Cidades cearenses homenageiam mulheres
Edição de 29 de março
Por razões técnicas não
foi possível a nossa edição de 22 de março. No entanto, não deixaremos de dar
destaque a fatos relevantes acontecidos na semana passada.
A propósito, nesta edição
estamos publicando o artigo do Mons. Assis Rocha sobre a Campanha da
Fraternidades para que os leitores não percam a sequencia dos Comentários da
Semana.
Por motivos diferentes
duas cidades cearenses: Guaraciaba do Norte e Pedra Branca homenagearam
mulheres com serviços prestados à população.
O fato que abalou
nossa Guaraciaba do Norte: foi o falecimento da Professora e Ex Primeira Dama
Fátima Pontes Melo, viúva do Ex Prefeito e Ex deputado Estadual José Maria Melo,
também falecido.
Deus
escreve certo por linhas certíssimas. Fátima vivia e sobrevivia com um câncer.
Deus a manteve viva para assistir a espetacular vitória do seu filho Cefas,
eleito prefeito de nossa terra. Naquele dia aconteceu a nossa última conversa,
em sua casa.
A multidão
que compareceu ao sepultamento demonstrou o quanto a comunidade reconhecia o
seu trabalho como Primeira Dama, Vereadora, Diretora de Escola e grande
parceira de seu marido, grande líder político.
Em Pedra Branca, a Câmara
Municipal prestou homenagens a duas Professoras conterrâneas na
última sexta feira, 21 de março. Uma a Professora Ruth Cavalcante,
criadora da Educação Biocêntrica e com longa história de serviços aos Ceará, ao
Brasil e ao Mundo.
A outra foi
a Professora Ivonete Braga de Sousa, Prefeita eleita em 2024, pelo Partido dos
Trabalhadores. Nascida na zona rural do município, com vasta folha de serviços
à Educação de Pedra Branca.
Ruth
Cavalcante, na celebração dos 70 anos da Universidade Federal do Ceará, recebeu
o título de Doutora Honoris Causa, a maior honraria da UFC, de onde foi expulsa
na ditadura de 64.
O
requerimento foi da Vereadora Maria Eunice Ribeiro de Lima para a solenidade
que aconteceu no dia 21 de março, às 9 horas na Câmara de Vereadores,
completamente lotada. Os ex-prefeitos estavam presentes.
A Vereadora
proponente das homenagens fez um relato detalhado da história das homenageadas.
A história da Professora Ruth despertou muita curiosidade, tanto por ter sido
vítima da ditadura de 64, quanto pela sua contribuição mundial à Educação.
Muitos
músicos de Fortaleza, que animaram, por muito tempo as noites do Cais Bar,
fizeram questão de comparecer às homenagens ao amigo.
Reencontrei o amigo Jurandir Frutuoso, hoje destacado gestor no Ministério da Saúde, em Brasília, onde está há mais de dez anos cuidando da saúde dos brasileiros, nas articulações com os Estados.
Na cidade de PEDRA BRANCA, a grande atração é o luxuosíssimo Consultório da Dra. Myrella Cavalcante, que abriu as portas para uma visita de familiares e amigos, na semana passada.
A comunicadora Sara Gois, âncora do Portal 247, escreveu um artigo sobre a decisão da Comissão de Anistia de avaliar o requerimento de Mariana Cavalcante Ferreira ser reconhecida como brasileira.
Mariana e filha de Ruth
Cavalcante e João de Paula Monteiro Ferreira. Nasceu no exilio, Alemanha, onde
os pais estavam exilados por causa da perseguição da ditadura.
No mesmo dia 25 de março,
o ex-presidente que negou o reconhecimento a Mariana será tornado réu por
tentar tomar o poder de um governo, legitimamente, eleito. Os caminhos da democracia são mais limpos.
A propósito, para quem
duvida que houve ditadura, deve ler os interessantes artigos de João de Paula Monteiro
Ferreira publicados abaixo desta coluna. São Memórias da Ditadura.
Estou lendo um livro de um autor, atualmente,
famoso e que eu tinha muita curiosidade e interesse em ler. Infelizmente,
observo que há muitos textos incompreensíveis e, perfeitamente, dispensáveis.
Cada vez mais me convenço de que o que se escreve é
para ser lido e entendido facilmente. Parece-me um exibicionismo desnecessário
escrever de forma complicada.
Em 1963, no Recife, ao fazer um curso de
jornalismo, aprendi que a missão do jornalista é “dizer coisas cada vez mais
complicadas, de forma cada vez mais simples, de modo a atingir cada vez mais
gente”. Concordo e tento seguir.
