sábado, 24 de fevereiro de 2024

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

MONS. ASSIS ROCHA HOMENAGEADO      NOS 67 ANOS DE BELA CRUZ

Edição de 24.02.24

Os 60 anos do golpe militar de 1º de abril de 64m  serão relembrados com ima série de eventos programados por várias instituições.

 O ideal seria que, em todas as escolas, fossem realizados Seminários para debater o assunto, com a participação de vitimas da ditadura.

 As Câmaras de Vereadores também poderão promover palestras com a presença de Historiadores, de Escritores que contarão o que, de fato aconteceu em abril de 64.

 Seria também muito importante que nas Escolas de Nível Médio fossem criados núcleos dos Comitês de Memoria Verdade e Justiça.

 Os Núcleos poderiam atuar a partir do próprio município, fazendo levantamentos sobre as questões de Memória, Verdade e Justiça. Todos os municípios têm suas histórias.

 A História do município vai-se construindo no dia a dia. Não é só o passado que vira História. O passado já foi presente e se transformou em história.

 Outro ponto importante. Nas escolas os alunos devem ser envolvidos nas atividades de pesquisa. Como a ditadura foi sentida em nosso município? Entrevistar pessoas mais velhas.

 Quinta feira, dia 22, o município de Bela Cruz celebrou 67 anos de emancipação. A Câmara de Vereadores prestou homenagens a várias personalidades.

 Com muita justiça, um dos homenageados foi o Mons. Dr. Francisco de Assis Magalhães Rocha, colaborador deste Blog com sua coluna  Comentário da Semana.

 O diploma de reconhecimento foi entregue pelo Vereador Francisco Franklin, contando com a preseça do sobrinho/neto do Mons. Assis, João Murilo.

Parabéns à Câmara de Bela Cruz. É uma iniciativa muito positiva, reconhecer, publicamente, os méritos de quem os tem. Todos ficam felizes. Jovens ou idosos.

 As Câmaras Municipais deveriam ter sempre este cuidado. Não basta reconhecer apenas os méritos dos ricos. Há muitos que não enriqueceram, mas deram contribuições importantes ao município.

 Custa muito pouco para as Câmaras e tem um efeito muito grande para os homenageados. Fizemos isto durante 15 anos com  a ÚNICA – União dos Conterrâneos e Amigos de Guaraciaba do Norte. Ótimos resultados.

 Como Secretário de Educação sempre tive um cuidado com a evasão escolar e suas razões. Lamento que, atualmente, esteja havendo muita evasão, conforme os noticiários.

 Na realidade, a causa das evasões está na sala de aula. Não basta oferecer infra estrutura. É preciso acompanhamento, apoio aos Professores, Atualizações, Estímulos.

 Só uma palestra no inicio do ano letivo não muda nada. Não se pode esperar resultados diferentes se sãos feitas sempre as mesmas coisas.

 Também não se consegue resultados na aprendizagem com presentinhos para os alunos no início do aluno letivo. A aprendizagem acontece quando o aluno participa. Só ouvindo, não dá.

 Cuidado na escolha de Vereadores. Procure conhecer a história dos candidatos. Como se comportaram na Câmara de Vereadores? Falaram ou apenas balançaram a cabeça?

 Nesta sexta feira o nosso grupo que defende um Projeto para Angicos, onde Paulo Freire fez a sua primeira experiência de Alfabetização de Adultos, teve uma reunião com dirigente do Instituto Paulo Freire.

Aquele Instituto esteve representado por Moacir Gadotti, Presidente de Honra; Paulo Roberto Padilha, Diretor Pedagógico e Ângela Antunes, Diretora Pedagógica.

 Do nosso grupo: Ceará:  Ruth Cavalcante, Margarete Sampaio e Leunam Gomes. Do Rio Grande do Norte: Luiz Osvaldo. Crispiniano Neto, Josieide Silveira e Aécio Cândido.  Coisas boas estão sendo semeadas.

 Impressionante o prestígio do Ministro Flávio Dino, demonstrado em sua posse no Superior Tribunal Federal. Lotação completa no auditório.

 No Buffet particular da família, celebraremos hoje dois aniversários de pessoas muito queridas: Joãozinho e Betinha.

Na ultima quinta feira, no programa SETORIAL DE SAÚDE, da TV HBR, de Luiz Regadas,  na minha parte em UM MINUTO PELA EDUCAÇÃO, falei sobre o Saber Ouvir, dos Profissionais de Saúde. Aqui está. Toque na setinha e ouça.



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“QUERO FICAR, SEMPRE, AO LADO DA VERDADE”

Neste final de semana – sobretudo a partir de 5ª feira, 22 – o Município de Bela Cruz esteve comemorando, seus 67 anos de emancipação política. Em cada ano, as lideranças municipais desenvolvem vasta programação, incluindo Missa, Show em praça pública, sessão solene, práticas esportivas e algumas homenagens, medalhas de honra e outras criatividades muito variadas.

