sábado, 26 de abril de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

CAPACITAÇÃO, EM TIANGUÁ, COM O LIVRO PROFESSOR COM PRAZER

Em Tianguá, nesta sexta feira, tivemos um encontro com Professores e Professoras do PARFOR, Programa de Formação, do Governo Federal, com acompanhamento de Professores da UVA.

 A turma pertence à rede municipal de ensino e tem encontros mensais de capacitação e aperfeiçoamento. No encontro de ontem, sob a coordenação da Professora Thalita Fernandes, fizemos uma apresentação de nosso livro PROFESSOR COM PRAZER.

 Foi impressionante o entusiasmo da turma com tudo que ali foi desenvolvido, de acordo com a metodologia proposta no livro. Todos estavam permanentemente ligados em tudo que era conversado.

 Professores que se supunham tímidos, com a participação na metodologia aplicada, tiveram desempenhos excelentes e constataram que podem aplicar em suas próprias salas de aula.

 Houve um interesse muito grande na aquisição do livro. A quantidade que levamos para mostrar aos Professores foi insuficiente.

 As Professoras Ana Claudia, Isabel Cristina, Valneide, Edilene, Rosângela, Taty. Elisângela, Jocélia, Lilian e Gisele ficaram com seus livros autografados. Houve quem adquirisse mais de um exemplar para dar de presente.

Os Professores e professoras presentes tiveram oportunidade de manusear o livro, ler alguns tópicos e constatar a linguagem acessível e o conteúdo muito semelhante ao que vivenciam em salas de aula.

 Aliás, o livro foi escrito, propositadamente, com uma linguagem que qualquer pessoa seja capaz de entender. Não há palavras que requeira dicionário e nem frases que o leitor precise repetir a leitura para entender.

 Para mim, foi um momento muito gratificante. A Professora Doutora Rejane Gomes, da UVA, que conduz a capacitação, ficou muito feliz com o interesse demonstrado pela turma. Sou-lhe grato.

 Na linguagem da capacitação de Professores há um mau hábito em usar a palavra Formação. Ora, formar é moldar, colocar numa forma. Exatamente, ao contrario do sentido etimológico de educar. Mudar.

 O Professor Aécio Cândido, Presidente do Conselho de Educação do Rio Grande do Norte consideram que conheceu dois livros que vale por uma biblioteca. Um deles é PROFESSOR COM PRAZER -Vivencia e Convivência em Sala de Aula.

 Não é necessário dizer da felicidade que o comentário me proporciona. Afinal é a opinião de um intelectual que entende muito bem do assunto. O outro livro que ele leu é AULA NOTA 10, de Doug Lemov.

 “Mulheres e resistência contra a ditadura no Ceará” será o tema da entrevista da TV atitude Popular com a Professora Carol Braga, na próxima quarta, dia 30, às 7,30h no programa Café com Democracia.

 O tema é resultado de sua pesquisa de pós Doutorado. Uma de suas fontes foi o arquivo da Comissão Especial Wanda Sidou – (Anistia), vinculada à secretaria de Direitos Humanos do Ceará.

 A propósito, o Dr. Inocêncio Uchoa, membro da Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia está convocando para a manifestação da classe Trabalhadora, dia 1º de maio, às 15 horas na Praça Portugal.

 E a moça engajada no movimento golpista pegou 14 anos de prisão. Então não era só pelo batom. Havia muitas atividades em seu currículo antidemocrático.  

 Por sinal, nas imagens mostradas da agressão dos terroristas de 8 de janeiro, não se vê nenhuma velhinha com bíblica na mão e nem de nenhum esquerdista infiltrado, como anunciaram os direitistas. Por que não comprovam?

 Os meus amigos que estiveram em Guaraciaba do Norte, na Semana Santa, ficam muito bem impressionados com o que viram na cidade. Tomara que tudo continue melhorando.

 Triste é quando as pessoas relaxam nas suas empresas e vão permitindo que as coisas se deteriorem. Pousadas, restaurantes, lanchonetes começam muito bem depois vão decaindo. Que isto não ocorra.

 O Presidente do STF, Luís Roberto Barroso foi muito aplaudido em Roma, sexta feira. Ao mesmo tempo era pedido NÂO à Anistia para os golpistas de 8 de janeiro. 


MEMÓRIAS DA DITADURA

 CLIMA DEMOCRÁTICO, HORIZONTE CARREGADO

                                            
                                                                   Dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)

 - Cigarillos, solamente el miércoles.

 Pode ser este mesmo, foi o que falei para aquela pessoa que me atendeu na lojinha que tinha uma placa anunciando a venda de cigarrillos. A cara de espanto que o vendedor fez ao ouvir o que lhe disse, pareceu-me ter sido causada por sua dificuldade em entender português. No entanto, o problema de idioma que estava ocorrendo naquele segundo dia da minha chegada ao Chile não era dele, era meu. Eu não sabia que miércoles era quarta-feira em espanhol, nem que, devido a uma crise de abastecimento, cigarro era um dos muitos produtos que só estavam à venda em alguns dias da semana, dependendo do comerciante conseguir adquiri-los. Mas não quero agora estender-me sobre meus problemas com o idioma de Cervantes, nem falar sobre a grave crise econômica e política que assolava o Chile.

 Neste momento, minha necessidade maior é a de registrar a alegria de termos sido despertados da primeira dormida na acolhedora casa da Ângela e do Paulo Lincoln por risadas da Daniela, uma chileninha - brasileirinha de pouco mais de um ano de idade. Para a Ruth e para mim, membros de famílias numerosas, aquele episódio evocou reminiscências profundas, pois as manifestações de vitalidade e afetividade de crianças eram uma constante em nossas casas.

 Outro momento de grande emoção foi o dos telefonemas que demos para nossas respectivas famílias. Nas duas pontas das linhas telefônicas eram muito fortes os sentimentos produzidos por vozes que haviam passado mais de quatro anos sem serem ouvidas.

