quinta-feira, 31 de março de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

MEB - A EDUCAÇÃO PELO RÁDIO: UMA EXPERIÊNCIA                              QUE DEU CERTO NO CEARÁ                                                                                                                  Leunam Gomes

Dando continuidade ao artigo do Mons. Assis Rocha da semana passada, em que falou  das atualização técnica e da própria história da Rádio Educadora do Nordeste, fui desafiado por ele a dar sequência ao assunto, nesta semana.

O meu primeiro trabalho profissional foi em 1967, com Alfabetização de Adultos, pelo Rádio, na Coordenação do Movimento de Educação de Base – MEB, em Sobral. Posteriormente, em Fortaleza, na mesma instituição, onde construímos com a equipe, uma experiência extraordinária. Éramos ouvidos por mais de trezentos grupos comunitários organizados. Não havia professores.

Em Sobral assumimos a Coordenação de uma equipe composta por jovens entusiasmadas pelo trabalho: Edna Barreto, Fransquinha Dias, Hermínia Liberato, Lúcia Bezerra, Miriam Moreira, Laélia Portela e Núbia Andrade. De homens, somente eu e seu Valter Araújo que era o motorista de nossa Rural Willys que nos conduzia às comunidades rurais para acompanhamento pedagógico aos grupos.

Eram as lideranças comunitárias locais que assumiam o comando das atividades em cada grupo.  Os encontros aconteciam em locais  disponíveis: um alpendre de uma casa, uma capela, uma sala de algum grupo escolar, uma casa de farinha, um salão comunitário. Tudo de acordo com as condições da comunidade. O entusiasmo do grupo era o mais importante. O apoio dos vigários era fundamental. Em março de 1969, transferi-me para o MEB/Fortaleza.

O nosso trabalho era desenvolvido de duas formas: pela Rádio Assunção Cearense, então pertencente à Arquidiocese de Fortaleza, no programa A ESCOLA EM SUA CASA, com duração de meia hora, das 18 às 18,30, de segunda à sexta feira. A outra modalidade, feita concomitantemente, era pelo acompanhamento direto às comunidades, com frequentes visitas.

Os resultados eram extraordinários por causa da metodologia que criamos para os Programas Radiofônicos. Os conteúdos eram transmitidos de duas forma: Num dia, com a apresentação de dois locutores. Uma voz feminina e uma voz masculina. No dia seguinte, o mesmo conteúdo era levado ao ar por meio de personagens  que se assemelhavam aos nossos ouvintes da zona rural. Aquela foi a chave do sucesso. Os nossos cuidados eram com o conteúdo e menos com a forma de falar. E os ouvintes entendiam tudo. E davam retorno quase imediato.

Anteriormente, recebíamos cerca de cinco cartas por semana. Geralmente dirigidas aos nossos violeiros que se apresentavam aos sábados.  Iniciamos com a adoção de personagens, situados numa comunidade imaginária: Riacho Seco. A quantidade de cartas começou a aumentar. Eram dez, quinze, vinte por dia.  Houve época em que recebíamos cem cartas da zona rural onde o povo tinha dificuldade de escrever e, muito mais, de enviar à Rádio.

A estratégia adotada foram cursos de duração limitada a 30 ou quarenta programas de rádio e o formato com a introdução dos personagens que se assemelhavam aos moradores das zonas rurais que visitávamos. Tivemos curso de Agricultura, Higiene e Saúde, Sindicalismo e Cooperativismo.  A cada curso aumentava o número de participantes. Diariamente, anunciávamos as cartas recebidas, indicando os remetentes e suas comunidades. Tínhamos o Controle de Correspondência Diária.

Nas visitas às comunidades, tínhamos o cuidado de prestar atenção ao universo vocabular das pessoas com quem conversávamos. Muitas daquelas palavras, frase, expressões, comparações nós as colocávamos na boca dos personagens  e aquilo gerava muita identificação. Referindo-se aos programas havia que dissesse: “É mesmo que nós estar conversando aqui”.

