sábado, 9 de maio de 2026

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Pedimos a Maria que continue a interceder por nós!

         

Faz uma semana, iniciamos o mês mariano, todo ele em homenagem a Maria, como figura principal, embora celebremos também o mês das noivas, das mães, das flores e das Aparições de Nossa Senhora em Fátima – Portugal, há 109 anos, e nos vamos lembrar dos exercícios marianos tão festivos de outrora que se realizavam, durante todo o mês, nas cidades e no campo, com bastante piedade. Até historiamos um pouco o transcorrer dos tais Exercícios Marianos, de São Lucas até o Papa Francisco, para mostrar que a devoção a Maria é duradoura.

             Não temos obrigação de festejar o mês de maio, é claro, como não temos de acreditar que Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, ou na cidade francesa de Lourdes, ou na vilazinha de Cimbres, no município de Pesqueira, em Pernambuco, ou mais recentemente, desde o início da década de 1980/81, em Merdjugorge, na Bósnia-Herzegovina-Iugoslávia. Eu não incorro em erro algum se eu agir assim.

 Mas, se eu desacreditar que Maria foi gerada sem pecado; foi concebida no ventre materno de Santana, sua mãe, sem nenhuma mancha; que Deus a preservou de qualquer mácula, a fim de que ela fosse a mãe de Jesus, ou que ela está no céu em corpo e alma, aí eu cometo pecado, pois a Igreja decretou, desde 1854, que ela - por causa do Filho que ela teria - foi imune de todo pecado. Daí, a diferença entre uma devoção popular, e um dogma da Igreja.

             É bom lembrar que bem antes dessas e de outras famosas Aparições, – lá pelos séculos XII/XIII – a Igreja Ocidental Europeia já havia descoberto que no Mês de Maio, a Natureza, como que, renascia, florava e o povo fazia festas, “cantando a abundancia de bens que a natureza oferecia”. De 1221 a 1284, Afonso X, o Sábio, Rei de Castela e Lyon, bem como São Felipe Neri louvavam a Maria, ou lhe prestavam “obséquios” nas famosas “Cantigas a Santa Maria”, cantando a abundancia de bens que a natureza oferecia, convidando a invocar a Virgem Maria para lhe pedir abundantes bênçãos e agradecer pelo aparecimento de bens materiais e espirituais. Na França e na Alemanha foram surgindo iniciativas semelhantes para homenagear a Rainha do Céu, durante o Mês de Maio.

 Basta lembrar, por exemplo, que, na França, já no século XIV, no dia 1º de Maio, os ourives de Paris ofereciam a Nossa Senhora, buquês de plantas enfeitadas com pedras preciosas e fitas. É o caso de se perguntar: porque, meu Deus, uma devoção tão antiga, tão bem fundamentada, no amor e no respeito à Mãe de Deus, tem passado por um esfriamento tão grande e tem diminuído tanto entre nós? Onde estão os nossos piedosos e filiais exercícios do Mês Mariano?

Será que alguém ainda se lembra do motivo porque temos na entrada de Bela-Cruz, o Arco de Nossa Senhora de Fátima? Em 1957 foi festejado em todo o mundo, o quadragésimo ano das Aparições de Maria, em Fátima – Portugal.   Na sua peregrinação pelo Brasil, passou também entre nós. Dom Raimundo, de Castro, Padre Demoutiez e o Pároco de Bela Cruz, Pe Odécio, estavam à frente daquela histórica visita. Muita emoção e muita alegria se externavam nas faces de todos. O que fizemos, em quase 70 anos? O que representa aquele “Arco” pra nós? Qual é o zelo que temos por ele? Certamente é o nosso descaso para com o sagrado, o nosso deboche para com aquilo que já foi tão respeitado, que tem levado outras pessoas a nos criticarem. Elas exigem coerência de nossa parte.

