sábado, 26 de julho de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

A UVA/SOBRAL REUNIRÁ OS SEUS APOSENTADOS, EM ENCONTRO INÉDITO

Edição de 26 de julho, dia de Santa Ana e dos avós

Tenho a impressão de que o atual Presidente dos Estados Unidos, pela sua história de luxo e riqueza, não tem a menor ideia de como vive a maioria da população do país.

A forma como se apresenta já reflete uma arrogância fora do comum. Demonstra que o mundo deve estar aos seus pés. Ele está acima de tudo e de todos.

 Daí a forma como estabeleceu a taxação para produtos em todo o mundo. Não tem a menor sensibilidade para a forma de vida e as normas dos outros países.

 Percebe-se que as opiniões de sua assessoria de nada valem ou os seus assessores apenas concordam com o que o chefe lhes dita.

 Mas a arrogância, mais cedo ou mais tarde, apresenta efeitos amargos. Nenhum arrogante se dá bem. A rejeição aparece e deve doer muito para um exibicionista.

 Sinto uma certa tristeza quando vejo residências pintadas e riscadas com pichamentos. Os pichadores não sabem o quanto custou às famílias, a pintura de suas casas.

 No fim do ano, muitas famílias procuram melhorar a aparência de suas casas e, normalmente, o fazem com sacrifício e logo se deparam com os pichamentos. O que fazer?

 Vejo um prédio histórico e de tanta importância como o Seminário da Prainha, em Fortaleza, cheio de rabiscos que nada dizem para a maioria que não sabe os significados. Há de ter uma solução. 

                                                                         FESTAS

Neste final de semana, tres significativas celebrações da família e amigos: Em Guaraciaba do Norte, o aniversário da mossa irmã Nazi.

 Ela é viúva de José Maria Oliveira Lima e mãe de Kleber e Kelly. São seus netos:  William e Letícia, de Edna e Kleber e Gabriel e Izaac, da Kelly 

Em Fortaleza: a  querida amiga Maristela Menescal celebrou o seu aniversário em local muito especial.

Em Fortaleza, as Bodas de Ouro de casamento de Socorro e João Alves Feitoza, pais de Aline, Evelyne, Caroline e Sabrine. Um quarteto de alta competência. e mais  genros, netos e familiares.

Em Teresina, nossos compadres Janete e Zemaria e a afilhada Thelma festejam a chegada do TOM, filho dos caros Gabriela e Antônio

Muita gente já se preparando para as festas de suas padroeiras na região norte.  Serão: Guaraciaba do Norte, Nova Russas, Viçosa do Ceará, Reriutaba, Graça, Massapê e outras.

Depois de mais de 60 anos, tive a oportunidade de fazer contato com dois primos que sairam de Guaraciaba do Norte para morar em Porongatu. Uma família de 14 filos. Todos vivos. Falei com Eriberto e Arnildo Carvalho.

 A Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, de Sobral, realizará um evento inédito que será um Encontro de Homenagem aos seus aposentados, no próximo dia 30 de julho.

 Em geral, após a aposentadoria os servidores ficam esquecidos e, praticamente, abandonados pelas instituições a que tanto serviram. E também não são atualizados sobre as novas realizações.

 Quando estamos nas instituições, a maioria de nossas conversas gira em torno do trabalho. Imaginamos até que todo mundo sabe da existência da nossa instituição. Com a aposentadoria, percebemos que ninguém fala.

 Quando trabalhei na TV Educativa do Maranhão, imaginava que todo mundo a conhecesse. Ao sair, veio a decepção. Ninguém falava naquela importante instituição.

 A ousadia da UVA, por seus gestores Professores Teodoro Soares e Evaristo Linhares e equipe de Pró-Reitores, Diretores, Coordenadores e Professores fez a maior revolução na Educação do Ceará.

 Antes da iniciativa da UVA de levar cursos de graduação aos municípios, eram pouquíssimos os Professores Graduados.  Em consequência, altíssima evasão escolar.

 Os Professores não tinham condições de trabalhar e viajar a Sobral, diariamente, para aulas na UVA ou outras faculdades. A UVA mudou a situação no Ceará e em outros Estados.

 Este é um fato que jamais deve ser esquecido. A Educação nos municípios era uma antes da UVA e tornou-se outra com o funcionamento dos cursos de graduação e pós graduação nos municípios.

A Dra. Marta Távora, psicóloga, com grande experiência em capacitação de recursos humanos, está promovendo um interessante e necessário curso sobre Comunicação Eficaz.

 É um curso das Técnicas de Oratória e do Suporte Psicológico. É uma ferramenta necessária para todas as profissões. Lamentavelmente, não somos preparados para falar, mas para calar.

                                    




MEMÓRIAS DO EXÍLIO

“CAPOEIRISTA” E CAPOEIRISTAS.

                                                          

Dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)

 - Fique tranquilo, companheiro, vou pegar bem de leve.

