sábado, 26 de outubro de 2024

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

LIDERANÇAS ESTUDANTIS DO PASSADO SE REENCONTRAM NA LUTA POR DIAS MELHORES PARA FORTALEZA.

EDIÇÃO DE 26.10.24

Logo mais, no final da tarde, em Fortaleza, no cruzamento da Av. Antônio Sales com Rui Barbosa, torcedores de Evandro Leitão vão comemorar o aniversário de LULA.

 Na realidade, o aniversário será amanhã, mas por causa das eleições, a comemoração foi antecipada para hoje. Com certeza, multidões estarão lá.

 Ontem aconteceu muita animação no cruzamento democrático de Fortaleza. Desde às 17 horas a multidão se aglomerou naquele local com uma animação indescritível.

 É o local de reencontro de muitas pessoas que nos anos de chumbo lutavam por democracia. Ex presos e perseguidos políticos, hoje são pessoas de muito prestígio.

 Isto significa que suas lutas, no passado, tinham muito fundamento. Só a ditadura era contrária. Os líderes daquela época eram chamados de subversivos. Mas venceram.

                                                                       Ali, com Myrtes, reencontramos a Nilma, viúva do jornalista Messias Pontes.  O irmão dele médico e ex-vereador José Maria Pontes, Deda e outros como Inocêncio Uchoa, Antero e Nazaré. Muita gente boa.

Praticamente, todos os presos e perseguidos pela ditadura  tornaram-se liderança respeitadas em suas respectivas áreas de formação profissional.

 Já os que preferiram bajular os poderosos, tiveram alguns êxitos apenas passageiros. Não se conhece nenhum grupo apoiador dos militares da época, com destaque. 

A Professora Ruth Cavalcante, expulsa do curso de Pedagogia, presa pela ditadura, recebeu da UFC o título de Doutora Honoris Causa, no dia 9 de outubro.

35 anos da Rádio Guaraciaba (II): O parque de transmissão da Rádio foi nos altos do bairro Santa Luzia. Uma grande área conforme as exigências da radiodifusão.

 Ali ficavam o transmissor e a torre de transmissão, já sob os cuidados de Antônio do Rádio que acompanhou toda a instalação e, depois, o funcionamento da emissora.

 Tive o privilégio de fazer a primeira transmissão, anunciando que a Rádio Guaraciaba estava no ar em fase de teste.

 Dali mesmo fui à Sussuanha, à bodega do Luís Teotônio, para comunicar a grande novidade. Logo ele ligou o seu rádio e confirmou. Alegria geral.

 O desafio é para os nossos comunicadores: Quem se lembra da programação da Rádio e quem eram os comunicadores?

 Lá em Croatá, onde era Secretário de Educação, recebi a visita de um candidato a locutor. Era um jovem todo bem arrumado de uma voz que chamava atenção. Era o Paulo Sérgio. E os outros, quem eram?

 No passado, a Igreja tinha um movimento extraordinário de formação de jovens. Era a Ação Católica. O objetivo era envolver os leigos na ação pastoral. E foi um sucesso.

 Todos os segmentos estavam envolvidos desde a JAC – Juventude Agrária Católica, JEC, JIC, JOC até a JUC – Juventude Universitária Católica. Dali surgiram inúmeras lideranças.

 Vi algumas noticias de um movimento chamado Igreja em Saída. O amigo Lucivaldo deu-me ótimas informações. Espero oportunidade de conhecer melhor.

 Observando os requerimentos encaminhados à Comissão de Anistia Wanda Sidou, pelos perseguidos pela ditadura, quase todos os são oriundos da Ação Católica, especialmente de JEC e JUC.

 O Mons. Assis Rocha, como sempre, escreve artigos atraentes em seu Comentário da Semana. Fala no artigo de hoje sobre o Padre José Maria Cavalcante.

 Com Dom Helder Câmara, o Padre Assis e Zemaria também faziam parte daquele grupo que servia de ponte entre os exilados brasileiros, na Europa, e seus familiares no Brasil.

 Vale a penas conhecer a história que o Mons. Assis Rocha, então jovem sacerdote, conta sobre as reuniões natalinas que promoviam na Europa com o exilados.

 O João de Paula Monteiro, grande liderança nos seus tempos da UFC, guarda muitos cartas que lhe eram enviadas pelo Padre José Maria Cavalcante.

 Tenho impressão de que chegará o tempo em que aquele padre cearense, com Dom Helder, poderá estar nos altares. Motivos não faltam.

 Ontem, no debate dos candidatos a prefeito de Fortaleza, o bolsonarista enganchou numa pergunta. Parecia que não havia mais nada no seu “script”, então ficou repetindo.

 E o outro aproveitou o tempo para dizer de seus planos que interessavam aos eleitores. Não deu atenção à pergunta que lhe parecia, de fato, sem sentido, para o momento.

 Pior mesmo foi a agressão do vereador do PL ao candidato Evandro Leitão. Parecia uma pessoa descontrolada, com palavrões e fazendo ameaças. Referia-se até ao “caixão”.

 Como é que se faz uma campanha com base no ódio? Não adianta querer fazer emendas para corrigir as palavras que disse. Pareceu tudo bem planejado.  Terá que justificar na justiça.


