A ESCOLA DEVE SER SEMPRE A PRINCIPAL ATRAÇÃO DOS ALUNOS.
Minhas primeiras aprendizagens sobre os municípios da região
norte, foi por meio das placas dos caminhões que passavam pela rodagem da minha
cidade. Eram pouquíssimos e, por isto, viravam atrações para os meninos.
Por curiosidade e aprendendo a ler, logo procurava ver de onde
vinham. Eram as placas que me diziam. E fui aprendendo. De Crateús,
Independência, Boa Viagem, Tamboril, Pedra Branca, Monsenhor Tabosa...
Traziam estrume de gado que vendiam nos engenhos para o adubo da
cana e levavam carradas de rapaduras e muitas frutas. Pena que aquilo não era
assunto das aulas, mas de conversas entre meninos.
“Passou um de Independência”.
“Eu vi um de Pedra Branca”. E assim íamos tentando descobrir onde
ficavam aqueles lugares. Nós ouvíamos falar mais sobre os que ficavam perto.
A distância era sempre a mesma, mas o tempo de percurso era
muito diferente. 23 quilômetros para Ipu e quatro horas para percorrê-los. A
rodagem era só areia muita. Para São Benedito, a mesma coisa.
Esta foto rara, dos anos 50, é do Misto da família Paiva que
realizava, diariamente, a viagem de ida e volta de São Benedito a Ipu. Ainda
menino, lamentava não ter o nome de Guaraciaba do Norte. Levava e trazia
passageiros que viajavam de trem.
Para Reriutaba, então Santa Cruz, a distância era, praticamente,
a mesma, mas não havia estrada. Era só ladeira. Em tempo de seca, começavam a
fazer a estrada para dar emprego aos cassacos. Com o inverno, parava,
Ainda hoje
tenho o hábito de observar as placas, mesmo sabendo-as mais complicadas e sem
os nomes dos municípios. Lamentavelmente. Soube que iriam voltar. Tomara.
Ontem, em Camocim, o
Professor Historiador Carlos Augusto Pereira dos Santos lançou o II Volume do
seu livro HISTÓRIA POLÍTICA DE CAMOCIM. O evento foi no Plenário Deputado
Murilo Aguiar, da Câmara de Vereadores.
A Professora Doutoranda Muldiane Pedrosa, está indo muito bem com os cursos de graduação que tem levado a municípios do Ceará. Em Massapê, já vai abri a terceira turma, contando com muita credibilidade junto à comunidade.
No mês de
outubro serão abertas turmas em Meruoca e Alcântaras. Nos três municípios conta
com o apoio das Secretarias de Educação. A convite da Professora Muldiane que
conheço há anos, deverei ir aos três municípios para encontro com os alunos.
A credibilidade do Grupo Nossa Faculdade e parceiras UNIFTB e UNIFAMEC tem crescido muito graças à seriedade da atual equipe local, tendo à frente da Coordenação local a Professora Socorrinha Gomes, também Diretora da Escola da CNEC, em Massapê.
Na segunda quinzena de outubro, terão início os festejos da
Capela de Nossa Senhora da Saúde, no distrito de Sussuanha, em Guaraciaba do
Norte. É um tradicional local de romarias, onde muitos fieis comparecem para
pagar promessas.
Tenho um carinho especial pela Sussuanha, pois andava por lá
desde menino. Ali meus pais se casaram quando ambos prestavam serviços às
celebrações litúrgicas. Minha mãe como cantora da Igreja. Meu pai como
integrante da Banda de Música.
No meu livro GUARACIABA DO NORTE, NOSSAS RUAS, NOSSA HISTÓRIA, à
página 240, registro uma foto na criação do Coral Santa Cecilia, ali criado em
1946. E meus pais lá estão.
Nesta semana, no Ideal Clube, fui ao lançamento do livro CARTAS
PRA VOCÊ, do amigo e ex colega na UVA/Sobral, Paulo de Tarso Pardal. nascido em
Santana do Acaraú, é competente Professor, Músico que faz mágicas com seu
cavaquinho.