  Foi o que me garantiu aquele capoeirista baiano, quando lhe expliquei que eu nunca tinha lutado capoeira e o que eu fazia nas festas de refugiados brasileiros em Santiago, era uma apresentação didática de alguns movimentos que eu imitava por tê-los visto em exibições daquela arte que sempre admirei. Como eu terminava aquelas encenações dizendo que lamentava não ter no nosso meio um verdadeiro capoeirista para uma demonstração mais real daquela dança, certo dia chegou para mim um amigo, todo alegre, dizendo: “boa notícia, João, agora você vai poder lutar capoeira pra valer. Chegou ontem um companheiro da Bahia, que todo mundo diz que é um capoeirista dos bons. E já topou te enfrentar.” Não sei se ao ouvir aquilo, empalideci, mas lembro até hoje do frio que senti na barriga. Respondi que antes de conversar com o baiano eu não podia assumir compromisso algum. O amigo organizou um encontro entre nós dois e ele me disse aquela frase que diminuiu uns 10% da minha aflição: “vou pegar bem de leve”. Com um pé atrás, no duplo sentido, conformei-me.

            Dias depois, em uma festa com a participação de muitos amigos chilenos, em Macul, bairro onde morava a maioria dos brasileiros refugiados em Santiago, foi feita uma pausa e anunciada uma apresentação de capoeira, “famosa lucha de Brasil”. Resignado, entrei na roda formada no meio do salão, e ao som de uma música de capoeira, entoada em um toca-discos portátil, aguardei a entrada do verdadeiro capoeirista. Quando ele, com um pulo de uns dois metros de distância postou-se gingando diante de mim, fui recuando, desviando-me pra lá e pra cá, fazendo de tudo para distanciar-me daquela movimentação ameaçadora, tentando ganhar tempo, mas não demorou mais que um minuto para ele me alcançar, abaixar-se e me aplicar uma rasteira. Tive a sensação de ser levantado e de, em seguida, mergulhar de cara direto no chão, onde fiquei estatelado. Depois de algum tempo, ainda meio zuruó, dei-me conta de estar encostado em uma parede, cercado por rostos amigos e a Ruth passando pedras de gelo no meu rosto. Mesmo atordoado, veio-me à cabeça um trecho de uma canção do Jackson do pandeiro em que ele conta que, nunca havendo participado de uma tourada e tendo sido forçado a substituir um toureiro que adoecera, depois de levar muita chifrada, bateu a mão numa faca e gritou para o poleiro: “eu mato o cabra que disse que eu sou toureiro”. Não ameacei ninguém, mesmo porque se fosse para punir culpado, a solução não seria assassinato, mas suicídio. O certo é que naquela fatídica noite, encerrou-se a carreira de um pretenso capoeirista que não chegou sequer a ter este título.

          Anos depois, quando eu contei a história daquele meu fracasso para a Mariana, ela quase morre de rir. E várias vezes pediu-me para repeti-la. Não sei se consciente ou inconscientemente, talvez, desejando lavar a honra do pai, ela decidiu ser capoeirista. E, com a determinação que tem para tudo, começou a frequentar uma roda de capoeira para fazer seu aprendizado. Com as habilidades que desenvolvera na biodança, que frequentava desde os 06 anos de idade, com sua flexibilidade articular natural e com seu talento para relacionar-se, rapidamente entrosou-se no grupo de praticantes e tornou-se capoeirista.

          Em um passeio pela Europa com ela, Marina e Maíra, suas irmãs do meu casamento com a Tânia, num sábado ensolarado, maravilhados, assistíamos em uma praça de Amsterdam uma roda de capoeira de baianos. Baixinho, de vez em quando, a Mariana dizia “eu vou entrar, eu vou entrar”. De nada adiantaram os nossos conselhos em contrário. De repente, com um pulo, ela postou-se no meio da roda, em posição de bananeira. Os capoeiristas, todos bem altos, que contrastavam em tudo com aquela lourinha, pequenininha, recuperados da surpresa inicial, abriram sorrisos e braços, acolhendo-a com entusiasmo e a integraram na dança. A plateia irrompeu

 Em um passeio pela Europa com ela, Marina e Maíra, suas irmãs do meu casamento com a Tânia, num sábado ensolarado, maravilhados, assistíamos em uma praça de Amsterdam uma roda de capoeira de baianos. Baixinho, de vez em quando, a Mariana dizia “eu vou entrar, eu vou entrar”. De nada adiantaram os nossos conselhos em contrário. De repente, com um pulo, ela postou-se no meio da roda, em posição de bananeira. Os capoeiristas, todos bem altos, que contrastavam em tudo com aquela lourinha, pequenininha, recuperados da surpresa inicial, abriram sorrisos e braços, acolhendo-a com entusiasmo e a integraram na dança. A plateia irrompeu em um longo e vibrante aplauso. Ali estava uma verdadeira capoeirista.

No dia 11 de abril deste ano, juntamente com a Mariana e a Maurícia participei do lançamento do livro SAMUKA, de autoria da psicóloga Maria Linda Lemos Bezerra. Este livro é sobre a vivência da Linda com seu filho Samuel, portador de TEA – Transtorno do Espectro Autista e sobre o muito o que ela aprendeu e ensinou em 45 anos de estudos e práticas sobre esta síndrome, no Brasil e nos EUA.

