morrendo de medo de enfrentar
uma cadeia que ele tanto desejou para Lula e que lá apodrecesse.
Se os promotores do
Golpe de 64 tivessem sido julgados e punidos pelos crimes que cometeram,
certamente a história estaria sendo outra. Se não houver punição, outras
tentativas de golpe poderão ocorrer.
Há os defensores e que
pedem anistia antecipada. Certamente estão certos das condenações. Até o
candidato Tarcísio de Freitas diz que “se eleito Presidente, seu primeiro
ato será o indulto de Bolsonaro”. Isto é, já tem certeza.
Os ex alunos do
Seminário de Sobral, cujo prédio tem o seu centenário neste ano, estão decididos
a não deixar passar em branco a importante data. Só quem ali estudou tem a
dimensão da importância daquela casa.
Já foi acertada com a
Reitoria da UVA que atualmente, tem ali a sua sede, a data de 8 e 9 de novembro
para realização de eventos que marcarão o centenário de uma das grandes obras
de Dom José Tupinambá da Frota.
Um significativo
grupo viajará de Fortaleza para se encontrar com os ex-seminaristas que moram
em Sobral e na região para um grande reencontro. De outros lugares do país
também virão colegas que ali estudaram.
Tive a oportunidade de ver, domingo à noite, uma entrevista do Ministro Fernando Hadad no programa CANAL LIVRE da Bandeirantes. Dá gosto ouvir uma pessoa que fala com seriedade.
MEMÓRIAS DO EXÍLIO E DO
RETORNO
ALTERATIVA ILUSÓRIA
- Você não acha melhor
voltar para Fortaleza e enfrentar os desafios?
Acho, respondi de imediato à
pergunta da Olga, minha irmã, que tinha ido com seu marido Aroldo a Canoa
Quebrada levar umas encomendas minhas.
Tudo começara na sexta-feira, da
semana anterior, quando eu estava em uma roda de amigos no Estoril, famoso bar
na orla de Fortaleza, conversando sobre minhas frustações com a chocante
realidade de desigualdade social que encontrara no Ceará ao retornar do exílio.
Ao ouvir-me dizer que me sentia desanimado diante daquela situação e que minha
vontade era largar tudo e ir viver em Canoa Quebrada entre os pescadores,
cuidando deles como médico e recebendo peixe como pagamento, uma colega
médica, desafiou-me dizendo: “se tens
mesmo coragem para isso, te levo agora pra lá”.
Não sei que outros fatores,
além das doses de Vodca que eu havia tomado, me levaram a dizer imediatamente
que topava ir e que minha única condição era passarmos na minha casa para eu
conversar com a Ruth e pegar algumas coisas para a viagem. Chegando em casa a
Ruth já estava dormindo; escrevi então uma carta comunicando-lhe minha decisão,
enchi uma pequena sacola com roupas e itens de higiene pessoal e parti.
Eu havia conhecido aquele lindo
lugarejo no início do ano de 1980, quando fui levado ali pelo deputado federal
Iranildo Pereira. Minha colega médica voltou no domingo para Fortaleza, levando
uma carta para a Olga, na qual eu comunicava à família a decisão que tomara e
lhe fazia o pedido de me trazer meus livros de medicina e meus instrumentos
médicos.
O começo em Canoa foi de quase
êxtase diante da beleza do lugar e do encantamento com a acolhida de seus
moradores. Aglomeravam-se no minúsculo povoado jovens dos mais diversos países
e de vários estados brasileiros. Com o passar dos dias o mais do mesmo foi se
tornando entediante. Eu não me enquadrava na atitude contemplativa nem nos
gostos daqueles “hippies temporões” por certas substâncias químicas
ilegais. O projeto de cuidar de doentes em troca de peixe revelou-se uma
quimera: eles já contavam com serviços de saúde em Aracati, prestados por
vários médicos competentes e dedicados, entre os quais se destacava um irmão do
Inocêncio, o Uchôa, meu colega de turma na faculdade e companheiro das lutas
estudantis contra a ditadura militar, que tem gente que diz que não existiu.
Concluí que para mim a idílica Canoa Quebrada era uma alternativa ilusória. Por
isso, não precisei pensar para responder à pergunta da Olga sobre voltar para
Fortaleza.
A primeira coisa que fiz ao
retornar, foi procurar a Ruth para uma conversa. No seu modo sempre digno e
direto de tratar problemas interpessoais, ela me disse: “não tenho nada a
comentar sobre a decisão que você tomou sobre nossa separação, mas proponho que
continuemos a fazer tudo em relação à Mariana como sempre fizemos e que, fora
disso, só voltemos a ter contato quando eu lhe avisar que estou disposta” Esta
posição revelou-se muito sábia. Não
demorou muito para que ela me dissesse que já estava preparada para retomarmos
nossos projetos de trabalho com crianças com deficiência. Entrementes, ela
reabrira seu coração e entrara em uma nova relação amorosa que lhe
proporcionava muita felicidade. As atividades que passamos a realizar
conjuntamente, inspiradas da nossa filha Mariana, transcorreram em um ambiente
de cooperação, admiração e respeito mútuos e foram criando as bases para o
desenvolvimento de uma amizade profunda, que perdura até hoje, baseada em
confiança, valores comuns, cuidado, solidariedade e identificação com coisas
essenciais das nossas vidas. O elo inquebrantável entre nós dois criado e
fortalecido constantemente pela Mariana, nunca teve o mais leve arranhão.
A lição de Canoa Quebrada
revigorara minhas energias e me dera clareza sobre os desafios que se colocavam
diante de mim para readaptar-me à dura realidade da minha terra e escolher as
formas de contribuir para sua transformação.
