O
mundo está precisando voltar-se para Deus.
Como fui professor, por muito tempo, em Sala de Aula,
habituei-me em ligar o novo conteúdo da disciplina que estava ensinando, ao
conteúdo que estava terminando na aula anterior, para os alunos entenderem a
continuidade do tema que estava sendo dado, isto é, “para não perderem o fio da meada”.
Se você, meu leitor, me acompanha em meus Comentários Semanais, certamente percebeu isto, por exemplo, no dia 21/03, eu dizia que, no dia 29, Domingo de Ramos “seria feita a Coleta da Solidariedade, símbolo de nossa fraternidade cristã, como já fazíamos nos 62 anos da C.F” e ouvi em “redes sociais” padres e leigos ilustres, dizendo que ninguém doasse nada, por que sua doação seria para projetos socialistas, sindicalistas e amaldiçoados. E eu, que conheço as C.F. desde o início, sei que isso não é verdade.
Desde as primeiras horas, deste Domingo da Ressurreição, dia 05, até o próximo Domingo, dia 12/04, celebramos a Oitava da Páscoa, para festejar o maior acontecimento da humanidade: a Ressurreição de Jesus. Queiram ou não os reincarnacionistas, os ateus ou os adeptos de pensamentos filosóficos conservadores ou contrários ao cristianismo, o fato é que Jesus, o Filho de Deus, nasceu, viveu entre nós por 33 anos, foi torturado, assassinado, enterrado e, ao terceiro dia, ressuscitou. É tão importante tal celebração, que nós passamos ainda, esta semana inteira – a semana da oitava da Páscoa – que vai deste Domingo 05/04, até o Domingo, 12, (outrora chamado domingo da pascoela) como se fosse “um dia só”, “um domingão” em que recordamos as aparições de Jesus, quase sempre “no primeiro dia da semana”, como nossos leitores podem ter conferido, lendo na Liturgia Diária ou ouvindo nas Santas Missas no “Evangelho do Dia”. E não fica só nesta semana da oitava; ainda vamos continuar, com o Tempo Pascal, no calendário da Igreja, até celebrarmos o Dia de Pentecostes, aos 24/05 – 50 dias após a Páscoa - aniversário de fundação da Igreja. Retornamos à 8ª Semana do Tempo Comum, interrompida com o início da Quaresma na 4ª feira de cinzas.
Ninguém duvida que o mundo está precisando voltar-se mais para Deus. Durante
a Quaresma e a Campanha da Fraternidade fomos convidados à conversão, ao
mudarmos de vida, para cumprir o tradicional “preceito pascal”: “confessar-se, ao menos, uma vez por ano” e
“comungar pela páscoa da ressurreição” Parece estarmos falando de algo do
passado, sem valor nenhum agora, porque o mundo está afastado do sentido de
pecado e de reconciliação. Infelizmente
não são muitos os que buscam o sacramento da Confissão e não são muitos os
Padres que dão tempo, em seu ministério, para exercerem a função de confessor.
Tenho certeza de que a Igreja Católica há pouco tempo, durante a pandemia - a
começar do Papa Francisco - deu uma mensagem, mais pelo exemplo, do que pelos
sermões feitos. Sua presença constante na Praça e na Basílica de São Pedro,
quase sozinho, naqueles imensos espaços sem a presença do povo, serviu de muita
reflexão e fez o povo pensar muito no recado que o silencio e o sofrimento
podem dar. Com o Papa Leão não tem sido diferente. Quem não percebe seu empenho
e palavra nessa balbúrdia de guerra por toda parte, inclusive pelo chefe do seu
país?
Muitos se afastam do sacramento da
Confissão, querem-na comunitária, sem entenderem a norma adotada pelos Papas,
pós-conciliares, que mantêm “como forma
de reconciliação com Deus, a confissão e absolvição individuais, respeitando-se
os iminentes perigos de morte ou a falta de sacerdotes, suficientes para
atenderem a grande massa de população”.
Em todos os recantos do mundo, o tempo
para realizar o “preceito pascal” de que falamos acima, será durante “esta semana da oitava da páscoa” que
está iniciando. Aqui no Brasil, essa prática se prolonga até a Festa de
Pentecostes – 24 de Maio - exatamente por que nós temos poucos padres, nossas
extensões territoriais são muito grandes e o nosso povo deixa tudo pra depois
ou para a última hora. Daí, o nosso “tempo pascal” também ser maior. Vai
até o Dia de Pentecostes, este ano: 24 de Maio, como já disse ali acima.
Vamos aproveitá-lo bem. Que nossos
grupos organizados entrem em contato com suas Paróquias, seus Párocos e marquem
suas páscoas coletivas de Colégios, Universidades, Associações, Sindicatos,
CEBs, Capelas e de outros grupos para melhor satisfazer aos fiéis nesse momento
vivido pela Igreja. A nossa Pastoral da Comunicação – presente em muitas de
nossas Paroquias - unida às Pastorais da Educação, da Cultura, das Novas
Comunidades se interessem para que o Tempo da Páscoa seja mais bem vivido por
todos. Que a alegria da Páscoa chegue a todos nós e que permaneçamos com ela;
não pelo “ovo” ou pelo “chocolate”, mas pela fé e pela alegria de poder
ressuscitar com Jesus, como vitória sobre a morte. Temos que entender que a
indústria e o comércio têm seus interesses de vender, lucrar e rechear sua
conta bancária. A maioria deles tem Páscoa, Natal, Dia dos Pais ou das Mães
para ganhar mais. O cristão tem que pensar diferente.
.O Evangelho de amanhã, dia 05/04, mostra claramente o que
eu dizia no início deste comentário: toda esta semana da oitava da páscoa
seria como que um domingão só. A leitura de São João faz a ligação dos dois
domingos, ao iniciar, dizendo: “ao
anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, Jesus entrou, pôs-se no
meio deles e disse: a paz esteja
convosco”. Instituiu – pela invocação do Espírito Santo - o Sacramento
da Penitencia ou Confissão, mas Tomé não estava presente; nem acreditou quando
os outros discípulos lhe falaram sobre a aparição. O texto de São João
continua: “oito dias depois,
encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com
eles”. Jesus saudou a todos e dirigiu-se logo a Tomé, dizendo-lhe: “põe o teu dedo aqui e olha as minhas
mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas
fiel. Tomé respondeu: meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse:
acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.
O versículo 19, iniciando a narrativa de
São João: “no 1º dia da semana” e o
versículo 26, dando continuidade à narrativa: “oito dias depois” mostram-nos a interligação de todos os dias da semana
da oitava da páscoa como se se tratasse de um dia só, um domingão
festivo, comemorativo da Festa da Ressurreição do Senhor. Sem
dúvida, repito, foi o maior acontecimento da humanidade: alguém nascer, viver,
trazer uma mensagem nova para mudar o mundo, dar a sua vida para salvar a todos
e ressuscitar, voltar glorioso ao céu e garantir essa mesma situação de gloria
e felicidade para todos nós. Não é fantástico e maravilhoso o nosso Deus?
Façamos todos a nossa Páscoa.
Iniciei este comentário dizendo que
desde professor, sequenciava meus conteúdos de aulas para meus alunos ‘não perderem o fio da meada” e que eu fazia isso, igualmente, nestes meus comentários semanais pelo mesmo
motivo.
Espero ter sido útil, lá e cá. Talvez
não tanto quanto meu colega e amigo Leunam,
o faz como Professor, com prazer.
Não tenho tempo de imitá-lo. No entanto, agradeço pelo seu exemplo, testemunho
e pertinácia. Tenha uma feliz e santa Páscoa, amigão!

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