Naquele evento, foi grande minha alegria ao abraçar o agora capoeirista que eu, como médico, atendera quando ele era um bebezinho de seis meses, em 1980, no Centro de Desenvolvimento Humano. Em sociedade com a psicóloga Fátima Diógenes, Ruth e eu, somando à experiência dela os conhecimentos que, motivados pelo nascimento com Síndrome de Down da nossa filha Mariana, havíamos adquirido na Europa, criáramos aquele centro de tratamento precoce de crianças com deficiências neuropsicomotoras.

Levando o Samuka para tratar-se ali, a Linda aceitou com entusiasmo nossa proposta de capacitação dos pais para atuarem como agentes na estimulação dos filhos, entrando de corpo e alma no processo que consistia no engajamento gradual de profissionais de uma equipe multidisciplinar, em conformidade com as necessidades indicadas pela evolução de cada criança. Ela já estava em uma caminhada para proporcionar ao Samuka o que pudesse existir de melhor no mundo para ajudar seu desenvolvimento.

O Samuka, como se vê nos depoimentos de seu professor de capoeira ,Robério Batista Queiroz, o Mestre Ratto e de Igor Monteiro, seu colega no CECAB - Centro de Capoeira Agua de Beber, no livro escrito por sua mãe, “tornou-se capoeirista enriquecendo-se com saberes ancestrais da cultura afro-indígena por meio das sonoridades produzidas pelos berimbaus, atabaques e pandeiros e, enriquecendo-a com valores civilizatórios calcados na ludicidade e nas emoções, que vão além de rigores técnicos e físicos, transcendendo assim a simples troca de pernadas”. No dizer deles, na capoeira, ele é um agente de mudanças que ensina enquanto aprende.

Este foi o Samuka que reencontrei 45 anos depois de o ter conhecido como aquele bebê que precisava de estímulos profissionais para o desabrochar de todo seu potencial humano.

PSConsultei a Linda sobre a correção das minhas referências ao Samuka e ao responder-me que estava tudo certo, ela enviou-me um excelente texto que escreveu para uma antologia sobre capoeira, apresentada no 35º Salão do Livro de Paris, em 2015, do qual retirei da citação de um poema de Dias Gomes o seguinte trecho: “Capoeira é luta de dançarinos. É dança de gladiadores.

                                                           dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial,                                                                              Liderança Destacada no tempo da ditadura de 64,




 

 




sexta-feira, 25 de julho de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 


AÇÃO CATÓLICA IDENTIFICOU E FORMOU LIDERANÇAS

Na semana passada, encerrei meu “comentário”, prometendo voltar ao tema iniciado, de grande importância para a Igreja, dando-lhe continuidade na reflexão de hoje: a preocupação do Papa Pio XI, em 1935, “convocando os cristãos leigos a formarem um verdadeiro exército de Cristo, em busca de amor, justiça, e paz, como um braço estendido da Igreja Católica dentro da so-ciedade organizada, sob a coordenação do clero” (i.é, assistência eclesiástica).

             À época, como é feito sempre - um documento desses, uma exortação pastoral ou uma carta encíclica – é para o mundo todo tomar conhecimento e se deve espalhar o mais veloz possível. Agora é simples e rápido, mas, lá no passado, a correspondência ia para as mãos de um Cardeal e este a fazia chegar a outros bispos, o que era muito difícil. Aqui mesmo, no Brasil nem havia ainda a CNBB, que só apareceu no início dos anos 60, com o Concílio.

            Dessa vez, tratava-se da fundação da Ação Católica e o Documento Pontifício chegara às mãos do Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, do Rio de Janeiro, para fazê-lo alcançar os leigos. Mas, os leigos aos quais, o Papa se referia, eram os mais jovens que, pela Europa já se agrupavam em torno dos mesmos interesses e vocações, que tinham aspirações semelhantes e que se iam sentindo chamados: para trabalhar no campo, na escola, nas fábricas, num meio de jovens independentes e até universitários.

            Por toda a Europa eles já conheciam a Doutrina Social da Igreja, iniciada pelo Papa Leão XIII, em 1871, através de sua Encíclica Rerum Novarum, que “defendia os princípios morais de dignidade e inviolabilidade da pessoa, bem como suas questões operárias e seus direitos de trabalhadores”. Eram as coisas novas que a industrialização, os latifúndios, as escolas e universidades onde os leigos de cada classe social iam-se reunindo e se organizando, apoiados pela Igreja em cada país.

            A Encíclica Social de Leão XIII foi fundamental para a Ação Católica de Pio XI. Ele se assessorou da Literatura, reinante à época, proveniente de Teólogos e Filósofos cristãos, mais ou menos coetâneos, que lhe iam fornecendo a base e fundamentação necessárias para propor outra novidade.

Tais cristãos, nascidos entre 1891 e 1897, em diferentes partes do mundo, influenciavam com suas idéias e ensinamentos, mais ou menos, unânimes. Coube a Pio XI coordená-los, sistematizá-los e divulgá-los mundo afora. Estavam entre esses pensadores ou colaboradores: o Padre Teilhard Chardin (França, 1881). Pe. J. Cardjin (Bélgica) e Jacques Maritain (França, 1882). Padre Leonel Franca (Brasil, 1893). Padre, Bispo e Cardeal Fulton Sheen (EEUU, 1895) e Padre Lebret (França, 1897). Em 1935 todos tinham de 44 a 48 anos. Jovens, em pleno vigor da sabedoria, preparados para colaborar.