             Estando em Bela Cruz, algumas vezes estive presente, a partir mesmo da instalação do Município, aos 23 de fevereiro de 1957. Eu tinha meus 16 anos de idade e estava de férias do Seminário de Sobral, onde eu já estudava desde 1952. Ao longo desses anos, apareci em alguma solenidade em que meu pai presidia a Câmara de Vereadores, em seu 1º e único mandato, e em mais alguma outra ocasião em que era lembrado por ter sido seu 1º presidente.

            Neste ano, graças à origem mineira do Vereador Franklin Mendes – por sua avozinha, DIVINA – com mais dois homenageados, recebemos uma “Moção Honrosa”. De minha parte, agradeci e aproveitei para dar um recado. Deu tempo, ‘mesmo na hora da prorrogação’. Estou com 83 anos.

            Em 2018, quando completei 50 anos de Padre, o Jornal Correio da Semana me entrevistou e fez sua 1ª pergunta: “Como surgiu sua vocação”?

            Respondi, imediatamente: “como a de qualquer vocacionado. Não é assim que diz o profeta Jeremias? Antes que te formasses dentro do ventre de tua mãe. Antes que tu nascesses, te conhecia, te consagrei. Para ser meu profeta entre as nações eu te escolhi. Onde te envio irás. O que te mando proclamarás”. Um dos escolhidos por Deus, foi o profeta Amós. Ele era filho de quem? De um vaqueiro ou de um agricultor braçal. Eu sou filho de um vaqueiro e de uma mãe doméstica. Sou um vocacionado dentro dos planos de Deus. Não sou diferente de ninguém. Quero só ser como Deus nos chama. Isso me tem incomodado demais, devido ao incômodo causado a muita gente.

            Muitos me avaliam logo como o mundo avalia. Não aceitam a verdade como Jesus nos mandou pregá-la. Misturam o ensinamento cristão, como uma ideologia política. Taxam logo de “comunista” tudo aquilo que Jesus chamava de “bem comum”, “comunidade” e até de “comunhão”, o nome mais perfeito para quem pode “comungar” ou receber o “sacramento da eucaristia”. Todas essas palavras têm uma única origem no termo grego: “koinonia”. Porque os ignorantes da etimologia das palavras se sentem tão ofendidos com uma explicação como esta e não a aceitam como uma ocasião de se esclarecerem?

            Como eu disse acima, estou usando o tempo da prorrogação e até dos pênaltis para terminar a partida, para ver se ainda consigo a vitória final. Não quero ser induzido ao erro de seu ninguém. Quero ficar sempre do lado da verdade para ser fiel ao Evangelho de João, 8,32: “a verdade vos libertará”.

            Porque eu ouço essas palavras, partidas de boca errada, e aceito tanto, e não acredito quando partem da boca de Deus ou de sua Igreja?

            Faz 45 anos (eu tinha 10 anos de Padre) eu estive aqui, a convite da Sociedade de São Vicente de Paulo, para pregar o novenário da Capelinha, já existente em Bela Cruz, antes mesmo de ser erigida a grande e bela Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Vim com muito prazer e nunca esqueci da ação missionária, aqui realizada, pois àquela época eu integrava uma equipe de pregadores missionários por todo o Nordeste. Pensei que aquela semente aqui lançada fosse aguada, cuidada, adubada e firmada dali pra frente. Qual nada!

            Nem a Sociedade de São Vicente de Paulo existe mais! Que tristeza! Há mais de 20 anos, voltei à Diocese. Experiências em Sobral, Santana do Acaraú e, aqui perto de nós, na Paróquia de Cruz, como Vigário Paroquial em Aranaú.

            Tenho usado a frase de São Paulo em sua 2ª Carta a Timóteo 4,7-8 e a tenho repetido por onde passo: “combati o bom combate; terminei a minha carreira; guardei a fé”. Se não tenho mais forças para combater, para correr, não quero abandonar minha fé; é com ela que devo alcançar o prêmio, ou a vida eterna. Não combater, não correr, não lutar, vá lá que aconteça. Mas, perder a fé, jamais!

Em Aranaú, passei dois anos e oito meses. Era uma Comunidade Eclesial, rodeada de pequenas comunidades e, mensalmente, todas visitadas.

            Passava de segunda a sexta feira em Sobral: no Jornal, na Rádio e na UVA. Retornava na tarde da sexta feira e já passava numa comunidade rural.  Á noite já havia Missa em Aranaú, também sábado e domingo. As manhãs e tardes eram dedicadas às Comunidades Rurais. Que maravilha! Depois de dois anos neste movimento, fizemos uma avaliação com todas as comunidades. Meu curso de sociologia me havia treinado em fazer e apurar pesquisa.

            Reuni numa Sala grande, representantes de todas as Comunidades e Capelas e distribuí com todos, alguns questionários bem explicados, tirando dúvidas e pedindo que respondessem, anonimamente, contanto que externas-sem a verdade. Parti do Evangelho de Lucas 9,18-20 em que Jesus pergunta aos discípulos: “quem diz o povo que eu sou? E vós, quem dizeis que eu sou”?

01) Você observa alguma mudança (positiva ou negativa) nesses 02 anos?

02)  Você aprendeu algo novo? Dê exemplo. Se não, qual a causa?

