IDEIAS & NOTICIAS
No seu 63º ano - Rádio Educadora adere à Era Digital
Neste último dia de março, 5ª Feira, 31, terei a alegria de concelebrar - sob a presidência de D. José Vasconcelos, com o Diretor Pe. Lucas Moreira e com outros sacerdotes, bem como diante de funcionários da Rádio Educadora e de outros representantes da comunidade Sobralense - uma santa missa em ação de graças na Capela do Abrigo Sagrado Coração de Jesus.
Tal
solenidade preparará para no dia 21 de junho comemorarmos 63 anos de instalação
da Rádio Educadora em Sobral. Depois de feitos os demorados e necessários
ajustes técnicos, estamos preparados para deixar a tradicional faixa AM, de
ondas médias, para funcionar em FM, plenamente, de maneira digital como quase todo o mundo conectado com a Internet. Isto significa dizer – em poucas
palavras e sem muito aprofundamento para entender – “que diversos processos manuais ficaram de lado para darem lugar à automatização
que a nova tecnologia nos proporciona com muitos momentos de bem-estar”. É
a isto que chamo de adesão à era
digital. Parabéns, Radio Educadora! Para aqui chegarmos, passamos por
uma longa e difícil trajetória.
No
final da década de 1959 - início da de 1960 era presidente da República
Federativa do Brasil, Juscelino Kubitschek,
ex-seminarista, ex-aluno dos Padres Lazaristas no Caraça - MG, e ousado administrador
em tudo o que fazia. Basta analisar o seu slogan de metas de trabalho: fazer o Brasil crescer 50 anos em Cinco.
Juscelino
tinha pressa. Tinha que fazer muito, em pouco tempo. Queria construir no seu
momento presente, o que o Brasil fosse precisar mais tarde e deu início, com
ousadia e planejamento à indústria brasileira, às fábricas de automóveis, às
refinarias de petróleo, à frota naval, à marinha mercante nacional, à
transferência da Capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central, enfim,
motivou, investiu, construiu não só sob o aspecto material, mas cuidou da
educação como sua principal meta. Não queria o povo só para trabalhar pesado.
Tinha também que pensar, ativar os conhecimentos, aprender para ser mais. Não
era o ter que era mais importante.
Os
números estatísticos da época mostravam o Brasil ocupando o 6º lugar entre os
países com maior índice de analfabetos: cerca de 70% do povo. Tinha que ser
feita uma campanha cerrada para reverter esse quadro. Com o seu conhecimento
com bispos e sacerdotes da Igreja, motivou a Conferencia Nacional dos Bispos do
Brasil – CNBB a organizar um processo sistemático de Escolas Radiofônicas que
atingisse e se espalhasse por todo o país, sobretudo no interior. Junto à ideia
e ao convite para que os Bispos assumissem tão importante tarefa, facilitou
para as Dioceses que quisessem colaborar, com a criação de emissoras de rádio
entregues à administração diocesana, com a finalidade primeira de educar
através de um Movimento de Educação de Base que se espalhasse por todo o país,
sobretudo pelo interior, através de Rádios Educativas. Foi grande o número de
Emissoras AM, em 1º lugar com finalidade educativa em sua programação, tendo
nos demais programas a possibilidade de vender espaços comerciais que ajudassem
na manutenção das Emissoras.
A
arquidiocese de Natal, no Nordeste, já era conhecida pelo avançado modelo de
ação pastoral, pela coragem do arcebispo Dom Eugenio Sales e condução que ele
dava à sua ação evangelizadora. Motivou os outros 02 bispos da Província do RN
– Caicó e Mossoró – e em nome dos três, viajou pra Colômbia para ver uma experiência
ousada e corajosa desenvolvida pelo Pe. Salcedo, em Sutatenza, usando uma
“radinho comunitária” que atingia a todos.