Foi quando o Papa Pio XI, no comando da Igreja Católica, enviou seu apelo ao Cardeal Leme, do Rio de Janeiro, para que ele divulgasse a nova pastoral nascente, que era a Ação Católica. Nascera do impulso dado pela recente Doutrina Social da Igreja, assessorada por tão grandes Pensadores, no desempenho do novo trabalho catequético e evangelizador da Igreja. O Cardeal Leme não deixou de lado o apelo do Papa, mas atirou no alvo errado.

            Havia um grupo selecionado de leigos que se reunia, mais ou menos, organizadamente, formando o Centro Dom Vital, fundado desde 1922. Fazia parte da intelectualidade católica conservadora e defendia um nacionalismo de direita. Sucediam-se no comando do C.D.V. nomes como: Jackson de Figueiredo, Alceu de Amoroso Lima (inicialmente, conservador) embora, mais tarde, um católico de esquerda. Com este, já convertido, aliou-se também Dom Helder Câmara, proveniente do integralismo, mas nomeado seu assistente eclesiástico, entusiasta da A.C. nos moldes em que ela nasceu. Fez toda a diferença dentro do grupo, original do Cardeal, tornando-se um verdadeiro símbolo do clero progressista, como queriam Leão XIII, Pio XI e seguidores ou “assistentes” com sensibilidade para os apostolados católico, em geral e social.

            Com a entrada de Dom Helder, convertido e renovador, um componente do Centro Dom Vital, Plínio Correia de Oliveira desligou-se do grupo por ser de extrema direita, fundador do tradicional, conservador e reacionário slogan, vivo ainda hoje: “T.F.P.” (Tradição, Família, Propriedade) que ainda quer dominar e convencer os “desavisados”. Aliás, falta de “aviso” não é.

            Com a entrada do Padre Helder como secretário da Arquidiocese do Rio de Janeiro e depois, como seu Bispo Auxiliar, nomeado pelo Papa Pio XII em 1952, sua influencia, sua ação pastoral, seu contato com os mais pobres e favelados e o discurso inflamado que convencia as massas, o tornaram muito conhecido, dentro e fora do Brasil.

            Quando o Papa João XXIII assumiu seu Pontificado em 28 de outubro de 1958, começou a anunciar, preparar e convidar as hierarquias da Igreja, em todo o mundo, para realizar um Concílio Ecumênico, o Vaticano II, que iniciou aos 11 de outubro de 1962 e encerrou com o Papa, Paulo VI, em 08/12/1965. O curto pontificado do Papa João foi determinante e marco fundamental para legitimar toda a História da Doutrina e prática Social da Igreja até nossos dias.

            Dom Helder apareceu no Concílio, nos mais de 03 anos de sua duração, como a estrela mais brilhante, por sua lucidez, inteligência e negociações que o levaram a propor, ainda em Roma, aos Srs. bispos brasileiros, a instituição da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil), que serviu de modelo para outras Conferencias Episcopais pelo mundo. A CNBB ligou mais o Brasil a Roma, deu mais agilidade à documentação proveniente de lá, os trâmites e correspondências, além das comunicações que se tornaram mais ágeis e passou a haver uma unidade maior nas práticas Pastorais.

É claro que para Bispos que se não renovaram, para católicos em quem nada entraram de comunhão e participação, exigidas pelo Concílio, para políticos que só queriam o poder para se locupletar de vantagens e de recursos públicos e para militares que pouco estudavam, mas impunham o poder pela força e pela truculência, a ditadura nos chegou de assalto, mais ou menos, como se deu em outros países latino-americanos: chegando e se instalando para destruir a pátria amada, até mesmo nos aconselhando a “amá-la ou deixá-la”

Chegou, chegando e se instalou, maltratou, prendeu, torturou e matou por longos 21 anos. (Mas este é um assunto para o próximo comentário).

                                                           Fazenda Santa Maria – Bela Cruz - Ceará

Por hoje, ainda quero unir-me às minhas famílias Magalhães Rocha e Magalhães Araújo que, ao gerar 21 irmãos, fomos criados e educados para formarmos uma só família. Inicialmente, chegamos a 18. Depois, mais 03 irmãos vieram engrossar nossas fileiras. Hoje, somos nove. Continuamo-nos reunindo há 80 anos, desde 1945, quando nosso pai comprou a Fazenda Santa Maria no Município de Acaraú, hoje, pertencente ao de Bela Cruz. Lá, estamos reunidos como “o resto de Israel: aquele grupo remanescente do povo judeu que permaneceu fiel a Deus. É isto que somos agora. Sem nossos pais, sem nossas mães. 1/3 dos irmãos da 1ª família. Outro terço dos outros irmãos da 2ª está mais perto de nós. Poderemos confiar em nossos descendentes para dar continuidade à semente lançada na constituição da tradicional grande família

                                  E mail: leunamgomes123@gmail.com

 







sábado, 19 de julho de 2025

 

OS GOLPISTAS COMEÇAM A SENTIR O RIGOR DA LEI

EDIÇÃO DE -19.07.25

Vários deputados apresentaram voto de louvor ao Presidente dos Estados Unidos pela medida contra do Brasil. O que merecem os traidores parlamentares?