Os conteúdos dos programas de rádio se transformavam em atividades concretas nas comunidades. Se os personagens do Riacho Seco criavam uma atividade, aquilo se repetia, de formas variadas, em cada comunidade. Por exemplo: Os personagens, durante o curso de Higiene e Saúde, criaram  uma horta de plantas medicinais.  Nas comunidades reais, aquilo se reproduzia com a criação de farmácias comunitárias, campanhas de uso de filtro etc.

A identificação com os ouvintes no conteúdo e na forma e o estímulo à participação de cada um na discussão dos conteúdos, após a aula do Rádio, era o grande segredo. Todos se sentiam valorizados. Ninguém era superior ou dono dos conhecimentos. Todos sabiam alguma coisa e eram estimulados a compartilhar as experiências.

O nosso trabalho terminou em 1971 quando a ditadura começou a nos perseguir com intimações frequentes para explicar o conteúdo dos programas. A censura foi-se amiudando até a chegada do cabograma de nossa demissão e, simultaneamente da Equipe Técnica Nacional do MEB que nos acompanhava.

Para todos os que tivemos o privilégio de trabalhar no MEB, aquela foi a experiência mais marcante para nossas vidas profissionais, no ramos da Educação. Constatamos e comprovamos que é possível fazer um trabalho eficaz, por meio do Rádio.  Na época, a partir da adoção do novo modelo de comunicação, era o programa que recebia a maior quantidade de correspondências na Rádio Assunção Cearense. 

Tínhamos até este anúncio que era lido, nas transmissões esportivas, sobre o nosso programa  A ESCOLA EM SUA CASA:

Depois do “Alô Sertão”

E antes do “Show de Bola”

Todo mundo está atento

Ao Programa da Escola

PRIMEIRO PLANO

 

            Marcha do Silêncio, um eloquente protesto contra a               ditadura de 64 e seus efeitos - Edição de 31 de março


Pode-se imaginar o quanto sofrem, em Fortaleza, carteiros, motoristas de taxi, mototaxistas entregadores de alimentos e ouros objetos. Quase total carência de placas.

Denuncio porque passei por isto já várias vezes. Porque a Prefeitura não faz uma licitação entre agências de publicidade para que consigam anunciantes para as placas. Ou há recursos?

Em Teresina, a Avenida Marechal Castelo Branco, será chamada Avenida Esperança Garcia.  A primeira mulher advogada do Piauí. Escrava, negra e perseguida. Mas venceu!

A mudança coincidirá com a realização, em Teresina, no dia do golpe de 64, do VII Encontro das Comissões de memoria Verdade e Justiça do Norte e Nordeste do Brasil.

Esperança Garcia foi uma mulher negra escravizada brasileira, Nasceu na fazenda Algodões, onde fica hoje o município de Nazaré do Piauí. 

Em 6 de setembro de 1770, Esperança enviou uma petição ao então presidente da Província de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, onde denuncia maus-tratos e abusos físicos contra ela e seu filho, pelo feitor da Fazenda Algodões.

Fui surpreendido, na última segunda feira, com uma comunicação do Presidente da Academia Massapeense de Letras de que havia sido eleito para a Cadeira Nº 5.

Uma experiência inédita para mim, mas gratificante. Será uma forma de, mesmo aposentado, dar uma contribuição ao desenvolvimento da cultura do interior cearense.

Sou muito grato ao Presidente Eudes Sousa, pela lembrança e pelo gesto. Farei todo o possível para retribuir a gentileza. Detalhes na nossa coluna de Eventos.

Sábado, dia 26, no Hotel Amuarama, realizamos o lançamento de dois livros. Foi um prazer muito grande contar com as presenças de muitos conterrâneos e amigos.

É bom que se diga que todos ficaram impressionados com a acolhida no hotel e com sua própria estrutura. Seus corredores são verdadeiras aulas de história de Fortaleza, por meio de fotos.

Com certeza o Amuarama se tornará um ponto de encontro dos Betanistas, especialmente, pela atenção que nos é dada pelo ex-colega de Seminário, em Sobral, José Armando Dias.

                    
  A abertura foi feita pela Professora Ruth Cavalcante e pelo anfitrião Dr. José Armando Dias. O livro PROFESSOR COM PRAZER  foi apresentado pela Professora Muldiane Pedroza.

