sexta-feira, 5 de junho de 2026

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

“A paz não é apenas a ausência de guerra; é a justiça em ação”.

           Ao fazer meu Comentário da Semana do dia 16 de maio referia-me à Solenidade de Pentecostes que marcava a fundação da Igreja Católica, no ano 33. Fazia 1993 anos. Mesma data em que fora instituída a Eucaristia, para manter-se no Sacrário ou em Oratório privado, até se tornar, publicamente, viandante, há 761 anos, quando o Papa Urbano IV instituiu a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo em 1265 pela Bula “Transiturus de hoc mundo”.

            Esta Celebração ficou fixa para a 1ª Quinta Feira, logo após a Festa da Santíssima Trindade. Participamos de tudo isso nestes últimos dias.

           Por ser o Pentecostes uma data de suma importância para dar início à missão da Igreja no mundo, (leia-se Livro dos Atos, 2,1-11), desde o início, no ano 33, e em todos os 1993 anos seguintes, a Igreja celebra a grande Festa, o mais solenemente possível, em todos os recantos do mundo. 

            No ano passado, por ocasião das mesmas celebrações litúrgicas, nós nos despedíamos do Papa Francisco e recebíamos um novo Papa. Agora, com o nome de Leão. A escolha que o Cardeal argentino, Bergoglio, fizera de ‘Francisco’ para nominá-lo de ‘Papa Francisco’, foi tão sugestiva ou referencial para que o Cardeal Prevost, também procedente do “fim do mundo” escolhesse “Leão” para ser chamado de “Papa Leão XIV” em referencia a Leão XIII.

            A própria escolha do nome, já fez entender a que vieram tais Papas. Em tão pouco tempo, o Papa Francisco agigantou-se perante o mundo: pelos seus

exemplos e mensagens e pela opção pelos pobres como o fez São Francisco.

            Em menor tempo ainda, o Papa Leão XIV celebrou seu 1º Pentecostes conosco, apresentando-nos sua 1ª Encíclica: a ‘Magnifica Humanitas’ para marcar as grandes linhas do seu Pontificado.

            Em meu Comentário da Semana de 21 de junho do ano passado, referi-me ao que havia feito o Papa Francisco no Natal de 2021: cedera sua “Casa de Férias” no Castel Gandolfo, onde funcionava o Observatório Astronômico Vaticano com seu potente Telescópio Espacial James Webb, dando-lhe mais utilidade e mais socialização: ser uma Escola Superior de Astronomia. Em visita do Papa Leão XIV para conhecer as instalações, impressionou-se com o número de 24 jovens astrônomos, procedentes de 22 países.

            Nem é preciso dizer que isto deu grande alegria ao novo Papa, pois, na qualidade de matemático e cientista que é, abençoou e deu total apoio à obra e iniciativa de seu predecessor.

            Mas... Por que tanto “espanto” nas escolhas dos “nomes”: Francisco e Leão? Francisco, até se justifica ou se entende. Mas, Leão!... O que significa?

            O antecessor, Leão XIII, escreveu a Rerum Novarum em 1891. Foi o 1º Documento da Igreja sobre sua iniciante Doutrina Social. Foi a base para todo o seu Magistério Oficial nestes últimos 135 anos.

            Chegou o momento de ver que essas “coisas novas” não são mais “tão novas”. Apareceram e chocaram naquela época: da revolução industrial, da questão operária, da concentração de riquezas, do conflito entre classes e, por isso mesmo, o surgimento do socialismo. Tudo foi assustando e o Magistério da Igreja foi-se arregimentando com a sua Doutrina Social que está abalada, mesmo desatualizada. Por ser o Papa Leão XIV quem é, deve atualizá-la.

            Foi quando ele começou a falar em uma linguagem diferente, partindo do próprio conhecimento e experiência, que seus antecessores não tinham. O Papa Leão era cientista. Era matemático. Tinha a sabedoria digital. Desde o início de seu pontificado falou-nos das Rerum Digitalium e entrou em ação.

            Até o início do seu pontificado, o que se exigia de um Papa era o cumprimento das palavras de Jesus ao 1º Chefe da Igreja em Mt. 16,18: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. O Papa Leão XIV não era somente o sucessor de Pedro. Tinha de ir além. Era um cientista que devia funcionar como tal. Ele não estava na chefia de um Estado, simplesmente por obediencia a Jesus. Seu chamado era para também pôr em prática o que todo Estadista atual está fazendo: entender de Inteligência Artificial, Algoritmo, Androide Digital e pô-los em uso, sem fake News, sem enganar a ninguém.

            Começou logo pelo apoio dado ao Observatório Astronômico, onde o Papa Francisco fundara uma Escola Superior de Astronomia. Modernizou as Secretarias de Estado, os Arquivos Pontifícios e Dicastérios do Estado Cidade do Vaticano. Reformou toda a estrutura física onde tudo isto deveria funcionar.

            Por tudo isto e por muitos outros motivos e ações que vão acontecendo no seu dia-a-dia e que sempre comento, só faltava um Documento oficial, tipo Encíclica, resumindo todo o seu esforço na divulgação das Rerum Digitalium.

            Nos 1993 anos de fundação da Igreja Católica – nesse último Domingo de Pentecostes, 24 de Maio, - o Papa Leão XIV anunciava e apresentava ao Mundo, a sua 1ª Encíclica “Magnifica Humanitas - Desarmar a IA” que lhes apresento, resumidamente, agora.

            Resumidamente, sim, porque o conteúdo de cerca de 200 páginas não caberia nesta meia página que me resta. Ao apresentar a introdução feita pelo próprio autor da Encíclica, quero estimular o meu leitor a lê-la totalmente, para entender todo o conteúdo que o Papa quer passar, desarmando a IA.  

            Conforme adverte Sua Santidade, a IA “influencia a vida, molda decisões e muda a forma de combater a guerra. Tem-se que libertá-la das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte”. S.S. pede ainda “o desarmamento das tecnologias para que se coloquem a serviço do bem comum e para construir juntos o futuro para a família humana”.

            Cada Papa Leão em seu tempo. Ambos se impressionam com as coisas novas, de sua época, que continuam desafiando a história e a humanidade. ”A Inteligencia Artificial hoje, precisa ser desarmada, libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão ou morte” afirma Leão 14 e continua: “temos confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo e, portanto, o futuro da humanidade”.

            Na impossibilidade de continuar este meu comentário, por falta de tempo e de espaço, já o convidei a adquirir e a ler toda a Encíclica e dela se inteirar. No entanto, diante das poucas palavras do próprio autor, até aqui, colocadas, arrisco-me a dar um palpite em recente “abuso de IA” que o mundo viu, mais ou menos, estarrecido: a visita de um candidato à Presidencia da República do Brasil, sem protocolo oficial, ao Presidente Norte Americano, cuja encenação, me parece, se deu, concretamente, como adverte o Papa:

"influenciando a vida, moldando decisões e mudando a forma de combater a guerra. Tem-se que libertá-las das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte”. E o Papa conclui: “enquanto meu predecessor, Leão XIII observou  a situação dos trabalhadores e das famílias desenraizadas e empobrecidas pela rápida transformação industrial e compreendeu que a Igreja não poderia  permanecer à margem, sinto-me chamado a olhar para outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com o grito dos pobres e da terra que ressoam em seu coração”. E o Papa conclui: “a paz não é apenas a ausência de guerra; é a justiça em ação”.     

                 


   


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