 Isto é coisa de eleitores que não sabem em quem votam. Basta alguém indicar e logo os submissos votam. Isto não é cidadania. Há deputados federais que envergonham o estado.

No próximo ano, teremos nova chance de escolher novos deputados e senadores. É bom estar atentos aos que fazem os atuais representantes do povo. Alguns nos envergonham.

 Mas é importante saber que há muitos deputados que nos orgulham e nos representam com dignidade. Graças a Deus, nunca me arrependi dos votos que dei.

 Na votação do chamado PL da DEVASTAÇÃO para beneficiar os donos de muitas terras, o Deputado Leônidas Cristino votou CONTRA.

 A propósito, temos leitores desta coluna que se irritam quando falo sobre Paulo Freire. Há mais de 50 anos tenho adotado com êxito as ideias de Paulo Freire.

 Falar sobre a tentativa de golpe de estado também incomoda aos direitistas fanáticos que gostam de bajular os defensores da ditadura.

 Aliás, vi, recentemente que um dos financiadores está arrependido. Quando foram descobertos como patrocinadores da tentativa de golpe, perderam clientes.

 Eles costumam defender os incentivadores afirmando que não houve golpe. É claro que não houve. Bem que tentaram.

 Se tivesse havido, eles estariam aí prendendo Deus e o mundo. Mas deu errado. Foram atrás do Trump e a ameaça de vingança com os 50%, também deu errado.

                                                                                         Eliony e Erinete

 Nesta semana os guaraciabenses perdemos um bom amigo que morava em Brasília. Era Francisco Eliony César de Sousa, casado com minha prima Erinete Feitosa.

Ele era filho de D. Adelaide e Simeão Santana de Sousa. Erinete, filha da tia Dedite Gomes Feitoza e José Alves Feitoza (Zequinha), pessoas muito conhecidas e queridas em nossa terra.

 Estou preparando um livro com relatos de minha caminhada profissional, especialmente, na educação. Tudo com base em Paulo Freire.

 A minha dissertação de Mestrado é um relato analítico da gestão que tive na Secretaria de Educação de Guaraciaba do Norte. E os resultados podem ser analisados até hoje.

 Comecei realizando Seminários com a população para uma análise da educação oferecida ao município quando apenas 16% das crianças chegavam à 4ª série.

 As ações desenvolvidas, a partir das sugestões da comunidade, mudaram o panorama. E tudo foi detalhadamente documentado. Basta comparar o que era e o que mudou?

 Sempre que tive oportunidade de trabalhar em Secretarias municipais de Educação, comecei ouvindo a comunidade. Não se deve ter medo do povo.

 Assim aconteceu em Croatá, Poranga Guaraciaba do Norte, Guaiuba e Graça. E os resultados sempre foram positivos. Este é o caminho para acertar.

 Paulo Freire afirma: “A Leitura do Mundo precede à leitura da palavra.” É a comunidade que conhece a sua própria realidade.

 Na recente viagem de São Luís a Fortaleza, conheci, no aeroporto, um grande empresário cearense, de Sobral, que há muitos anos reside naquela capital.

                                                          

 Trata-se de Maurício Feijó, um cidadão muito religioso e que, com sua liderança, transformou-se em Presidente da Federação do Comércio do Maranhão.

 Coincidentemente, na véspera, em São Luís, estive numa festa junina, promovida pela FECOMERCIO, em um de seus polos de atividades, num bairro da capital.

 A seu convite, nos encontramos no Edifício onde tem apartamento em Fortaleza. Foi uma boa conversa. Dei-lhe os livros: AD VITAM e AD LABOREM.

 Dele, ganhei um livro o livro À MARGEM DA HISTÓRIA DE COREAÚ-CEARÁ, de autoria de Francisco Mavignier Cavalcante França. No passado, era a Palma

 Neste sábado, na família vamos nos reunimos com a querida amiga Orineide Ferro Carvalho, viúva do querido primo José Abner, as filhas Débora e Raquel, genro e netos, residentes em Brasília.

Betanistas se organizam para a comemoração dos cem anos da construção do prédio do Seminário Menor de Sobral, no bairro da Betânia, por Dom José Tupinambá da Frota. Hoje funciona a sede da UVA.

 

MEMÓRIAS DA DITADURA

VENTURAS E DESVENTURAS    COM IDIOMAS

                                                                                                                                                                 Dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- Continua aí, João!

           Era o que me dizia a Ruth ao enganchar-se no alemão, quando começava a contar alguma das suas famosas estórias da Pedra Branca, poucos meses depois da nossa chegada na Alemanha. Impulsionada pela sua natureza comunicativa e por seu aguçado senso de humor, ela não se intimidava ante a barreira do idioma e achava seu alemão suficiente para contar aqueles casos com nuances da cultura do interior cearense, difíceis de serem captadas até por brasileiros de grandes cidades. E passar a bola para mim não resolvia, pois minha insuficiência no idioma de Goethe era igual a dela.