Estou impressionado e muito feliz com os comentários que recebo sobre o nosso livro GUARACIABA DO NORTE – Nossas ruas, Nossa história.

Do Rio de Janeiro, o amigo Domingos Torres Lemos, irmão da minha professora na quarta série,  me telefona para parabenizar pelo livro que quase o levou às lágrimas, de tantas emoções.

Isto tem sido dito e escrito com frequência  por muitas pessoas que já o leram. Como tenho dito, é a minha visão de menino de 12 anos, sobre a nossa pequenina cidade.

É um livro sobre pessoas, profissões da época, costumes, convivência. Não é um livro de história, no sentido convencional. Tudo foi extraído da lembrança.

Aconteceu hoje, no final da tarde a  Marcha do Silêncio, um eloquente protesto contra a ditadura de 64 e seus efeitos. O trajeto foi da SECULTOFOR à Casa Frei Tito de Alencar.

  

                      














quarta-feira, 30 de março de 2022

EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA

PÁGINA  EM CONSTRUÇÃO

BATE PAPO/VIDEOS




 

EVENTOS



 

OS NOVOS IMORTAIS ELEITOS
NA ACADEMIA MASSAPEENSE DE LETRAS E ARTE

Os novos imortais são ocupantes das Cadeiras da Academia Massapeense de Letras. Com os votos possíveis, os membros foram eleitos, em sessão hibrida, realizada no dia 25 deste mês. Os novos acadêmicos estão se sentindo honrados, muitos felizes em ocupar  uma das Cadeiras na Academia  “não como ponto de chegada, mas como ponto  de partida”.

Os novos acadêmicos são eles: Professor e Escritor Leunam Gomes; Professor e Historiador Nonato Fernandes; Professora e poeta Maria Edinar Siridó; cineasta João Batista Mesquita Júnior; Professor, filósofo e poeta Raimundo Orlanda; Jurista e pesquisadora Moana de Oliveira; Professor e pesquisador Reginaldo Arruda; artista plástico João Batista Soares; Professor e poeta Hélio Sena.

 

Para além de nossa condição humana, deveras precária, é tanto mais evidente essa presença sagrada de receber os novos acadêmicos eleitos. O ato não pode ser reduzido a uma mera efeméride, não se limita a um registro cartorial, mas constitui  sim, um momento especial de nossa cultura e, logo, de nossos mais profundos laços e compromissos subjetivos. Não é um registro histórico, que classifica como imortais os novos acadêmicos. Mas um gesto da cultura massapeense.

Trata-se de um gesto de cultura, que nos deixa mirando os dias presentes.  Enfim, Academia Massapeense de Letras e Artes acrescenta em que hoje se vem chamando crise moral ou crise da ética, não é mera violação de valores, decidido por tribunais de meia sola, por falsos monopólios da virtude. Mas é obscurecimento do destino comum, esse destino a que se revelam cegas as elites econômicas, políticas, burocráticas e tecnológicas. Por ética, nos referimos a um apelo radical à dignidade do ato de habitar e conviver, portanto, a tudo que implique um destino comum prefigurado pela razão fundadora da cultura na comunidade.

Esta Academia não pode, por exemplo, ser cúmplice do obscurantismo e da ignorância, que ora ameaçam as instituições da cultura em nosso país e se voltam, exatamente, contra o pensamento.

Acadêmicos não podem cortejar, ao mesmo tempo, liberdade e tirania. Basta com a inteligência e o dinamismo de sua capacidade de trabalho intelectual, fertilizando  as atividades culturais e morais de um povo, para o situar na ética da história em prol da vida.

Assim é que, a Academia Massapeense de Letras e Artes                                                             parabeniza os novos acadêmicos eleitos!                                                                                               Viva a Academia e seus símbolos!

