DOM HELDER CÂMARA A
CAMINHO DOS ALTARES
EDIÇÃO
DE 23 de agosto
De 13 a 17,
estivemos em Guaraciaba do Norte, participando da tradicional Festa de Agosto,
momento em que inúmeros conterrâneos que moram fora, retornam à cidade.
São dias de
reencontros e muitos abraços e histórias. Desde criança, aquele período está em
nossas mentes. No passado, marcado pela tradição. No presente, com muitas
atrações.
Neste ano,
com uma nova gestão municipal, aconteceram muitas inovações como a população
esperava. Senti a alegria nas diversas manifestações do povo.
Na Igreja,
tudo muito bem organizado e com muita participação da comunidade. Os jovens
marcaram presença em todos os atos litúrgicos, com uma disciplina incrível.
A cidade
foi, cuidadosamente, preparada para aquele momento. Chamaram atenção a limpeza,
a segurança e a iluminação. Percebeu-se que houve planejamento para tudo.
Escutamos elogios
ao desempenho do prefeito Cefas Melo e à sua presença em todos os momentos da
festa. Alto índice de satisfação com a gestão municipal. O que não era comum,
anteriormente.
O retorno
das barracas para a Praça do Guaracy era um desejo da população. Ali o local é
mais aconchegante e facilita para quem mora nos sítios próximos. A Praça da
Rodoviária já fica distante.
Durante ou
poucos dias em Guaraciaba do Norte, tive a oportunidade reencontrar muitas pessoas
amigas. Dentre elas Tainá Macedo, Saxofonista da Orquestra Estrelas da Serra,
de Croatá.
Deu-me a
informação que agora está na função de Maestrina, substituindo,
temporariamente, o Maestro Hélio Junior que criou a Orquestra com Silvério
Oliveira.
Outra boa
surpresa foi reencontrar a Professora Edna Viana com quem trabalhei à
época em que estive ocupando a função de Secretário de Educação.
O Radialista
Tupinambá Frota, elegeu a nossa Guaraciaba do Norte para morar. E está feliz no
sítio Cruz das Almas. Não perde o contato com o rádio sobralense. Está montando
uma rádio on line.
Recebi da
cunhada e comadre Aparecida Marques um grande presente: o clarinete que já foi
do meu pai e que estava com o seu neto clarinetista Leildo Filho.
Tive a
oportunidade de reencontrar os primos Raimundo Luiz, sommelier famoso em Brasília,
Raimundo Neto, empresário em Croatá e de conhecer a Professora Sidênia, do MEG
PIRES.
Neste
sábado, na Fazenda Vitória, em Amanaiara, será comemorado o aniversário do
sobrinho Gabriel Lima, ganhador de Certificado de Honra ao Mérito pelo seu
excelente desempenho na Escola Marina Soares. É filho da Sobrinha Kelly Lima.
Fico impressionado como
certas pessoas de algum destaque, não conseguem falar sem usar palavrões.
Possuem vocabulário muito limitado. Até um pretenso pregador da Bíblia abusa de
palavrões inconvenientes,
Tenho a impressão de que
os Estados Unidos ainda pedirão desculpas ao Brasil. As autoridades do país
ainda vão descobrir que estão sendo enganadas. Aqui não vivemos em ditadura. Estamos
em plena democracia.
No artigo
abaixo, João de Paula nos fala sobre as qualidades sui generis de Claudio
Pereira, um anfitrião de características, extraordinariamente, humanas.
No
comentário da Semana, o Mons. Assis Rocha escreve sobre nosso conterrâneo Dom
Helder Câmara que me conferiu a Tonsura, no Recife. Já a caminho dos
altares, com processo de canonização.
Em seus
tempos estudando na Europa, Mons. Assis Rocha trabalhou de perto com Dom
Helder, tendo até que o substituir numa Conferencia, cabendo-lhe ler o texto da
palestra.
Ontem à noite, em nosso tradicional e particular local de festas, festejamos o aniversário da querida amiga Rosiná Furtado Soares, casada com o Paulinho. Ambos conterrâneos de Guaraciaba do Norte
O Jornalista Júnior Ximenes publicou, em seu Facebook, uma interessante entrevista com o artista conhecido por Zé Milton, um mágico que se destaca na zona norte do Ceará.
Nas suas
apresentações que alegram a todos, tem o poder de agregar muitos outros
artistas dos locais em que se exibe. É um grande animador para aniversários de
crianças. Zé Milton é de Barra dos Soteros, em Croatá.
DE VOLTA DO EXILIO
DEMOCRACIA, JUSTIÇA SOCIAL E “JOIE DE VIVRE”
João de Paula
Monteiro Ferreira (*)
- A nossa Bastilha hoje é ...