Vale a pena ouvir o guaraciabense Psicólogo João Batista Bezerra conversando sobre as ações de prevenção sobre o SUICÍDIO. Importante entrevista para Luiz Regadas, na TV ATITUDE POPULAR. (Programa I.)                               Clique na setinha

                                



      

                                     








sexta-feira, 25 de outubro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA


NA DITADURA,

PADRES  APOIARAM OS EXILADOS BRASILEIROS!

No último 15 de Agosto, a família, os amigos e lugares por onde passou o grande Missionário, Pe. José Maria Cavalcante, celebramos os 60 anos de sua Ordenação Sacerdotal. Juntamo-nos para escrever algumas “Memórias” a seu respeito, que lhes repasso agora sobre sua vida e seu testemunho.

             Uni-me aos depoimentos de várias pessoas que trabalharam com ele ou que receberam sua influência pastoral ou seu serviço missionário, por onde quer que ele tenha passado. Todos têm dado opiniões. Tanto no Ceará, como em outros estados da Federação e até mesmo no Exterior, seu compromisso Missionário foi, bravamente, exercido.

 Tive o prazer de acompanhá-lo em vários locais de sua profícua Ação Missionária (na Arquidiocese de Fortaleza, nas Paróquias: de Nossa Senhora da Salete, de Aratuba, de Palmácia, de Acarape, de Barreiras, de Guajiru em Messejana, de Ideal, de Pitombeiras e de Timbaúba dos Marinheiros. Em São Mateus, na Arquidiocese de São Luís do Maranhão. Em Rio Branco, no Acre. Em Conceição do Araguaia, no Pará, substituindo dois Padres, que estavam presos. Planejava ir para a África, em Missão, mas D. Aloísio o enviou para Roma, a fim de dar uma parada e rever toda a sua ação pastoral, durante quase três anos). Lá nos encontramos pelos mesmos objetivos: eu revisava meus 05 anos de Padre, desde Outubro de 1973, e o Padre Zé Maria chegava, com 10 anos de trabalho pastoral, também buscando atualização.

                                                          Padre José Maria Cavalcante

Em Roma, estudávamos na mesma Universidade dos Padres Dominicanos: ele fazia teologia pastoral; eu, ciências sociais. A AMINE e outras opções pastorais nos levaram a tais aperfeiçoamentos, sempre em conexão com Bispos Brasileiros que por lá passavam: Dom Helder, Dom Aloísio, Dom Paulo Evaristo e outros Bispos que nos atualizavam com o Brasil e seu desgoverno.

De vez em quando estávamos recebendo ou embarcando Suas Excelências no Aeroporto Fiumicino de Roma. De um modo mais constante aparecia Dom Helder em suas “missões internacionais” em que ele dava tempo para se encontrar com “refugiados políticos brasileiros”, expulsos daqui pela ditadura militar. Além de levar-lhes notícias de suas famílias, trazia correspondências para serem entregues a elas.

            Dom Helder tinha suas equipes de “minorias abraâmicas” pela Europa que traduziam seus discursos do português para as línguas dos países onde ele iria falar. Toda a equipe falava suas próprias línguas e sabia português. Era através dela - que se conectava com a anistia internacional - que ele agendava esses encontros fraternais. Foi por essas vias, que eu também, com meu colega, Pe. Zemaria mantivemos um bom contato com brasileiros, nossos irmãos, que estavam exilados.  Empreendíamos qualquer esforço possível para irmos à Holanda, Alemanha, França, Inglaterra, Roma e interior da Itália para encontrar-nos com eles e falarmos da saudade, das esperanças que ficaram pra trás, do que faríamos se retornássemos, enfim, eram encontros de muito diálogo, muito incentivo e coragem para não desistirmos da luta. Nós dois não éramos refugiados. Estávamos em Roma por motivos de estudo, com retorno garantido no seu final. Pela nossa opção pastoral, nossos compromissos com a Igreja do Vaticano II e pelo apoio que tínhamos de nossos bispos diocesanos, nossos contatos com todos eram realizados com o maior dos prazeres.

            Sempre o fazíamos no Tempo do Natal: 1973, em Paris, com uns 15 brasileiros, “tronchos” de saudade. Tornei-me amigo de um ateu, que tinha sido preso político e se estava doutorando na Sorbone. Fiz-lhe o casamento, batizei seus dois filhos e somos amigos até hoje, inclusive participando de minhas bodas sacerdotais. Meu colega, Pe. Zemaria estava presente e até pregou.

            Em 1974 fomos passar o Natal em Grenoble, no sul da França, na casa de uma família “parabucana”, isto é, de Pedra de Fogo-Itambé situada bem no limite entre os dois estados: metade Paraíba, metade Pernambuco, cada lado com o seu nome: Pedra de Fogo/Itambé. Era o casal e duas filhinhas lindas. Os dois padres, mais uma vez, estávamos presentes, junto a um grupo maior de refugiados políticos: uns 25. 

            Em 1975, outro Natal maravilhoso. Dessa vez, na Alemanha. Estávamos lá, com um bom grupo de exilados brasileiros, inclusive com um casal alemão da Anistia Internacional, seguindo o mesmo esquema dos encontros anteriores.