                                                   


                                   Eudes de Sousa
, Jornalista e crítico literário                                                                                                      Presidente da Academia de Letras e Artes


sexta-feira, 25 de março de 2022

IDÉIAS E NOTÍCIAS

 

IDEIAS & NOTICIAS

 

No seu 63º  ano - Rádio Educadora adere à Era Digital

            Neste último dia de março, 5ª Feira, 31, terei a alegria de concelebrar - sob a presidência de D. José Vasconcelos, com o Diretor Pe. Lucas Moreira e com outros sacerdotes, bem como diante de funcionários da Rádio Educadora e de outros representantes da comunidade Sobralense - uma santa missa em ação de graças na Capela do Abrigo Sagrado Coração de Jesus.

            Tal solenidade preparará para no dia 21 de junho comemorarmos 63 anos de instalação da Rádio Educadora em Sobral. Depois de feitos os demorados e necessários ajustes técnicos, estamos preparados para deixar a tradicional faixa AM, de ondas médias, para funcionar em FM, plenamente, de maneira digital como quase todo o mundo conectado com a Internet. Isto significa dizer – em poucas palavras e sem muito aprofundamento para entender – “que diversos processos manuais ficaram de lado para darem lugar à automatização que a nova tecnologia nos proporciona com muitos momentos de bem-estar”. É a isto que chamo de adesão à era digital. Parabéns, Radio Educadora! Para aqui chegarmos, passamos por uma longa e difícil trajetória.

            No final da década de 1959 - início da de 1960 era presidente da República Federativa do Brasil, Juscelino Kubitschek, ex-seminarista, ex-aluno dos Padres Lazaristas no Caraça - MG, e ousado administrador em tudo o que fazia. Basta analisar o seu slogan de metas de trabalho: fazer o Brasil crescer 50 anos em Cinco.

            Juscelino tinha pressa. Tinha que fazer muito, em pouco tempo. Queria construir no seu momento presente, o que o Brasil fosse precisar mais tarde e deu início, com ousadia e planejamento à indústria brasileira, às fábricas de automóveis, às refinarias de petróleo, à frota naval, à marinha mercante nacional, à transferência da Capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central, enfim, motivou, investiu, construiu não só sob o aspecto material, mas cuidou da educação como sua principal meta. Não queria o povo só para trabalhar pesado. Tinha também que pensar, ativar os conhecimentos, aprender para ser mais. Não era o ter que era mais importante.

            Os números estatísticos da época mostravam o Brasil ocupando o 6º lugar entre os países com maior índice de analfabetos: cerca de 70% do povo. Tinha que ser feita uma campanha cerrada para reverter esse quadro. Com o seu conhecimento com bispos e sacerdotes da Igreja, motivou a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB a organizar um processo sistemático de Escolas Radiofônicas que atingisse e se espalhasse por todo o país, sobretudo no interior. Junto à ideia e ao convite para que os Bispos assumissem tão importante tarefa, facilitou para as Dioceses que quisessem colaborar, com a criação de emissoras de rádio entregues à administração diocesana, com a finalidade primeira de educar através de um Movimento de Educação de Base que se espalhasse por todo o país, sobretudo pelo interior, através de Rádios Educativas. Foi grande o número de Emissoras AM, em 1º lugar com finalidade educativa em sua programação, tendo nos demais programas a possibilidade de vender espaços comerciais que ajudassem na manutenção das Emissoras.

            A arquidiocese de Natal, no Nordeste, já era conhecida pelo avançado modelo de ação pastoral, pela coragem do arcebispo Dom Eugenio Sales e condução que ele dava à sua ação evangelizadora. Motivou os outros 02 bispos da Província do RN – Caicó e Mossoró – e em nome dos três, viajou pra Colômbia para ver uma experiência ousada e corajosa desenvolvida pelo Pe. Salcedo, em Sutatenza, usando uma “radinho comunitária” que atingia a todos.

            Foi a Sutatenza, na Colômbia, conhecer o Pe. Salcedo e sua experiência de evangelizar e educar pelo Rádio. Não se contentou em ouvir falar ou saber por ouvir dizer ou ainda por simples leitura. Foi em busca do desconhecido. Pousou em Bogotá e logo procurou a direção de Sutatenza: cerca de 120 km em mais de 03 horas por estrada carroçável. O próprio taxista desconhecia. Nas cercanias da Cidade, cumprimentou um transeunte camponês e lhe perguntou como chegar até o Padre Salcedo. Ao que o homem respondeu: “Buenos dias, Mons. Eugênio”. Pelos trajes, foi fácil identificar o bispo. Mas, saber o seu nome!... “Como sabes que eu sou D. Eugenio”? Ao que o homem retrucou: “o Padre Salcedo avisou hoje, pelo Rádio, muito cedo, que ia chegar um bispo do Brasil, chamado Dom Eugenio. Deve ser o Senhor”.