 Vindos do Brasil num dos momentos mais repressivos da ditadura militar, a nossa sensação mais presente nos primeiros dias da nossa estadia no Chile era de embevecimento com a liberdade. E a mais concreta, a mais perceptível de imediato, era a liberdade de imprensa: podermos ler nos jornais tudo que ocorria no país, ouvir o mesmo nas rádios e assistir as televisões mostrando tudo o que quisessem, independentemente de posições políticas ou ideológicas, era algo que nos tocava muito. A comparação era inevitável, já que nossa referência dos últimos tempos no Brasil era de uma comunicação em que se percebia nos mínimos detalhes a presença da censura, com jornais praticando a autocensura ou substituindo notícias por tarjas pretas e versículos da Bíblia, estes muito usados no Estadão; proibições de canções em rádios, interdição de peças em teatros, hiatos de informações nas TVs. A liberdade era profusamente exibida também nas ruas de Santiago, onde se manifestavam pessoas contra e a favor do governo; estava expressa nos cartazes sobre os mais diferentes temas, afixados em toda parte e era esgrimida nas discussões entre pessoas nas praças, nos parques, nos bares. Enfim, o ambiente era de uma democracia plena.

 O clima democrático, percebido no início, nos fez muito bem. Produziu em nós uma sensação de paz, inclusive física. Desapareceram temores e tensões. Andávamos pelas ruas sem a preocupação de olhar para trás. Revigoraram-se nossas energias para reconstruir a vida nas novas condições.

 Naquele novo país havia todo um universo a ser compreendido. Para começar, a primeira questão era a da nossa subsistência, considerando o sonho de conclusão dos nossos estudos universitários, interrompidos no Brasil tão próximos do encerramento, pelo Decreto-Lei 477 da ditadura militar. Os primeiros dias foram de conversas com a Ângela e o Paulo Lincoln, nossos generosos anfitriões, para nos inteirarmos da realidade chilena.  A primeira aula prática dos dois foi nos levar para algumas manifestações em defesa do governo da Unidad Popular em frente ao Palácio de La Moneda (sede da Presidência), que eram invariavelmente respondidas por outras, contra o governo, nos dias seguintes.

 Para a conclusão dos nossos estudos recebemos das nossas famílias o mais completo apoio, inclusive financeiro, nos assegurando a manutenção nos primeiros meses. Nossos familiares nos ajudaram muito também na difícil tarefa de tentar obter em Fortaleza a documentação que possibilitasse a transferência de nossas faculdades. Os meus foram conseguidos pela Mirian, minha irmã mais velha, com muito esforço e por meio de bons contatos construídos na Faculdade de Medicina. Infelizmente os documentos da Ruth não puderam ser obtidos, o que a levou a decidir-se por fazer cursos de curta duração na Universidad Católica.

De posse de meu histórico escolar, e com a ajuda valiosa do Paulo Lincoln na tradução para o espanhol, dei entrada em um pedido de matrícula na Faculdad de Medicina de la Universidad de Chile e consegui autorização para frequentar informalmente as aulas das quatro disciplinas que faltavam para a conclusão do meu curso, enquanto corriam os trâmites da minha solicitação, que foi deferida em 14.06.1973. Era notável a solicitude das autoridades chilenas no trato e na acolhida das nossas demandas como refugiados.

Em paralelo aos meus estudos, comecei a trabalhar como voluntário na favela El Manzanar, situada na região sudeste da periferia de Santiago, atendendo em um Posto de Saúde do Programa de Atenção Médica Externa. Neste programa governamental, sob supervisão de um médico, estudantes dos últimos anos de medicina integravam uma equipe de saúde de atenção primária, que fazia triagens e encaminhamentos. Este Posto de Saúde era subordinado ao Hospital Dr. Sotero Del Rio, unidade regional que atendia os pacientes encaminhados e onde os estudantes de medicina cumpriam uma escala de plantões.

  Em março chegaram ao Chile a Tereza e o Pedro Albuquerque, companheiro da Ruth e meu na direção do Diretório Central dos Estudantes da UFC e nas muitas lutas contra a ditadura militar.  Com isso, quase completou-se a Diretoria Executiva do DCE de 1967/68, da qual o Paulo Lincoln também era membro. Um mês depois, Tereza, Pedro, Ruth e eu fomos morar em uma casa que alugamos na esquina das avenidas El Libano e Quilin, não muito longe de onde moravam a Ângela e o Paulo Lincoln, que durante dois meses nos proporcionaram uma hospitalidade recheada de atenção e afeto.

 Nossas vidas reestruturavam-se progressivamente, mas tínhamos duas preocupações: Ruth e eu ainda não havíamos encontrado uma forma que nos satisfizesse de contribuir na divulgação dos crimes que a ditadura militar cometia no Brasil e começávamos a perceber no horizonte político sinais de um golpe iminente, percepção que não era novidade para a maioria dos refugiados que tinham vivenciado a derrubada de regimes democráticos em seus países.

 A rigor, a preparação de um golpe no Chile começou quando Salvador Allende foi eleito presidente, havendo a primeira tentativa por ocasião de sua posse. O chefe do estado-maior das Forças Armadas, general René Schneider, foi assassinado por opor-se a este complô. As tramas golpistas intensificaram-se à medida que as dificuldades econômicas foram surgindo e a polarização política entre esquerda e direita radicalizando-se. Em 1973, o Chile sofria com desabastecimento e hiperinflação. Greves de caminhoneiros paralisavam o transporte de mercadorias.  Empresários e investidores retiraram recursos do país.  Os EUA aplicaram boicotes financeiros e comerciais.  As reservas internacionais estavam esgotadas. Eram grandes as dificuldades para importar bens essenciais. Os golpistas tinham conseguido tornar o cotidiano social insuportável para a maioria da população. O desfecho do golpe era uma questão de tempo. Em pouco tempo.

 O sangrento golpe do general Pinochet, a eliminação dos que lhe resistiram, a perseguição aos estrangeiros e o refúgio sob proteção da ONU, no entanto, são assuntos para outra historieta.                                           

                                             (*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial,                                                                                          importante liderança estudantil nos anos 60





O COMENTÁRIO DA SEMANA


   Pra que ensinar        o povo a pensar?

Mesmo com a incompreensão de muitos, insisto em comentar a respeito de Tema que muito me agrada: o Deus Libertador ou o Deus da Misericórdia por imitar também o Papa Francisco, que neste Ano Santo sugere como reflexão: Somos Peregrinos da Fé, convidando-nos a uma caminhada de fé, oração e reconciliação.

Nesta linha de reflexão, abordei em várias ocasiões, desde seminarista, passando pela Filosofia e Teologia, e hoje em dia, o tema da libertação, a partir da escravidão do Egito, até a remissão dos pecados, através de Jesus Cristo.