Era o que gritava o Cláudio Pereira,
em certo momento da festa que ele realizava todo 14 de julho, em sua casa azul
de bolinhas brancas, pertinho do Bar do Anísio, em um dos recantos mais
bonitos da Avenida Beira Mar de Fortaleza. Em seguida, uma bela convidada,
escolhida, secretamente, por ele, era delicadamente “derrubada”, deslizando
suavemente, da cadeira em que estava sentada, sob vivas e aplausos da numerosa
plateia aglomerada no jardim e na calçada., Era uma encenação no estilo do
Chacrinha da histórica Queda da Bastilha, deflagradora da Revolução Francesa,
comemorada tão originalmente por aquele cearense apaixonado pela França e
profundamente identificado com os valores da liberdade, da igualdade e a da
fraternidade, bandeiras principais do movimento revolucionário de 1789.
Foi naquela famosa casa que a Ruth e
eu recebemos a mais calorosa e duradoura acolhida em Fortaleza, ficando atrás
apenas das ofertadas pelas nossas famílias. Nossa primeira participação em uma
daquelas festas de fins de semana prolongados, foi em uma ocasião em que a
faixa comunicadora da atração de cada dia, exibia o título SARAPATEL FRESCO.
Anúncios ali podiam ser do ENCOPA – Encontro dos Comedores de Panelada ou
de outras iguarias como buchada, feijoada, rabada, ou, ainda, de um dos muitos
eventos como a Queda da Bastilha, a Confraternização dos Motoristas,
o lançamento da Banda Papacu (para fazer concorrência à do Periquito da
Madame, criada pelo Mincharia, outro iconoclasta cearense), Festa do
Maior Abandonado, Eleição da Garota Cultural e do Míster Motorista, estas
duas últimas parodiando os concursos de misses.
O carinho com que o Cláudio nos
recebeu foi muito marcante, mas não era uma exceção. Caracterizava seu modo de
relacionar-se com as pessoas. Ele hospedava frequentemente viajantes do Brasil
e do mundo. A propósito, não esqueço de um fato ocorrido comigo, quando fiz um
curso no Japão; terminada a apresentação dos participantes, o japonês que
fizera a tradução, aproximou-se de mim e me perguntou baixinho: “conhece o
Cláudio Pereira?” Vendo minha cara de espanto, esclareceu que quando era
estudante, fizera uma viagem como mochileiro pelo Nordeste do Brasil, tendo se
hospedado por alguns dias na casa azul de bolas brancas.
Poucos dias depois da nossa chegada
da acolhedora, mas circunspecta, Alemanha, para a Ruth e para mim era
encantador aquele ambiente efusivo, irreverente, transbordante de alegria,
frequentado por pessoas das mais diversas posições político-ideológicas, que
tinham no afeto pelo Cláudio seu ponto
de conexão; em outras palavras, a fraternidade é que dava liga àquele grupo
heterogêneo em aspectos econômicos, sociais e culturais, formado por
estudantes, professores, desempregados, empresários, motoristas, jornalistas,
parlamentares, governantes, socialites, artistas, intelectuais, vendedores
ambulantes etc. Por mais tolerante que fosse o Pereira, sua casa não atraía
antidemocratas que, aliás, àquela época, eram meio enrustidos, por vergonha dos
crimes recentes e do fracasso econômico da ditadura militar agonizante. Em
paralelo, o Cláudio praticava permanentemente o princípio da igualdade,
tratando todos sem diferenciação, a começar com os que lhe prestavam serviços.
A Confraternização dos Motoristas, realizada anualmente, era o ponto alto de
expressão do modo digno como ele se relacionava com aqueles profissionais tão
importantes para sua mobilidade; graças àqueles motoristas, ele maratonava os
mais charmosos bares da cidade em uma só noite, sentado em sua cadeira de
rodas, apelidada de “A Cadeira Voadora”, pelo colunista Lúcio
Brasileiro, um dos muitos jornalistas que, apesar da sobrevivência de uma
censura/autocensura mais sutil do que a da época do AI-5, repercutiam nos meios
de comunicação do Ceará as manifestações que ocorriam naquele espaço
libertário.
No meu modo de ver, o que guiava, de
fato, as ações do Cláudio no cotidiano, era a tríade de princípios da Revolução
Francesa, mesmo sendo ele admirador declarado de alguns temas da utopia
comunista e tendo militado no PCB. Prova disso, é que depois de algumas doses
de Cuba Libre, era frequente ele levantar os braços com os indicadores de cada
mão em riste e, parodiando um conhecido jingle do Sílvio Santos, cantarolar: “lá,
lá, lá, lá, lá, lá, o comunismo vem aí”. O que não lhe impedia de, algumas
vezes, emendar: “pena que o comunismo acabou antes de chegar aos pobres,
como diz o Augusto Pontes”. Quem não conhecesse sua história, presenciando
aquela brincadeira, talvez tivesse dificuldade de imaginar o quanto ele sofrera
nas mãos dos carrascos da ditadura, a pretexto daquelas ideias.
