Disse Maria: “os
poderosos vão cair de seus tronos”.
Amanhã é o último Domingo do ano litúrgico, em que se
celebra a Festa de Cristo Rei. Temos só mais a semana que vem, como a
última do tempo comum e, no Domingo próximo,
27 de Novembro, já é o 1º dia do novo ano litúrgico: o 1º Dom. do
Advento, início de um novo ciclo ou calendário eclesial.
Todos os
anos isso se repete e é muito bom que todos os católicos saibamos disso para o
nosso próprio conhecimento e para informar a outras pessoas que não saibam da
sequência vivida pela Igreja a cada ano.
E o que
vem a ser uma Festa a Cristo Rei? O que significa Jesus é Rei?
Normalmente
se pensa num rei terreno, poderoso e o próprio povo judeu O quis aclamar Rei,
nesse sentido, em algumas ocasiões, tanto que Pilatos O interroga: tu és Rei? Jesus responde: tu o dizes. Eu sou Rei. Mas o meu reino não
é deste mundo.
Essa é
que é a grande diferença entre os reinos terrenos e o Reino de Jesus. Reino
terreno era o de Pilatos, o de Herodes, o de César e os “reinos” que
conhecemos: todos passageiros; na sua maioria, injustos; quase todos, à custa
de mentiras, de “fake news”, de falcatruas, de compra de votos, de falsa
democracia, de farsa, enganação e vãs promessas por toda parte. Esse tipo de
reino, nós conhecemos muito bem. Como ser Jesus, de um reino assim? Fez muito
bem ao dizer: o meu Reino não é daqui.
Daqui são os reinos
fundamentados na força e na violência, na mentira e na prepotência e nada têm a
ver com o Reino de Cristo. Como tática, o que muitos fazem, é usar o nome de
Deus em vão.
A insuspeitíssima Maria, mãe de Jesus, havia
dito, com Ele no ventre, ao visitar Isabel: os
poderosos vão cair de seus tronos; os ricos vão ficar de mãos vazias. São
palavras, realmente, proféticas, ditas sob inspiração divina.
Foram-se
os Herodes, os Césares, os Francos, os Salasares, os nazistas alemães, os
fascistas italianos, os imperadores romanos, os invasores e piratas
portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, ingleses, as ditaduras e seus
filhotes - tanto a de Getúlio, como a militar - enfim, como disse Maria, “os poderosos vão cair de seus tronos”.
Todos caíram e vão continuar caindo, inclusive o nazi-fascismo que se apoderou
do Brasil. Há um certo número de apaixonados que nem está vendo, nem quer
entender quando nós falamos a respeito disso. Preferem ficar do lado de seus
“mitos” do que abrir os olhos para alcançar toda a verdade, mesmo que a realidade
seja tão visível.
Quantos -
no poder - enriqueceram à custa da seca, da SUDENE, da SUDAM, da miséria dos
pobres, do seu analfabetismo, de suas doenças e de sua fome? São as tais riquezas
injustas de que fala Chico Buarque em um de seus livros e em muitas de suas
músicas.
E Maria
disse mais: “os ricos vão ficar sem nada”.
Quem de nós não conhece tantos políticos exploradores, falidos, quebrados,
lisos, que, unidos a outros que tinham muitos bens, terras, gado, grandes
pontos comerciais e industriais, no entanto, ficaram sem nada? Quem não sabe que eles promoveram guerras e
violência, sobretudo no campo, nas famílias, piores do que os mais ferozes
animais, pois estes, pelo próprio instinto, sabem respeitar seus filhotes,
dar-lhes um carinho e até serem solidários em muitos momentos?
O Rei que
nós estamos homenageando amanhã não temia a nenhum desses poderosos. Chamou a
Herodes de raposa. Disse ao prepotente Pilatos, não ter nenhum poder sobre Ele, que não lhe adviesse do Pai. Chamou
de hipócritas, de sepulcros caiados aos fariseus, aos saduceus, aos herodianos
e a seus partidos, bem como aos doutores da lei e aos sumos sacerdotes judeus.
O
Reino de Jesus, que estamos celebrando amanhã, está construído sobre o amor e a
verdade, sobre a justiça e a partilha, sobre a solidariedade e a paz. Como diz
o Livro de Daniel: “foram-lhe dados
poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu
poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não
se dissolverá”. E o evangelho que já se pode ler hoje à tardinha e durante
todo o dia de amanhã, acrescenta: “quando
o filho do homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, se
assentará em seu trono glorioso... Então o Rei dirá aos que estiverem à sua
direita... e aos que estiverem à sua esquerda, que se dirijam ao destino de
cada grupo: ao castigo eterno... ou à vida eterna”. Temos que entender antes
de irmos para essa eternidade que o que nos faz sentar ao lado do Rei
não é a religiosidade proclamada, o dizer que “ele está acima de tudo”, mas a
caridade praticada, a solidariedade em favor do necessitado, como nos mostram as
obras de misericórdia, tantas vezes proclamadas, sobretudo no evangelho da
festa de nosso Rei.
Na
Cruz, Jesus crucificado é apresentado como o “Rei dos Judeus”. Na verdade, ele
ultrapassou o mundo dos judeus e se tornou sobre a humanidade, o “Rei do
Universo”. Na Cruz, aparentemente, era um homem comum, tanto quanto os outros
dois que foram crucificados com ele. De fato, por trás e acima das aparências,
o condenado comum é “a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda a criação”. Tudo o que existe “foi criado por meio d’Ele e para Ele”. São
Paulo ainda acrescenta: “em tudo Ele tem
a primazia”. O letreiro da cruz, expressando zombaria, acabou sendo
verdadeiro, não apenas em relação aos judeus, mas em relação ao mundo inteiro.
Ele, Jesus, é o Senhor do Universo, o Senhor da História. Ele é Cristo Rei.
No
evangelho de hoje, os chefes judeus, os soldados, o povo e os dois ladrões,
crucificados com Ele, zombavam-no, dizendo: “se
és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo e a nós”. Ao que o outro ladrão
retrucou: “nem sequer temes a Deus, tu
que sofres a mesma condenação? Para nós é justo, porque estamos recebendo o que
merecemos; mas ele não fez nada de mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no
teu reinado”. Ao que Jesus
respondeu: “em verdade eu te digo: ainda
hoje estarás comigo no Paraíso”. É este o nosso Rei Jesus: no tempo exato
em que nos convertamos, Ele está de braços abertos para nos acolher. Nós
acreditamos nisto?
Em
meu Comentário no início do Mês das Almas eu concluía, referindo-me à Festa de
Cristo Rei, no último domingo do ano litúrgico, próprio para uma avaliação
geral de nossas vidas, cuidando bem de nossa salvação já que, no próximo
domingo, 27, já é o 1º dia do novo ano, reinício de uma vida nova na graça de
Deus.
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