QUAL O PRAZER DE QUEM PROMOVE A GUERRA? MATAR?
Desde o início desta semana, o Papa Leão XIV
tem-se dirigido ‘à maioria silenciosa que
opta pela paz’, convocando ao compromisso comum contra a “loucura da
guerra”, os bilhões de pessoas em todo o mundo, que não se rendem â idolatria
do dinheiro e do poder neste momento dramático da história.
Como os “homens do poder” têm pressa em
deflagrar a guerra, devemos ter a mesma pressa em impedi-la, na busca da paz,
com a nossa união e oração, construindo-a, dia após dia. Daí o seu convite â
oração para implorar pelo fim das guerras em curso. É o poder da oração contra
o poder da guerra.
Aliás, há um provérbio latino, bem
antigo, assumido ainda hoje, pelos que comandam as guerras: “si vis pacem, para bellum”. (Se queres
a paz, pre-para a guerra). Daí, a palavra “parabelo” ou “parabélum”=“pistola”
ou “revólver”.
Há tanto tempo, Dom Helder
perguntava, em sua Sinfonia dos Dois Mundos: “quem vai ganhar”? Leão XIV tem pressa nesta resposta. O limite é
até hoje: 25 de Abril - Festa de São Marcos.
Marcos não era um dos apóstolos de
Jesus. Segundo a tradição, havia posto sua casa à disposição dos primeiros
cristãos e acompanhou o apóstolo Paulo em sua primeira viagem missionária. Era
um verdadeiro conciliador. Mas se desentenderam e passou a acompanhar Pedro,
ajudando-o durante sua prisão em Roma, mesmo que depois tenha retornado à
companhia de Paulo, como se lê em Atos, 12,25 e II Tim, 4,11.
Enquanto muitos usam “o Santo nome
de Deus em vão” e pretendem “recrutá-Lo” para o seu lado, oferecendo
justificativas religiosas para matarem inocentes, o Papa Leão está apelando
para a esmagadora maioria de pessoas que, em todo o mundo, querem a paz,
acreditam na paz, rezam pala paz e a constroem dia após dia. Sua Santidade nos
está convocando a realizar uma Vigília de Oração para implorar pelo “fim de
tantas guerras”.
No dia 07 de Abril, por exemplo, na
terça feira, da Semana da Oitava da Páscoa, em Castel Gandolfo, diante da
ameaça de aniquilar a civilização Iraniana, anunciada nas redes sociais pelo
Presidente do seu país de origem, os EEUU, o Santo Padre convidou os seus
conterrâneos a entrar em contato com os membros do Congresso Americano para
pedir Paz e impedir o ataque maciço contra as infraestruturas do Irã.
No dia 11 de Abril, ao completar 63
anos da Encíclica ‘Pacem in Terris’ de João XXIII, esse mesmo apelo
tornou-se universal e dirigiu-se aos milhões de homens e de mulheres, de idosos
e de jovens que hoje acreditam na paz e que cuidam das feridas e reparam os
danos deixados pela loucura da guerra. O Papa Leão ainda pede que se ouça, em
particular, a voz das crianças que viram seus coetâneos morrerem sob as bombas
em Gaza, no Irã, na Ucrânia e em outras partes do mundo.
No dia 12 de Abril, Domingo da
Misericórdia, uma Semana depois da Páscoa Cristã, dia da celebração ecumênica
com as Igrejas Orientais, memória da vitória pacífica do Príncipe da Paz, o
Bispo de Roma, o Papa Leão apostou na esperança e na oração de uma maioria
silenciosa, pra enfrentar o momento dramático da história que a humanidade está
vivendo.
Sua Santidade pediu que se unam as
invocações de tantos, às “infinitas possibilidades de Deus”, para tentar
quebrar o que define como uma “cadeia demoníaca do mal”. Tais palavras do Papa
– que fez da paz o traço saliente do seu magistério – são claras, tanto ao
identificar a raiz, essencialmente diabólica da guerra, quanto ao rejeitar
qualquer reedição do “Deus está conosco”. Não! Deus
não pode estar com quem massacra civis. Deus está com quem sofre, com quem
morre sob os escombros. Pelo que se pode observar, o Papa não está, nada
satisfeito com o desgoverno de Trump.
