sábado, 23 de agosto de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

DOM HELDER CÂMARA   A CAMINHO DOS ALTARES

EDIÇÃO DE 23 de agosto

De 13 a 17, estivemos em Guaraciaba do Norte, participando da tradicional Festa de Agosto, momento em que inúmeros conterrâneos que moram fora, retornam à cidade.

São dias de reencontros e muitos abraços e histórias. Desde criança, aquele período está em nossas mentes. No passado, marcado pela tradição. No presente, com muitas atrações.

Neste ano, com uma nova gestão municipal, aconteceram muitas inovações como a população esperava. Senti a alegria nas diversas manifestações do povo.

Na Igreja, tudo muito bem organizado e com muita participação da comunidade. Os jovens marcaram presença em todos os atos litúrgicos, com uma disciplina incrível.

A cidade foi, cuidadosamente, preparada para aquele momento. Chamaram atenção a limpeza, a segurança e a iluminação. Percebeu-se que houve planejamento para tudo.

Escutamos elogios ao desempenho do prefeito Cefas Melo e à sua presença em todos os momentos da festa. Alto índice de satisfação com a gestão municipal. O que não era comum, anteriormente.

O retorno das barracas para a Praça do Guaracy era um desejo da população. Ali o local é mais aconchegante e facilita para quem mora nos sítios próximos. A Praça da Rodoviária já fica distante.

Durante ou poucos dias em Guaraciaba do Norte, tive a oportunidade reencontrar muitas pessoas amigas. Dentre elas Tainá Macedo, Saxofonista da Orquestra Estrelas da Serra, de Croatá.

Deu-me a informação que agora está na função de Maestrina, substituindo, temporariamente, o Maestro Hélio Junior que criou a Orquestra com Silvério Oliveira.

Outra boa surpresa foi reencontrar a Professora Edna Viana com quem trabalhei à época em que estive ocupando a função de Secretário de Educação.

O Radialista Tupinambá Frota, elegeu a nossa Guaraciaba do Norte para morar. E está feliz no sítio Cruz das Almas. Não perde o contato com o rádio sobralense. Está montando uma rádio on line.

Recebi da cunhada e comadre Aparecida Marques um grande presente: o clarinete que já foi do meu pai e que estava com o seu neto clarinetista Leildo Filho.

Tive a oportunidade de reencontrar os primos Raimundo Luiz, sommelier famoso em Brasília, Raimundo Neto, empresário em Croatá e de conhecer a Professora Sidênia, do MEG PIRES.

Neste sábado, na Fazenda Vitória, em Amanaiara, será comemorado o aniversário do sobrinho Gabriel Lima, ganhador de Certificado de Honra ao Mérito pelo seu excelente desempenho na Escola Marina Soares. É filho da Sobrinha Kelly Lima.

Fico impressionado como certas pessoas de algum destaque, não conseguem falar sem usar palavrões. Possuem vocabulário muito limitado. Até um pretenso pregador da Bíblia abusa de palavrões inconvenientes,

Tenho a impressão de que os Estados Unidos ainda pedirão desculpas ao Brasil. As autoridades do país ainda vão descobrir que estão sendo enganadas. Aqui não vivemos em ditadura. Estamos em plena democracia.

No artigo abaixo, João de Paula nos fala sobre as qualidades sui generis de Claudio Pereira, um anfitrião de características, extraordinariamente, humanas.

No comentário da Semana, o Mons. Assis Rocha escreve sobre nosso conterrâneo Dom Helder Câmara que me conferiu a Tonsura, no Recife. Já a caminho dos altares, com processo de canonização.

Em seus tempos estudando na Europa, Mons. Assis Rocha trabalhou de perto com Dom Helder, tendo até que o substituir numa Conferencia, cabendo-lhe ler o texto da palestra.

Ontem à noite, em nosso tradicional e particular local de festas, festejamos o aniversário da querida amiga Rosiná Furtado Soares, casada com o Paulinho. Ambos conterrâneos de Guaraciaba do Norte

O Jornalista Júnior Ximenes publicou, em seu Facebook, uma interessante entrevista com o artista conhecido por Zé Milton, um mágico que se destaca na zona norte do Ceará.

Nas suas apresentações que alegram a todos, tem o poder de agregar muitos outros artistas dos locais em que se exibe. É um grande animador para aniversários de crianças. Zé Milton é de Barra dos Soteros, em Croatá.


DE VOLTA DO EXILIO

DEMOCRACIA, JUSTIÇA SOCIAL E “JOIE DE VIVRE”

                                                                                                               João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- A nossa Bastilha hoje é ...

