SANTO
ANTÔNIO, SÃO JOÃO E SÃO PEDRO:
É SEMPRE BOM SABER DESTAS HISTÓRIAS
Está-se encerrando hoje, em muitas comunidades eclesiais,
o novenário ou trezenário em honra de Santo Antônio, viandante do Evangelho,
comunicador da Palavra, “insigne pregador e intercessor nas necessidades”
- como diz a oração de sua Missa - caminhante incansável e missionário
itinerante, só comparável a São Paulo, São Francisco Xavier, Fr. Damião ou,
aqui entre nós, ao Pe. Ibiapina, pelas centenas de milhares de kms.
percorridos.
É o 1º dos Santos Folclóricos Juninos a ser festejado neste dia 13,
seguindo-se lhe São João (dia 24) e os Santos Pedro e Paulo (28/29), sobre
quem, falaremos ao se aproximarem seus festejos.
Como em anos anteriores, até recebi algum convite,
para participar desses alegres momentos festivos, mas não pude atendê-los,
devido o avançado da minha idade. Quando podia atender, eu o fazia com o maior
prazer, pois se eu não fizesse algum bem às Comunidades que me convidavam,
fiquem certos, a mim o fariam muito bem. O que ainda me resta, é a participação
neste blog do meu amigo e colega Leunam, que - faz alguns anos - semanalmente,
me abre este espaço, pelo qual sempre tenho agradecido.
Santo
Antônio comunicava, com
tanta veemência, a Palavra de Deus e se destacava tanto pela denúncia do erro e
do pecado, que era chamado de “martelo dos hereges”, como cantamos na
ladainha em sua homenagem.
Nada melhor do que um santo desses, para dar
fundamentação e base para quem quer fazer uma Pastoral voltada para a verdade e
para a denúncia do pecado. Nada a temer. Muitas vezes somos criticados,
mal-entendidos, chamados de “comunista” por exercermos nossa missão, à maneira
de Santo Antônio. Ele nos serve de guia e modelo, pelo Missionário que foi, sem
nenhum medo de anunciar a verdade e denunciar a injustiça, como já nos mandara
o Senhor Jesus.
Nasceu em Lisboa, aos 15 de agosto de 1.195 e foi
registrado e batizado com o nome de Fernando Martini Bulhões. Pai rico,
poderoso, chefe político – fora até governador de Lisboa – criou o filho no
luxo, nas regalias e mordomias que os melhores colégios portugueses poderiam
oferecer aos filhinhos de papai.
Para completar sua requintada formação, foi interno
no Convento dos Frades Agostinianos que, àquela época, era o que havia de
melhor para quem pudesse pagar os estudos, concluindo tudo na famosa
Universidade de Coimbra, em 1219, com 24 anos de idade. Entrou na Ordem de
Santo Agostinho, da qual participavam os nobres, os ricos ou os maiorais da
época e se tornou sacerdote, recebendo o nome de Cônego Fernando, como são tratados até hoje, os frades e freiras
Agostinianos. Como outras ordens religiosas semelhantes, são chamados de “frades maiores”.
Contemporaneamente, na Itália, Francisco de Assis,
que tinha tudo para ser um frade maior, porque era de família nobre e rica,
funda uma ordem religiosa, voltada para os plebeus, os pobres ou os Menores,
para dar testemunho de pobreza e simplicidade, no meio dos irmãos mais
necessitados. Eram os “frades menores”. Viviam de esmolas e de muito
sacrifício, usavam roupas surradas e velhas e se espalharam pela Europa,
chegando também a Portugal. Pediam ajuda no rico Convento dos Agostinianos, em
Lisboa e impressionavam o porteiro, que era o Cônego Fernando, pelo testemunho
de pobreza e de fé que davam aqueles fradinhos. E Cônego Fernando começou a
pensar na possibilidade de abandonar seu rico convento e deixar de ser um Frade
Maior, para viver o espírito de pobreza de São Francisco, tornando-se um Frade
Menor. E assim o fez. Deixou tudo, em 1220, passando a ser um irmãozinho pobre
franciscano, recebendo o nome de Frei Antonio de Lisboa. Apesar de querer
catequizar a África, pra onde foi por primeiro, adoeceu e voltou, sendo
reenviado para a Europa, especialmente, à França e Itália, onde converteu
inúmeros hereges e infiéis.
Frei Antônio ficou tão famoso em Pádua onde morreu,
há 795 anos, aos 13 de junho de 1231, que – além de ser chamado Santo Antônio
de Lisboa - é também chamado de Santo Antônio de Pádua.
A propósito, ao preparar este Comentário sobre
Santo Antônio, ocorreu-me ligá-lo a uma reflexão feita aos 18 de Abril, véspera
do Dia do Índio, em que eu me
reportei também, à “santa ignorância de
muitos” em classificar de “comunistas”,
aqueles que desconhecem que Jesus deu origem às palavras: “comunidade”, bem “comum”
e ao próprio sacramento da “comunhão” que O perpetuou entre nós.
Provêm da palavra grega “koinonia”, todas bem vividas, entendidas e
ensinadas por Santo Antônio, inicialmente pela África e depois pela Europa. Não
se sabia nem, o que era comunismo que, os que estudam, sabem ter aparecido com
o Manifesto Comunista de Marx (1848), e com a Revolução Russa (1917). É claro
que a palavra “comunismo” tem a mesma origem que as demais, como qualquer
Gramática Histórica ou Etimológica (que ensina a origem das palavras) mostra a
quem tem um mínimo de conhecimento de Linguagem.
Imaginem! Se quase 800 anos depois da morte de
Santo Antônio, alguém ainda achar que ele era “comunista”, é realmente
desconhecer o que já afirmamos ali acima sobre a própria missão que ele fizera:
“não tinha nenhum medo de anunciar a
verdade e de denunciar a injustiça como já nos mandara o Sr. Jesus”.
Será que qualquer Santo, na História da Igreja,
precisou de outra ideologia, a não ser a de Jesus, para desempenhar sua Missão?
Talvez, o nosso desleixo, a nossa insegurança, o nosso afastamento da origem
tenha-nos desviado da rota.
O próprio Jesus ensinara: ‘a minha doutrina não é minha, mas d’Aquele que me enviou’. Por que
muitos de nós – pregadores, catequistas – querendo mostrar erudição,
conhecimento filosófico, adotamos outros pensadores ou ideologias, se nos foi
deixada uma sólida base doutrinária, pelo próprio Jesus? É claro! Todos os
“ismos” que nos impressionam e fazem mudar o caminho da Verdade, em nada
substituem o “Cristianismo” deixado por Jesus, obedecendo ao Pai que O enviou.
Sempre que falamos dos “Santos”, mostramos o motivo
que os tornaram “Santos”: pregaram a doutrina do Pai. Só
existe uma: a que Jesus ensinou.
Será que Santo Antônio fez isto? Nós dizemos pouco,
ao tentar responder.
Vamos entender a ele mesmo, falando no século XII,
um pouquinho de sua prática? São muitos os seus “sermões”. Vale a pena lê-los.
Veja só este parágrafo:
“Quem está repleto do Espírito Santo fala
várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a
saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência. Falamos estas
línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as
obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos
saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos
amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas
folhas”.
E Santo
Antônio termina este parágrafo, citando S. Gregório:
“há
uma lei para o pregador: que faça o que prega”; e conclui: “em
vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras”.
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