Certo dia, chegou à acolhedora casa
azul de bolinhas brancas uma linda francesa, que passou a fazer parte da vida
do Cláudio até quando ele exalou o último suspiro. A partir da inclusão da
Martine em sua existência, a alegria de viver, que sempre foi a fonte quase
inesgotável de energia para o Cláudio, mereceu ser chamada também de “joie
de vivre”. A história deste amor está belamente contada no Cherrizinho,
livro em que a escritora Martine Kunz descreve o que chamo de processo de fusão
de partes de duas pessoas e de duas culturas, resguardando suas respectivas
soberanias.
Para a Ruth e para mim, reencontrar o
Cláudio Pereira depois de uma separação forçada de 11 anos, era a retomada de
uma intensa relação de companheirismo exercida na luta estudantil contra um
regime opressivo. As suas contribuições a essa luta no terreno da cultura e da
comunicação nos vinham constantemente à memória. Não tínhamos como esquecer o
GRUTA – Grupo Universitário de Teatro e Arte, criado por ele e o
trabalho realizado ali em parceria com o Augusto Pontes, que projetou muitos
universitários cearenses no cenário local e nacional, tanto na música como nas
artes cênicas; recordávamos também das instigantes excursões culturais
organizadas pelo Pereira com destinos ao interior do Ceará, a cidades de outros
estados e a países sul-americanos. Inesquecível igualmente era o BISU – Boletim
Informativo Semanal Universitário, concebido, redigido, impresso e distribuído
por ele nos jantares do Restaurante Universitário, não sendo rara a cobertura
de uma passeata reprimida pela polícia na manhã do mesmo dia da sua publicação.
Já o impressionante trabalho do Cláudio como animador e empreendedor cultural,
incluindo suas atividades como Presidente da Fundação Cultural de Fortaleza na
gestão da Maria Luíza na prefeitura e que seguiu ao longo de vários mandatos de
prefeitos de distintas posições político-ideológicas, é assunto que só cabe em um
livro e não em uma historieta como essa aqui.
Tendo
contrariado prognósticos médicos sombrios após um grave acidente de carro e
superado várias sequelas, em abril de 2010, o Cláudio teve que ser internado em
uma UTI com um quadro clínico de muita gravidade. Apesar de rigorosas
restrições, devido à minha condição de médico, consegui visitá-lo. Com a voz
bem fraquinha, ele sussurrou: “canta aquela musiquinha da Mundita”. Com
a garganta quase travada, não foi fácil cantarolar a paródia que ele adorava
sobre uma paixão não correspondida de uma moça de Crateús por um vereador da
cidade.
Poucos dias depois, em um trem que
saíra de Berlim com destino a Praga, meu celular tocou. Era o hoje bem-sucedido
empresário Paulo Roberto, ex-motorista-auxiliar do Cláudio, comunicando-me a
morte daquele querido amigo. Com o aconchego da Maurícia, minha atual mulher,
das minhas filhas Mariana, Marina e Maíra e dos meus genros Nicola e Nonato, na
cabine daquele trem, fui sendo consolado da imensa dor provocada pela perda de
uma pessoa com quem mantivera profundos laços de companheirismo e amizade por
quase meio século.
A casa azul de bolinhas brancas foi
finalmente vencida pelo assédio implacável da especulação imobiliária. Martine
e Cláudio passaram a morar por um período no bairro do Castelo Encantado, que
faz jus a esse nome ao oferecer uma das mais belas vistas naturais do litoral
de Fortaleza. Dali, o casal foi para uma casa na Praia do Futuro. Naquele novo
espaço, a Martine conseguiu consolidar a mudança que, com habilidade e energia,
vinha fazendo, gradualmente, naquela mistura de albergue juvenil com clube
suburbano que encontrara na Beira Mar, transformando-a em um lar aconchegante,
onde duas pessoas apaixonadas pudessem desfrutar daquele grau mínimo de
privacidade que todo amor requer. A ordem estabelecida foi bem dosada, de modo
que a alegria de acolher amigos continuou. Ao invés de serem recebidas em um
jardim (inexistente), como na Avenida Beira Mar, eles passaram a ser festejados
em um magnífico quintal, todo arborizado e de frente para o mar, em dias
marcados com antecedência razoável. É neste ninho, onde a Martine e o Cláudio
viveram amorosamente até maio de 2010, que ela ainda mora, curtindo o que
construíram juntos e cultivando carinhosamente a memória dele.
(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial, importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64.
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