 Preparamo-nos para entender e repassar tudo isto, com nossos competentes professores do Seminário de Olinda. Já neste ano de 2025 retornei ao assunto, pelo menos, por duas vezes, referindo-me a um convertido Tcheco, o Padre Tomás Halik, prometendo ainda voltar a ele, oportunamente. Estou fazendo

hoje porque ocupei os 02 sábados anteriores com Semana Santa e Páscoa, até citando um dos ensinamentos do Padre Halik, por causa da Páscoa, que repito agora: “muitos pescadores de homens hoje têm sentimentos semelhantes aos dos pescadores galileus nas margens do Lago de Genezaré,

quando encontraram Jesus pela 1ª vez: Nossas mãos e redes estão vazias. Trabalhamos a noite toda e nada pescamos”. Quantos de nós não nos vemos em situações semelhantes? De mãos vazias sem nada terem pescado?

No meu Comentário antes da Semana Santa eu afirmei que o Padre Tomás Halik era ‘a referência atual da Teologia da Libertação, teórica e prática, tanto quanto, durante muito tempo brilharam e se expuseram Teólogos da Libertação aqui na América Latina e pelo mundo’.

 Para falar deste Teólogo da Libertação – de uma história tão bonita de conversão e prática missionária – referi-me a vários outros, pessoalmente, por mim conhecidos e tidos como professores e, através de suas obras teológicas, para aprofundar mais meus conhecimentos. Um deles, que conheci em Roma, é o Frei Betto, da Ordem de São Domingos, que é um bom teólogo atualizado, com várias obras escritas, que me chega agora através do seu Jesus Rebelde, da editora Vozes. Traz-nos uma reflexão inquietante para fazer-nos pensar.

Em vez de manter-nos do lado preconceituoso a respeito do seu modo de refletir a Teologia Libertadora e Redentora, chamando-a de “comunista”, aprofundemo-nos em suas colocações para ver se ele tem ou não, razão.

Ele se dirige, de início, à própria CNBB, com algumas colocações para serem refletidas e aprofundadas com a evidencia dos fatos.


O Catolicismo no Brasil, até 1950, era confissão religiosa majoritária com 93,5% da população, segundo o IBGE. Em 1910, o mesmo órgão de pesquisa afirmava que os Católicos baixáramos 64,6%, enquanto os evangélicos subiam para 30%. Os prognósticos para 2030 preveem de 35 a 40% de Católicos e os

evangélicos, de 38 a 40%. Numa visão, um tanto imprecisa ainda, os Católicos e Evangélicos, respectivamente, decrescem e aumentam, proporcionalmente. Porque será que isso está acontecendo?

 É o próprio Frei Betto quem vai tentar responder. Ou ele mesmo - que é um estudioso constante da Teologia e que tem um apurado senso crítico sobre o trabalho catequético e evangelizador dos líderes cristãos - arrisca um palpite lógico, baseado em perene meditação. Mas, porque o Catolicismo tem retrocedido? Frei Betto tenta responder, apresentando algumas razões: a 1ª delas é o descuido da hierarquia da Igreja Católica, nos últimos 60 anos, ao ter fragilizado tanto o apoio às Comunidades Eclesiais de Base – CEBs – uma expressiva Pastoral em todo o Brasil.

 Uma 2ª razão foi o desaparecimento da Ação Católica, à mesma época, pelo mesmo motivo que as CEBs e o MEB se foram: o golpe militar de 1964. O golpe reprovava também a documentação do Concílio Ecumênico, as Pastorais da Terra, que se desenvolviam na Amazônia, no Pantanal, na Mata Atlântica e pelo Nordeste adentro, apoiando a luta sindical, a pastoral da família, etc., ao ponto de estimular, apoiar, programar e financiar viagens de católicos conservadores a Roma, para falar com o Papa contra a modernização da Igreja. Dá pra entender? Era levar a Igreja à agonia mortal, conclui Fr. Betto.

 Ele fala deste triste momento histórico brasileiro, com conhecimento de causa. Ele e seus confrades da Ordem Dominicana sofreram torturas, perseguições, prisões e até mortes. Quando ele se refugiava por Portugal, Fr. Tito por Roma e depois em Lyon, na França, Fr. Zamagna era meu colega em Roma, eu mesmo cursava Sociologia Religiosa e Comunicação Social na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, em homenagem a uma das pilastras da Congregação de São Domingos Gusmão. Falo da sua abordagem, muito pertinente, com forte conhecimento. Era um momento dificílimo. Todo brasileiro que a gente encontrava, podia ser um ‘espião da ditadura’ a nos espreitar. Havia até colega, Padre, imagine! /portando “passaporte diplomático” fornecido pela ditadura. Sua colocação, infelizmente, é verdadeira, Frei Betto.

 E tem mais: quando você pergunta onde estão os leigos formados em Universidades Católicas, fazendo a diferença dentro da sociedade, participando apostolicamente, entre trabalhadores no campo, estudantes, intelectuais, operários e universitários, eles estão evangelizando? Ou eles engrossam as fileiras de notórios políticos corruptos, legitimadores da opressão social?


Para um clero que sempre temeu “o protagonismo dos leigos”, tê-los inconscientes, sem debaterem e sem contestarem nada é a felicidade maior, é a paz reinando nas comunidades. Pra que ensinar o povo a pensar? As elites, os patrões, os falsos líderes políticos, os compradores de consciência vão fixar na cabeça do povo que “a gente se deve encostar num pau que tenha sombra”.

E os tais chefes dizendo: “vocês nem pensem. Nós pensaremos por vocês’. Se o clero atual não vive a renovação conciliar, não acompanha as avaliações da Igreja Sinodal, não reflete sobre a realidade social de suas comunidades, discorda de qualquer pregação ou catequese que distinga e entenda a junção de Fé e Política, como é que está a formação de nossos seminaristas se preparando para a Missão que os aguarda? Estão tendo um diálogo inter-religioso, ou estão tendo uma visão preconceituosa das outras confissões religiosas? Como é que estão encarando o ecumenismo tão bem estudado pelo Concílio e adotado como algo respeitoso, dialogável e aceitável?

Não podemos parar a Missão da Igreja, muito menos, negligenciá-la. A Igreja de Jesus Cristo é uma só. Não admite divisão. Ele nos garantiu: “eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. Com Jesus, iniciamos um novo tempo, por isso não devemos enfatizar o Antigo Testamento em detrimento do Novo; o diabo mais que Deus; o Deus da punição mais que o Deus do amor; o pecado mais que a graça.