          Era o que gritava o Cláudio Pereira, em certo momento da festa que ele realizava todo 14 de julho, em sua casa azul de bolinhas brancas, pertinho do Bar do Anísio, em um dos recantos mais bonitos da Avenida Beira Mar de Fortaleza. Em seguida, uma bela convidada, escolhida, secretamente, por ele, era delicadamente “derrubada”, deslizando suavemente, da cadeira em que estava sentada, sob vivas e aplausos da numerosa plateia aglomerada no jardim e na calçada., Era uma encenação no estilo do Chacrinha da histórica Queda da Bastilha, deflagradora da Revolução Francesa, comemorada tão originalmente por aquele cearense apaixonado pela França e profundamente identificado com os valores da liberdade, da igualdade e a da fraternidade, bandeiras principais do movimento revolucionário de 1789.

          Foi naquela famosa casa que a Ruth e eu recebemos a mais calorosa e duradoura acolhida em Fortaleza, ficando atrás apenas das ofertadas pelas nossas famílias. Nossa primeira participação em uma daquelas festas de fins de semana prolongados, foi em uma ocasião em que a faixa comunicadora da atração de cada dia, exibia o título SARAPATEL FRESCO. Anúncios ali podiam ser do ENCOPA – Encontro dos Comedores de Panelada ou de outras iguarias como buchada, feijoada, rabada, ou, ainda, de um dos muitos eventos como a Queda da Bastilha, a Confraternização dos Motoristas, o lançamento da Banda Papacu (para fazer concorrência à do Periquito da Madame, criada pelo Mincharia, outro iconoclasta cearense), Festa do Maior Abandonado, Eleição da Garota Cultural e do Míster Motorista, estas duas últimas parodiando os concursos de misses.

          O carinho com que o Cláudio nos recebeu foi muito marcante, mas não era uma exceção. Caracterizava seu modo de relacionar-se com as pessoas. Ele hospedava frequentemente viajantes do Brasil e do mundo. A propósito, não esqueço de um fato ocorrido comigo, quando fiz um curso no Japão; terminada a apresentação dos participantes, o japonês que fizera a tradução, aproximou-se de mim e me perguntou baixinho: “conhece o Cláudio Pereira?” Vendo minha cara de espanto, esclareceu que quando era estudante, fizera uma viagem como mochileiro pelo Nordeste do Brasil, tendo se hospedado por alguns dias na casa azul de bolas brancas.

          Poucos dias depois da nossa chegada da acolhedora, mas circunspecta, Alemanha, para a Ruth e para mim era encantador aquele ambiente efusivo, irreverente, transbordante de alegria, frequentado por pessoas das mais diversas posições político-ideológicas, que tinham no afeto pelo Cláudio  seu ponto de conexão; em outras palavras, a fraternidade é que dava liga àquele grupo heterogêneo em aspectos econômicos, sociais e culturais, formado por estudantes, professores, desempregados, empresários, motoristas, jornalistas, parlamentares, governantes, socialites, artistas, intelectuais, vendedores ambulantes etc. Por mais tolerante que fosse o Pereira, sua casa não atraía antidemocratas que, aliás, àquela época, eram meio enrustidos, por vergonha dos crimes recentes e do fracasso econômico da ditadura militar agonizante. Em paralelo, o Cláudio praticava permanentemente o princípio da igualdade, tratando todos sem diferenciação, a começar com os que lhe prestavam serviços. A Confraternização dos Motoristas, realizada anualmente, era o ponto alto de expressão do modo digno como ele se relacionava com aqueles profissionais tão importantes para sua mobilidade; graças àqueles motoristas, ele maratonava os mais charmosos bares da cidade em uma só noite, sentado em sua cadeira de rodas, apelidada de “A Cadeira Voadora”, pelo colunista Lúcio Brasileiro, um dos muitos jornalistas que, apesar da sobrevivência de uma censura/autocensura mais sutil do que a da época do AI-5, repercutiam nos meios de comunicação do Ceará as manifestações que ocorriam naquele espaço libertário.

           No meu modo de ver, o que guiava, de fato, as ações do Cláudio no cotidiano, era a tríade de princípios da Revolução Francesa, mesmo sendo ele admirador declarado de alguns temas da utopia comunista e tendo militado no PCB. Prova disso, é que depois de algumas doses de Cuba Libre, era frequente ele levantar os braços com os indicadores de cada mão em riste e, parodiando um conhecido jingle do Sílvio Santos, cantarolar: “lá, lá, lá, lá, lá, lá, o comunismo vem aí”. O que não lhe impedia de, algumas vezes, emendar: “pena que o comunismo acabou antes de chegar aos pobres, como diz o Augusto Pontes”. Quem não conhecesse sua história, presenciando aquela brincadeira, talvez tivesse dificuldade de imaginar o quanto ele sofrera nas mãos dos carrascos da ditadura, a pretexto daquelas ideias. 