            Dom Eugenio, que fizera tão longa viagem para ver se funcionava o sistema de Rádio, comprovou logo, na chegada, que o método era infalível. Trouxe para a Província do Rio Grande do Norte e dali, em pouco tempo, se espalhou por todo o Brasil. Estava instalado o desejo do Presidente Juscelino com a parceria da CNBB, disseminando por toda parte, o MEB (Movimento de Educação de Base) através do Rádio que já se estava instalando nas Capitais e pelo interior numa concessão especial do Governo em parceria com a CNBB no uso concreto da tecnologia a serviço da educação do homem do campo.

            Como no Rio Grande do Norte, através das Rádios Rurais de Natal, Caicó e Mossoró, aqui no Ceará surgiram as Rádios: Assunção Cearense, em Fortaleza, e Educadoras: do NE, em Sobral, do Cariri, no Crato, Jaguaribana, em Limoeiro do Norte e Educadora  de Crateús. Era a nossa Rede Católica de Rádios, comprometida com a Educação, comandada pelo MEB. Disto, o nosso amigo e colega, Leunam Gomes, entende. Pode colaborar muito na reflexão.

            Ele começou mesmo na Rádio Educadora do NE, em Sobral, indo para a Rádio Assunção, em Fortaleza e seguindo para a Educadora do Maranhão, com estágios dentro e fora do Brasil. Foi e é um “expert” em MEB e Educação.

            Todas essas Emissoras, como o MEB, giram em torno dos 60 anos. Foram constituídos como sociedade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, com o objetivo de alfabetizar, conscientizar e evangelizar jovens e adultos. Sua sede em Brasília - tanto para a CNBB, como para o MEB – comandava as Diretrizes Pastorais, bem como, as ações voltadas para a Educação Popular no Norte, Nordeste e Centro Oeste, com todo o vapor até 1964. A inspiração maior vinha do Professor e Pedagogo, Paulo Freire, com seu transformador processo de educação, voltado para áreas populacionais do país, em que os indicadores socioeconômicos revelavam situação abaixo da linha de pobreza.  É claro que esse conteúdo ideológico, essa ousadia de educação voltada para o social não estava na mente dos militares que encabeçaram o golpe. O MEB foi uma de suas primeiras vítimas: teve monitores presos, escolas radiofônicas fechadas, salões paroquiais invadidos, rádios-cativos sintonizados nas Rádios Educativas quebrados ou levados, enfim, materiais de trabalho, apreendidos porque “tudo era comunismo e era contra a revolução”, diziam.

            A aniversariante Rádio Educadora, partícipe em toda esta história, unida a tantas outras coetâneas Emissoras, está merecendo esta promoção de entrar na era digital: modernizar-se para melhor servir, ter uma programação cheia de mais conteúdo, mais sabedoria, mais consciência nas mensagens anunciadas e mais clareza na transmissão da Palavra de Deus que nunca foi alienadora. Ela sempre foi transformadora, conscientizadora. Nunca precisamos de idéias políticas, militares, impostas por quem quer que seja para fazer nossa Missão.




 

Dia 31, acontecerá, em Fortaleza, a Marcha do Silêncio e visita ao Memorial das Sombras. Edição de 25 de março


Neste sábado, às 16 horas, faremos o lançamento de dois livros, no Hotel AMUARAMA, no Bairro de Fátima, em Fortaleza.

São eles: PROFESSOR COM PRAZER – Vivência e Convivência na Sala de Aula e GUARACIABA DO NORTE -Nossas Ruas, Nossa História.

O primeiro terá a apresentação da Professora/Mestra MULDIANE PEDROZA que conhece muito bem o livro e o tem adotado em suas aulas.

