sábado, 18 de abril de 2026

O COMENTARIO DA SEMANA

 


Amanhã, DIA DO ÍNDIO.

O QUE SABEMOS SOBRE ESTA POPULAÇÃO?

           

  Pelo Decreto-Lei Nº 5.540/1943, o Presidente Getúlio Vargas decretou o dia 19 de abril, amanhã, portanto, como o Dia do Índio, em reconhecimento à presença de Indígenas, entre nós, desde a chegada de Cabral.

            Quero aproveitar esta data para discorrer um pouco mais sobre o seu significado, porque o Presidente Brasileiro não se estaria referindo à nossa curta História de conhecimento dos indígenas (a partir de nossos invasores portugueses, seguidos por outros inúmeros “piratas”), mas à longeva presença de “índios, primatas, selvagens” etc. pelo mundo, desde que o Homem existe.

             Aqui nas Américas (do Norte, Central e Sul-americanas) os livros didáticos assinalam, respectivamente, 1492 (o italiano, genovês, Cristóvão Colombo) e 1500 (o português, de Belmonte, Pedro Álvares Cabral), encontraram diferentes tribos indígenas. Isto não significa que elas iniciaram quando os “Invasores” chegaram. Fazia um longo tempo que elas aqui já habitavam. Eram nativas pelas Américas.

            Vou dar uns 04 exemplos (entre inúmeros existentes) para fundamentar o que estou dizendo e o que, mais adiante, quero aprofundar.

            Na América do Norte, Colombo se deparou com os índios Peles Vermelhas que lá já se encontravam de 12 a 15 mil anos.

            No México, Guatemala, Honduras, Belize e El Salvador já estavam os Maias com suas aldeias agrícolas, por volta de 02 mil anos a. C.

            No Vale do México (região central onde hoje está a Capital (Cidade do México) estavam os Astecas desde o século 12/13. O genovês só chegou no fim do século 15.

            Na Cordilheira dos Andes, no Sul da Colômbia, na região do Cuzco-Peru e por onde se foi firmando a Argentina, o Equador e a Bolívia se espalhavam os Incas.

            No Brasil, meus leitores devem conhecer todas as inúmeras famílias indígenas, da invasão à atualidade. Destaco uma, como fiz com os demais “invadidos”: o Tupi – Guarani, que já estava aqui e continua, há cerca de 2.500 anos. É uma longa, dura e sofrida história que se vai arrastando e causando grande tristeza aos ‘conscientes’.

            Todos estes citados formam uma pequena parcela das milhares de famílias de selvagens que têm sua sabedoria, sua cultura, seu folclore, sua história que somente os sábios e pessoas esclarecidas alcançam. Eles tinham e têm uma sabedoria, que, até hoje, os fazem conhecidos, pelo mundo afora, negociando o que eles produzem no artesanato, nas criatividades, nas pequenas lembranças que vão oferecendo ao povo. Encontram no tucum, nas cascas de coco, na madeira trabalhada, transformada em brincos, em anéis, em pulseiras, em vestimentas de couro, em apitos imitando a voz das aves, eles vão mostrando a beleza da arte que eles são capazes de produzir.

            Todos nós conhecemos esta herança indígena, herdada pelos brasileiros criativos, espalhados por todo o país, em cada região, pelo artesanato que oferecem.

            Eu dizia no meu Comentário da Semana passada que, “por onde andei e, graças a Deus, andei muito” vi coisas maravilhosas, admirei a arte de todos os lugares que passei, vi feiras de artesanato dos países sul-americanos, inclusive daqui do Ceará, de Pernambuco, onde vivi por 40 anos, e nunca me escandalizei, nem disse que tal arte, tal brinco ou anelzinho de tucum, ou outras belezas artesanais eram coisa do diabo, ou de comunista que é o comentário mais estúpido que alguém possa fazer.

            Foi algo muito comum nestes meus 85 anos de vida e 57 de Padre, encontrar Bispos e Padres, dentro e fora do Brasil, usando cruz peitoral, anelzinho de tucum, feitos, artesanalmente, a preço módico, não por luxo, mas para ajudar aos irmãozinhos indígenas a manterem suas obras sociais ou para a própria sobrevivência.

            A propósito, estou convivendo em Bela Cruz, com dois excelentes sacerdotes: o Pároco, Padre Eudes Cruz e seu Vigário Paroquial, Padre Lucas Monteiro. Ao Padre Eudes foi perguntado se ele era da Teologia da Libertação. Ele respondeu que era “Padre, pé no chão”. Com o Padre Lucas, estão preocupados porque ele usa um anelzinho de tucum e dizem que “isto é coisa de comunista”. E eu fico pensando!  