          Imaginem como era tentar contar em alemão, com apenas três meses de estudo, que a Donana, sua mãe, ao perguntar a uma moça que ajudava na copa, quem era o pai da criança, de uma gravidez que esta tentava ocultar, obteve como resposta: “eu só me queixo do Lalá”. O Lalá era o botador d’água da casa dela. Entendam como era difícil esclarecer aquele sentido tão peculiar do verbo “QUEIXAR-SE e que também não era fácil explicar a profissão de “botador d’dágua”, aquela pessoa que abastecia residências com água em tonéis de madeiras, transportados por jumentos.

        Mas ela não desistiu e continuou tentando narrar histórias, como a da copeira que argumentou com a Donana que um pedaço de rapadura caído no chão não oferecia nenhum perigo para a saúde, pois com a pancada mataria todos aqueles bichinhos que a patroa chamava de micróbios.

           Pois é, os desafios eram deste porte, tal como um a que fui submetido, à mesma época, quando um professor de português da Universidade de Bochum, que adquirira um disco do Luiz Gonzaga em uma viagem que havia feito ao Brasil, pediu-me uma sugestão de tradução para o alemão da expressão “resfolego da sanfona”. Não dava, concordam?   

          Mas as desventuras com idiomas estrangeiros na vida de exilados tinham começado no Chile, onde os brasileiros veteranos de refúgio faziam um teste com os calouros sobre a capacidade de pronunciar certas palavras em espanhol. A preferida era IRARAZÁVAL, nome de uma rua de Santiago. Para nós cearenses, habituados à suavidade dos “Erres”, os primeiros resultados costumavam ser desastrosos.

          A letra “E” também nos trouxe dificuldades no início do exílio, devido ao nosso costume de pronunciá-la de modo aberto, como aconteceu com meu querido amigo e futuro sócio, Paulo Brasil. Ao receber um chileno no apartamento onde ele morava com a Cristina, sua mulher, perguntou-lhe: - ustéquété ou café? O visitante fez uma cara de espanto pois só entendeu a última palavra, não relacionando a outra com a expressão espanhola “Usted quiere té” (o senhor quer chá), pronunciada com todos os “Es”, bem fechados.  A propósito do nosso jeito cearense de falar, este companheiro de muitas jornadas, contou-me que, quando estudava em Porto Alegre, em um discurso que fez numa assembleia contra uma das arbitrariedades da ditadura, ao começar sua fala dizendo “nós gaúchos, vamos mostrar a força da resistência estudantil”, a plateia inteira caiu na gargalhada. Em seguida, todos aplaudiram apoiando o posicionamento daquele “gaúcho” que não viera dos pampas, mas da caatinga cearense.

          Sudestinos e sulistas também tiveram no Chile algumas desventuras idiomáticas, como aquele companheiro que, ao sentir frio, usou a regra, que algumas vezes funciona, de transformar o “J” de uma palavra em português em “R”, para encontrar sua correspondente em espanhol, pedindo a um amigo chileno para fechar “a ranela” que ali é chamada de... ventana.

          Já a dona Letícia, mãe da Ângela, ao visitar Santiago, depois de levar algum tempo para automatizar o uso de gracias, ao invés de obrigado, acabou gostando daquela palavra que, no futuro, lhe pareceu muito útil. Quando foi para a Alemanha assistir o nascimento do neto Adriano e cuidar da filha no pós-parto, ela não estava em casa quando se rompeu a bolsa e a Ângela precisou ir às pressas para o hospital. Paulo Lincoln, com sua habitual meticulosidade, deixou pregado na porta do apartamento um bilhete para Dona Letícia, com todas as orientações para o deslocamento dela até o hospital. Algum tempo depois, ela chegou ao quarto da maternidade, toda orgulhosa do seu feito. Perguntada se tinha tido alguma dificuldade para chegar ali, respondeu prontamente: “que nada, quando eu tinha dúvida, mostrava o mapa do Paulo a alguma pessoa, ela me apontava o caminho, eu dizia gracias, gracias e seguia em frente.”

         E por falar em FRENTE, teve o caso do brasileiro que ao tentar orientar um motorista de táxi em Paris sobre seu destino, apontou para diante, dizendo: “sampranfran”, aplicando aquela regrinha de transformar algumas palavras nossas com som de “EN” no “AN” do francês. Sua criativa tradução do nosso “sempre em frente” infelizmente não existe e, como me explicou uma amiga francesa, “tout droite” é o que é usado naquelas ocasiões. 

          Outra agrura causada por idioma foi a dificuldade que um amigo brasileiro teve de encontrar nosso apartamento quando ainda morávamos em Bochum. Ele copiara de um envelope com uma carta nossa a expressão “Erdgeschoss, links”, pensando tratar-se do nome da nossa rua. Quando mostrou sua anotação para o motorista de táxi, ele nada entendeu, pois o que via ali era somente “Andar Térreo, esquerda”. Felizmente ele tinha consigo o envelope com a nossa carta e ao mostrá-lo ao motorista tudo se esclareceu, pois lá estava escrito: Robert Koch Strasse, 21, ou seja, a palavra rua (Strasse), seu nome e número, tendo abaixo a indicação do andar do nosso apartamento que ficava do lado oposto de um outro do mesmo andar, situado à direita (Erdgeschoss, rechts). Juro que não escolhemos o lado do apartamento por conotação político-ideológica, mesmo porque àquela época não se tinha a polarização que existira no passado e que ressuscitou agora.