            Porque no Natal? Porque nos países onde os brasileiros eram exilados havia o recesso natalino. Todos podiam participar, viajando para o local, até ajudando àquele ou àquela que não podia pagar o transporte. Sem serem todos cristãos, sabiam repartir: eram “companheiros”. E, para nós padres, era uma excelente oportunidade de marcar o nosso próprio natal, servindo a todos: com desconfiança, no início, mas se acostumando com nosso entrosamento.

            Todos demonstravam uma saudade enorme da família e do Brasil.

            Chegávamos ao local do encontro. Os que já se conheciam faziam aquela algazarra de sempre, abraços e beijos e deixavam de lado suas mochilas, sentindo-se em casa, sem muita procura por agasalho melhor. De olho no tapete, a gente já ia marcando lugar: pra se acomodar e até pra dormir.

            Púnhamos em dia as notícias da terrinha distante, sobretudo da política reinante. Os padres, tínhamos sido convidados pelo anfitrião de quem éramos conhecidos; sempre chegávamos por primeiro, de modo que, quando os desconhecidos chegavam, comentavam: "soube até que vêm uns padres aí, não sei porque. Não irão atrapalhar-nos?”. A essa altura estávamos entrosados e felizes pelo natal que iríamos passar. Víamos logo a partilha de todos. Além do dinheiro que ajudavam com as passagens, traziam um pouco de alimentos não perecíveis que eram colocados na cozinha para o consumo de todos. Era a prática dos antigos cristãos dos Atos dos Apóstolos: ‘punham tudo em comum’.

            Chegados, acomodados e entrosados uns com os outros e com a casa, íamos começando a nossa celebração do Natal: sem tempo para terminar, sem roteiro pré-estabelecido, sem esquemas intelectualizados e sem comando de uns sobre os outros. Entrávamos pela noite adentro. Em qualquer dos países da Europa em que nos encontrávamos, ouvíamos, à meia noite, as alegrias manifestadas ao modo europeu pela passagem do natal. Sabíamos que àquela hora não era a meia noite no Brasil. Faltavam ainda 04 horas. Iríamos aguardar a meia noite brasileira. Faltava bastante tempo para continuarmos nossos bate-papos, ingerindo a “caipirinha” feita de cachaça com limão, com tira-gosto de “paçoca”, tudo procedente do Brasil, de tal modo que, às 04 da manhã na Europa, meia noite no Brasil, todos estávamos mais saudosos do que embriagados. Ficávamos de pé, cantávamos o Hino Nacional Brasileiro, chorando, abraçados, unidos às alegrias de nossos familiares que, aqui, viviam o Natal, morrendo de saudades de nós que lá nos encontrávamos. E, diga-se de passagem, àquela época não tínhamos como nos comunicar nem sequer, por telefone, para ouvir alguém falando a nossa linguagem de amor.

            É isto que me está vindo à mente nas Noites de Natal. Foi assim que o comemoramos, tantas vezes, no “exílio” por conta da ditadura. A desconfiança que os irmãos refugiados tinham de nós padres, antes de nos conhecerem, era a mesma que tínhamos de qualquer brasileiro que encontrássemos no metrô, num museu, na Praça de São Pedro, nos Champs-Elysées, na Piazza Navona ou no Areópago ou em outro logradouro público de que nos aproximássemos. Podíamos encontrar um brasileiro, espião, a serviço da ditadura.

            Nestes últimos 02/03 anos completamos 50 anos de nossos natais sofridos, saudosos, solidários e, paradoxalmente, cristãos. Muitos já se foram, inclusive o meu irmão Padre Zemaria. Outros estamos à deriva, por mares nunca dantes navegados. Perdemos o contato. Com um casal de mineiros que tinha ido de carro: Paris - Grenoble viajamos pra Itália. Dormimos em Bolonha, passamos por Pietrelcina, de Frei Pio e fomos pra Roma onde morávamos. Pena que não sei mais, nem os nomes do gentil casal e se vivem ainda.

            Se, por milagre do Natal, alguém me lê, ou me reencontra por este ‘site’ e se interessa num reencontro pessoal, terei imenso prazer que isto aconteça. O meu tempo já está em contagem regressiva: estou com 84 anos. Com um pouco de boa vontade, ainda dá pra gente se ver... E vai ser muito bom!

            Que os nossos natais do modo que celebramos, as nossas lágrimas e emoções de outrora nos tenham treinado para vivermos melhor cada Natal.

            Neste ano de 2024 60 anos do Golpe Militar, 60 da Ordenação do Pe.  Zé Maria, 100 do nascimento de D. Francisco Austregésilo e 50 da morte de Fr. Tito – tivemos uma quádrupla motivação para nos encontrarmos: celebrar as alegrias pela vida de entrega total à Missão de Dom Francisco e do Padre José Maria e relembrar as dificuldades que a Ditadura Militar causou a eles e a tantos Agentes Pastorais que foram perseguidos, presos, torturados e mortos até, pela ditadura que tanto atrapalhou nosso trabalho de conscientização.

            Para debatermos sobre isto e recordar um pouco “a época de chumbo” que nos atingiu na alma, embora agradecendo aos “heróis da resistência” que tanto bem nos fizeram pelo apoio dado, reunimo-nos na Praia da Quixaba, em Aracati, vários exilados, com a presença do casal alemão, representante da Anistia Internacional, onde lembramos o Padre José Maria, suas cartas de apoio aos exilados, onde eles estivessem e de onde o Padre Zemaria estava para dar sua palavra de conforto, de solidariedade e de muito amor àqueles que, muitas vezes estavam à beira do desespero.