O segundo terá depoimentos de quem ajudou a construí-lo e de pessoas que já o leram. Apresentaremos uma retrospectiva visual dos lançamentos em Guaraciaba do Norte.

Sempre tenho citado os artigos do Mons. Assis Rocha como fonte de inspiração para os pregadores. O conteúdo está prontinho para ser anunciado.

Mas lembro que é também muito importante quanto à forma para quem deseja aprender a escrever. As palavras certas, com as concordâncias perfeitas.

Tenho observado que, cada vez menos, os textos que aparecem, publicamente, têm merecido cuidados.

Quando a gente torna público um texto, exibimos a nossa competência ou incompetência. Quem lê os textos, também lê a nossa capacidade de escrever.


Frases muito longas são um perigo. Desanimam o leitor. Há dificuldade de encontrar-se o sujeito e isto dificulta a compreensão do conteúdo.

Se tem dúvida quanto ao significado ou à forma de escrever uma palavra, é melhor confirmar primeiro do que arriscar-se, escrevendo de forma incorreta.

No dia 31 de março, acontecerá, em Fortaleza, as Marcha do Silêncio. A concentração será na SECULTFOR, onde, na ditadura funcionou a Policia Federal.

O encontro se dará às 15 horas. Antes da saída para a casa do Frei Tito, haverá uma visita ao Memorial das Sombras, onde muitos estiveram presos pela ditadura.

Os Professores de História e disciplinas afins deveriam agendar visitas com os seus alunos para que conheçam um local onde a ditadura prendia os que queriam democracia.

Em Teresina vai acontecer no inicio de abril o VII Encontro das Comissões de Memória, Verdade e Justiça do Norte e Nordeste.

Já conta com adesão de mais de 40 representantes dos Estados das duas regiões. Será o primeiro encontro a coincidir com o dia do golpe: 1º de abril.

 


Será que os clientes da UNIMED não mereciam um atendimento telefônico mais rápido? Cada número que se liga há uma desculpa para não atender.

São indicados esses números 32091818 e 987360051, de Fortaleza, e não se consegue. Um, responde “Ramal indisponível”.  O outro: “verificar o número e ligar novamente”.

Quando querem vender seus produtos, são muito atenciosos. O mesmo acontece com as telecomunicações. Depois, não há quem consiga falar.



 


quarta-feira, 16 de março de 2022

IDEIAS E NOTICIAS

 

            Em minhas duas últimas reflexões apresentei, resumidamente, a história do Carnaval antes da Quaresma, das 58 Campanhas da Fraternidade, sempre abordando um tema de acordo com a realidade nacional e das tensões criadas entre Igreja e Estado na execução das tarefas. Disse também que, dentre as Campanhas, duas trataram de Educação (1982 e 1998) e a deste ano (2022) volta ao Tema, na celebração dos 40 anos da Pastoral da Educação de 1982.

            No final, eu perguntava ao meu supervisor/Leunam, se eu poderia voltar ao assunto e que ele me aguardasse. Aqui estou.

            Os que temos bom senso, ligamo-nos à Educação, conhecemos Paulo Freire, pessoalmente e através de seu método participativo “Círculo de Cultura” e até fizemos parte da Pastoral da Educação nos últimos 40 anos, sempre estivemos atentos para alguns entraves de caráter histórico e cultural que tanto impediram o povo de alcançar seu direito constitucional de ser educado.

            Mas que entraves foram estes?

            - A desigualdade social. O descaso dos governantes quanto à cultura. O preconceito racista e excludente e outras atitudes que levam a um círculo vicioso de desigualdade, extremamente perverso e difícil de romper. Além disto a condição de pobreza extrema impossibilita o acesso integral à rede pública de educação. Sem estudo, sem diploma e sem capacitação profissional, a porta para o mercado de trabalho permanece fechada, levando sérios obstáculos a outros direitos: à habitação, à saúde, ao transporte e a tantas carências já aprofundadas em C. F., anteriormente estudadas.

