sexta-feira, 15 de maio de 2026

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

“É a fé que nos salva”.

Depois de dois Comentários seguidos sobre Exercícios Marianos, vou-me referir hoje a momentos litúrgicos especiais, dependentes um do outro, envolvendo: Festa da Ascensão, Unidade dos Cristãos, Pentecostes, Santíssima Trindade e Corpo de Deus. Depois retornarei a falar sobre Maria em suas Aparições em Fátima – Portugal e em Cimbres - Pernambuco.

Nesta semana, de 17 a 24 de maio - respectivamente, Solenidades da Ascensão do Senhor e Pentecostes – celebra-se em toda a Igreja, a 60ª Semana da Unidade dos Cristãos, num desejo ilimitado de Jesus de que sua Igreja seja una, como Ele e o Pai o são. Justifica-se tal desejo, na busca constante de todas as pessoas de boa vontade, do conhecimento de sua realidade social, religiosa, econômica, cultural, política, que é a realidade de todas as pessoas, independente de sua cor partidária, da pele ou familiar.

Acrescenta-se que, apesar deste desejo de Jesus, ainda somos muito desunidos. Longe de sermos uniformes, devemos ser unidos, e isto não é fácil. Sobretudo, quando nos posicionamos, sob o ponto de vista político, social, filosófico e até religioso.

A propósito, o Papa Leão XIV promoveu um Encontro Ecumênico no início do seu pontificado no ano passado, “reunindo na Praça de S. Pedro, autoridades eclesiásticas, civis, Patriarcas cristãos de Igrejas Orientais, Evangélicos e povo em geral, para um grande Encontro Ecumênico, sobretudo para que o Patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla ratificasse o Convite já feito ao seu amigo, Papa Francisco, para as Comemorações do 1.700º Aniversário do Primeiro Concílio Ecumênico - de Nicéia, na Turquia - celebrado no ano 325 depois de Cristo”. Lembram disto? Lembram também que o Papa Leão já foi a Nicéia (atual Isnik), no final de novembro de 2025? 

Para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, deste ano, Leão XIV além de pedir que todas as Comunidades Católicas aprofundem a oração pela Unidade dos Cristãos, apresentou São João Batista que não buscou a fama, mas cultivou a humildade, ‘como verdadeira fonte de alegria em Deus’.

 Na 5ª Feira, 04/06 – logo após a Festa da Santíssima Trindade - solenizaremos a Festa do Corpo de Deus, motivando todos a adorarem, publicamente, o Corpo e o Sangue de Cristo. É um Dia Santo de Guarda, em homenagem ao Milagre da Transubstanciação.

Feito por Jesus, uma única vez, na última ceia e repetido pelos seus presbíteros, para sempre, “até a consumação dos séculos”.  “Tomai e comei. Isto é o meu corpo. Tomai e bebei. Este é o cálice do meu sangue. Fazei isso em memória de mim”. Aí estava instaurado “o milagre da transubstanciação”, isto é, o pão e o vinho perderiam a própria força, a própria substância, para receber em si, a “substância de Jesus”. “Isso é impossível aos homens? A Deus, certamente não o é”. Está fechada a questão.

Isso aconteceu no ano 33 da era cristã, antes de Sua morte. Mesmo ano em que ressuscitou, subiu ao céu, enviou o Espírito Santo e fundou a Igreja. Faz 1993 anos que tudo isso se deu. Somadas as datas, dá o ano em que nos encontramos: 2026. Não se pode duvidar. É uma conta simples de matemática. O que dificulta para entender isso é a nossa pouca fé.

Já havia um belo costume feito pelos Párocos e seus Vigários Paroquiais, ao conduzirem o Santo Viático, diretamente para uma Casa de Família, ou a um hospital, ou mesmo em tempo de guerra para darem a Unção dos Enfermos, o Perdão e a Sagrada Comunhão, mas num atendimento um tanto privado. Não era uma ação pública em que a Comunidade participava.

Jesus, como que “viajava com o Sacerdote” para aquele atendimento pessoal ou naquela “desobriga paroquial”. Era um chamado particular que o Padre não se poderia negar a fazer, nem poderia delegar a outrem tal missão. Muito menos, cobrar qualquer espórtula pelo serviço prestado.     Afinal, só quem pode “celebrar o sacramento da Confissão” ou da “Unção dos Enfermos” é o Padre. Só a ele também era permitido conduzir o Santo Viático.