                      Na Quixaba/Aracati: Mons. Assis Rocha, Fred, Ruth, Barbara e João de Paula, 50 anos depois!

            O Professor Leunam Gomes, Presidente da Comissão de Anistia – Wanda Sidou – para o Ceará, ao acolher o casal da Anistia Internacional, Fred e Barbara, e os demais participantes, referiu-se à reunião, como um Encontro Histórico que, cerca de 50 anos depois, reuniu amigos que se conheceram no exílio, na Europa, foragidos pela ditadura militar, embora acolhidos pela Anistia Internacional ou por voluntários que se dispuseram em atendê-los”.

            Na verdade, além de lhes prestarem assistência oficial, pela Anistia Internacional, ainda lhes ajudavam, pessoalmente, providenciando soluções práticas para problemas de adaptação, interpretação da língua, diálogo entre órgãos oficiais, enfim, Fred e Bárbara, Juarez e Gabriela e outros alemães que sabiam bem as duas línguas, ajudaram, fraternalmente, a brasileiros que tinham dificuldades de comunicação ou de adaptação em terras estrangeiras.

            A minha participação nesta memória que se faz sobre o Padre Zemaria, certamente evoca fatos desconhecidos de sua vida, por se tratar de sua passagem pelo exterior, embora, sempre em Missão. Sobre sua ação missionária, aqui no Brasil, os depoentes de toda parte deverão ter feito de maneira intensa e profunda como seu trabalho pastoral merece ser tratado. Taí mais uma experiência missionária para ilustrar o Mês das Missões.

                        BORDADOS PEDAGÓGICOS                                     DA PROFª NAZARÉ ANTERO

 








 

sábado, 19 de outubro de 2024

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

A DEMOCRACIA É UMA CONQUISTA INEGOCIÁVEL!”

EDIÇÃO DE 19.10.24


Os pioneiros da radiofonia guaraciabense vão encontrar-se no dia 8 de novembro para as comemorações dos 35 anos da fundação da Rádio Guaraciaba, criada por José Maria Melo.

 A mim, me foi dada a tarefa de selecionar a equipe de comunicadores e elaborar a programação noticiosa e musical.

 A notícia, à época foi uma motivo de grande satisfação da comunidade. Propus o nome da emissora como forma de projetar o nome de nossa terra.

 O Zemaria, como cuidador zeloso de nosso município, logo acatou a ideia. Ao citar o nome Rádio Guaraciaba, o locutor, automaticamente, projetaria a nossa terra.

 Adotamos um critério para compor a equipe: Que fossem conterrâneos capacitados e que gostassem da atividade. Não precisavam ter experiência anterior. E acertamos.

 Daquele grupo, apenas eu tinha vivência em Rádio e acreditava, como acredito, piamente, no poder de uma emissora como veículo de educação e informação.

 Por razões obvias, o primeiro escolhido foi o Antônio do Rádio que acompanharia, desde o início, a instalação do parque de transmissão. Nas próximas semanas conto mais.

 Há pessoas que escolhem seus candidatos sem a menor preocupação com a capacidade de administrar uma cidade.

 Outros há que tomam posição por puro preconceito em relação aos políticos. Querem mudar de qualquer jeito. Depois são os primeiros a reclamar dos políticos.

 Há pessoas que, mesmo tendo conseguido um titulo de graduação e pós-graduação, não aprenderam a pensar. Repetem, como papagaios, o que lhes dizem. E completam: “Não estou nem aí”.

 E para mostrar competência, completam: “Todos os políticos são assim. Não tem nenhum que preste”. Parece até uma manifestação de inveja.

 Esquecem a sabedoria que está no poema de Bertold Brecht: O ANALFABETO POLÍTICO. Há os que leem, recitam, acham bonito, mas demonstram nada entender.

 No Ceará, em Fortaleza e Caucaia teremos segundo turno. E que Deus ilumine as mentes dos eleitores que terão esta oportunidade de exercício da cidadania e não joguem fora o voto.

 Graças a Deus, votei em Guaraciaba do Norte e, como a maioria, elegemos um excelente candidato que, ao nosso juízo, fará excelente gestão, com fundamentação intelectual e política.

 É muito gratificante ler estas palavras do bem sucedido empresário cearense AMARÍLIO MACEDO, sobre o momento político vivido em Fortaleza.

 “A cultura das notícias falsas como armas políticas gera emaranhados de percepções que perturbam a visão geral do bem comum.

 Nesse cenário, a insensibilidade de muitos dos mais aquinhoados põe em risco a estrutura democrática, como se fosse uma opção deixar de lado o discernimento na escolha dos nossos dirigentes públicos.

 A democracia é uma conquista inegociável. Não vejo sentido no fortalecimento de candidato com caminho comprometido com o totalitarismo.

 O negacionismo da ciência, das artes e da cultura, com impactos negativos na educação, na saúde, na mobilidade e no direito à moradia humanizada tem sido o maior fomentador de desavenças e antagonismos até mesmo entre pessoas que desejam uma sociedade mais justa”.

 A propósito, o PL, a pedido do ex presidente do Brasil expulsou o Deputado Federal Junior Mano, por ter manifestado seu apoio ao candidato Evandro Leitão, candidato a Prefeito de Fortaleza.