Depois de registrar-me no
Conselho Regional de Medicina do Ceará, recebi um convite para instalar uma
clínica para tratamento de pessoas com deficiência na Escola Profissionalizante
da APAE de Fortaleza, dirigida por Regina Almeida e Gercelina Picanço e outro
para atuar como médico no CEE- Centro de Estimulação Essencial, recém-criado em
Fortaleza por Cleomar Landim, pedagoga paulista, casada com um cearense. Foi
neste Centro que conheci a Fátima Diógenes, que atuava ali como estagiária de
psicologia.
A situação no CEE mudou quando sua
fundadora, acometida de um tumor cerebral, teve que retornar a São Paulo para
tratamento. Ela delegou à Fátima Diógenes, que já havia concluído o seu curso
de psicologia, e a mim, a condução do Centro. À frente do CEE, Fátima e eu
convidamos a Ruth para assumir sua direção pedagógica. O quadro de saúde da Cleomar obrigou-a a
encerrar as atividades do CEE, o que levou a Fátima Diógenes, a Ruth e a mim à
decisão de dar continuidade àquele trabalho, organizando uma outra instituição.
Resolvemos criar a Escolinha
Raio de Sol, pertinho dali, nos associando a mais duas pessoas. Esta iniciativa
foi um passo adiante do CEE no que se refere à proposta educacional, com
manutenção do atendimento clínico a crianças com deficiência. A escola
revelou-se inovadora em muitos aspectos da educação infantil, incluindo os que
se relacionavam com os benefícios para todos os alunos produzidos pela inclusão
de crianças com algum tipo de deficiência. A Ruth disse-me uma vez que a
experiênciada da Escolinha Raio de Sol foi sua fonte de inspiração para criar a
Educação Biocêntrica, proposta pedagógica que já se propagou por mais de vinte
países e que é apresentada no seu livro EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA (Ciência, Arte,
Mística, Amor e Transformação) escrito em parceria com Cezar Wagner de Lima
Góis e Colaboradores.
Com grande aumento da demanda
por atendimento clínico, resolvemos criar uma outra organização, deixando na
Raio de Sol apenas as atividades educacionais. Então, fundamos em abril de 1983
o CDH- Centro de Desenvolvimento Humano, com sede na Rua Silva Jatahy, 25.
tendo a Ruth como diretora pedagógica, a Fátima como diretora administrativa e
eu como diretor clínico. Montamos uma excelente equipe transdisciplinar,
selecionando bons profissionais de pedagogia, psicologia, fisioterapia,
fonoaudiologia, terapia ocupacional e assistência social
Nosso trabalho com crianças com
distúrbios neuropsicomotores diferenciava-se dos então existentes no Ceará pela
nossa ênfase na estimulação precoce e pela inserção dos pais como agentes
ativos do tratamento dos seus filhos. Neste sentido, as mães, sobre as quais
costumam incidir as maiores responsabilidades pelos cuidados especiais com os
filhos, destacavam-se também no seu tratamento. Na verdade, elas eram as
protagonistas de todo o processo. Outro ponto importante de nossa atenção foi a
busca de condições para que nossos serviços pudessem ser acessados por famílias
de baixa renda pois, devido ao fato deles envolverem vários profissionais,
tinham custos elevados. A solução foi
firmar convênios com instituições governamentais e privadas que custeavam o
tratamento. A experiência que o CDH
acumulava e a reconhecida competência de seus profissionais foi sendo
canalizada para a formação de especialistas nas áreas de educação e de saúde.
Minha atividade como diretor
clínico da APAE de Fortaleza propiciou-me contatos com várias outras
organizações beneficentes que atendiam pessoas com deficiência. Na convivência
com elas constatei que tinham três pontos em comum: uma forte liderança das
mulheres que dirigiam todas elas, a dificuldade de superar os preconceitos da
sociedade e a carência de recursos humanos e financeiros. Compreendi que além
do meu saber técnico, eu poderia dar uma contribuição também em atividades de
esclarecimento da população, sensibilização de autoridades e formação de
profissionais especializados. Assim, utilizando o que aprendera de comunicação
e mobilização no movimento estudantil, passei a dar palestras, escrever
artigos, estimular a organização de cursos de capacitação de especialistas e a
participar de campanhas de sensibilização para apoio à causa das pessoas com
deficiência. Estas atividades foram muito facilitadas quando, em 1981, fui
escolhido como coordenador da Comissão Científica do Ceará para a programação
do Ano Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiências — AIPD*.
Em paralelo às atividades
relacionadas às pessoas com deficiência, buscando contribuir para a solução de
problemas de saúde das comunidades, atuei naquele ano como Membro da Comissão
da Arquidiocese de Fortaleza da Campanha da Fraternidade, criada por Dom
Aluísio Lorscheider, Arcebispo Diocesano. Em 1981 aquela Campanha anual da CNBB
teve como tema Saúde e Fraternidade e como lema Saúde para Todos. Sob a
coordenação da freira Wzelyr Barros Leal, publiquei artigos sobre o lema da
Campanha e fiz palestras em bairros pobres de Fortaleza sobre os problemas de
saúde mais frequentes e discuti soluções para eles. Para iniciar os trabalhos
da comissão, escrevi um texto com o título de SAÚDE COMO DIREITO DE TODOS,
objetivando sensibilizar e mobilizar os profissionais de saúde do Ceará a
engajarem-se na Campanha.
Minha atuação no Centro Médico
Cearense, que à época representava ideais democráticos e de justiça social da
nossa categoria profissional, e minha procura por uma organização política onde
eu pudesse atuar como cidadão, são assuntos para outra historieta.
(*) Esta era a
nomenclatura usada àquela época.
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