03)  Que defeito grande você observa em seu Vigário? Sugira uma melhora.

04)  Que coisa boa, por acaso, ele está fazendo que pode continuar?

05)   Seria melhor ficar sem ele? Voltar a ser como era antes ou vir outro?

Na semana seguinte, voltaram com o resultado, altamente confiante, positivo e bom que deu novo rumo àquela área pastoral. Pena é que eu só fiquei lá por mais oito meses. O novo bispo, D. Fernando me chamou.

Tenho ainda os resultados comigo com data de 09 de Abril de 2005. Talvez esta pequena mostra lhes faça entender que eu tenha uma visão de mundo, um tanto diferente da compreensão que se tem a respeito de um Padre.

            Todos temos uma formação básica: bíblica, catequética, canônica, filosófica, teológica, mariológica e litúrgica para desempenhar a função sacerdotal. Eu acrescentei a este “curriculum”, uma formação Sociológica, com as graduações acadêmicas e com especialização em Religiosidade Popular. Desde o meu Seminário Maior, em Olinda, com D. Helder, D. Francisco, Dom Marcelo Carvalheira e com a atualização dos estudos do Concílio Ecumênico Vaticano II, eu tentei me aprofundar numa parte interessantíssima da Pastoral da Igreja, que é sua Religiosidade Popular. Minha ida à Terra Santa, a Fátima, a Lourdes, a Medjugorge, às Catacumbas Romanas, aos roteiros de São Paulo-Apóstolo, incluindo todas as Comunidades visitadas por ele e minhas andanças por onde passava Fr. Damião, ou passara Pe. Cícero, S. Francisco e Fr. Pio, enfim, vi tudo o que estivesse ligado a tais santos, canonizados ou não, mas que o povo os tem como santos e os respeita e divulga como tais.

            Certamente, todas estas influências, todos os conhecimentos armazenados e todo o acompanhamento missionário de cada um me tornaram alguém diferenciado na divulgação da Palavra de Deus. Sou muito grato a vocês que me oportunizaram na prorrogação final, dividir esta reflexão com todos. Grato!                                                      


sábado, 17 de fevereiro de 2024

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

       QUEM LÊ, NUNCA          ESTÁ SÓ!

EDIÇÃO DE 17 DE FEVEREIRO

Um médico de 63 anos foi preso em flagrante na segunda-feira (13) após chamar uma enfermeira, colega de trabalho dele, de “nordestina burra”.

 O caso ocorreu em uma unidade básica de saúde (UBS) de Morro Reuter, cidade do interior do Rio Grande do Sul. 

 Escolha, cuidadosamente, seus candidatos. Procure conhecer o passado de cada um. Se tiver alguma manifestação de racismo, homofobia ou qualquer tipo de preconceito, exclua-o.

 Vale apena ler e debater com os alunos o poema escrito pelo poeta  Crispiniano Neto sobre Paulo Freire. Está publicado aqui neste blog.

Tem o mote: PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

                    O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

 A propósito, um dia estava dando aula num curso de graduação em Pedagogia e m num certo momento, pedi que cada um dissesse para o grupo qual o livro que havia lido e recomendava aos colegas.

 Foi um silencio geral. De uma turma de 30 alunos, uns cinco disseram os nomes dos livros. Houve até quem dissesse que tinha lido a LDB -Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

 Dali para a frente, continuei, em outras turmas, fazendo a mesma pergunta e obtive quase sempre as mesmas respostas. E fui constatando o baixo índice de leitura.

 Não sei como é que os professores convencem seus alunos à leitura de bons livros se, eles mesmo, não dão o exemplo.

Uma coisa é certa: ninguém consegue sucesso profissional na área do magistério ou em outras profissões, se não tiver uma boa base de leitura.

 Enquanto isto há gigantes da leitura. Há alguns anos, quando ocupei a função de Secretário de Educação em Croatá, a Biblioteca local fazia grandes campanhas de estimulo à leitura.

Havia um aluno que, aos 12 anos, já tinha lido mais de 60 livros. Era frequentador assíduo da Biblioteca. A Toínha Oliveira, casada com o Silvério, era a Diretora e incentivadora.

Deduz-se que com estímulos, as crianças podem criar o hábito da leitura. Os Professores precisam dar o exemplo.

 Meu pai tinha poucos estudos. Estudou com a Dona Milica – Emilia Botelho Fernandes – até o segundo livro, que era como se aferiam os graus de instrução, em sua época.

 No entanto, para estimular a leitura dos filhos, comprava livros de histórias: A Bela Adormecida, Branca de Neve, O Pequeno Polegar, As Mil e Uma Noites,  etc. Alguém lia para nós.

 Ele ainda assinava a Revista O Cruzeiro, o jornal Correio da Semana, de Sobral, jornal O Estado, de Fortaleza. Tudo para nos estimular a leitura.

 

Ontem, em Guaraciaba do Norte, foi o aniversário de um amigo que foi crescendo, intelectualmente, com a leitura. É o Antônio do Rádio, como é conhecido.

 Projetou-se como competente radio técnico, autodidata. Foi aprendendo com o Zé Simões e com suas leituras individuais. Escreve bem e é bem-informado.