Para os eleitores de Fortaleza e Caucaia tenho uma mensagem que, espero, possa tocar os corações de quem terá a oportunidade de votar.  (clicar na setinha)


Há 21 anos, dentre mais de 200 IES parceiras do Programa Alfabetização Solidária, a nossa Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA foi escolhida para uma ação em Cabo Verde, África.

 Foi uma experiência extraordinária. O motivo da escolha da UVA foi a sua forma competente de desenvolver o Programa de Alfabetização de Adultos em parceria com o PAS.

 A outra  instituição escolhida foi a UNICAMP, na primeira etapa em que se atingiu apenas a ilha de São Tiago. No ano seguinte entraram a UECE e a UFRJ para o trabalho com as nove ilhas.

                                                                  Na abertura, com a presença do Ministro da Educação e da Dra. Regina Esteves,                                                       coube a mim falar em nome das Universidade parceiras.

                              Professores da UVA, UECE e UFRJ com o Embaixador do Brasil em Cabo Verde e                                                                                                     com Antônio Carlos Lopes, Diretor de Educação de Adultos do Ministério da Educação.





                                    






O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O ANÚNCIO DO EVANGELHO, NO MUNDO CONTEMPORÂNEO!

Depois de “comentar”, em Agosto, sobre o Mês das Vocações; em Setembro, sobre o Mês e Dia da Bíblia, prometia para Outubro, um Dia e Mês das Missões e já adiantava tema e lema, sugeridos pelo Papa Francisco para o Mês Missionário, sobretudo para comemorar o 98º Dia Mundial das Missões, neste dia 20, amanhã, penúltimo Domingo de Outubro.  Dentro de 02 anos, já vamos celebrar o 1º Centenário da instituição do Mês das Missões na Igreja.

 Encontrei motivos e exemplos concretos de Ação Missionária da Igreja, nestes quase Cem Anos, embora garantisse, para este Domingo, amanhã, um aprofundamento maior sobre sua história e ação catequéticas. Fá-lo-ei agora.

 Temos lembrado a cada ano, o histórico acontecimento: “o Papa Pio XI instituiu em 1926, o Dia Mundial das Missões, a ser comemorado todos os anos, no penúltimo Domingo do Mês de Outubro, que o tornou conhecido, como o Papa Missionário”. Seu Pontificado ficou marcado pelo lançamento da Encíclica Rerum Ecclesiae com os principais objetivos missionários que norteariam seu reinado apostólico, publicada na Festa de Pentecostes de 14 de Abril de 1926. Daí, a celebração centenária, no Pentecostes de 2026.

A partir de então, todos os Papas, que se lhe seguiram, lançaram logo, no Pentecostes, a sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões, a ser celebrado no penúltimo Domingo de Outubro, como o fez este ano, o Papa Francisco para este dia 20, amanhã, portanto, 98ª edição do Dia Missionário.

Inspirou-se no Evangelho de Mateus 22,9 para fundamentar seu recado: Ide e convidai a todos para o banquete, motivando-nos a todos os Irmãos e Irmãs com o tema da Parábola Evangélica do banquete nupcial. Assim inicia:

 “Queridos irmãos e irmãs!

Depois que os convidados recusaram o convite, o rei – protagonista da narração – diz aos seus servos: ‘ide às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes’. Refletindo sobre esta frase-chave, no contexto da parábola e da vida de Jesus, podemos ilustrar alguns aspectos importantes da evangelização. Tais aspetos revelam-se, particularmente atuais, para todos nós, discípulos-missionários, nesta fase final do percurso sinodal que, de acordo com o lema ‘Comunhão, Participação, Missão’ deverá relançar na Igreja o seu empenho prioritário, isto é, o anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo”.

 O Papa Francisco realça dois verbos, imperativos, na fala do rei: ‘ide’ e ‘convidai’’. Cem anos atrás, o Papa Pio XI já demonstrava ter a mesma preocupação ao escrever a sua Encíclica Rerum Eclesiae e divulgando naquele Pentecostes de 1926, surpreendendo a todos os que estavam na Basílica de S. Pedro: “parou no meio do seu sermão, tirou o ‘soli Deo’, transformou-o numa ‘sacola’ e pediu ajuda aos senhores cardeais, bispos, presbíteros e fiéis ali presentes, para as iniciantes Pontifícias Obras Missionárias, que continuam na Igreja até os dias de hoje”.

Deu-nos o exemplo. Uniu teoria e prática, ensinamento e realidade. Deu a entender que não basta a teoria; tem que praticá-la. Não é só falar; é agir.

 Tanto Pio XI, como Francisco, cem anos entre si, descobriram motivos que justificassem a ação missionária da mesma Igreja, fundada por Jesus, sempre atualizando-a. Concílios, Anos Santos, Sínodos, Conferencias, Campanhas Missionárias, Projeto Igrejas Irmãs, Conselhos Missionários, Centros Culturais Missionários  e os mais variados estudos e eventos mundiais, tudo deveria ter como finalidade, a renovação da Igreja e sua atualização constante.