Muitas Igrejas estão, politicamente, alinhadas ao conservadorismo, à naturalização da desigualdade social, à exaltação das riquezas. Incutem nos fiéis a “servidão voluntária”. Fazem uma leitura equivocada da Bíblia ao tirar o texto do contexto, infelizmente, até muitos de nós, os católicos. Você já leu algo de Frei Betto, ou ouviu falar dele sem o estigma do preconceito? Por isso é que se diz, sabiamente: “ninguém ama o que não conhece”. Siga tal princípio!...

BORDADOS PEDAGÓGICOS DE NAZARÉ ANTERO



 

domingo, 20 de abril de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO


VENDO E REVENDO ATRAÇÕES DA SERRA DA IBIAPABA

Nesta Semana Santa, tivemos um roteiro especial na Serra da Ibiapaba, no norte do Ceará. É o Planalto que une o Ceará ao Piauí. Ali a natureza fez tudo de bom. O clima é uma grande atração.

Fomos encontrar, em Tianguá, um grupo de amigos, residentes em Teresina que queria conhecer ou rever a nossa região. E, ao final ficaram encantados.

De lá fomos à bela e histórica cidade de Viçosa do Ceará. Vimos o seu belo patrimônio no coração da cidade, aos pés da padroeira N. S. da Assunção.

Visitamos a famosa Casa dos Licores e fomos ver o belo cenário a partir do alto da Igreja do Céu. Almoçamos no acolhedor restaurante.

Viajamos até Guaraciaba do Norte pela rodovia que contorna as cidades de Ubajara, Ibiapina e São Benedito. O tempo não nos permitia parar para ver a Gruta.

À noite, excelente momento musical com os nossos visitantes, ao violão de Daniel Domingues, no Zaza's. Muitas vozes e excelentes melodias.

A manhã da sexta feira foi na encantadora Bica do Ipu e depois subimos para os mirantes da serra, aos parques ecológicos de Guaraciaba do Norte. 

Os passeios não impediram a presença aos atos litúrgicos da Paróquia, encenações da Paixão e a Procissão de Passos e do Senhor Morto. As encenações foram muito bem apresentadas. Pareciam profissionais.

Comentário de uma devota senhora de nossa Paróquia: Os pregadores falam muito, mas ninguém entende nada. Mesmo os que falam português. Só o bispo fala para ser entendido.

Os ecoparques, verdadeiros mirantes da serra, são grandes atrações.  De cada um avistam-se cidades e vilas que estão abaixo, no sertão. Urubu e Parque Tucano estão bem estruturados para receber.

O empresário Engenheiro Francisco Furtado nos recebeu em seu condomínio onde grandes mansões estão sendo construídas, com belas vistas do sertão. É o MIRANTE RANCHO DA SERRA (veja o vídeo)


Nossos visitantes ficaram encantados com nossa cidade, limpa, bem sinalizadas, desenvolvida e com excelentes serviços e alta qualidade no atendimento. Que conservem e aperfeiçoem.

O nosso grupo era composto pelos amigos da DALLAS COMUNICAÇÃO, empresa de publicidade de grande sucesso em Teresina e no Piauí: José Maria, Janete, Thelma e Gabriela, com seu marido Antônio Brandão, Jocélio, Myrtes e eu

Ouvi o depoimento de uma Empresária com investimento na cidade, há 10 anos, ao justificar a sua opção por Guaraciaba do Norte.

Sendo ela de Crateús, surpreendeu-me ao dizer que a nossa terra tem a metade da população de sua terra e o dobro do PIB. E está satisfeita.

As estradas? 90% muito boas. Mas nas proximidades de Reriutaba, depois da descida da serra e depois do açude Araras, a caminho de Santa Quitéria há muitos buracos.

Mas, no geral, foi excelente viagem. As atrações da Ibiapaba são convincentes. O tempo foi pouco para vermos ou revermos a Gruta, as Floriculturas, o Santuário de São Benedito e o Mosteiro de Guaraciaba do Norte. Para o próximo passeio.


MEMÓRIAS DA DITADURA

“ASILO CONTRA LA OPRESIÓN”

João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- E os dólares?

Ao ouvirmos esta pergunta do guarda da fronteira depois de lhe respondermos que pretendíamos permanecer três dias no Chile, Ruth e eu nos olhamos sem nada entender, como se nos perguntássemos: dólares? Que dólares?

Percebendo, talvez, nossa cara de espanto, ele logo explicou que, para entrar no Chile, cada turista precisava apresentar uma quantidade de dólares correspondente ao total de dias que ficaria no país, tendo como base um determinado valor diário, que não lembro de quanto. Ignorávamos isso e não tínhamos um dólar sequer. Solução? Pedirmos ajuda àquela brasileira antipática que embarcara no ônibus conosco em Buenos Aires e que se encontrava um pouco atrás na fila. Ela nos emprestou os dólares e a Ruth, praticamente, forçou que ela aceitasse seu relógio como garantia. Atravessada a fronteira e nos sentindo seguros no país que tem no seu hino nacional a frase “asilo contra la opresión”, abrimos mutuamente o jogo: Ruth e eu revelamos que estávamos vindo ao Chile para pedir asilo e ela que vinha visitar o noivo asilado. Devolução de dólares e relógio, seguida de risos, contações de histórias e alívio geral.

Nossa companheira de viagem nada tinha de antipática. Sua atitude reservada no percurso argentino traduzia a cautela de quem estava consciente dos riscos que corríamos naquele país que ainda tinha em Alejandro Lanusse o general de plantão da ditadura que se iniciara ali em 1966, dois anos depois do mau exemplo dado pelo Brasil. Na realidade, naquele momento, o Chile era um dos poucos países sul-americanos onde um governo democrático não havia sido substituído por uma ditadura através de golpe militar.

Não houve problema de segurança durante toda a viagem. Havíamos decidido comprar nossas passagens do Rio para Buenos Aires e, chegando na capital argentina, fazer a aquisição do trecho para Santiago. Ao embarcarmos na rodoviária Novo Rio, às vésperas do carnaval de 1973, queríamos dar a impressão de que éramos um casal de namorados indo passar uns dias na capital portenha. Nada de especialmente suspeito, portanto, pois tratava-se de um deslocamento corriqueiro entre dois regimes ditatoriais.