            Certo dia, chegou à acolhedora casa azul de bolinhas brancas uma linda francesa, que passou a fazer parte da vida do Cláudio até quando ele exalou o último suspiro. A partir da inclusão da Martine em sua existência, a alegria de viver, que sempre foi a fonte quase inesgotável de energia para o Cláudio, mereceu ser chamada também de “joie de vivre”. A história deste amor está belamente contada no Cherrizinho, livro em que a escritora Martine Kunz descreve o que chamo de processo de fusão de partes de duas pessoas e de duas culturas, resguardando suas respectivas soberanias.

          Para a Ruth e para mim, reencontrar o Cláudio Pereira depois de uma separação forçada de 11 anos, era a retomada de uma intensa relação de companheirismo exercida na luta estudantil contra um regime opressivo. As suas contribuições a essa luta no terreno da cultura e da comunicação nos vinham constantemente à memória. Não tínhamos como esquecer o GRUTA – Grupo Universitário de Teatro e Arte, criado por ele e o trabalho realizado ali em parceria com o Augusto Pontes, que projetou muitos universitários cearenses no cenário local e nacional, tanto na música como nas artes cênicas; recordávamos também das instigantes excursões culturais organizadas pelo Pereira com destinos ao interior do Ceará, a cidades de outros estados e a países sul-americanos. Inesquecível igualmente era o BISU – Boletim Informativo Semanal Universitário, concebido, redigido, impresso e distribuído por ele nos jantares do Restaurante Universitário, não sendo rara a cobertura de uma passeata reprimida pela polícia na manhã do mesmo dia da sua publicação. Já o impressionante trabalho do Cláudio como animador e empreendedor cultural, incluindo suas atividades como Presidente da Fundação Cultural de Fortaleza na gestão da Maria Luíza na prefeitura e que seguiu ao longo de vários mandatos de prefeitos de distintas posições político-ideológicas, é assunto que só cabe em um livro e não em uma historieta como essa aqui. 

         Tendo contrariado prognósticos médicos sombrios após um grave acidente de carro e superado várias sequelas, em abril de 2010, o Cláudio teve que ser internado em uma UTI com um quadro clínico de muita gravidade. Apesar de rigorosas restrições, devido à minha condição de médico, consegui visitá-lo. Com a voz bem fraquinha, ele sussurrou: “canta aquela musiquinha da Mundita”. Com a garganta quase travada, não foi fácil cantarolar a paródia que ele adorava sobre uma paixão não correspondida de uma moça de Crateús por um vereador da cidade.

          Poucos dias depois, em um trem que saíra de Berlim com destino a Praga, meu celular tocou. Era o hoje bem-sucedido empresário Paulo Roberto, ex-motorista-auxiliar do Cláudio, comunicando-me a morte daquele querido amigo. Com o aconchego da Maurícia, minha atual mulher, das minhas filhas Mariana, Marina e Maíra e dos meus genros Nicola e Nonato, na cabine daquele trem, fui sendo consolado da imensa dor provocada pela perda de uma pessoa com quem mantivera profundos laços de companheirismo e amizade por quase meio século. 

          A casa azul de bolinhas brancas foi finalmente vencida pelo assédio implacável da especulação imobiliária. Martine e Cláudio passaram a morar por um período no bairro do Castelo Encantado, que faz jus a esse nome ao oferecer uma das mais belas vistas naturais do litoral de Fortaleza. Dali, o casal foi para uma casa na Praia do Futuro. Naquele novo espaço, a Martine conseguiu consolidar a mudança que, com habilidade e energia, vinha fazendo, gradualmente, naquela mistura de albergue juvenil com clube suburbano que encontrara na Beira Mar, transformando-a em um lar aconchegante, onde duas pessoas apaixonadas pudessem desfrutar daquele grau mínimo de privacidade que todo amor requer. A ordem estabelecida foi bem dosada, de modo que a alegria de acolher amigos continuou. Ao invés de serem recebidas em um jardim (inexistente), como na Avenida Beira Mar, eles passaram a ser festejados em um magnífico quintal, todo arborizado e de frente para o mar, em dias marcados com antecedência razoável. É neste ninho, onde a Martine e o Cláudio viveram amorosamente até maio de 2010, que ela ainda mora, curtindo o que construíram juntos e cultivando carinhosamente a memória dele.

(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial, importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64.

Estes nossos livros estão na Livraria LEITURA, no Shopping DEL PASEO

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