            Como em Bela Cruz, ainda são visíveis, Arcos ou Imagens de Maria, à entrada de Sobral, de Crateús, Ipueiras, Itapagé e de muitos recantos pelo Brasil afora.

            Às vezes, setores não católicos, embora cristãos, dizem que adoramos a Maria e nos criticam por isso. Nós temos repetido que não a adoramos, mas nós a respeitamos, veneramos e a aceitamos como mãe, já que Jesus no-la deu, aos pés da cruz, na pessoa de João, o Evangelista, quando disse: “eis aí o teu filho; eis aí a tua mãe”.

            Maria é mãe de Deus e tornou-se nossa mãe, não é somente porque teve Jesus gerado em seu ventre; é também e, sobretudo, pelo que Ele mesmo disse: porque ela fez a vontade do Pai. Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Disse Jesus: Minha mãe, minha irmã e meu irmão é todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu.

            Não nos custa festejar Maria, em qualquer das modalidades: seja pela devoção, seja pelos dogmas. Nós sempre a consideramos a verdadeira missionária, desde a sua afirmação, no anúncio do Anjo, ao aceitar ser a mãe de Jesus: “faça-se em mim, segundo a tua palavra”. Essa é também a nossa missão: ir pelo mundo, pregando o evangelho a toda criatura.

            Quando as Dioceses, suas Paróquias e CEBs foram criadas havia esperança de que o seu trabalho de evangelização acontecesse em todos os seus recantos e que conscientizassem a todas as pessoas na vivência de políticas públicas, de bem-estar pra todos e de uma luta constante pela felicidade de todos.

            Pedimos a Maria para que ela continue a interceder por nós, assim como fez nas bodas de Caná, da Galiléia: “meu filho, eles não têm vinho”. Ela continuará a dizer: “eles não têm salário... eles estão com fome, sem justiça; sem segurança; a morte ronda a sua casa, sobretudo agora, as ‘facções’ o ‘feminicídio’ estão ceifando vidas em todo o mundo”, enfim, a mãe é a mesma, Jesus é o mesmo; os problemas têm variado: do vinho à água, da insegurança às políticas públicas; do analfabetismo aos postos de trabalho; do desemprego à fome, etc. Seja qual for a nossa necessidade, Maria está alerta pra interceder a seu Divino Filho e o mês mariano é mais uma oportunidade de recorrermos a ela, e Jesus a atenderá.

            Sabemos da dificuldade que estamos tendo, para nos reunir, para nos encontrar em família e para participar de uma vida comunitária e para ouvir a Palavra de Deus. Daí, perguntarmos: “porque, meu Deus, a devoção a Nossa Senhora tem passado por um esfriamento tão grande e tem diminuído tanto, entre nós”? Infelizmente, muitos estão em busca de pretextos para se afastarem. Quem sabe, tenhamos mais uma oportunidade de cair na real! Tomemos consciência de que a separação, o distanciamento e o isolamento não são atitudes cristãs. Temos que nos reaproximar. Buscar a Palavra de Deus e frequentar o culto divino.

            Nós somos convidados à união, à participação e à comunhão. Viver assim é a maneira ensinada e testemunhada por Jesus. Deixar a ‘polarização’ de lado. Não ir na onda dos maus políticos. Procurar viver a ‘democracia’. Como cristão, “viver em comunhão”. Há bem pouco, na Festa da Imaculada Conceição de Bela Cruz, esclareci uma catequese do Papa Leão, toda vida ensinada pela Igreja, de que Maria não era “deusa”, “corredentora” ou “mediadora”. Era “intercessora”, “servidora”. Pedia, e Jesus atendia. Ela não fazia milagres. E encerrava tudo, citando Paulo em I Tim 5,7: “existe um só Deus e uma só pessoa que une Deus com os seres humanos: o ser humano Cristo Jesus”. Precisa mais de teima? S.S. está certo e quem ensina assim, está certo também. Fechou-se a questão.

 BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO




 






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