 Outra conterrânea que conheci e que lia muito foi a Cleonice Alves com que trabalhei na Secretaria de Educação de Guaraciaba do Norte. Era a subsecretária. Lia muito.

 Quando menino, sabia de algumas pessoas que se destacavam pela leitura. Um era o Petrônio, filho do Professor Cabral.

 Outros eram o Prof. Barreto, Seu Fernandes, Seu Nezinho, Gerardo Bezerra, Raimundo Pinto. E por isto eram pessoas que se destacavam.

 Vi agora uma classificação dos melhores na Educação no Ceará: Uruoca, Quixeramobim, Martinópole, Pires Ferreira, Jijoca, Itatira, Ararendá, Milhã, Cruz e Sobral.

 Na realidade, defendo que as comparações devem ser internas, nos próprios municípios. Em cada escola,  para que percebam os crescimentos em relação ao ano anterior.

 De novo aparecem a divulgações sobre dinheiro retido no Banco Central. Já fiz várias vezes, mas no final cobram uma Taxa Transacional. Pura enrolada.

 Pena é que usam o nome do Banco do Brasil e Caixa Econômica para ludibriar. Consultei no próprio Banco do Brasil e me informaram que era armadilha.

 A taxa é pequena. São R$67,00. Mas se mil incautos pagam, serão 67.000 reais. Aos poucos, roubam milhões. 

                               Cristiane, Mundinha e Myrtes

Durante o carnaval, tivemos ótima surpresa. Reencontramos duas grandes amigas que moram em São Luís: Mundinha, mãe, e Cristiane, filha. 

São pessoas muito queridas e que sempre nos recebem muito bem em nossos retornos à capital maranhense. Como têm família em Fortaleza, estão sempre cheia de compromissos. 

Na minha conversa no Programa SETORIAL DE SAÚDE, da TV H BR, falei sobre o relacionamento entre profissionais de saúde e seus pacientes.



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O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

    O PIONEIRISMO                DA IGREJA POTIGUAR

Ao comentarmos sábado passado sobre o Carnaval, fizemos um retrospecto da Festa do Rei Momo, na história, em consonância com a prática religiosa da Igreja Católica, sobre a Quaresma, um tempo em que se parava de comer carne, como penitência. No final, prometíamos abordar hoje a reflexão sobre a Quaresma e sua mais do que sexagenária Campanha da Fraternidade.

             Tudo começou na Arquidiocese de Natal e de suas duas dioceses sufra-ganeas ou do interior potiguar: Caicó e Mossoró. O Sr. Arcebispo de Natal era Dom Eugênio Sales, o de Caicó era seu irmão, Dom Heitor Sales e o Bispo de Mossoró era Dom Gentil Diniz Barreto.

            O Sr. Arcebispo entendeu e levou à compreensão dos dois, que o Rio Grande do Norte se estava abrindo para uma série de novidades que poderia ser contemplada pela Igreja, como propícia a um trabalho conjunto. Além dos Padres novos que se espalhavam pelas 03 dioceses, os trabalhadores se estavam organizando em sindicatos rurais e até se espalhando para outras classes socais. Concomitantemente, da Bahia ao Maranhão já havia um tipo de organização semelhante. Porque os potiguares não começavam uma organização interna, depois espalhavam mais pelo Nordeste e não cobririam todo o Brasil com uma organização nacional? Internamente, no Rio Grande do Norte, estava havendo ousadias pastorais que mereciam uma reflexão e certo ponderamento, por ex. as religiosas, vigárias em Nísia Floresta, levando o santo viático, aos doentes, com a santa comunhão deixada pelos sacerdotes, que se revezavam, nas celebrações eucarísticas. Isto era fantástico. Eu fui ver e presidi celebrações para deixar as reservas eucarísticas. Que coisa bonita!

            O grande Papa João XXIII, apesar de ter sido escolhido já com certa idade, estava convocando o Mundo Todo para dar início à realização de um Concílio, o Vaticano II. Era uma enorme ousadia: reunir quase 3.000 cardeais, bispos e peritos de todo o mundo para revisar a Igreja, recolocá-la nos trilhos, fazer um “aggiornamento geral”. Os três bispos não estavam inventando nada. Estavam somente, dando mais asas ao Espírito Santo que voa onde quer e inspira e ilumina onde parece escuro. Ele dá a força. Não foi sempre assim?

            Chegara a hora de pôr em prática o que a Igreja sempre ensinou: que o Espírito é quem vivifica”. O que Jesus não havia feito no pouco tempo que convivera conosco, o Espírito daria, perenemente. Nós acreditamos nisso?

            O Espírito preparou o Concílio em todos os recantos do mundo. Durante quatro anos, todos os Cardeais, Bispos, Teólogos e peritos foram convocados a Roma para se encontrarem com o Papa: inicialmente, João XXIII. Depois, Paulo VI. AÍ, a gente pode imaginar: se fossem só “homens”, discutindo, era difícil chegar a um acordo. Mas, com a luz do Espírito Santo, com os seus enfoques, os caminhos se abriram. Todos os Documentos foram editados.