Com a
aprovação do Projeto que isentará de Imposto de Renda quem ganha até cinco mil
reais, será muito importante para a maioria dos Professores que terão um pouco
mais de dinheiro ao final de cada mês.
Esta medida
do Presidente Lula é uma demonstração concreta de alguém que pensa nos que mais
trabalham e mais precisam.
A OAB indicou os nomes de Dr. Marcelo Uchoa, Titular, e dra. Stella Maris Nogueira Pacheco para representarem aquela instituição na Comissão Especial Wanda Sidou - ANISTIA.
Memórias
da Ditadura
CONSULADOS CEARENSES EM SAMPA
João de Paula Monteiro Ferreira
- Bem-vindo à
Paulicéia, caboclo.
Foi o que me disse o Bergson,
abrindo um sorriso largo e os braços compridos para um abraço apertado e sem
pressa quando, na segunda quinzena de dezembro de 1969, cheguei de Curitiba
após um ano no Presídio do Ahú. Depois de algumas horas de conversa em um café
do centro, atualizando as notícias e matando as saudades, ele levou-me a um
lugar que uma irmã da Ruth, a Neuma, mestranda no Curso de Letras da
USP, havia conseguido para me hospedar por alguns dias. Era um apartamento no Butantã, onde morava
com um casal de amigos dela, a Maninha e o Eliomar - professor de física
da UFC, que fazia um doutorado na USP. Naquela espécie de consulado, os dois
acolhiam solidariamente universitários cearenses necessitados de abrigo, fosse
para estudar ou para escapar dos agentes da ditadura.
Tempos depois, conheci um
consulado semelhante que reunia cearenses ligados à música, passantes ou
residentes em São Paulo: era o apartamento da Téti e do Rodger. Quem me
deu a dica deste outro serviço consular cearense foi o Belchior, que
tinha sido meu colega de turma no Colégio Sobralense – onde nunca o vi
tirar uma nota que não fosse 10 - e contemporâneo na Faculdade de Medicina –
três anos atrás de mim, devido a uma temporada que ele passara em um mosteiro.
Eu o encontrara por acaso em uma viagem de ônibus do Rio para São Paulo. O
Belchior morava em um apartamento no mesmo andar da Téti e do Rodger, em um
prédio da Rua Oscar Freire, no bairro de Pinheiros. Numa das visitas furtivas
que fiz àquele recanto acolhedor, a Téti pediu-me para examinar um dos filhos
que estava com febre. Felizmente, meus parcos conhecimentos de quintanista de
medicina foram suficientes para diagnosticar uma daquelas viroses banais que
ocorrem na primeira infância e que não requerem mais que uma boa hidratação e
algum antipirético. Aquele bebezinho febril é o hoje Doutor Pedro Rogério,
professor da UFC, pesquisador da MPB, excepcional conhecedor de música na
teoria e na prática, pois ensina, compõe, toca, canta e é parceiro musical do
pai em lindas canções.
Mesmo cercado de afeto e
cuidados, minha estadia no apartamento da Maninha e do Eliomar teve que ser
curta, devido ao grande trânsito de pessoas, o que colocava em risco minha
segurança e, em consequência, a de todos os que ali residiam. Dali fui levado pelo
Bergson a um encontro com o Genoíno, que me convidou para morar com ele em um
apartamento que dividia com o Hélio Nóbrega. O Hélio era um estudante de
engenharia da UFC, que havia sido preso junto com a Nadja Oliveira,
estudante de Pedagogia, em uma manifestação em Fortaleza pela libertação dos
participantes do Congresso da UNE em Ibiúna. Os dois foram soltos, mas, depois
condenados à revelia e tiveram que viver clandestinamente em São Paulo.
O Genoíno que me
substituíra na UNE porque eu estava preso quando fui eleito, foi quem me
reintroduziu no movimento estudantil. Ele colocou-me a par da difícil situação
em que se encontrava o movimento em todo o país por conta do recrudescimento da
repressão a partir da decretação do AI-5 e me informou dos desfalques na
diretoria da UNE, que começaram pela prisão e tortura do Jean Marc, o
presidente, mantido em um presídio da Marinha desde setembro daquele ano.
Fiquei triste por não
encontrar em São Paulo uma amiga muito querida, a paulistana Helenira
Rezende, eleita comigo para a diretoria da UNE. Naquele momento, ela estava
atuando em Salvador e Fortaleza. A Helenira também tinha prisão preventiva
decretada por participação no Congresso de Ibiúna e, como eu, fora presa no
início do Congresso Regional do Paraná, mas, diferentemente de mim, conseguira
escapar daquela arapuca.