            A C.F. 2022 nos propõe voltar ao Tema: Fraternidade e Educação e nos coloca diante de um Lema, tirado do Livro dos Provérbios 31,26: “fala com sabedoria, ensina com amor”. Desde a 4ª feira de cinzas estamos espalhando por todo o Brasil a 58ª C.F. com Tema e Lema, acolhidos pela CNBB, enviados a todas as Dioceses, distribuídos entre todas as Paróquias, comunidades eclesiais e capelas, a fim de que, toda a Igreja do Brasil realize a 58ª C.F.

Desde o início, contamos com uma mensagem do Papa. Desta vez, do Papa Francisco que nos incentiva a abraçar o “Pacto Educativo Global” já sugerido por ele em 2019, numa Mensagem às autoridades e a todo o Mundo, repetida agora no lançamento da C.F. a realizar-se no Brasil: “nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes, e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna”.

Francisco ainda acrescenta: “desejo de todo o coração que a escolha do Tema: Fraternidade e Educação torne-se causa de grande esperança em cada comunidade eclesial e de efetiva renovação nas escolas e universidades católicas, a fim de que, tendo como modelo de seu projeto pedagógico a Cristo, transmitam a sabedoria, educando com amor, tornando-se assim modelos desta formação integral para as demais instituições educativas”.

Não nos admira que políticos negacionistas, pentecostais cristãos - tanto evangélicos como católicos - ou outros tipos de pessoas ou instituições de mentalidade fechada, ditas conservadoras se metam em criticar mais esta C.F., chamando-a de comunista, dirigida por comunistas e fechando-se ao diálogo. Não é possível que todos não estejam observando erros na maneira como está sendo dirigida a educação em nosso país. Será que o Ministro, terrivelmente evangélico, está conduzindo sua “pasta” com sabedoria e competência? Meu Deus! É preciso ser muito apaixonado ou cego para não ver!

 Nós precisamos de servidores públicos, terrivelmente evangélicos ou, absolutamente preparados, competentes, sábios no exercício de suas funções?

Não será porque evocamos um Educador cristão, sábio, preparado e competente, como Paulo Freire, que cause tanto frisson entre conservadores?

Será que neste momento histórico em que nos encontramos não dá para percebermos as condições sociais ao redor de nós, merecedoras de uma atenção prioritária? A Igreja tem que calar ou cruzar os braços?

É claro que não. Temos que enfrentar os desafios que se impõem pelo anuncio do Evangelho em busca do bem comum: o valor da dignidade humana, o empenho pela paz, a capacidade de cuidar e dialogar, o direito e acesso à Educação e à Cultura. Esta 58ª C.F. retorna à Educação como um dos pilares fundamentais que promovem e favorecem o valor da dignidade humana e, por isso mesmo, necessita de uma atenção prioritária.

Sob o tema: fraternidade e educação e sob o lema tirado do Livro dos Provérbios 31, 26: fala com sabedoria, ensina com amor vamos entrar de cheio em mais esta C.F., comprometida com o bem comum, com a promoção de uma Educação Integral, à luz da Palavra de Deus, como lembra São João no 4º Evangelho 10,10: para que todos tenham vida e vida em abundancia.

Estamos enfrentando dois cenários pandêmicos: o da Covid 19 e o da Governança Oficial do Brasil. Uma, interferindo na outra. A da Covid, se formos vacinados e obedecermos aos protocolos recomendados pela Ciência, a gente está confiante na vitória. A do Governo, sem a conscientização política que leve à mudança tão desejada, vamos ter que penar muito para nos tranquilizar.

Neste tempo quaresmal, somos interpelados pela realidade da Educação que está exigindo profunda conversão de todos para que algo possa e deva ser mudado nesse contexto. Para que isso aconteça, Francisco está retornando à proposta de uma adesão ao Pacto Educativo Global, inserido na compreensão de um mundo fraterno, no qual, a Educação é o meio que se pode criar e encontrar o verdadeiro humanismo integral e solidário.