    Estamos mais longe de Pio XI, mas o Papa Francisco nos tem feito recordar acontecimentos Internacionais, Jubileus e em cerca de 50 viagens ao redor do mundo, com o seu criativo “espírito de sinodalidade”, como uma base de estímulo à continuidade da Missão, deixada por Jesus, a que nos propomos espalhar por toda parte: os sucessores dos 12 Apóstolos e os 72 discípulos, como lembrávamos em nosso comentário da semana passada, ao agradecer a Deus pelos meus 84 anos de vida.

Desde o Dia Mundial das Missões do ano passado, Francisco já nos preparava para a mensagem deste ano, quando dizia: “continuo a sonhar com uma Igreja toda Missionária, e com uma nova estação da ação missionária das Comunidades Cristãs. Sim, oxalá todos nós sejamos na Igreja o que já somos em virtude do Batismo: profetas, testemunhas, missionários do Senhor! Com a força do Espírito Santo e até aos confins da terra”.

Com base na criatividade do próprio Jesus, o Papa Francisco realça o banquete nupcial de que trata Mateus, em que o rei ordena: “ide e convidai”: a missão como ida incansável e o convite para a festa do Senhor. Arremata o Papa:

“a ida deve ser, sempre incansável, rumo a toda a humanidade. O convite é para estar sempre em saída ao encontro de cada ser humano. Tem-se que ir sempre além, estar sempre em saída, apesar da indiferença ou da recusa. Mesmo assim, ir e convidar. O Bom Pastor não desanima, vai em frente, à procura das ovelhas perdidas do povo de Israel. Tem que ir sempre mais além, para alcançar as ovelhas mais distantes”.

 Será que o Papa Francisco está dizendo isso, só por dizer? O exemplo, dado por ele, em tantas viagens, dialogando com as mais diversas religiões e ideologias, com gente de paz e com gente de guerra, não é um testemunho missionário de quem quer dar um recado, realmente cristão?

Lembram-se, no tempo da pandemia, quando ele foi a Ur, na Caldéia- Iraque, terra de Abraão, tentar diálogo com muçulmanos, 90% da população, onde os católicos eram minoria, para dizer a todos, que éramos descendentes de Abraão e monoteístas, por que acreditávamos num mesmo e único Deus?

Nesta Mensagem para o dia de amanhã, 98º Dia Mundial das Missões, o Papa Francisco diz que

 “a Missão de Cristo é a missão da plenitude dos tempos, como Ele mesmo declarou no início da sua pregação: completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo” (Mc1,15). Prossegue o Papa: “os discipulos de Cristo são chamados a continuar esta mesma missão do seu Mestre e Senhor”.

 E Francisco acrescenta uma citação do Concílio Ecumênico Vaticano II (Decr. Ad gentes, 9), como compromisso missionário da Igreja:

 “a atividade missionária se desenrola entre o primeiro e o segundo Advento do Senhor... Antes que Ele venha,  tem de ser pregado o Evangelho a todos os povos”.

A Mensagem de Francisco para este 98º Dia Mundial das Missões - que vale a pena copiá-la, por completo, na Internet - conclui afirmando: “A missão para todos requer o empenho de todos. Por isso é necessário continuar o caminho rumo a uma Igreja, toda ela, sinodal-missionária, ao serviço do Evangelho. De per si, a sinodalidade é missionária e a Missão é sempre sinodal”.

Francisco conclui sua Mensagem, pedindo ao Senhor que nos guie e ajude a ser uma Igreja mais sinodal e mais missionária. Pede também a Maria - que obteve de Jesus, seu 1º Milagre, numa festa de núpcias, bem dentro da sugestão temática deste dia – que ela interceda, maternalmente, por todos nós para que sejamos discípulos e missionários, comprometidos com a verdade.   


domingo, 13 de outubro de 2024

coluna PRIMEIRO PLANO


   EXPULSA PELA DITADURA DE 64,    RECEBE HONORIS CAUSA NA UFC!

EDIÇÃO DE 12.10.24

Como era previsível, em Guaraciaba do Norte, os vencedores foram o Cientista Político Cefas Melo e o Médico Dr. Wellington Melo.

 Nunca tinha visto tanto entusiasmo de uma população. Os vencedores estão intimamente ligados ao ex-prefeito e ex-deputado José Maria Melo.

 O primeiro é filho. O vice é sobrinho. Senti, nas manifestações da população, nitidamente, a presença do ex-prefeito, Zemaria, nos inúmeros comentários que ouvi.

 As comemorações foram acima de todas as expectativas. Logo após a divulgações dos primeiros resultados, a população já começou a se manifestar e continuou noite       adentro.

 Na quinta feira aconteceu a grande festa de comemoração. Na praça de eventos, ao lado do Terminal Rodoviário, uma verdadeira multidão reuniu-se para celebrar.

 É decisão de Cefas Melo promover uma ampla avaliação da situação da Prefeitura, em todas as áreas. Para tanto, uma equipe de especialistas já foi contratada.

 Na Universidade Federal do Ceará, aconteceu uma festa muito simbólica, nas comemorações dos 70 anos da nossa Universidade.

 Ali o Reitor Custódio Almeida conferiu o titulo de Doutora Honoris Causa à Professora Ruth Cavalcante que, no regime da ditadura fora expulsa da UFC.

 Mais do que isto. Presa, fugiu da prisão, numa ação, cinematograficamente, programada e executada com pleno êxito. Total desmoralização dos ditadores.