Foi o Genoíno quem
organizou minha primeira atividade ligada à UNE, ao me levar para uma reunião
na sede do CAOC - Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina da
USP, que se vê na foto abaixo.
Percebia-se ali que ainda
havia disposição de luta por parte das lideranças estudantis, mas que houvera
uma grande redução nas condições de mobilização para ações de protestos
públicos. A ditadura desencadeara uma nova onda de fechamento de entidades estudantis,
prendera muitos de seus dirigentes e proibira mais de duas centenas de líderes
de se matricularem em suas faculdades por meio do Decreto-Lei 477. A repressão
desenfreada desfalcava as fileiras dos que lutavam contra a ditadura e causava
temor entre os que não eram diretamente atingidos, tornando tudo muito difícil
para a resistência ao arbítrio.
O clima de apreensão, no
entanto, não nos imobilizava, nem tirava nossa alegria de viver. Resistíamos
como podíamos e aproveitávamos as poucas oportunidades que surgiam para
usufruirmos de alguns momentos de prazer. Foi assim que, desconsiderando as
mais elementares regras de segurança, Genoíno, Lourdinha (sua então
namorada), o Hélio, a Ruth e eu, fomos passar um fim de semana na
baixada santista. A Ruth e eu tínhamos namorado quando éramos colegas de
diretoria no DCE da UFC e havíamos reatado o namoro quando nos encontramos em
São Paulo, onde ela passara a viver após sua fuga da prisão em Fortaleza; foi a
Ruth quem teve a ideia e tomou as providências para nos hospedarmos em Santos
no apartamento da Zimar, que fora casada com seu irmão, Álvaro Lins,
então deputado federal pelo MDB. Foram dois dias inesquecíveis pelo calor da
recepção que tivemos e pela oportunidade de matar a saudade de banho de mar. A
teimosia em não deixar a repressão nos roubar as possibilidades de curtir a
vida, manifestou-se também quando o Genoíno, o Hélio e eu, vendo uma
multidão passar na rua do nosso prédio comemorando a vitória da seleção
brasileira na Copa do Mundo de 1970, resolvemos nos meter no meio dela e seguir
para o Vale do Anhangabaú berrando é tricampeão, é tricampeão, é tricampeão.
O período de convivência
com o Genoíno em São Paulo foi curto. Certo dia de julho de 1970, ele
despediu-se de mim, dizendo que tinha aceitado um convite da direção do PCdoB
para travar a luta contra a ditadura no campo. Pouco antes o Bergson dissera-me
a mesma coisa. Nenhum dos dois disse-me para onde ia e nem era conveniente
dizer por razões de segurança. Não muito tempo depois, por meio do Ozéas
Duarte, ex-estudante de direito da UFC e militante destacado no movimento
estudantil do Ceará que se tornara dirigente do PCdoB, recebi um convite
semelhante. Não o aceitei, respondendo que já passara quase a metade do meu
mandato de diretor da UNE na prisão e que meu compromisso naquele momento era
concluí-lo.
Depois da ida do Genoíno
para o campo, fiquei sem conexão com a diretoria da UNE, que se vira obrigada a
atuar nas mais severas condições de clandestinidade. Os contatos que eu tinha
com as lideranças do movimento estudantil paulista, construídos no período em
que eu participava ali de atividades da UNE como presidente do DCE da UFC,
também tinham sido desfeitos. Quem não estava preso ou exilado, estava na
clandestinidade. Os centros de efervescência do movimento estudantil paulistano
em 1968, como a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, na Rua Maria
Antônia, o CRUSP – Centro Residencial da USP e as faculdades mais ativas da PUC
pareciam sitiados, sob constante e feroz vigilância policial.
Este era o cenário em São
Paulo, quando o Ozéas, em nome da direção do PCdoB, convidou-me pela
segunda vez para deslocar-me para o campo. Embora, por diversas circunstâncias,
não tivesse sido formalizada minha entrada na diretoria da UNE, considerei
haver cumprido meu compromisso como diretor eleito da entidade e honrando a
confiança dos que me elegeram. Lembrando-me da minha mãe, mulher de poucas
letras e muita sabedoria, de quem ouvi muitas vezes a frase “quem fez o que
podia fazer, fez tudo”, aceitei, então, aquele convite. O desdobramento
desta decisão é assunto para outra historieta.
PARA OS QUE TENTARAM DESTRUIR BRASÍLIA EM 8 DE JANEIRO
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