Foi
a Sutatenza, na Colômbia, conhecer o Pe. Salcedo e sua experiência de
evangelizar e educar pelo Rádio. Não se contentou em ouvir falar ou saber por
ouvir dizer ou ainda por simples leitura. Foi em busca do desconhecido. Pousou em
Bogotá e logo procurou a direção de Sutatenza: cerca de 120 km em mais de 03
horas por estrada carroçável. O próprio taxista desconhecia. Nas cercanias da Cidade,
cumprimentou um transeunte camponês e lhe perguntou como chegar até o Padre
Salcedo. Ao que o homem respondeu: “Buenos
dias, Mons. Eugênio”. Pelos trajes, foi fácil identificar o bispo. Mas,
saber o seu nome!... “Como sabes que eu
sou D. Eugenio”? Ao que o homem retrucou: “o Padre Salcedo avisou hoje, pelo Rádio, muito cedo, que ia chegar um
bispo do Brasil, chamado Dom Eugenio. Deve ser o Senhor”.
Dom
Eugenio, que fizera tão longa viagem para ver se funcionava o sistema de Rádio,
comprovou logo, na chegada, que o método era infalível. Trouxe para a Província
do Rio Grande do Norte e dali, em pouco tempo, se espalhou por todo o Brasil.
Estava instalado o desejo do Presidente Juscelino com a parceria da CNBB,
disseminando por toda parte, o MEB (Movimento de Educação de Base) através do
Rádio que já se estava instalando nas Capitais e pelo interior numa concessão
especial do Governo em parceria com a CNBB no uso concreto da tecnologia a
serviço da educação do homem do campo.
Como
no Rio Grande do Norte, através das Rádios Rurais de Natal, Caicó e Mossoró,
aqui no Ceará surgiram as Rádios: Assunção Cearense, em Fortaleza, e Educadoras:
do NE, em Sobral, do Cariri, no Crato, Jaguaribana, em Limoeiro do Norte e
Educadora de Crateús. Era a nossa Rede
Católica de Rádios, comprometida com a Educação, comandada pelo MEB. Disto, o
nosso amigo e colega, Leunam Gomes, entende. Pode colaborar muito na reflexão.
Ele
começou mesmo na Rádio Educadora do NE, em Sobral, indo para a Rádio Assunção,
em Fortaleza e seguindo para a Educadora do Maranhão, com estágios dentro e
fora do Brasil. Foi e é um “expert” em
MEB e Educação.
Todas
essas Emissoras, como o MEB, giram em torno dos 60 anos. Foram constituídos
como sociedade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, com o objetivo
de alfabetizar, conscientizar e evangelizar jovens e adultos. Sua sede em
Brasília - tanto para a CNBB, como para o MEB – comandava as Diretrizes Pastorais,
bem como, as ações voltadas para a Educação Popular no Norte, Nordeste e Centro
Oeste, com todo o vapor até 1964. A inspiração maior vinha do Professor e
Pedagogo, Paulo Freire, com seu transformador processo de educação, voltado
para áreas populacionais do país, em que os indicadores socioeconômicos
revelavam situação abaixo da linha de pobreza. É claro que esse conteúdo ideológico, essa
ousadia de educação voltada para o social não estava na mente dos militares que
encabeçaram o golpe. O MEB foi uma de suas primeiras vítimas: teve monitores
presos, escolas radiofônicas fechadas, salões paroquiais invadidos,
rádios-cativos sintonizados nas Rádios Educativas quebrados ou levados, enfim,
materiais de trabalho, apreendidos porque “tudo
era comunismo e era contra a revolução”, diziam.
A aniversariante Rádio Educadora, partícipe em toda esta história, unida a tantas outras coetâneas Emissoras, está merecendo esta promoção de entrar na era digital: modernizar-se para melhor servir, ter uma programação cheia de mais conteúdo, mais sabedoria, mais consciência nas mensagens anunciadas e mais clareza na transmissão da Palavra de Deus que nunca foi alienadora. Ela sempre foi transformadora, conscientizadora. Nunca precisamos de idéias políticas, militares, impostas por quem quer que seja para fazer nossa Missão.


Nenhum comentário:
Postar um comentário