Logo que o ônibus deu partida, Ruth puxou uma conversa sobre nossos sentimentos quanto àquela viagem. Foram muitos, mas três ficaram gravados: alívio, saudade e esperança. Alívio, pela diminuição das tensões que vivêramos nos últimos meses, embora tivéssemos preocupação com o momento da saída do Brasil e com a travessia da Argentina; saudade dos familiares e amigos que, secretamente e correndo riscos, tinham nos dado apoio e aconchego em Alcântara, Vila da Penha, Senador Camará e Umuarama. Quanto à esperança, ela era principalmente a de voltarmos a viver em uma democracia, provisoriamente no Chile e definitivamente no Brasil.

Ficamos surpresos com a emoção que sentimos ao atravessarmos a sisuda cidade de São Paulo, onde tínhamos morado por algum tempo. Parafraseando o compositor Cândido das Neves, em sua canção Lágrimas, sentíamos o que não sabíamos dizer. Quando mais adiante, passamos por um trecho do Vale do Ribeira, o passado nos trouxe muitas lembranças e o presente nos cutucou com apreensivas interrogações.

Na passagem da cidade brasileira de Uruguaiana para a de Passo de los Libres, na Argentina, foi de grande tensão o tempo decorrido entre o momento em que o motorista recolheu os documentos dos passageiros, até voltar do posto de fronteira dizendo que estava tudo em ordem. Embora contida, era grande nossa alegria ao recebermos de volta nossos documentos...falsos. Enquanto atravessávamos a cidade argentina fronteiriça, a Ruth ia sussurrando no meu ouvido: livres, no Passo de los Libres, livres, no Passo de los Libres, livres, no Passo de los Libres.

O trajeto até Buenos Aires não apresentou qualquer incidente. Dalí, rumo à fronteira do Chile, na província de Mendoza, nos encantamos com a beleza da região, que aumentava à medida que nos aproximávamos da majestosa Cordilheira do Andes. Isso diminuía nossas preocupações com mais um controle de documentos. Transposta a fronteira do Chile, mais confiantes, passamos a interagir com companheiros de viagem. Coincidência das coincidências, conheci, então, um chileno chamado Juan e, também como eu, quintanista de medicina, que estudava em Buenos Aires e estava indo passar uns dias de férias em Santiago.

Chegando em Santiago, pedimos ao Juan uma sugestão de hotel barato e ele se dispôs a nos levar até uma pousada que ele conhecia. Embarcamos juntos em um táxi e fomos com ele até lá. Enquanto pegávamos nossas malas, Juan foi à recepção, voltando em seguida e nos dizendo que nossa vaga estava assegurada. Nos desejou boa sorte e despediu-se com um abraço afetuoso. No procedimento de registro, ao perguntarmos pelo preço da tarifa, o recepcionista nos respondeu que nossa diária já tinha sido paga por aquele rapaz que viera conosco. Este foi o primeiro gesto de solidariedade que recebemos de um chileno, mas estava longe de ser o último.

Quando nos preparávamos para subir a escada de acesso ao nosso alojamento, dois homens que estavam ao nosso lado na recepção, começaram a gritar um com outro e, em seguida, a se esmurrar. Atingido por um soco no rosto, um deles literalmente desabou no chão. Enquanto o recepcionista dizia que ia chamar a polícia, Ruth e eu, “gatos escaldados”, pegamos nossas malas e saímos de fininho para o nosso quarto.

Depois de uma noite de sono reparador, amanhecemos cheios de energia e boas expectativas. Com informações pedidas ao recepcionista, nos dirigimos às 11 horas para o restaurante da Universidade Federal do Chile com o plano de procurar estudantes brasileiros que pudessem nos orientar sobre pedido de asilo, pois não tínhamos qualquer contato naquele país. Nos postamos na entrada principal do restaurante e não demorou muito para que entrassem dois rapazes falando português. Nos apresentamos a eles, explicando que tínhamos chegado no dia anterior em busca de refúgio; eles nos deram o endereço de uma associação de brasileiros que havia sido criada para dar apoio a pessoas em nossa situação. Fomos, imediatamente, procurá-la. Ao chegarmos lá, a moça que trabalhava como atendente nos perguntou se podíamos indicar o nome de alguém que desse referências sobre nós, coisa que nos pareceu razoável para prevenir infiltrações de agentes da ditadura. Dissemos que, no período da nossa clandestinidade no sudeste do Brasil, tínhamos ouvido falar que um casal de conterrâneos do Ceará teria vindo para o Chile e demos os nomes da Ângela e do Paulo Lincoln. “São meus vizinhos”, disse ela, levantando-se e, deixando de lado a atitude reservada do início da conversa, nos deu um abraço, completando: “peguem suas coisas e venham encontrar-se comigo às 17 horas, quando termina meu expediente, que levo vocês à casa deles”.

Antes da hora marcada estávamos lá; pouco tempo depois, pegamos um pequeno ônibus, completamente lotado, que os chilenos chamavam carinhosamente de Guagua (bebê em português) e, felizes, fomos sacolejando nele até o bairro Macul, onde moravam muitos refugiados brasileiros. Era comecinho da noite quando chegamos à casa da Ângela e do Paulo Lincoln. A surpresa deles, os abraços apertados, a solidariedade sem barreiras e a hospitalidade cearense transformaram em festa aquele reencontro de amigos.

A leveza proporcionada pela sensação de liberdade, as primeiras impressões sobre o Chile e as providências para nos integrarmos à nova vida, no entanto, ficam para uma outra historieta.

                                                                                           (*) JOÃO DE PAULA MONTEIRO FERREIRA, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial,                                                       grande liderança estudantil nos anos da ditadura.

  Desculpem o atraso desta publicação, mas precisávamos compartilhar o passeio pela Ibiapaba!











 

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O mundo está precisando voltar-se mais para Deus

       

Desde as primeiras horas, deste Domingo da Ressurreição, 20/04, até o próximo Domingo, dia 27, celebramos a Oitava da Páscoa, para festejar o maior acontecimento da humanidade: a Ressurreição de Jesus. Queiram ou não os reincarnacionistas, os ateus ou os adeptos de pensamentos filosóficos, contrários ao cristianismo, o fato é que Jesus, o Filho de Deus, nasceu, viveu entre nós por 33 anos, foi assassinado, enterrado e, ao terceiro dia, ressuscitou.

