Amanhã,
DIA DO ÍNDIO.
O QUE SABEMOS SOBRE ESTA POPULAÇÃO?
Pelo Decreto-Lei Nº 5.540/1943, o Presidente Getúlio Vargas decretou o dia 19 de abril, amanhã, portanto, como o Dia do Índio, em reconhecimento à presença de Indígenas, entre nós, desde a chegada de Cabral.
Quero
aproveitar esta data para discorrer um pouco mais sobre o seu significado,
porque o Presidente Brasileiro não se estaria referindo à nossa curta História
de conhecimento dos indígenas (a partir de nossos invasores portugueses,
seguidos por outros inúmeros “piratas”), mas à longeva presença de “índios,
primatas, selvagens” etc. pelo mundo, desde que o Homem existe.
Aqui nas Américas (do Norte, Central e Sul-americanas) os livros didáticos assinalam, respectivamente, 1492 (o italiano, genovês, Cristóvão Colombo) e 1500 (o português, de Belmonte, Pedro Álvares Cabral), encontraram diferentes tribos indígenas. Isto não significa que elas iniciaram quando os “Invasores” chegaram. Fazia um longo tempo que elas aqui já habitavam. Eram nativas pelas Américas.
Vou dar uns 04 exemplos (entre
inúmeros existentes) para fundamentar o que estou dizendo e o que, mais
adiante, quero aprofundar.
Na América do Norte, Colombo se
deparou com os índios Peles Vermelhas
que lá já se encontravam de 12 a 15 mil anos.
No México, Guatemala, Honduras,
Belize e El Salvador já estavam os Maias
com suas aldeias agrícolas, por volta de 02 mil anos a. C.
No Vale do México (região central
onde hoje está a Capital (Cidade do México) estavam os Astecas desde o século 12/13. O genovês só chegou no fim do século
15.
Na Cordilheira dos Andes, no Sul da Colômbia,
na região do Cuzco-Peru e por onde se foi firmando a Argentina, o Equador e a
Bolívia se espalhavam os Incas.
No
Brasil, meus leitores devem conhecer todas as inúmeras famílias indígenas, da invasão à atualidade. Destaco
uma, como fiz com os demais “invadidos”: o Tupi
– Guarani, que já estava aqui e continua, há cerca de 2.500 anos. É uma
longa, dura e sofrida história que se vai arrastando e causando grande tristeza
aos ‘conscientes’.
Todos estes citados formam uma
pequena parcela das milhares de famílias
de selvagens que têm sua sabedoria, sua cultura, seu folclore, sua história
que somente os sábios e pessoas esclarecidas alcançam. Eles tinham e têm uma
sabedoria, que, até hoje, os fazem conhecidos, pelo mundo afora, negociando o
que eles produzem no artesanato, nas criatividades, nas pequenas lembranças que
vão oferecendo ao povo. Encontram no tucum, nas cascas de coco, na madeira
trabalhada, transformada em brincos, em anéis, em pulseiras, em vestimentas de
couro, em apitos imitando a voz das aves, eles vão mostrando a beleza da arte
que eles são capazes de produzir.
Todos nós conhecemos esta herança
indígena, herdada pelos brasileiros criativos, espalhados por todo o país, em
cada região, pelo artesanato que oferecem.
Eu dizia no meu Comentário da Semana passada que, “por onde andei e, graças a Deus, andei muito” vi coisas
maravilhosas, admirei a arte de todos os lugares que passei, vi feiras de
artesanato dos países sul-americanos, inclusive daqui do Ceará, de Pernambuco,
onde vivi por 40 anos, e nunca me escandalizei, nem disse que tal arte, tal
brinco ou anelzinho de tucum, ou outras belezas artesanais eram coisa do diabo,
ou de comunista que é o comentário
mais estúpido que alguém possa fazer.
Foi algo muito comum nestes meus 85
anos de vida e 57 de Padre, encontrar Bispos e Padres, dentro e fora do Brasil,
usando cruz peitoral, anelzinho de tucum, feitos, artesanalmente, a preço
módico, não por luxo, mas para ajudar aos irmãozinhos indígenas a manterem suas
obras sociais ou para a própria sobrevivência.
A propósito, estou convivendo em
Bela Cruz, com dois excelentes sacerdotes: o Pároco, Padre Eudes Cruz e seu Vigário Paroquial, Padre Lucas Monteiro. Ao Padre Eudes foi perguntado se ele era da
Teologia da Libertação. Ele respondeu que era “Padre, pé no chão”. Com o Padre Lucas, estão preocupados porque
ele usa um anelzinho de tucum e dizem que “isto é coisa de comunista”. E eu
fico pensando!