Gilberto Kassab, presidente do PSD vai colocar muitos prefeitos
em saia justa, decidindo que o partido deixará de apoiar Lula e vai apoiar um
destes bolsonaristas: Tarcísio de Freitas, Ratinho ou o Eduardo Leite. Os três
são pouquíssimos conhecidos no norte e nordeste.
Estas regiões trocariam o conhecido pelo desconhecido, só para
atender ao, também desconhecido, Kassab? E como os Prefeitos e Vereadores do PSD vão
justificar a escolha de um desses candidatos?
Neste sábado, no nosso buffet privado da família e amigos,
estaremos celebrando os aniversários do cunhado Edson Martins, casado com a
Luciene e do seu irmão Milton Júnior.
Nas 4 oportunidades que ocupei a função de Secretário de
Educação e duas vezes como assessor, jamais nos deparamos com atos de violência
nas escolas. Agora, são frequentes. Há interferências externas. É o caso de Sobral.
Quando a escola é atraente para os alunos, as atenções se voltam
para a convivência com colegas e Professores e, naturalmente para o aprendizado
participativo. Uma Escola sempre pode ser melhor. Basta que se avalie com frequência.
Vivemos excelentes experiências que estão em nosso livro
PROFESSOR COM PRAZER. O título já diz bem da metodologia adotada. Foram todas
experiênias de sucesso, com foco na participação e na aprendizagem.
MEMÓRIAS DO EXÍLIO E DO RETORNO
EM UMA SÓ CANOA, EM
MUITOS PORTOS.
- Um médico fumando; isto é uma incoerência. Largue isso.
Ao ouvir um dia essa frase de um
amigo, tomei uma decisão. Para não ser incoerente, resolvi largar a medicina.
Isto era uma brincadeira que eu
contava. quando alguém assistindo alguma das palestras que eu proferia Brasil
afora, manifestava curiosidade em saber por que um médico se metera em assuntos
como desenvolvimento sustentável, novas formas de gestão e de governança de
organizações. Eu contava aquela história absurda, evidentemente, brincando,
pois a rigor, médicos não costumam deixar de todo a medicina, sobretudo aqueles
que tiveram uma formação humanista. Neste sentido, nós médicos, temos algo de
parecido com padres, que usualmente mantêm o substrato de suas vocações, mesmo
depois de deixarem as batinas. E assim é comigo ainda hoje, que continuo
respondendo sim, àqueles comissários de bordo quando perguntam se tem algum
médico no voo para atender a uma emergência de saúde, embora o faça sempre
torcendo para que não se trate de um parto ou de uma parada cardíaca. Meus
temores sobre ter que lidar com uma destas situações tem razões muito pessoais.
Quanto a um hipotético parto, por nunca ter feito nenhum, mesmo tendo sido
aluno de obstetrícia em três países, o que requer uma historieta específica
para esclarecer; quanto à parada cardíaca, pelo fato de já ter morrido e saber
da complexidade dos procedimentos requeridos, como narrei na historieta DE
VOLTA À VIDA.
Por outro lado, fumar é uma praga
para a saúde, que sempre precisa ser largada por quem foi alcançado por ela.
Isto não vale, no entanto, para meus charutos, que só entraram em minha vida
quando eu já tinha sessenta anos, depois de ler um artigo científico
demonstrando que, por não se tragá-los, o maior problema que poderiam causar
seria um câncer na região oral, após quarenta anos de intenso uso. Naquela
ocasião, fiz umas contas e constatei que, como charuteiro moderado, o pior que
poderia me acontecer seria um câncer aos 100 anos, idade em que já teria
morrido ou já estaria num momento adequado para morrer.