 O gesto da UFC foi uma forma simbólica de lavar a alma de todos os que estavam presentes no auditório Prof. Martins Filho.

 Ali estavam contemporâneos da Ruth em sua ação de política acadêmica, da JEC -Juventude Estudantil Católica, do MEB-Movimento de Educação de Base, do CDH, da Biodança e Educação Biocêntrica. 

Os três discursos foram verdadeiras páginas antológicas. Ítalo Gurgel, Professor Custódio Almeida e Ruth Cavalcante foram muito cumprimentados. Na sequência desta coluna está o discurso de Ítalo Gurgel

 Nos jardins da Reitoria, num clima de muitas emoções e belas músicas, foram muitos os abraços e fotos históricas de encontros e reencontros.

 Em Bela Cruz, na zona norte do Ceará, neste sábado, aconteceu a comemoração do aniversário do Mons. Assis Rocha, na Fazenda Santa Maria.

 Foi uma grande reunião da família, naquele local que mexe com a alma de cada um que ali nasceu ou viveu importantes momentos.

 A família organizou, com muito carinho, uma festa que teve início, às 10 horas, com uma missa celebrada pelo aniversariante, num dos espaços de trabalho do casarão.

 Ali estavam pessoas vindas de diversos lugares. Praticamente todos os familiares estavam presentes. A Fazenda Santa Maria fica a uns 50 quilômetros de Bela Cruz.

 A Missa foi celebrada ao estilo do Mons. Assis Rocha, com muita participação. Na homilia, ele leu o texto que está publicado neste blog, sob o título: MISSÃO: UMA EXPERIENCIA PESSOAL.

 Foi um momento de muitas emoções e declarações de amor ao aniversariante e à família. A celebração foi transmitida pela Rádio Santa Genoveva FM.

 A seguir foi servido um grande almoço. Myrtes e eu não esperamos porque tínhamos que retornar a Fortaleza. Na véspera, tivemos a oportunidade de conhecer a cidade de Bela Cruz. Valeu a pena.

Vez por outra recebo surpresas de meus ex-alunos. Desta vez foi a caríssima Vânia Pontes, Coordenadora Pedagógica do Curso de Direito da UNINTA, de Sobral.

 Ela foi minha aluna no curso de Letras, da UVA. Encantou-se com a metodologia que adotamos, especialmente com um Curso de Metodologia de Ensino Superior, com fundamentos na Educação Biocêntrica.

 Publicou um poema, a mim dedicado, em que fala de minha trajetória, especialmente, da metodologia que adotamos em nossas aulas.

 Vânia Pontes é de Ipueiras, graduada em Letras e Psicologia, Mestra de Doutora na área do Direito. Cada ano tem-se destacado em suas atividades como Coordenadora Pedagógicas.


No programa MINUTO PELA EDUCAÇÃO, da TV Atitude Popular, da semana que passou, abordamos um tema sempre atual e sempre importante: O Servidor Público. (CLIQUE NA SETINHA E OUÇA)


“AQUELE ERA UM TEMPO DE SONHAR”

                                                                                    Discurso do Professor e Jornalista Ítalo Gurgel na solenidade de outorga do título de Doutora Honoris Causa à                                                                                   Professora Ruth Cavalcante

“Magnífico Reitor Custódio Almeida; Prof.ª Bernardete Porto, através de quem saúdo os demais componentes da Mesa, onde tomam assento grandes amigos e pessoas a quem muito admiro; Prof.ª Ruth Cavalcante, homenageada desta noite; Prof. Leunam Gomes, Presidente da Comissão da Anistia, a quem cumprimento, estendendo minha reverência a todo o auditório.

Senhoras e senhores.

Aquele era um tempo de sonhar. Inspirados em generosas convicções, os jovens acreditavam ser possível edificar um mundo melhor, onde se partilhasse Justiça a mancheias, onde se entronizasse a fraternidade e a igualdade entre os cidadãos.

Menina do interior, transferida para a Capital, Ruth Cavalcante estudou em colégios que sempre puseram à prova seu gosto pela liberdade. Aos poucos, refinou-se nela o espírito de liderança e a inquietação diante da crua realidade social em seu entorno. Amadureceu. Novas leituras passaram a trafegar por sua cabeceira, enquanto se consolidava uma vocação irrefreável para o magistério. Essa missão ela abraçara ainda criança, quando descobriu que a sexagenária Terta não sabia ler nem escrever. Estreou como professora ali mesmo, na cozinha, ensinando o ABC à velha babá, que a chamava carinhosamente de Ruivinha.

Os anos 1960 encontram a secundarista Ruth integrando a Juventude Estudantil Católica, onde se familiarizou com o pensamento de Paulo Freire. Aos 20 anos, entrou para o Movimento de Educação de Base e participou da mais extraordinária experiência de educação popular do país, qual seja, o trabalho de alfabetização e conscientização através das Escolas Radiofônicas.

Eis que, em um infausto 1º de abril, os brasileiros acordam sob a ditadura. Acolitados pela burguesia e sob as bênçãos do Grande Irmão do Norte, os militares usurparam o poder. Logo viriam as prisões, a tortura institucionalizada, os “desaparecimentos” de presos políticos... Instalou-se a censura, o medo. Naqueles dias sombrios, Ruth alfabetizava operários, donas de casa, trabalhadores do campo, que, através do rádio, aprendiam não apenas a ler, mas também a pensar. Suprema ousadia!