         Keine da? (pronúncia: kainedá), quando ouviu aquela pergunta que significa “ninguém aqui”?, o Tutruca, um simpático refugiado chileno que começara a trabalhar naquele bar, entendeu “Canadá?” e, meio atarantado, levantou-se do pé do balcão, onde, acocorado arrumava umas garrafas, respondendo “no, soy de Chile” 

          Mas houve também muitas venturas na superação das barreiras idiomáticas, como a daquele brasileiro que ainda não aprendera francês e que visitou um casal de amigos que morava em Paris.  O casal tinha saído e quem lhe abriu a porta foi uma linda desconhecida, que não sabia português. Ela conseguiu fazê-lo entender que era grega. Aí, ele não teve dúvidas e, lembrando-se da história aprendida no colégio, disparou: Termópilas, Esparta, Atenas, Tróia, Peloponeso, Odisseia, Ulisses, Heródoto, Hipócrates, Hércules, Leônidas... No começo, a moça ficou um pouco espantada, depois abriu um sorriso e não demorou muito para a superação do obstáculo idiomático, iniciando um promissor namoro.

                                                                                                      Um dos lideres do movimento literário alemão
           Venturosa, igualmente, foi a oportunidade de ouvir uma armênia-estadunidense, amiga do Sérgio Buarque, companheiro de exílio em Colônia, imitando sotaques de falantes dos seis idiomas que ela dominava. Ela acabara de concluir o curso de alemão e nos divertia mostrando como um alemão falaria italiano, ou português, ou francês, ou espanhol e vice-versa, bem como as demais variações possíveis entre falantes destes idiomas.  Ela era um exemplo vivo do quanto pode ser prazeroso aprender e praticar novos idiomas.

          Para mim, as descobertas pela aquisição de mais idiomas revelam formas diferentes de postar-se diante do mundo, como coisas são feitas de outro jeito, modos de relacionamentos em padrões ainda não conhecidos, degustação de sabores não costumeiros, enfim, chances de conhecer novas culturas, adquirindo novos códigos e posturas na comunicação entre humanos.

          Ou, considerando Fernando Pessoa quando disse que “minha pátria é minha língua”, aprendermos um novo idioma é nos abrirmos para conhecer a pátria dos outros, desde que respeitem a nossa, contrariamente do que fazem hoje alguns brasileiros que, hipocritamente, se autodenominam patriotas.


                                                                                                        João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial,                                                              destacada liderança durante o tempo da ditadura de 64.

E MAIL: leunamgomes123@gmail.com






O COMENTÁRIO DA SEMANA



Todos os que acreditavam estavam juntos e unidos

Há uma semana, em meu Comentário sobre férias, falei da sua origem e necessidade para todos, exemplificando com o próprio Papa, Leão XIV que, em Castel Gandolfo, estava de férias, mantendo uma tradição multi-secular de Papas que, nesta época de verão, sempre buscavam um lugar muito agradável e ameno, para livrar-se um pouco, do grande calor europeu.

             Acrescentava eu que, ao que se sabe, o único Papa que renunciara ao lazer oferecido por toda a área agrícola (55 ha.) jardinada, produtora de leite, das Vilas Pontifícias teria sido o Papa Francisco que, em vez de usar tudo para o seu conforto e descanso pessoal, decidiu ‘socializar o espaço, fundando uma Escola Superior de Astronomia, onde já formou uma 1ª Turma de Astrônomos de 22 países. Francisco pensou nisso pra dar utilidade a um dos mais potentes telescópios do mundo (1/2 ocioso) de propriedade do Estado do Vaticano. Dizia também que, por certo, Francisco se teria tornado mais merecedor da simpatia de seu sucessor e de todos nós por mais este feito que conquistou o mundo.

            Este exemplo concreto de “socialização” dado pelo Papa Francisco, me remete a pensar no início dos meus estudos de Filosofia e Teologia, no ITER (Instituto de Teologia do Recife) onde funcionava o Seminário Regional do NE, em Olinda – PE: de 1961 a 1966, isto é, dos meus 20 aos 25 anos. Ali fiquei, exatamente, durante o tempo prévio e de realização do Vaticano II em Roma.

            Tal período foi de muita reflexão, muito aprendizado e armazenamento para uma Missão que se desenvolveria na prática futura. A sigla ITER, por si, já era uma palavra latina, plena de significado: “caminho”, “estrada”. Muito expressiva e chamativa. Estávamos na via certa. Procedíamos, especialmente, do Nordeste Brasileiro, com abertura para o Norte e até, para o Centro Sul.

            A Região Nordeste II da CNBB, que compreendia os Estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e R.G. do Norte selecionara o melhor de seus professores e orientadores para fazerem parte de sua equipe de formadores: Padres e Leigos, distribuídos entre direção e corpo docente, tais como: Padres Marcelo Carvalheira, Luís Carlos, Arnaldo Cabral, os irmãos Zeferino e Zildo Rocha, Almeri Bezerra, Luís Gonzaga Sena, Marcelo Santos, José Comblin, Eduardo Hoenaert, Humberto Plumen e outros brasileiros ou europeus que por lá estudaram, bem como outros professores leigos com vasta experiência em Universidades brasileiras ou portuguesas, como Newton Sucupira, Ariano Suassuna, Vamireh Chacon e outros, todos com a supervisão, aval e bênção, inicialmente, de Dom Carlos Coelho e, depois de 1964, de Dom Helder Câmara e Dom Lamartine Soares, os profetas que enfrentaram a ditadura militar.