            Com esse material todo, em mãos, com todas as Atas Conciliares, ao retornarem aos seus países de origem, o mundo foi invadido por um novo conteúdo há mais de 60 anos.

            Na preparação para o Concílio, a Arquidiocese de Natal, onde já funcionava a Caritas Brasileira, deu um ‘chute inicial’ a um movimento visando

angariar fundos que sustentassem a CARITAS. Deu-lhe o nome de Campanha da Fraternidade. Em 1962, todos os Bispos já estavam em Roma para a 1ª sessão Conciliar.  Dom Eugênio deu a boa notícia ao episcopado brasileiro, já garantindo que no 2º ano da CF, as outras duas Dioceses do Rio Grande do Norte, já fariam também o movimento evangelizador, e assim aconteceu.

            Todos os Padres Conciliares voltaram às suas dioceses de origem, retornando a Roma para a 2ª sessão do Concílio. As 03 dioceses do RN deram as boas notícias de suas participações na iniciante CF, motivando mais 16 Dioceses Nordestinas a entrarem na CF em 1963. Na reabertura das sessões conciliares, os Bispos do Brasil entenderam que estava na hora de toda a Conferência Episcopal do Brasil assumir a CF como programa da Igreja do Brasil. Em 1964 houve a 1ª Campanha da Fraternidade, em âmbito nacional.

            Os Senhores Bispos ainda estavam passando em Roma, o 2º semestre, desde 1962. No 1º semestre tomavam contato com suas bases diocesanas e no 2º semestre voltavam à Escola Conciliar para a atualização dada em Roma. Era a oração e ação do eterno esquema da Igreja. Da união de teoria e prática ou da Comunhão e Participação tão insistente do Concílio.

Este ano de 2024 está completando 60 anos de Evangelização sugerida pelo Concílio, programada e executada por muitos pastores de Igreja, bem-motivados pelo conhecimento e estudos dos Documentos Conciliares, mas nem sempre estudados e relidos com a finalidade de se “renovarem” como objetivava o Papa Giovanni ao convocar o Concílio: ‘aggiornarsi’ era a ordem.

A Campanha da Fraternidade não é uma atividade opcional. Quando a CNBB assumiu como uma Pastoral Nacional, com temas e lemas, aprovados pela Igreja do Brasil e em consonância com o Papa, com uma mensagem de apoio, todos os anos ao abrir a Quaresma, tornou-se obrigatória a realização da CF em todo o país. Pena é que Bispos e Padres do Brasil não ouviram, não leram, não se atualizaram nem quiseram saber de qualquer coisa a respeito do Concílio e do que apareceu na Igreja por influencia dele. Além de ouvirem mais fofocas negacionistas, informações dadas por conservadores e reacionários políticos, católicos preconceituosos e os Decretos, Constituições Dogmáticas e Atas Conciliares ficaram só no papel e as normas da Igreja ficaram de lado.

Quantas Paróquias passam pela Quaresma sem nenhum comentário sobre a CF, sem nenhuma alusão aos temas e lemas estudados e debatidos, sem nem sequer cantar o Hino da Fraternidade que se canta por todo o país. É uma tristeza. É um desperdício de tempo tão precioso para a Evangelização e a conversão tão, tradicionalmente, propagadas no Tempo Quaresmal.

Quantos criticam o conteúdo das Campanhas da Fraternidade por falarem de problemas sociais, pela abordagem de temas políticos, pela crítica às malconduzidas políticas públicas, deixando o povo à míngua, desalentado?!

A Campanha da Fraternidade deste ano é a sexagésima desta história. Faz parte de um elenco de reflexões, voltadas para a realidade brasileira. Não é problema só dos católicos. É um problema da pessoa humana: logo, é nosso.

Foi inspirado na Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti”. Daí, o tema: Fraternidade e Amizade Social. O lema é tirado de Mateus 23,8: Vós sois todos irmãos e irmãs. Nas mensagens de abertura da CF–2024, tanto o Papa como a presidência da CNBB “refletem a preocupação do episcopado nacional em aprofundar a fraternidade como contraponto ao processo de divisão, ódio, guerras e indiferença que tem marcado a sociedade brasileira e o mundo”.

Como ficar de fora num momento como este, se estamos cada vez mais, voltando à nossa realidade tão gritante? Você vai ficar de fora? Eu não! Eu vou ficar gritando, esperneando e continuando a fazer o que aprendi: ficar com a minha Igreja. Dar ainda o restinho da minha vida por ela. Amanhã é o 1º Domingo da Quaresma. Temos mais 04 pela frente pra iniciar a Semana Santa.

Voltaremos a esta reflexão. Não vou pecar por omissão. Até a próxima!