 É tão importante tal celebração, que nós passamos ainda, esta semana inteira – a semana da oitava da Páscoa – que vai deste Domingo, 20, até o Domingo, 27/04, (outrora chamado domingo da pascoela) como se fosse “um dia só”, “um domingão” em que recordamos as aparições de Jesus, quase sempre “no primeiro dia da semana”, como nossos leitores podem ter conferido, lendo na Liturgia Diária ou ouvindo nas Santas Missas no “Evangelho do Dia”. E não fica só nesta semana da oitava; ainda vamos continuar, com o Tempo Pascal, no calendário da Igreja, até celebrarmos o Dia de Pentecostes - lá para o dia 08/06 - depois do qual, vamos retomar o Tempo Comum, em sua 10ª semana.

 O mundo está precisando voltar-se mais para Deus. A Igreja, como instituição cristã deve ensinar, viver e dar o exemplo, muito mais, do que pelas muitas palavras ou os muitos sermões que possa fazer. Temos que usar os mais variados Meios de Comunicação – Rádio, Televisão, Rádios Comunitárias e PASCOM, com as mais diversas formas de Redes Sociais - para penetrar em residências ou locais de trabalho, a fim de transmitir, pessoalmente, uma mensagem de esperança e de salvação. Quando falamos do “preceito pascal” – “confessar-se, ao menos, uma vez por ano” e “comungar pela páscoa da ressurreição” – parece estarmos falando de algo do passado, sem valor nenhum agora, porque o mundo está afastado do sentido de pecado e de reconciliação. A Pandemia nos assustou e até nos fez pensar ser muito mais um castigo, que um acontecimento natural.

 Poderia ter sido uma oportunidade para refletir na vida, converter-se de algum erro e recomeçar uma vida nova. Infelizmente não são muitos os que buscam o sacramento da Confissão e não são muitos os Padres que dão tempo, em seu ministério, para exercerem a função de confessor. Tenho certeza de que a Igreja Católica, a começar do Papa Francisco, deu uma mensagem, mais pelo exemplo, do que pelos sermões feitos. Seu ‘calvário’ no Gemelli, sua presença na Praça e Basílica de São Pedro, em cadeira de rodas,

naqueles imensos espaços serviram e servem de muita reflexão e faz o povo pensar muito no recado que o silencio, o sofrimento e seus limites podem dar.

 Ultimamente, sem o ônus da paróquia, mas ainda no exercício do meu múnus sacerdotal, tenho atendido, particularmente, a pessoas que desejam confessar-se. Não me tenho negado e gosto de fazê-lo, com a mesma alegria que escrevo tais Comentários Semanais, ao menos incentivado por Leunam.

 Em Bela-Cruz, onde moro, há 02 Padres Jovens, fazendo celebrações penitenciais, preparatórias para as “Confissões Pessoais”, deixando o povo muito satisfeito. É claro: são muitos os que querem confessar-se. O Concílio Vaticano II, até que deu uma abertura, mas reconhece o número limitado de confessores e o número ilimitado de fiéis. Por isso, a Igreja, Mãe e Mestra que é, “mantém como forma de reconciliação com Deus, os iminentes perigos de morte e a falta de sacerdotes suficientes para atenderem à grande massa de população”. Dada a emergência, é esta a solução mais simples e urgente.

 Em todos os recantos do mundo, o tempo para realizar o “preceito pascal” de que falamos acima, será durante “esta semana da oitava da páscoa” que está iniciando. Aqui no Brasil, essa prática se prolonga até a Festa de Pentecostes – 08 de Junho - exatamente por que nós temos poucos padres, nossas extensões territoriais são muito grandes e o nosso povo deixa tudo pra depois ou para a última hora. Daí, o nosso “tempo pascal” também ser maior.

 Vamos aproveitá-lo bem. Vamos organizar as páscoas coletivas de Colégios, Universidades e de outros grupos para melhor satisfazer aos fiéis nesse momento vivido pela Igreja. A nossa Pastoral da Comunicação – presente em muitas de nossas Paroquias - unida às Pastorais da Educação e da Cultura vão-se interessar para que o Tempo da Páscoa seja mais bem vivido por todos. Que a alegria da Páscoa chegue a todos nós e que permaneçamos com ela; não pelo “ovo” ou pelo “chocolate”, mas pela fé e pela alegria de poder ressuscitar com Jesus, como vitória sobre a morte. Em qualquer tempo que ela apareça, temos que estar preparados.

 O ensinamento que recebemos desde o início da Igreja foi para vivermos em Comunidade. Unidos. Observem o texto dos Atos dos Apóstolos, bem no início da Igreja: “crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles”. Este espírito comunitário faz parte de nossa Igreja desde a sua fundação.

 O Evangelho deste Domingo, como o de todos os Domingos da Páscoa, mostram claramente o que eu dizia no início deste comentário: toda esta semana da oitava da páscoa é como que, um domingão só. Para confirmar, o evangelista João faz a ligação dos dois domingos, quando diz: “ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: a paz esteja convosco”; e instituiu – pela invocação do Espírito Santo - o Sacramento da Penitencia ou Confissão: “se vocês perdoarem os pecados de alguém, esses pecados são perdoados; mas se não perdoarem eles não serão perdoados”. Tomé não estava presente; nem acreditou quando os outros discípulos lhe falaram sobre a aparição. O texto de São João continua: “oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles”. Jesus saudou a todos e dirigiu-se logo a Tomé, dizendo-lhe:

 

“põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel. Tomé respondeu: meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.

 O versículo 19, iniciando a narrativa de São João: “no 1º dia da semana” e o versículo 26, dando continuidade à narrativa: “oito dias depois” mostram-nos a interligação de todos os dias da semana da oitava da páscoa como se se tratasse de um dia só, um domingão festivo, comemorativo da Festa da Ressurreição do Senhor. 

Sem dúvida, repito, foi o maior acontecimento da humanidade: alguém nascer, viver, trazer uma mensagem nova para mudar o mundo, dar a sua vida para salvar a todos e ressuscitar, voltar glorioso ao céu e garantir essa mesma situação de glória e felicidade para todos nós. Não é fantástico e maravilhoso o nosso Deus? Façamos todos a nossa Páscoa e nos tornemos divulgadores destas verdades. Não importa somente acreditar. Devemos também praticar.






sábado, 12 de abril de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

OS GOLPES NA INTERNET SÃO, CADA VEZ MAIS, FREQUENTES.

Edição de 12.04.25 

Está, cada vez mais perigoso o uso do celular. Cada dia alguém descobre uma armadilha. Uns caem. Outros são mais espertos e percebem a armação.