Como eu disse, “Jesus viajava com o sacerdote”.     “Viático” é aquele que anda na “via”, caminha na estrada ou passa pela “via pública”. Já havia um precedente, portanto. Só não era em multidão.

Até o século XIII a Igreja celebrava a Eucaristia, “recordava a memória de Jesus”, levava ao povo a mensagem da “comunhão”, da vida comunitária, mantinha Jesus, preso ao Sacrário, o povo O via na celebração da Santa Missa, nas exposições do Santíssimo, mas não O encontrava nas vias públicas, não manifestava sua alegria em vê-Lo, não enfeitava as ruas para que Ele passasse. Jesus havia ficado conosco pela instituição da Eucaristia, mas era conservado tão “oculto” quanto lá longe, junto ao Pai e ao Espírito Santo, antes da Encarnação e depois de Sua Ascensão ao Céu.

O próprio Jesus quis fazer-se presente através de inúmeras ocasiões, além das celebrações eucarísticas, sobretudo nos constantes, famosos e históricos “milagres eucarísticos”, tão divulgados pelo mundo e reconhecidos como verdadeiros, que levou o Papa Urbano IV a criar a Solenidade do Corpo de Deus, a ser celebrada na 5ª Feira após a Festa da SS. Trindade, todos os anos, “para testemunhar, publicamente, a adoração e veneração da Santíssima Eucaristia”.

Isto se deu através da Bula “Transiturus de hoc mundo” de 11 de agosto de 1265. Faz, portanto, 761 anos que se celebra, publicamente, o “tão sublime sacramento” de uma maneira mais próxima do povo, caminhando pelas ruas, avenidas, praças, logradouros públicos e de passagem pelas portas das casas de todos. É claro: todos merecemos vê-Lo de perto, falar com Ele, pedir-Lhe uma graça e amá-Lo como Quem veio para nos unir em Comunhão.

.  É tão importante esta Festa que o Código de Direito Canônico, em seu Cânon 395 recomenda – extensivamente aos Párocos - que “o Bispo não se ausente da Diocese neste dia, dada a extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor” e o Concílio de Trento, no século XVI, “oficializou as Procissões Eucarísticas como Ação de Graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública de fé na presença real de Cristo na Hóstia Consagrada”. Certamente, todos estarão acompanhando o Novenário, e 5ª feira, 04/06, por ser Dia Santo de Guarda suspenderão suas atividades.

O que se espera é que, mesmo sem a participação presencial, todos possam celebrá-la, mesmo virtualmente, com muita fé e entusiasmo, a Festa do Corpo de Deus – indo ao Novenário, seguindo a orientação de suas Paróquias, com todo o respeito que a Eucaristia merece e lembrando-se de que, a Comunhão só deverá ser recebida, mesmo espiritualmente, quando a gente está, verdadeiramente, na graça de Deus: sem pecado. No mínimo, que se reze o Ato de Contrição, com um propósito firme de não voltar a pecar, até aparecer uma oportunidade favorável à recepção do Sacramento da Reconciliação com um Sacerdote. É o nosso reconhecimento ao Senhor pela sua doação generosa e completa a favor de nossa salvação. A Solenidade dos Santíssimos “Corpo e Sangue de Cristo” é a demonstração pública de nossa fé e a nossa gratidão pela dádiva da Eucaristia. É nossa correspondência ao Convite do Senhor que nos chama a tomar parte na Refeição Maior ou no Banquete do Reino: de sua vida e de sua misericórdia.

Diz a sabedoria popular que “há males que nos trazem um bem” ou que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Ainda se fala em pandemia, enchentes, seca, guerras, desentendimentos, “polarizações políticas”, desrespeitos à Democracia, “fake News”, julgamentos em tribunais, políticos se refugiando fora do país para se livrar da justiça e tantos outros males que se espalham pelo mundo nos devem levar a refletir nas máximas populares que nos façam ‘descobrir o bem e acertar o passo correto na vida’.

        Adorar o Corpo de Deus não é simplesmente uma devoção. É a busca, a aceitação, a certeza, a prova da verdadeira fé no sacramento do amor que estamos celebrando agora e em todas as Missas, por toda a nossa vida. Nunca esqueçamos a bondade de Deus para conosco. Ele só quer salvar-nos.

Aproveitemos todas as oportunidades para alimentar e aumentar a nossa fé, porque, segundo São Paulo,

É ela quem nos salva”. 





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