            Esta chegou para destruir todos os conceitos filosóficos e sociológicos de nossos estudos, bem como as exegeses que fazíamos da Palavra de Deus que fundamentava nossa Teologia Libertadora.

            Concomitantemente, a tais estudos filosóficos e teológicos buscávamos aplicá-los na vida prática, entre o povo, através da Ação Católica especializada, das C.E.Bs (Comunidades Eclesiais de Base), do M.E.B. (Movimento de Educação de Base), dos Centros de Estudos Bíblicos, de aprofundamento dos Decretos, Declarações ou outros tipos de Documentos Conciliares, de forma que, a junção da teoria à prática, da fé à obra, de oração e ação ia formando no futuro Padre ou (se não fosse padre) no cristão do futuro, um conscientizado      agente de transformação na sociedade: eclesial, política e educacional.

            Ao socializar o uso do Potente Telescópio de Castel Gandolfo na Escola Superior de Astronomia, Francisco tornou-a também Museu a ser visitado.

            Estou colocando este exemplo e testemunho do Papa Francisco para dizer que ele não estava inovando ou revolucionando tudo, como o criticavam. Ele era estudante - como eu e tantos coetâneos nossos - nas décadas de 1950-70, quando estudávamos em Seminários, pela América Latina, cheia de desrespeito à democracia, pela imposição de governantes ditatoriais.

            Sobretudo nossos estudos filosóficos e teológicos, fundamentalmente, tinham a mesma orientação libertadora que a Igreja Latino-americana tinha e a ousadia ou coragem de indicá-la, acompanhá-la e cobrá-la de seus estudantes.

            Entre as muitas pastorais da Igreja, à época, em que estudávamos e que citei ali acima, estava a histórica Doutrina Social da Igreja, a Ação Católica especializada e o Concílio Ecumênico Vaticano II. Deter-me-ei sobre a A.C., pra começo de conversa, lembrando que poderei depois, aprofundar ou dar mais informações, a respeito de outras entidades, já também lembradas.

            Entre todos nós -, os que pertencíamos ao corpo discente, e o grupo que integrava o corpo docente – havia um mesmo objetivo: preparar-nos para uma Missão comunitária ou social, com uma orientação para servir coletivamente. O princípio posto em nossa prática de ensino era o dos Atos dos Apóstolos, 2,44: Todos os que acreditavam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros, o que tinham”. E, no mesmo Livro dos Atos, 4,32: “Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas, mas todos repartiam uns com os outros, tudo o que tinham”. Para nós, os que ensinavam e os que aprendíamos, inúmeros textos bíblicos, do Antigo e do Novo Testamentos iam justificando a Filosofia e a Teologia Libertadoras que nos fariam abraçar compromisso social.

            Quem começou a nos recriminar e a perseguir-nos por causa dessa maneira de ensinar e de aprender foi a Ditadura Militar que, em cada país que ela se instalava e, no Brasil, não foi diferente, os ensinamentos libertadores da Palavra de Deus, foram rechaçados e punidos, severamente, com prisões, proibições, exílio e até mortes, se não aceitássemos “sua época de chumbo”.

            Entre os nossos seminaristas, havia um grupo de Universitários das várias Ciências que, por fazerem parte da Juventude Universitária Católica (JUC) já haviam sido recrutados, motivados e até ingressados em Seminários, tendo em vista o Sacerdócio. Juntos conosco – sem vínculo universitário – formávamos uma Comunidade homogênea, de entreajuda, que nos enriquecia, mutuamente. Ao mesmo tempo, íamos tomando contato com a literatura de nossos professores que, com outros experientes docentes latino-americanos nos iam alimentando, intelectualmente, para termos mais segurança depois.

            Dependendo de nossa origem e da tendência que tivéssemos para nos especializar, íamos escolhendo a nossa dedicação pastoral futura, seguindo as vogais que nos uniam num mesmo método de Ação Católica que se ia dirigindo ao campo, pela J.A.C. (Juventude Agrária Católica). J.E.C. (Juventude Estudantil Católica). J.I.C. (Juventude Independente Católica). J.O.C. (Juventude Operária Católica) e J.U.C. (Juventude Universitária Católica).

            A Ação Católica iniciou pela Europa, quando operários de indústrias, em fábricas se ressentiam das desorganizações horárias, diárias, semanais, mais ou menos sem ordem e eles reivindicavam por uma distribuição mais racional.

            Suas reclamações e dores chegaram aos ouvidos do Papa Pio XI que, em 1935, dirigiu uma mensagem ao mundo cristão, convocando a todos para “o exercício pacífico de Cristo, formando um exército de justiça, amor e paz” e que “os leigos se tornem o braço estendido da Igreja Católica no seio da sociedade como apostolado organizado e subordinado ao poder do clero”. Voltarei!

                     Bordados pedagógicos da Professora Nazaré Antero

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...