 A penúltima é pedir para alguém marcar o 2 se tiver sido vacinado. Muitos, de boa-fé, já vacinados caem na conversa e respondem. E aí dão chance para que os espertalhões saquem o saldo disponível. Tudo rápido.

 Outra é em nome dos Correios para quem comprou pela internet. A pessoa informa o CPF é lá vem a confirmação de que sua encomenda está retida nos Correios e precisa pagar uma taxa. Pagou, dançou. Desaparecem.

 Então, se aproveitam da alta credibilidade dos Correios para tomar dinheiro do povo. E ainda há os anúncios em nome dos Correios. Ou estão se aproveitando dos anúncios para armadilhas?

 Aquela multa por uso de informações do SERASA, também cobra uma Taxa Transacional. Afirmam que o usuário tem direito a um valor alto, mas tem a Taxa. Pagou, perdeu.

 O certo mesmo é sempre desconfiar. Dinheiro fácil não existe. É como loteria. Há quem venda os próprios bens para arriscar na Loteria. E vai-se afundando.

 Está circulando no Facebook um alerta muito sério sobre uma propaganda de Bet, feita pelo Galvão Bueno. Em nome da credibilidade do locutor, muita gente arrisca e perde. Vale a pena ouvir e divulgar. 

clique na setinha e veja

 Caiu do céu esta oportunidade para um agradável reencontro. Será dia 24 de abril na Aula Magna do Curso de Pós Graduação em Biodança. Local: Faculdade Plus, às 19h.  Rua Cel. Guilherme de Alencar, 121 -Colégio Patronato, Messejana

 Será ministrada por Ruth Cavalcante, agora Doutora Honoris Causa da UFC. Além de um conteúdo que nos é muito grato “Principio Biocêntrico-Uma reaprendizagem sobre vida”, uma extraordinária oportunidade de reencontro.

 Na reunião de quinta-feira da Comissão Especial Wanda Sidou aconteceram dois fatos importantes. Um foi a despedida do Dr. Kennedy Reial Linhares.

 Esteve na Comissão por quase cinco gestões como Conselheiro, representando a OAB. Na oportunidade, a Dra. Socorro França, Secretária de Direitos Humanos compareceu extraordinariamente, à reunião para agradecer-lhe.

 Na ocasião, a comissão entregou ao Dr. Kennedy um Certificado de Reconhecimento assinado pela Dra. Socorro Franças, pela Vice Presidente da Comissão Dra. Helena Serra Azul e por mim, Presidente.

O homenageado agradeceu emocionado. Estava presente o ex Presidente da Comissão, Mário Albuquerque, atual representante do Ceará na Comissão Federal de Anistia.

 Outro fato importante foi a presença de Afrânio de Medeiros cujo nome social é Lena Oxa, travesti. Ela se diz “uma das poucas sobreviventes da ditadura militar, em Fortaleza, nos anos 80”.

 Na sua apresentação ela diz: “quero compartilhar um pouco da dor e sofrimentos vividos durante a ditadura.  Foram tempos difíceis para quem tentava se afirmar na sociedade, naquela época”.

 Comecei a minha carreira artística na Boate casa Branca, que ficava na Av. Duque de Caxias, perto da Praça do Coração de Jesus, no centro de Fortaleza” e por aí vai com sua história.

         

Todos os Conselheiros presentes deram-lhe muita atenção e o relato deu margem para muitos comentários. Até então, muita gente nunca tinha tomado conhecimento daqueles fatos.

 Na apresentação deu destaque a um programa de rádio, então existente, chamado Patrulha Policial em que os travestis eram entrevistados e ouviam muitos deboches e humilhações. Frequentavam o bar Duques e Barões.

 Nas prisões, sofriam as maiores humilhações e eram forçados a cuidar da limpeza das celas apenas com o uso das mãos. Muitos travestis desapareceram. A escolha era fugir ou morrer.  Direitos humanos eram esquecidos.

 Na próxima semana iremos a Guaraciaba do Norte para rever familiares e amigos. Especialmente, receberemos um grupo de Teresina, sob o comando do nosso compadre e amigo José Maria Vieira de Sousa.

 Ele é importante publicitário em Teresina e virá com a nossa comadre Janete, a afilhada Thelma, Gabriela e o marido Antônio e o irmão da comadre Janete.

 Virão conhecer as atrações da Serra da Ibiapaba. E não são poucas. No sábado, o roteiro é Varjota, Santa Quitéria, Canindé, para ver a Basílica, e Fortaleza.


MEMÓRIAS DA DITADURA

DESMORONAR DE ILUSÕES

João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- O presidente dos EUA, Richard Nixon, visita a China e terá reunião com Mao Tse Tung.

  Foi o que ouvimos na abertura do noticiário da Rádio Bandeirantes de São Paulo, naquela manhã de 21 de fevereiro de 1972.

 Isolados em uma clareira na floresta do Vale do Ribeira, o rádio era o único meio de recepção de notícias atualizadas sobre o Brasil e o mundo. De manhã era a Bandeirantes e à noite as rádios estrangeiras, estas sempre bem baixinho, para não despertar suspeitas. 

 Leituras, só da Bíblia e de folhas de revistas e de jornais velhos que embrulhavam os mantimentos que comprávamos mensalmente, mas estas só nas idas ao mato, levando aquelas preciosidades e uma pazinha de mão, pois aparelhos sanitários não faziam parte da cultura local.

notícia da visita do Nixon à China caiu sobre nós como se fosse uma bomba. Mas o que tinha a ver conosco um acontecimento envolvendo os EUA e aquele país tão distante?  É que, por um lado, a China se apresentava ao mundo como defensora da soberania dos países contra ações imperialistas e o PCdoB, partido em que militávamos, propagava isso; pelo outro lado, àquela época, os Estados Unidos travavam uma guerra contra o Vietnã que era altamente impopular até entre seu próprio povo e tinham, comprovadamente, apoiado o golpe militar no Brasil. Tratava-se, portanto, de algo muito relacionado com o que fazíamos no Vale do Ribeira.

 A semana que Nixon passou na República Popular da China produziu uma profunda mudança nas relações entre aquele país e os EUA, tornando-a sua aliada em algumas disputas pela hegemonia mundial.

A repercussão destes acontecimentos, nas minhas crenças e sentimentos, foi demolidora. Eu já sofrera um abalo em meus ideais quando ficara claro que a União Soviética, que eu admirava pelas revoluções que lhe originaram e pela contribuição que dera na derrota do nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, estava agindo para atender seus interesses de Grande Potência e não devido a um apregoado internacionalismo proletário e uma autoproclamada defesa dos povos oprimidos.