            É aqui que vai a promessa ali de cima, de aprofundamento desta reflexão. Eu   

tive o privilégio de morar em Amaraji, na zona da cana, em Pernambuco.

            À época, numa propriedade de 20 mil hectares, trabalhavam no corte da cana, à foice, cerca de 20 mil homens. Era tudo feito à mão. No fim da semana, na tarde do sábado, todos recebiam seu salário, pago em “vale” a ser descontado no comércio ou na farmácia do patrão e, se houvesse algum troco, recebiam também em “vale”. O coitado não pegava em dinheiro para comprar o que quisesse, onde encontrasse mais barato. O dinheiro ficava retido para aumentar mais o lucro do homem que já era rico.

            Imediatamente, quando saí de Amaraji, retornei a Roma para prosseguir com estudos de Religiosidade Popular e Comunicação Social, lá iniciados. Numa das minhas visitas ao Museu do Vaticano, que eu já conhecia - na Sala dos quase 200 Crucifixos, representando as várias figuras de Jesus Cristo, simbolizando as várias culturas do Mundo (Africana, Asiática, Europeia, Oriental) - encontrei um “Crucificado, recentemente, chegado”, representando o “Homem do Corte de Cana” de Pernambuco, que mexeu muito comigo: era um plantio imenso de cana, como os que eu vira em Amaraji, com um Homem-morto, deitado de braços abertos em cima da cana, amassada ou destruída até o chão, representando o “Cristo Crucificado” de hoje.

            Não sei porque há pessoas que não se tocam com um quadro desses. Dizem que é ideia de “comunista” para se dispensarem de uma reflexão mais cristã. Eu me impressionei com os “Cristos Crucificados” representativos das várias culturas do mundo. Por que não me impressionar com o “Cristo Crucificado” que eu conhecia ser autêntico, derramando Seu Sangue daquela maneira? Seria menor do que o sangue derramado pelo próprio Cristo?

            Aí, eu pergunto: é comunista o Padre que usa um anelzinho de tucum, para ajudar a um Indiozinho Inca, do Peru; ou Maia da Guatemala; ou Asteca do México; ou a um conterrâneo nosso Tupi-Guarani da Amazônia?

            Seria comunismo do Vaticano receber crucifixos de todas as culturas do mundo e rejeitar a representação da fé do artista que retratou o Cristo Crucificado, de maneira tão cruel como a crucificação de Jesus, porque a arte retratada ‘é comunista’?

            Para quem não sabe, não entende, não gosta de ouvir falar, discorda do Padre que faz tal análise e faz tal comparação, lembre-se ao menos do que, acertadamente, disse o nosso creditado e insuspeito Padre Eudes: “eu sou Padre pé no chão”.

            Para quem não concorda com a minha reflexão, nem com a sábia máxima do Padre Eudes, nem com o “anel de tucum” do Padre Lucas, veja se digere as propostas dadas para as escolas e seu “alunado”, composto de crianças e de jovens, para “conhecerem as diferentes práticas culturais das etnias indígenas” e “valorizarem os índios, para que recebam o seu devido valor e não sejam vítimas de preconceito”.

            Acrescente-se a isso, “algumas dicas do que fazer com os alunos, amanhã, no Dia dos Povos Indígenas”:

            - Fazer colares indígenas:

            - Trabalhar com argila e fazer vasilhas e outros utensílios, pintando-os com motivos indígenas:

            - Incentivar o ‘desenho’ dos alunos sobre o que conhecem da Cultura Indígena;

            - Relembrar palavras de origem indígena;

            - Contar lendas de diversas tribos do Brasil;

            -Promover debates e reflexões sobre a situação dos povos indígenas, atualmente, no Brasil;

            - Cantar músicas indígenas ou alusivas ao Dia dos Povos indígenas;

            - Pintar desenhos alusivos ao dia.

            Agora, eu digo como Jesus: “tenho pena deste povo” Mt. 9,35. Não sabe o que sugere para o Dia do Índio. Não sabe que foi Jesus quem instituiu “comunidade, bem comum, comunhão”. Daí a origem de “comunismo”. Provêm de “koinonia”. Nem foi o Manifesto Comunista de Marx, 1848, nem a Revolução Russa, 1917. Isto é muito recente para substituir o que Jesus já havia criado. É um bom tema a ser aprofundado.





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