“A paz não é apenas a ausência de guerra; é a justiça em ação”.
Ao fazer meu Comentário da Semana do dia 16 de maio referia-me à Solenidade de Pentecostes que marcava a fundação da Igreja Católica, no ano 33. Fazia 1993 anos. Mesma data em que fora instituída a Eucaristia, para manter-se no Sacrário ou em Oratório privado, até se tornar, publicamente, viandante, há 761 anos, quando o Papa Urbano IV instituiu a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo em 1265 pela Bula “Transiturus de hoc mundo”.
Esta Celebração
ficou fixa para a 1ª Quinta Feira, logo após a Festa da Santíssima Trindade. Participamos
de tudo isso nestes últimos dias.
Por ser o Pentecostes uma data de suma importância para dar início à missão da Igreja no mundo, (leia-se Livro dos Atos, 2,1-11), desde o início, no ano 33, e em todos os 1993 anos seguintes, a Igreja celebra a grande Festa, o mais solenemente possível, em todos os recantos do mundo.
No
ano passado, por ocasião das mesmas celebrações litúrgicas, nós nos despedíamos
do Papa Francisco e recebíamos um
novo Papa. Agora, com o nome de Leão. A escolha que o Cardeal argentino, Bergoglio,
fizera de ‘Francisco’ para nominá-lo de ‘Papa Francisco’, foi tão sugestiva ou
referencial para que o Cardeal Prevost, também procedente do “fim do mundo”
escolhesse “Leão” para ser chamado de “Papa Leão XIV” em referencia a Leão
XIII.
A
própria escolha do nome, já fez entender a que vieram tais Papas. Em tão pouco
tempo, o Papa Francisco agigantou-se perante o mundo: pelos seus
exemplos e mensagens e pela opção pelos pobres
como o fez São Francisco.
Em
menor tempo ainda, o Papa Leão XIV celebrou seu 1º Pentecostes conosco,
apresentando-nos sua 1ª Encíclica: a ‘Magnifica Humanitas’ para
marcar as grandes linhas do seu Pontificado.
Em
meu Comentário da Semana de 21 de junho do ano passado, referi-me ao que havia
feito o Papa Francisco no Natal de 2021: cedera sua “Casa de Férias” no Castel
Gandolfo, onde funcionava o Observatório
Astronômico Vaticano com seu potente Telescópio Espacial James Webb,
dando-lhe mais utilidade e mais socialização: ser uma Escola Superior de
Astronomia. Em visita do Papa Leão XIV para conhecer as instalações,
impressionou-se com o número de 24 jovens astrônomos, procedentes de 22 países.
Nem
é preciso dizer que isto deu grande alegria ao novo Papa, pois, na qualidade de
matemático e cientista que é, abençoou e deu total apoio à obra e iniciativa de
seu predecessor.
Mas...
Por que tanto “espanto” nas escolhas dos “nomes”: Francisco e Leão? Francisco,
até se justifica ou se entende. Mas, Leão!... O que significa?
O
antecessor, Leão XIII, escreveu a Rerum
Novarum em 1891. Foi o 1º Documento da Igreja sobre sua iniciante Doutrina
Social. Foi a base para todo o seu Magistério Oficial nestes últimos 135 anos.
Chegou
o momento de ver que essas “coisas novas” não são mais “tão
novas”. Apareceram e chocaram naquela época: da revolução industrial, da
questão operária, da concentração de riquezas, do conflito entre classes e, por
isso mesmo, o surgimento do socialismo. Tudo foi assustando e o Magistério da
Igreja foi-se arregimentando com a sua Doutrina Social que está abalada, mesmo
desatualizada. Por ser o Papa Leão XIV quem é, deve atualizá-la.
Foi
quando ele começou a falar em uma linguagem diferente, partindo do próprio
conhecimento e experiência, que seus antecessores não tinham. O Papa Leão era
cientista. Era matemático. Tinha a sabedoria digital. Desde o início de seu pontificado
falou-nos das Rerum Digitalium e entrou em ação.
Até
o início do seu pontificado, o que se exigia de um Papa era o cumprimento das
palavras de Jesus ao 1º Chefe da Igreja em Mt. 16,18: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. O Papa
Leão XIV não era somente o sucessor de Pedro. Tinha de ir além. Era um
cientista que devia funcionar como tal. Ele não estava na chefia de um Estado,
simplesmente por obediencia a Jesus. Seu chamado era para também pôr em prática
o que todo Estadista atual está fazendo: entender de Inteligência Artificial, Algoritmo,
Androide Digital e pô-los em uso, sem fake News, sem enganar a ninguém.
Começou
logo pelo apoio dado ao Observatório Astronômico, onde o
Papa Francisco fundara uma Escola Superior de Astronomia. Modernizou as
Secretarias de Estado, os Arquivos Pontifícios e Dicastérios do Estado Cidade
do Vaticano. Reformou toda a estrutura física onde tudo isto deveria funcionar.
Por
tudo isto e por muitos outros motivos e ações que vão acontecendo no seu
dia-a-dia e que sempre comento, só faltava um Documento oficial, tipo Encíclica,
resumindo todo o seu esforço na divulgação das Rerum Digitalium.
Nos
1993 anos de fundação da Igreja Católica – nesse último Domingo de Pentecostes,
24 de Maio, - o Papa Leão XIV anunciava e apresentava ao Mundo, a sua 1ª
Encíclica “Magnifica Humanitas - Desarmar a IA” que lhes apresento,
resumidamente, agora.
Resumidamente,
sim, porque o conteúdo de cerca de 200 páginas não caberia nesta meia página
que me resta. Ao apresentar a introdução feita pelo próprio autor da Encíclica,
quero estimular o meu leitor a lê-la totalmente, para entender todo o conteúdo
que o Papa quer passar, desarmando a IA.
Conforme
adverte Sua Santidade, a IA “influencia a
vida, molda decisões e muda a forma de combater a guerra. Tem-se que libertá-la
das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte”.
S.S. pede ainda “o desarmamento das
tecnologias para que se coloquem a serviço do bem comum e para construir
juntos o futuro para a família humana”.
Cada
Papa Leão em seu tempo. Ambos se impressionam com as coisas novas, de sua
época, que continuam desafiando a história e a humanidade. ”A Inteligencia Artificial hoje, precisa ser desarmada,
libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão
ou morte” afirma Leão 14 e continua: “temos
confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo
e, portanto, o futuro da humanidade”.
Na impossibilidade de continuar este meu comentário, por falta de tempo e de espaço, já o convidei a adquirir e a ler toda a Encíclica e dela se inteirar. No entanto, diante das poucas palavras do próprio autor, até aqui, colocadas, arrisco-me a dar um palpite em recente “abuso de IA” que o mundo viu, mais ou menos, estarrecido: a visita de um candidato à Presidencia da República do Brasil, sem protocolo oficial, ao Presidente Norte Americano, cuja encenação, me parece, se deu, concretamente, como adverte o Papa:
"influenciando a vida, moldando decisões e mudando a forma de combater a guerra. Tem-se que libertá-las das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte”. E o Papa conclui: “enquanto meu predecessor, Leão XIII observou a situação dos trabalhadores e das famílias desenraizadas e empobrecidas pela rápida transformação industrial e compreendeu que a Igreja não poderia permanecer à margem, sinto-me chamado a olhar para outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com o grito dos pobres e da terra que ressoam em seu coração”. E o Papa conclui: “a paz não é apenas a ausência de guerra; é a justiça em ação”.


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