Brincadeiras à parte, na historieta
anterior, quando relatei que por um período estive tentando descer um rio em
duas canoas. com um pé em cada uma delas, tive consciência de que aquilo não
poderia durar e prometi contar como foi o desembarque de uma. É o que farei
agora, procurando explicar o que aconteceu à medida em que eu fui sendo cada
vez mais demandado por atividades relacionadas à psicologia organizacional. O
fato é que, quando aquelas demandas começaram a ocorrer em outros estados da
federação, criando dificuldades para o exercício da atividade psicoterápica,
que é muito rigorosa em constância e pontualidade, configurou-se um impasse e
tive que fazer uma escolha.
Então, decidi deixar a atividade de
psicoterapeuta. E aquilo foi algo que senti muito e ainda sinto na forma de
saudade, porque aquele período foi muito rico para mim do ponto de vista
profissional e pessoal. A dedicação à terapia individual e a pequenos grupos
terapêuticos, possibilitava-me o aprofundamento em vivências relativas ao âmago
do ser humano, oportunizava-me lidar com dificuldades inerentes à sua
existência, criando condições para que pessoas fizessem, suas descobertas e
tomassem iniciativas sobre um melhor curso para suas vidas e, em consequência,
ensejando também aprendizagens sobre meu modo de ser e de me comportar. Usando
uma metáfora, eu sentia-me como se estivesse escavando um poço profundo, o que
me dava muita satisfação, mas, ao mesmo tempo, a percepção de que só conseguia
alcançar poucas pessoas. Minhas preocupações sociais atiçavam meu espírito,
possivelmente por motivações mais remotas, tornando a escavação do “poço
profundo” insuficiente para satisfazer todos meus anseios.
O que eu estava querendo mesmo era
fazer “irrigação por aspersão”. Queria ampliar meu leque de ação, levar
questionamentos a mais gente, provocar reflexões sobre conservação e mudança na
sociedade, instigar discussões sobre o poder e suas aplicações em estruturas
sociais, investigar novos conceitos e técnicas sobre gestão e governança de
organizações, estimular estudos sobre
métodos inovadores de produção e distribuição de riquezas, enfim, buscar
novas formas de melhorar as condições de vida para todos. Meu fundamento era e
é a convicção de que os constructos sociais são obras humanas - sem
desconsiderar aquelas mais rudimentares criadas por outros animais. Levando isso em conta, sentia a
necessidade de compreender a psicologia dos seres da nossa espécie em suas
relações com as obras criadas. Na verdade, a procura daquelas alternativas,
pelo menos inconscientemente, já deviam estar presentes quando eu decidira
fazer uma segunda especialização, iniciando a formação em Psicologia
Organizacional.
Àquela época, estava também claro
para mim que alguns dos meus desejos precisavam ser tratados mais na esfera da
política do que no âmbito da técnica, dizendo respeito mais ao cidadão do que
ao profissional. Eu sabia distinguir isso e, em paralelo, estava buscando
caminhos para o exercício da cidadania, depois que comprovara que a via
eleitoral não atendia minhas aspirações. A experiência da candidatura a
deputado estadual mostrara-me a vulnerabilidade social e política das
populações mais pobres e eu adquirira a convicção que sem uma sociedade forte
não teria como haver uma democracia estável, nem boa qualidade de vida para
todos.
Preparei um plano para encerrar
progressivamente as atividades de psicoterapia. A primeira medida foi recusar
novos clientes. A segunda, fazer uma programação para o desligamento gradual
dos que se encontravam em terapia, em conformidade com cada caso; alguns
seguindo o processo natural que resultava em altas, outros por encaminhamento a
colegas, quando havia consenso para isso.
Minhas atividades como consultor de
organizações haviam sido iniciadas no próprio Centro de Vivências, onde
criáramos um setor de Psicologia Organizacional. Sob orientação do César Wagner
(que a Mariana chama de segundo pai), organizamos uma equipe de consultores que
tinham sido formados no curso dado por ele; esta equipe passou a atuar em
organizações públicas, em empresas e em organizações não governamentais de
Fortaleza.
As atividades que comecei a
desenvolver no plano nacional como consultor de organizações e como
palestrante, assim como a militância que passei a ter em movimentos de
cidadania, ficam para historietas futuras.
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