Semana da 8ª da Páscoa e todo o Tempo
Pascal, até Pentecostes!
Desde as primeiras horas, deste Domingo da Ressurreição, dia 17, até o próximo Domingo, dia 24, celebramos a Oitava da Páscoa, para festejar o maior acontecimento da humanidade: a Ressurreição de Jesus. Queiram ou não os reincarnacionistas, os ateus ou os adeptos de pensamentos filosóficos, contrários ao cristianismo, o fato é que Jesus, o Filho de Deus, nasceu, viveu entre nós por 33 anos, foi assassinado, enterrado e, ao terceiro dia, ressuscitou.
É tão importante tal celebração, que nós passamos ainda, esta
semana inteira – a semana da oitava da
Páscoa – que vai deste Domingo, até o Domingo, 24, (outrora chamado domingo
da pascoela) como se fosse “um dia só”, “um domingão” em que recordamos as
aparições de Jesus, quase sempre “no
primeiro dia da semana”, como nossos leitores podem ter conferido, lendo na
Liturgia Diária ou ouvindo nas Santas Missas no “Evangelho do Dia”. E não fica
só nesta semana da oitava; ainda vamos continuar, com o Tempo Pascal, no
calendário da Igreja, até celebrarmos o Dia de Pentecostes - lá para o dia
05/06 - depois do qual, vamos retomar o Tempo Comum, em sua 10ª semana.
O
mundo está precisando voltar-se mais para Deus. Dizíamos sábado passado,
falando sobre a Celebração da Semana Santa, que ela sofrera ‘alguma limitação em todo o Mundo, ainda por
causa da pandemia’. Nossas Igrejas ainda haviam ficado vazias. Fugimos das
grandes aglomerações, por causa do Corona vírus, que ainda se está espalhando
por toda parte. Reconhecíamos que o povo de Deus se tem afastado mais do
sobrenatural e cada dia as pessoas desconfiam de que seja necessário retornar.
A Igreja, como instituição cristã, ensinou muito mais, pelo exemplo, do que
pelas muitas palavras ou os muitos sermões que pudesse ter feito. Usamos os
mais variados Meios de Comunicação – Rádio, Televisão e as mais diversas formas
de Redes Sociais - para penetrar em suas residências ou locais de trabalho, a
fim de transmitir, pessoalmente, uma mensagem de esperança e de salvação.
Quando
falamos do “preceito pascal” – “confessar-se,
ao menos, uma vez por ano” e “comungar pela Páscoa da ressurreição” –
parece estarmos falando de algo do passado, sem valor nenhum agora, porque o
mundo está afastado do sentido de pecado e de reconciliação. A Pandemia está
mais para castigo, do que para um acontecimento natural. Infelizmente não são
muitos os que buscam o sacramento da Confissão e não são muitos os Padres que
dão tempo, em seu ministério, para exercerem a função de confessor. Tenho
certeza de que a Igreja Católica, a começar do Papa Francisco, deu uma
mensagem, mais pelo exemplo, do que pelos sermões feitos. Sua presença
constante na Praça e na Basílica de São Pedro, quase sozinho, naqueles imensos
espaços sem a presença do povo, serviu de muita reflexão e fez o povo pensar
muito no recado que o silencio e o sofrimento podem dar.
Muitos
reclamam a falta das “Confissões Comunitárias” e até já se estavam acostumando
com elas, sobretudo após o Concílio Vaticano II. Os Papas pós-conciliares
começaram a pôr os pingos nos “is” e a exigirem como forma de reconciliação com Deus, a confissão e absolvição
individuais, embora tenham deixado uma brecha na norma, para serem levados
em consideração, “os iminentes – perigos
de morte” ou, o que é mais comum, “a
falta de sacerdotes, suficientes para atenderem a grande massa de população”.
Em
todos os recantos do mundo, o tempo para realizar o “preceito pascal” de que
falamos acima, será durante “esta semana
da oitava da Páscoa” que está iniciando. Aqui no Brasil, essa prática se
prolonga até a Festa de Pentecostes – 05 de Junho - exatamente porque nós temos poucos padres, nossas extensões
territoriais são muito grandes e o nosso povo deixa tudo pra depois ou para a
última hora. Daí, o nosso “tempo pascal” também ser maior.
Vamos
aproveitá-lo bem. Vamos organizar as páscoas coletivas de Colégios,
Universidades e de outros grupos para melhor satisfazer aos fiéis nesse momento
vivido pela Igreja. A nossa Pastoral da Comunicação – presente em muitas de
nossas Paroquias - unida às Pastorais da Educação e da Cultura vai-se
interessar para que o Tempo da Páscoa seja mais bem vivido por todos. Que a
alegria da Páscoa chegue a todos nós e que permaneçamos com ela; não pelo “ovo”
ou pelo “chocolate”, mas pela fé e pela alegria de poder ressuscitar com Jesus,
como vitória sobre a morte.
O
CORONAVIRUS nos está afastando uns dos outros e é o jeito. Temos que ficar em casa. Ela
ainda é nosso melhor refúgio.
Por enquanto, isto nos fará bem. Mas vai passar. O ensinamento que
recebemos desde o início da Igreja foi para vivermos em Comunidade. Unidos.
Observem o texto dos Atos dos Apóstolos na Missa de amanhã: “crescia sempre mais o número dos que
aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a
transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando
Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles”. Vocês vão
ouvir isso, na 1ª Leitura da Missa deste Domingo, tirada dos Atos dos
Apóstolos. Este espírito comunitário faz parte de nossa Igreja desde a sua
fundação. Por isso eu dizia que a PANDEMIA é passageira. Temos que seguir as
orientações da Organização Mundial da Saúde e da Ciência. Nada de andar pela
rua e de se amotinar. Fique em casa.
O
Evangelho do próximo domingo mostra claramente o que eu dizia no início deste
comentário: toda esta semana da oitava da Páscoa será,
como que, um domingão só. A leitura de São João faz a ligação dos dois
domingos, ao iniciar, dizendo: “ao
anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, Jesus entrou, pôs-se no
meio deles e disse: a paz esteja
convosco”. Instituiu – pela invocação do Espírito Santo - o Sacramento
da Penitência ou Confissão, mas Tomé não estava presente; nem acreditou quando
os outros discípulos lhe falaram sobre a aparição. O texto de São João
continua: “oito dias depois,
encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com
eles”. Jesus saudou a todos e dirigiu-se logo a Tomé, dizendo-lhe: “põe o teu dedo aqui e olha as minhas
mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas
fiel. Tomé respondeu: meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse:
acreditaste, por que me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.
O
versículo 19, iniciando a narrativa de São João: “no 1º dia da semana” e o versículo 26, dando continuidade à
narrativa: “oito dias depois” mostram-nos
a interligação de todos os dias da semana da oitava da Páscoa como se se
tratasse de um dia só, um domingão festivo,
comemorativo da Festa da Ressurreição do Senhor. Sem dúvida, repito, foi o
maior acontecimento da humanidade: alguém nascer, viver, trazer uma mensagem
nova para mudar o mundo, dar a sua vida para salvar a todos e ressuscitar,
voltar glorioso ao céu e garantir essa mesma situação de gloria e felicidade
para todos nós.
Façamos todos a nossa Páscoa.
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