É aqui que vai a promessa ali de cima, de aprofundamento desta reflexão. Eu
tive
o privilégio de morar em Amaraji, na zona da cana, em Pernambuco.
À
época, numa propriedade de 20 mil hectares, trabalhavam no corte da cana, à
foice, cerca de 20 mil homens. Era tudo feito à mão. No fim da semana, na tarde
do sábado, todos recebiam seu salário, pago em “vale” a ser descontado no
comércio ou na farmácia do patrão e, se houvesse algum troco, recebiam também
em “vale”. O coitado não pegava em dinheiro para comprar o que quisesse, onde
encontrasse mais barato. O dinheiro ficava retido para aumentar mais o lucro do
homem que já era rico.
Imediatamente, quando saí de
Amaraji, retornei a Roma para prosseguir com estudos de Religiosidade Popular e
Comunicação Social, lá iniciados. Numa das minhas visitas ao Museu do Vaticano,
que eu já conhecia - na Sala dos quase 200 Crucifixos, representando as várias
figuras de Jesus Cristo, simbolizando as várias culturas do Mundo (Africana,
Asiática, Europeia, Oriental) - encontrei um “Crucificado, recentemente,
chegado”, representando o “Homem do Corte de Cana” de Pernambuco, que mexeu
muito comigo: era um plantio imenso de cana, como os que eu vira em Amaraji,
com um Homem-morto, deitado de braços abertos em cima da cana, amassada ou
destruída até o chão, representando o “Cristo Crucificado” de hoje.
Não sei porque há pessoas que não se
tocam com um quadro desses. Dizem que é ideia de “comunista” para se
dispensarem de uma reflexão mais cristã. Eu me impressionei com os “Cristos
Crucificados” representativos das várias culturas do mundo. Por que não me
impressionar com o “Cristo Crucificado” que eu conhecia ser autêntico, derramando
Seu Sangue daquela maneira? Seria
menor do que o sangue derramado pelo próprio Cristo?
Aí, eu pergunto: é comunista o Padre
que usa um anelzinho de tucum, para ajudar a um Indiozinho Inca, do Peru; ou
Maia da Guatemala; ou Asteca do México; ou a um conterrâneo nosso Tupi-Guarani
da Amazônia?
Seria comunismo do Vaticano
receber crucifixos de todas as culturas do mundo e rejeitar a representação da
fé do artista que retratou o Cristo Crucificado, de maneira tão cruel como a
crucificação de Jesus, porque a arte retratada ‘é comunista’?
Para quem não sabe, não entende, não
gosta de ouvir falar, discorda do Padre que faz tal análise e faz tal
comparação, lembre-se ao menos do que, acertadamente, disse o nosso creditado e
insuspeito Padre Eudes: “eu sou Padre pé
no chão”.
Para quem não concorda com a minha
reflexão, nem com a sábia máxima do Padre Eudes, nem com o “anel de tucum” do
Padre Lucas, veja se digere as propostas dadas para as escolas e seu “alunado”,
composto de crianças e de jovens, para “conhecerem
as diferentes práticas culturais das etnias indígenas” e “valorizarem os índios, para que recebam o
seu devido valor e não sejam vítimas de preconceito”.
Acrescente-se a isso, “algumas dicas do que fazer com os alunos,
amanhã, no Dia dos Povos Indígenas”:
- Fazer colares indígenas:
- Trabalhar com argila e fazer vasilhas e outros
utensílios, pintando-os com motivos indígenas:
- Incentivar o ‘desenho’ dos alunos sobre o que conhecem
da Cultura Indígena;
- Relembrar palavras de origem indígena;
- Contar lendas de diversas tribos do Brasil;
-Promover debates e reflexões sobre a situação dos povos
indígenas, atualmente, no Brasil;
- Cantar músicas indígenas ou alusivas ao Dia dos Povos
indígenas;
- Pintar desenhos alusivos ao dia.
Agora, eu digo como Jesus: “tenho pena deste povo” Mt. 9,35. Não sabe
o que sugere para o Dia do Índio. Não sabe que foi Jesus quem instituiu “comunidade, bem comum, comunhão”. Daí
a origem de “comunismo”. Provêm de “koinonia”. Nem foi o Manifesto
Comunista de Marx, 1848, nem a Revolução Russa, 1917. Isto é muito recente para
substituir o que Jesus já havia criado. É um bom tema a ser aprofundado.


Nenhum comentário:
Postar um comentário