Ao mesmo tempo em que, elogiamos a Igreja através de seus chefes maiores – os Papas – enviando mensagens e apoios nas C.F. passadas, agradecemos, imensamente ao Papa Francisco pela sua compreensão diante do Tema da C.F. deste ano, incluindo-nos em seus pronunciamentos e nos convidando a fazer parte do Pacto Educativo Global. Ainda temos cerca de 1,5 milhão de crianças que nunca foram a uma escola. Temos inúmeros que se afastaram dela por causa da pandemia e por não terem condição de assistirem às aulas, virtualmente. Quantas mães tinham um “celularzinho” para servir a mais de um filho, nem sempre com acesso à Internet? Mas o que era isso para atender duas, três ou mais crianças ou para acudir em tantas necessidades?

Os opositores às Campanhas de Evangelização da Igreja, ou os que nada entendem da sua Missão, deixem-nos trabalhar. Não se metam a nos dar normas. Façam a sua parte; nós faremos a nossa. Deixem de nos atrapalhar!

Nós não “achamos” nada do que estamos pregando. Nós acreditamos. Temos certeza. Nosso roteiro de trabalho está na Palavra de Deus. Nós não a pronunciamos em vão. Não a misturamos com “politicagem”. Para nós, Deus está mesmo acima de tudo e só a verdade nos libertará. Nós não aterrorizamos ninguém com o Evangelho. Nós o transmitimos com amor. Para nós ele é a boa nova, a grande novidade. Nada de ‘terrível’, de ameaçador. Ele é a Palavra de Deus e Deus é PURO AMOR. Até breve! Eu voltarei.



COLUNA PRIMEIRO PLANO

 


Em Teresina, nos dias 1, 2 e 3 de abril acontecerá o VII Encontro das Comissões de Memória, Verdade e Justiça do Norte e Nordeste.

 Pela primeira vez o evento coincidirá com a data do golpe de 64, em 1º de abril. O Ceará, certamente, estará bem representado.

 A constatação de que há jovens estudantes que se mutilam, se cortam, se ferem, é  um tema da maior gravidade. É real. As causas são as mais diversas.

 É, exatamente, este o tema da pesquisa de Mestrado da Professora da UVA Clécia Nascimento. Transformado em livro que será lançado em abril. Fundamental para as escolas.

 Este assunto interessa a todos os Professores. Pela minha experiência pessoal, comprovada ao longo dos anos, o segredo é o a boa convivência de todos os alunos.

 O envolvimento deve ser de todos e não apenas dos que ficam sentados à frente, na sala de aula. Os menosprezados tendem ao isolamento. Sentem-se desvalorizados.

 O artista e mágico José Milton, do município de Croatá está dando relevante contribuição à Educação. Com o seu estilo envolvente, motivou as crianças para a vacinação.

 Com certeza, poderia ser levado para as salas de aula como gerador de motivação para os alunos. Poderia transforma conteúdos áridos em aprendizagem prazerosa.

 Em Massapê, o Presidente da Academia Eudes Sousa, promoverá eleição de novos membros no dia 25 de março, em sessão híbrida na sede provisória da instituição.

 Os novos ocupantes das cadeiras de membros efetivos e correspondentes ocuparão as vagas que foram abertas de acordo com o Edital publicado no dia 28 de janeiro de 2022.

 Entre os Betanistas, ex-alunos do Seminário da Betânia, em Sobral, hoje é dia de muita movimentação no grupo de WhatsApp. São três aniversariantes.

 Juarez Leitão, Edson Costa e Assis Parente. Em relação a mim, os três são bem mais novos na vida no Seminário. Quando chegaram em Sobral, eu já estava saindo para o Seminário Maior, em Olinda.

 Todos ficamos felizes com o depoimento da Dra. Cinara, Geriatra, sobre o estado de saúde do nosso colega e amigo Padre Gonçalo Pinho. Fizemos oração coletiva.

 “A PAZ DO MUNDO COMEÇA EM NÓS - Juntos, em uma roda on-line, podemos nos nutrir de paz e expressar nossa energia pacífica e amorosa  para os outros, ao nosso redor, e para o mundo em comunicação não local”

 


É o convite das Escolas de Biodança do Ceará, da Aldeia dos Camarás e do Meio-Norte, Pi. Dia 12/03/22, das 10 às 11:30h em Roda da Paz, pelo aplicativo Zoom.

 



COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...