Participante ativa, também, do movimento estudantil, em 1968, ano do truculento AI-5, ela foi detida, primeiro no interior de São Paulo, durante o Congresso da UNE, depois em Fortaleza, no momento em que ministrava um curso sobre Paulo Freire no campus desta Universidade.

Na cela, os dias eram longos, as noites insones. Mas sempre havia motivos para que seus olhos azuis brilhassem. Um deles eram as visitas. Certo dia, a porta se abriu para deixar entrar Seu Chiquinho, o pai, que trazia afagos e bênçãos de Donana, a mãe. Em gesto dissimulado, ele tirou do bolso um papel dobrado que recebera no centro da cidade. Era um panfleto no qual as forças da resistência ao regime exigiam a soltura de Ruth. Ao desdobrar o papelucho e repassá-lo às mãos da filha, Seu Chiquinho deixou transparecer um ar de genuíno orgulho que, naquele instante, redimiu todas as provações e temores da jovem prisioneira.

Desconheciam os algozes que Ruth tem asas. As asas da liberdade, que sempre carregou, lhe ensejaram uma fuga bem urdida, que demonstrou ser a inteligência mais forte que a força bruta. Então, ela voou para o Sul, qual ave migratória. Foi levar força e fé aos companheiros de luta. Mas os cães farejadores não saíam do seu encalço. Pressionada, ameaçada, partiu para o exílio no Chile, onde Salvador Allende realizava reformas cruciais para resgatar o país do jugo imperialista.

Ali onde o condor sobrevoa cumes nevados e vulcões, Ruth casou-se com João de Paula, companheiro do movimento estudantil. Eram dias tranquilos. Até que eclode o golpe liderado por Pinochet, que instalaria no país uma das mais brutais ditaduras militares da América Latina.

Impunha-se partir outra vez. A Alemanha estendeu a mão e Ruth e João inauguraram nova etapa do exílio, agora às margens do Reno, onde o carrilhão da Catedral de Colônia soava tão afinado quanto o sino da igreja de São Sebastião, na Pedra Branca. Foi lá que Mariana nasceu, apontando caminhos que levariam Ruth a se engajar na Educação Especial e diplomar-se em Psicopedagogia.

No Brasil, pressionada pelo movimento popular, a ditadura exalava os últimos estertores. Veio a Anistia e os exilados puderam retornar. Os anos que se seguiram marcaram, para Ruth, uma fase das mais produtivas, com novas realizações e a descoberta de Rolando Toro. Ruth partilhava agora seus sonhos e sua vida profissional com o professor César Wagner, desta Universidade. A seu lado, exploraria os dadivosos campos da Biodança e da Educação Biocêntrica. Da união dos dois, brotaram Sara e David, que já lhes deram quatro netos.

Hoje, Ruth reparte lições de reeducação afetiva e prega o convívio amoroso. Orienta, cuida, acende luzes. Continua nas salas de aula, nas lives, nos auditórios e grupos populares, numa espécie de atuação que transita entre o sonho e a luta. Daí, o natural reconhecimento. Daí o prestigioso título de Doutor Honoris Causa de uma das maiores e mais bem avaliadas universidades do País.

Professora Ruth, dirijo-me agora a você. Quero falar àquela que foi a musa da minha geração, e a quem conheci já nos meus primeiros dias de aula na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, neste mesmo Campus do Benfica.

Profundamente agradecido ao reitor Custódio Almeida, que me deu a honra de saudá-la esta noite, quero felicitá-la pelo ingresso na assembleia dos Doutores Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará. Hoje, você fortalece vínculos com a instituição que a viu crescer como cidadã, educadora e liderança na luta pelas liberdades em nosso País.

Esta casa, Professora Ruth, guarda bem guardada a história do tempo em que sonhar era perigoso. Preserva, na verdade, a herança de muitos séculos de história. O ritual que presenciamos, essas vestes, o cerimonial, nunca foram mais atuais, mais pertinentes. Eles simbolizam o triunfo do Conhecimento, a apoteose do Saber. São nossa indumentária quando enfrentamos o obscurantismo e negacionismo de falanges como aquelas que, recentemente, ameaçaram a democracia brasileira, pondo em risco nossa cultura, ciência, artes, nossos valores humanistas.

Sim, temos uma tradição e dela nos orgulhamos. Quem avaliza nossas teses não são charlatães terraplanistas, mas cientistas de Oxford, poetas de Coimbra, pensadores de Heidelberg. Já as hordas do atraso, essas ostentam apenas as armas do ódio, da violência e da mentira, que usam para atacar o Estado democrático, a Justiça, a Imprensa livre, o arcabouço do Saber, que detestam... porque o temem.

Seja bem-vinda, Professora, ao convívio de uma universidade pública da qual todos se orgulham: inclusiva, democrática, pautada pela excelência e profundamente engajada na redenção do Ceará e do Nordeste. Nos registros desta casa, que celebra 70 anos de existência, seu nome será escrito em letras garrafais – Ruth Cavalcante. Mas tenho certeza de que, na certidão afetiva da Terta, lá em sua estrela particular, você agora se chamará... Doutora Ruivinha”.




 


COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...