                BORDADOS PEDAGÓGICOS                      da Professora NAZARÉ ANTERO

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

CULTURA

 

Paulo Freire

                                                                    de Crispiniano Neto  

Aprendi na Cartilha do ABC

Que um L e um A é Lê-a-Lá

Ele fez Lê-u -Lu e Tê-a- tá

E este grito de luta hoje se vê

Nas cartilhas da história onde se lê

As bonitas lições da liberdade

Que compõem todos livros da verdade

Dando luz pra quem era analfabeto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Vinte e cinco milhões de analfabetos

Trinta e seis os milhões de excluídos

Essa massa ignara de oprimidos

Vai ficando de fora dos projetos;

Cidadãos semi-tudo, incompletos

São sem-terra, sem-casa e sem-cidade

Com fartura somente de saudade

De alguém que lhes deu luz e afeto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Paulo Freire queria simplesmente

Que esse povo aprendesse a aprender

E aprendendo a leitura fosse ler

O que está por detrás da dor da gente;

Na leitura ficasse consciente

De que a vida não pode ser metade;

Que prisão não existe só na grade

E que muro não tem só de concreto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Nasceu junto do mangue em Pernambuco

Vendo os homens na lama, qual siris.

E pensou que pra o homem ser feliz

Só vencendo essa lama e o trabuco

Aprendeu liberdade com Nabuco

Entendeu com Voltaire, fraternidade;

Marx disse-lhe o que é realidade

E com Cristo aprendeu ser inquieto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


O seu método testado em Angicos

Se expandiu pela pátria como teia

As cartilhas pararam na cadeia

E o mestre nas grades dos milicos;

Que o saber para o povo, espanta os ricos

Que se assombram com a força da verdade,

Pois com lápis, saber, força e vontade

Quem produz não quer mais ser objeto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Viajou pelo mundo, deportado

Empurrado por loucas baionetas

Peles brancas, nisseis, vermelhas, pretas

Conheceram seu belo soletrado;

Andarilho de rastro iluminado;

Evangelho em pessoa, ateu e frade;

Era o globo, mas foi comunidade

Soube ser o tijolo e o arquiteto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


No combate do ler, foi um Guevara

Um Da Vinci do Giz riscando traço;

No desenho da letra, era um Picasso,

Na canção libertária um Vitor Jara;

Chico Mendes da flora e fauna rara;

Foi um Cristo na lida da verdade;

Foi um Gandhi na paz e na verdade;

Nos conceitos da fé, era um Frei Betto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Sem ter medo jamais de ser feliz

Paulo Freire, sem força, foi poder

Nos mostrando a beleza do que é ser

Sempre mestre e terno aprendiz;

Seu saber foi pra nós, risco de giz

Que riscou na lousa da eternidade

Um destino de luz pra humanidade

Projetar o AMOR foi seu projeto

PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO

O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Mossoró-RN, 08 de setembro de 1997.

                       BORDADOS PEDAGÓGICOS,                                       DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO


sábado, 10 de fevereiro de 2024

 

RUTH CAVALCANTE – DOUTORA HONORIS CAUSA, DA UFC


Há muitos anos tenho me manifestado contra a compra anual de livros escolares. Por que não usar os livros usados por alunos no ano anterior?

 Seria uma grande redução de despesas para as famílias. Umas ganhariam vendendo livros usados, Outras comprariam livros bem mais baratos.

 Todos teriam mais zelo com os livros e, afinal de contas todos sairiam ganhando. Defendo que os conteúdos não mudam a cada ano.

 Se houvesse alguma alteração, os Professores repassariam nos momentos certos que cada conteúdo exigisse.

 Como só estudam Português e Matemática, menos razões para a compra de livros. Embora não veja sentido para exclusão das demais matérias.

 Sempre que ocupei a função de Secretário de Educação, todas as disciplinas recebiam igual atenção. Todos os Professores participavam de atualizações nas disciplinas eu lecionavam.

 Começavam com relatos das experiências positivas no ensino e aprendizagem de cada disciplina. Depois faziam levantamento dos aspectos que ofereciam mais dificuldades.

 E, finalmente, debatiam sobre as principais modificações que poderiam ser adotadas no conteúdo e na metodologia. E dava certo. Era troca de saberes.

 Não havia palestras, sem fim, para os Professores. Palestras não proporcionam mudanças. Só alguma erudição.

Já vi e ouvi palestras em que o orador faz  a plateia rir, chorar, às vezes dançar. Mas nada daquilo chegava à sala de aula, gerando mais participação dos alunos.

Com muita justiça, a UFC vai conceder o título de Doutora Honoris Causa à Professora Ruth Cavalcante, criadora da Educação Biocêntrica.

 O comunicado já foi feito em Ofício do Magnifico Reitor Custódio  de Almeida. Antes da Ruth, receberam o título apenas: Rachel de Queiroz, em 81, Ana Maria Miranda, em  2015 e Mary Evelyn Dantas Flowers, em 22.

 Ruth é cearense de Pedra Branca. Pedagoga. Presa pela ditadura civil militar quando dava um curso do Método de Alfabetização de Paulo Freire para colegas universitários.

 Fugiu da prisão, refugiou-se no Chile e depois conseguiu asilo na Alemanha onde ficou até a redemocratização do Brasil.

 RACISMO – Nestas e em todas as eleições a vigilância sobre  candidatos racistas deve ser implacável. Racismo é crime. Não merece perdão.

 Numa gentil visita que me fez, o amigo dos tempos do Seminário, José Célio  Fonteles, trouxe-me uma cópia do seu livro  OS FONTELES DAS ÁGUAS LIVRES.