A propósito, revendo meus
Comentários da Semana, arquivados em meu computador, encontrei no dia 18 de
Janeiro de 2025, dois dias antes da 2ª posse de Trump, como presidente dos
EEUU, em que eu dizia: “neste final e
início de semana, a Imprensa Internacional e até, a Nacional está dando muito
destaque à posse do Governo Americano, pela 2ª vez, ocupando a Casa Branca,
o Sr. Donald Trump, nesta 2ª feira, dia 20/01”.
Vali-me da opinião de um colega da
Tchecoslováquia, Pe. Tomás Halik, professor de sociologia, em sua terra natal,
meu colega em Roma, para me dar mais segurança no comentário que eu pretendia
fazer. Perguntei-lhe sobre o Papa Francisco e sobre Donald Trump. De pronto,
ele me atendeu: “o Papa Francisco é um
grande profeta do nosso tempo; um dos maiores Papas da História da Igreja.
Ninguém está fazendo mais para construir pontes entre culturas do que o Papa
Francisco. Sua Encíclica Fratelli Tutti poderia desempe-nhar um papel no
século XXI, semelhante ao desempenhado pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos no século XX”.
E continuou: “a vitória do populista amoral, Donald Trump, uma persona-lidade
caótica e imatura é uma tragédia não só para a América, mas para o mundo
inteiro. Aqueles que não conseguem aceitar a derrota e são incapazes de
autorreflexão crítica, que não respeitam as regras democráticas e a cultura da
lei não merecem vencer e governar. Quando o povo da Europa assiste às cenas
narcisistas de Donald Trump – cujos gestos e expressões faciais lembram muito
Benito Mussolini – suas vulgaridades, suas mentiras notórias e suas frases
vazias, eles riem alto. Não sei se os eleitores de Trump percebem que o mundo
não levará a América a sério com tal presidente”... Seguiu ainda o Padre
Halik e nós todos estamos confirmando seu pronunciamento à época.
Gostaria de encerrar o meu
Comentário desta Semana, repetindo mais algumas expressões de Leão XIV: “a oração é uma barreira contra esse delírio
de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo”. “Quem reza
tem consciência de seus limites e não mata nem ameaça”. “É o exato oposto
daquele que faz de si mesmo e do próprio poder, o ídolo mudo, cego e surdo, ao
qual sacrifica todos os valores e, diante do qual, pretende que o mundo inteiro
se ajoelhe”.
Ainda acrescenta o Santo Padre: “seria um erro considerar este apelo urgente
à oração, como uma fuga para o espiritualismo”. E depois de mencionar a
responsabilidade de cada um em construir, em todos os lugares, a paz, o
encontro e a amizade, Sua Santidade “convida
a acreditar no amor, na moderação e na boa política. Uma política que não
considerando inadequadas as palavras ‘diálogo e negociação’, busque, finalmente
a trégua e, em seguida, acordos
duradouros de paz”. E na sua bênção “Urbi et Orbi” na ocasião do “Regina
Coeli”, do dia 12/04, ainda sinalizou que,” diante da necessidade que o mundo tem de paz, isso compromete os cristãos a
serem assíduos e fiéis ao encontro Eucarístico com o Ressuscitado, para daí
partirem como testemunhas da caridade e portadores da reconciliação”. Associo-me
às angústias de S.S., continuo a admirá-lo, defendê-lo e conhecê-lo melhor, participando de sua Vigília de Oração para
implorar pelo fim de tantas guerras, sempre usando este espaço, concedido
pelo Leunam, organizador deste blog, a quem sou grato, por este instrumento de
comunicação onde posso ser Professor com
prazer.

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