 Quando isto ocorreu, a China declarou-se substituta do que a União Soviética deixara de representar. Eu estava entre os que passaram a acreditar que ela seria uma força de oposição às intenções de domínio americano e soviético do mundo, mas sua aliança com os EUA desvelou para mim esta nova ilusão. Passei então a encarar a realidade de que “países não têm amigos, têm interesses comuns”, como disse, com certo cinismo, John Foster Dulles, quando Secretário de Estado dos EUA.

 
Na primeira oportunidade que tive de encontrar o Pedro Pomar, nosso contato com a direção do PCdoB, disse-lhe que a Ruth e eu propúnhamos uma crítica pública do partido à mudança de posição da China. Ele respondeu que levaria nossa proposta ao Comitê Central e que em breve teríamos uma resposta. Quando ela veio, foi negativa.  A direção do PCdoB não concordara em criticar a China. Diante disso, Ruth e eu solicitamos nosso desligamento, pois não poderíamos permanecer em um partido que, afirmava de público “Apoiar os esforços da China popular para unir todos os povos a fim de desbaratar os planos de domínio mundial do imperialismo dos Estados Unidos”, mas negava-se a criticar uma mudança tão significativa e evidente deste posicionamento. Sobre o desligamento que solicitáramos, algum tempo depois, Pomar nos trouxe a seguinte proposta: seríamos desligados, mas, por razões de segurança, teríamos que permanecer naquela área pelo tempo necessário para a realização de algumas mudanças protetivas e que, ao sermos liberados, teríamos que sair do Brasil para evitar sermos presos.

 Consideramos razoáveis as duas condições, pois ninguém podia ter a certeza de que, sob a selvageria crescente das torturas praticadas pela ditadura, fossem resguardadas informações vitais para as pessoas que continuariam ali. Em função do acordo feito, dali para a frente só nos restava aguardar. E isto não foi nada fácil.

Nos quatro meses que transcorreram desde a aliança dos EUA com a China até o momento em que recebemos uma senha para fazer contato no Rio de Janeiro com uma pessoa que nos ajudaria a organizar nossa saída do Brasil, nossos sentimentos mudaram profundamente. Tudo se tornou diferente do período anterior quando, mesmo com dúvidas sobre a consistência daquele projeto, nos nutríamos da crença em um ideário instigante!

 A nossa convicção da necessidade de lutar contra a ditadura e as injustiças sociais continuava inabalada, mas perdida a confiança no PCdoB, era ainda nebuloso o novo caminho a trilhar. Olhar para a frente não estava ajudando a diminuir nosso desalento, mas nos fortalecíamos um pouco quando olhávamos para trás e constatávamos como havíamos avançado na adaptação à vida naquela floresta: nossa pele estava mais escura e resistente, nossas mãos ficaram calejadas, nossa capacidade física aumentara, a percepção das cores, dos sons, dos cheiros e das texturas da floresta se aguçara, diminuíra o incômodo com os insetos e o medo das cobras.

 Mas na nova situação já não sentíamos a mesma alegria nas pescarias com tochas que fazíamos no riacho perto do nosso casebre. As caminhadas de seis horas até a sede de Eldorado para fazer compras pareciam durar o dobro e os sacos de mantimentos nas nossas costas aparentavam pesar o triplo. A coleta de palmito nos recantos mais distantes da floresta, antes prazerosa, tornou-se uma atividade quase insuportável. As caçadas noturnas com o companheiro Dino, que antes eram cheias de empolgação, ficaram enfadonhas. Já não víamos mais graça quando o José Luís, filho da Dona Alita, vibrando, trazia uma ave que serviria de mistura para o nosso jantar, ave capturada em uma arapuca que fizéramos com todo o esmero. Quando, picada por cobra, morreu uma égua que sonhávamos ser o começo da criação de alguns cavalos, não me animei com a proposta do Dino de aquisição de outra. Perdi a disposição de acompanhar o Dino na diversão domingueira de tomar duas doses de pinga (contadas) em um aglomerado de umas cinco casas, que ficava a uma hora de caminhada de onde morávamos. Enfim sem um ideal que lhe animasse, aquele projeto, com fragilidades intrínsecas que percebêramos desde o início, perdera todo o sentido.

 A decepção com o PCdoB, no entanto, não modificou nossa admiração pelo Pedro Pomar. Ele sempre foi aberto para escutar nossos questionamentos e para dialogar conosco. Era um intelectual muito bem informado sobre o mundo e o Brasil. Conhecia profundamente a história e a cultura brasileiras e amava nosso país, nosso povo e a nossa MPB. Foi ele quem traduziu do inglês para o português os dois primeiros volumes do livro de Willian Shirer, Ascensão e Queda do III Reich, considerada mundialmente como uma das obras mais relevantes sobre o nazismo. Pomar dedicou a vida inteira à defesa de seus ideais de construção de uma sociedade sem exploração e opressão, enfrentando corajosamente a ditadura do Estado Novo e a iniciada em 1964. Foi assassinado aos 63 anos de idade, em 1976, ao ser metralhado com outros membros do Comitê Central do PCdoB durante uma reunião partidária em São Paulo, no que ficou tristemente conhecida como Chacina da Lapa. 

 Não pode deixar de ser dito que, passados alguns anos da visita de Nixon, dirigentes do PCdoB passaram a adotar publicamente posições críticas em relação à China, que evoluíram até o rompimento de relações do partido com seu homólogo chinês.

Na conversa de despedida do Pomar, depois de decidirmos que o melhor destino para nosso exílio seria o Chile, ele nos perguntou se, mesmo não sendo mais militantes do PCdoB, poderíamos ajudar a divulgar naquele país o que estava ocorrendo no Araguaia. Nossa resposta só podia ser positiva, pois ao aceitarmos o exílio não desistíramos de continuar nossa luta contra a ditadura.

Nossa chegada ao Rio de Janeiro, o assassinato sob tortura da pessoa que estava nos ajudando na preparação da nossa viagem para o Chile e o que tivemos que fazer quando ficamos totalmente sem conexões políticas, ficam para uma próxima historieta.

                                                                              (*) JOÃO DE PAULA MONTEIRO FERREIRA, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial, Presidente do DECE/UFC, nos anos 60





COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...