 Ele, de São Benedito, era meu vizinho. Nos conhecemos no Seminário de Sobral, onde iniciamos em fevereiro de 1955, há 69 anos. Sempre se destacou pela sua competência.

 08 de fevereiro era o dia do inicio do ano letivo no Seminário Menor de Sobral. Um dia marcante para muitos meninos de onze e doze anos que começavam nova história.

 A grande maioria vinha de pequenos municípios e se encantavam com tudo. O prédio era uma imensidão. Todas as atividades eram realizadas em conjunto. Todos, ao mesmo tempo, em todos os lugares.

 Uma fila imensa de, mais ou menos cem alunos, percorria os corredores, em absoluto silêncio. Para a Capela, para o Refeitório, para o Salão de Atos...

 Até, mais ou menos, 14 anos, compunham a Divisão dos Menores. De 15 em diante iam para da Divisão dos Maiores. Os dois grupos não se comunicavam. Só em datas especiais.

 Aqueles que estão sendo investigados pela Policia Federal sobre as tentativas de Golpe de Estado no Brasil, dizem que vivemos uma ditadura.

 Nada sabem ou fazem que não sabem o que é viver sob regime ditatorial. Era uma vida de desconfiança. Na faculdade, por exemplo, todos viviam sobressaltados. O colega ao lado podia ser um dedo-duro.

 Daí a insegurança. Todo mundo desconfiava de todo mundo. Especialmente, nas salas de aula da Universidade. Eu mesmo, só falava sobre os assuntos das aulas.

 Trabalhando no Movimento de Educação de Base – MEB, com Alfabetização de Adultos, pelo Rádio, ninguém sabia. E, mesmo assim, vivia sendo intimado à Policia Federal.

 Hoje, vivemos um tempo totalmente diferente. Democracia. Quem fala mal dos dias atuais é porque não tem ideia do que era a ditadura.

 As reuniões do Ministério do Governo anterior eram com palavrões impublicáveis. Uma do dia 22 de abril de 2020, ficou para a história. Faz vergonha.

 Outra de preparação para o golpe também é vergonhosa. Palavrões e termos chulos. Comportamentos inimagináveis das mais altas autoridades do país. Felizmente, não deu certo.

 Temos muitos  “políticos” oportunistas que só cuidam dos próprios interesses. E aí a culpa é de quem vota por dinheiro. Os eleitos estão lá porque foram votados.

 A sala de aula, no meu entendimento e conforme a minha prática, é o local ideal para o exercício da democracia. Estimulando os alunos à participação exercitamos a democracia.

 O período de carnaval, para alguns, parece uma época em que todos podem fazer tudo. Há os que abusam dos seus sons em altos volumes. Convivência não é isto.

No Programa Setorial de Saúde, desta semana, em UM MINUTO PELA EDUCAÇÃO, abordamos a importância do Método de Paulo Freire para o trabalho dos Agentes de Saúde.




O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Fraternidade e Amizade Social!  Pense nisto.

Faz, exatamente, uma semana que me estou refazendo d’uma cirurgia da vesícula biliar, popularmente conhecida por retirada de pedras da vesícula. E estou passando bem. Segui com meus 03 últimos comentários semanais, mas estou feliz por não os ter dispensado. Seria até, uma boa desculpa.

Todos os anos, sempre usei este dia, chamado “Sábado Gordo” para falar em qualquer órgão de imprensa que estivesse ao meu alcance, sobre o Carnaval, já que, de hoje (10.02) até a Quarta-Feira de Cinzas (dia 14), impera o Rei Momo. No momento - graças à cortesia do Leunam, em seu site: vemserprofessorcomprazer.blogspot.com. Pelo acesso, agradeço.

 Faz muito tempo que estes quatro dias – com direito a prévias e a postergações – invadem, intensamente, o país inteiro, a ponto de se esquecer os problemas, as dificuldades, o alto custo de vida, o mensalão do passado a lava jato do presente, os governantes de há pouco, desemprego de sempre, as delações premiadas, ou que a educação, a saúde, a economia, a segurança e demais deveres governamentais estão falhos, para só prestar Homenagem a Rei Momo.

            É o grande momento brasileiro da alienação geral, da fuga de nossa realidade, da ingestão do ópio que contamina a todos: É CARNAVAL.

            Feriado prolongado, vigilância maior nas estradas, grande afluência de foliões em determinadas cidades e praias, presença, mais ostensiva, de policiamento por toda parte, até o uso das forças armadas, enfim, a vida nacional mudava de forma, de jeito, de atitude e de compromissos.

            O Brasil parava como engrenagem política, como burocracia, para viver a coisa mais desburocrática do mundo: o CARNAVAL.

            Chegara o momento da fantasia: aquela que se usava para brincar, e aquela que estava na cabeça de muita gente para fugir ou fingir a realidade.

            O importante mesmo, nesses dias, era ter “risos e alegrias”, como cantava Zé Keti, em sua famosa e sempre lembrada máscara negra, para dar expansão ao gênio, embora aparecessem lágrimas e tristezas, depois, para curtir o arrependimento.

            Antigamente, esse tempo anterior à quarta-feira de Cinzas, era aproveitado pela própria Igreja, para estimular os seus fiéis a se alimentarem mais de carne, uma vez que da Quarta-feira de Cinzas em diante, vivia-se o Tempo Litúrgico da Quaresma, durante o qual, era proibido comer carne.

            A Quaresma ou Quadragésima, desde o início, é um tempo de 40 dias de penitência, de jejum, de conversão dos pecados, enfim, de purificação da alma, preparatório para a Festa da Páscoa ou da Ressurreição do Senhor, que se celebra este ano, no dia 31 de Março.

            Em tempos remotos, a Igreja estimulava o povo a se despedir da alimentação da carne, exatamente agora: 03 dias antes de iniciar a Quaresma, ocasião em que todos comiam bastante carne - para enjoar mesmo - até a quarta feira de cinzas, a fim de suportarem os 40 dias que se seguiam, sem provarem tal alimento, como uma penitência.

            Era um verdadeiro festival de carne, ou um verdadeiro Carnaval, realizado por motivos religiosos e por respeito à Fé e ao momento litúrgico celebrado e vivido pela própria Igreja. Claro que se ela adivinhasse que o seu mais bem intencionado Carnaval, ia dar no que deu, jamais teria ela estimulado tal forma de despedida da carne, divulgando tão grande penitência corporal e física, durante a Quaresma.  

            Aos poucos o povo foi desviando-se da justificativa ou das motivações apresentadas pela Igreja, foi introduzindo a bebida, para ajudar na ingestão da carne, e o Carnaval chegou ao estágio em que nos encontrávamos: uma festa, pagã, profana, com muita carne, sim, mas carne humana às vistas.

            É uma festa de muita sensualidade, de muita apelação visual, para corpos nus, ou seminus, de muita permissividade e de um exagero sem limites: na bebida, nas fantasias, nas corridas de automóveis pelas ruas e pelas estradas, nos abusos de ordem sexual, até com o incentivo do Governo, distribuindo camisinhas ou outros preservativos, enfim, era uma alienação enorme, uma loucura desmedida, um aproveitamento da oportunidade, como se fosse a última na vida. Não havia uma educação especial ou uma orientação para se viver corretamente. Havia uma libertinagem geral e não, uma liberdade, retamente ou conscientemente, usada.

            E o pior é que, em cada ano que passava se queria superar a alegria e o exagero do ano anterior. A criatividade das grandes Escolas de Samba, no enredo de suas homenagens, na história que queriam recontar ou na crítica que se queria repassar era um segredo, escondido a sete chaves, e, ao realizarem uma apresentação ou um desfile, já se tinha na mente, o tema para o ano seguinte.

            Nas classificações finais do CARNAVAL-SHOW, apresentado nas grandes cidades, sobretudo nos eixos Rio/São Paulo, Salvador/Recife, os que perdiam, iam fazer todo esforço para vencer no ano seguinte, e os que ganhavam, iam se esforçar mais ainda, para manterem o sucesso obtido.

            E assim, o tempo ia passando. Entrava ano e saía ano, e a ilusão continuava. O povo brasileiro ia vivendo de suas utopias, de seus sonhos e até de suas alienações. Feliz porque muitos estrangeiros vinham divertir-se, gastar seus dólares, injetar rios de dinheiro em nossa economia. O Carnaval era esperado como o momento mais alto do Calendário Nacional e tomava proporções ilimitadas. Acabaram-se aqueles limites impostos, inicialmente, pela Igreja, o exagero tomou conta de todos os espaços, as motivações dadas para a vivência do Carnaval estavam cada vez mais paganizadas e ao se referirem a “santos” ou a pessoas de Igreja ou à sua própria instituição era com muito deboche. Estava na hora de se imporem novos limites.

            E chegaram: sem leis, sem imposição de autoridades, sem decretos, mas chegaram. Um pequeno vírus, invisível, chegou e se instalou em mais de 200 países, ricos e pobres, inicialmente sem nenhuma proteção, sem vacina, sem estruturas preparadas pelos Ministérios de saúde. Mas chegou para matar: mais de Seis Milhões no Mundo. Mais de 700 mil no Brasil. Acabou?

            Não! Além do Corona Vírus inicial, apareceram várias vertentes ou cepas (usando a ordem alfabética grega), cada qual a mais letal e num crescente vertiginoso. Nossas autoridades sanitárias e governamentais da época procederam, de maneira incapaz e irresponsável sem compromisso algum com o povo. Só pensavam no voto e na propaganda política para terem proveito eleitoral. Elas mesmas promoviam aglomerados, reuniam multidões sem máscara/favoreciam carreatas, inaugurações com grande amontoado de pessoas, desqualificavam as vacinas, indicavam remédios sem aprovação científica, enfim não tinham o menor respeito pelas orientações que o Mundo todo tentava levar a sério. Aos trancos e barrancos foi-se a pandemia. Foi-se?

            É o que vamos aprofundar na 1ª semana da Quaresma, falando da C.F. : história e tema em 2024: Fraternidade e Amizade Social. Até lá!

            

BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO









COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...