segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

IDEIAS & NOTICIAS

 

SÍNDROME DE DOWN:                                                                               SEMEANDO AFETO E COLHENDO VITÓRIAS!

Quando li este texto do George, grande amigo que conheço desde seu nascimento, em São Luís, senti uma emoção extraordinária. Seus pais, nossos amigos e compadres Lucimar e Osmar. O  George, como o pai, tornou-se médico. Agora é um pai contando a  história de Davi Hermes, seu filho. A vontade que eu tive logo foi de compartilhar com todo mundo. Literalmente, todo mundo. O  mundo todo. É a narração de uma série de vitórias resultantes de uma vida familiar de cuidados, carinho e afeto.

Quando menino, vi que crianças com Síndrome de Down, cujo  nome  eu não sabia, eram tratadas apenas como uma doentinha. Na contabilidade familiar havia quem dissesse: “São três meninos, duas meninas e um doentinho”. Havia até quem cuidasse da criança dentro  de um cercadinho para não atrapalhar o movimento  da casa que também era um restaurante.

Este texto do George vai na contramão de muitas histórias. Por isto senti a vontade de torna-lo conhecido pelo mundo. Leia essa história emocionante!  (Leunam Gomes, de Fortaleza) 

"Há 19 anos, um bebezinho chegou para inundar nossos corações de amor; nosso primeiro filho. Tal emoção só foi comparada com a do nascimento do irmão, 5 anos após. Nosso rapazinho, Davi Hermes, nosso pequeno guerreiro, de surpresa nos apresentou à trissomia do 21, a qual não tínhamos vivência nenhuma familiar ou de amigos, mas que só nos preencheu com uma única determinação: criá-lo de forma que ele se sentisse feliz e pleno, tendo consciência de sua condição genética, porém sem auto piedade e com coragem de enfrentar os desafios que a vida lhe traria.

Durante os anos da infância, comemoração de cada etapa: o levantar da cabeça, o girar o corpo, o sentar, o engatinhar, o levantar-se, o andar... todas regadas por muito amor e lágrimas minhas e de minha amada Kledma; mãe, sem palavras para descrever o tão guerreira e determinada pela felicidade dos filhos. O início da escola, a alfabetização, o convívio fora de casa, seus primeiros aprendizados, suas apresentações nas datas festivas... Passa um filme na memória, com uma dorzinha de saudade da fase infantil de nosso menininho...

A chegada do irmão foi marcante da vida do Davi. Curtiu o crescimento da barriga da mãe, com muito amor e expectativa. Teria um irmão, o Lucas Hermes! Nunca se sentiu enciumado, teria o seu parceiro. Cresceram juntos, com muito amor e confusão, enfim, como irmãos que se complementam.

Desde cedo, Davi foi iniciado na prática esportiva com a natação para bebês. Esporte da família, também comemoramos os primeiros mergulhos, as braçadas iniciais, as primeiras voltas na piscina ainda na largura... os primeiros torneios escolares, nem se fala! Comecei a me perguntar então; haveria torneios específicos para as pessoas com Síndrome de Down?

Chegada da adolescência. Davi se percebendo diferente e não aceitando o afastamento da maioria dos colegas com quem convivia desde a infância. Cessaram os convites para festas…Doía calado em mim e na mãe este isolamento. Mesmo tendo a parceria da escola com palestras sobre inclusão, não conseguíamos avançar nesta integração. Em paralelo, crescia a complexidade das informações escolares. No ensino médio, finalmente surgiram poucas, porém puras e sinceras amizades.

Na adolescência, a natação cresceu em importância e seriedade em sua vida. Comprometimento, dedicação, esforço, disciplina nas rotinas da vida de atleta: treinos, dieta, sono... Jogos escolares estaduais e nacionais e as competições regionais e nacionais da classe especifica. O ápice desta fase de vida foi, incontestavelmente, as conquistas no Mundial do Canadá, em 2018, com duas medalhas de ouro e uma de bronze.

   

Com a maioridade, em 2022, concluiu a fase escolar. Manifestou o desejo de estudar Educação Física. Meu Deus, e agora? Tao poucos no Brasil conseguiram atingir o ensino universitário; aqui apenas um rapaz concluiu seu curso. Como seria tudo? Como ele se relacionaria num ambiente mais aberto que uma escola? Haveria adaptação / inclusão? Apesar de todas essas dúvidas preenchendo nossas mentes e corações, apoiamos sua decisão. 
Davi foi aprovado no vestibular de uma universidade de São Luís (UNICEUMA) e no ENEM para um centro universitário de Minas Gerais. Começo de uma nova fase. Já cursou dois períodos, estando apaixonado pelo curso. Já participou de Jogos universitários estadual e nacional, com vitórias. Também nova disputa de mundial, obtendo melhora de suas marcas e dois quartos lugares na categoria sênior. Ainda neste ano, foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Maranhão com a medalha de Honra ao Mérito Legislativo José Ribamar de Oliveira “Canhoteiro”

Início de 2023. Quarta indicação para o Troféu Mirante, sempre cercada de muita expectativa. Davi está novamente entre atletas de altíssimo nível, já fazendo parte deste seleto grupo de super-heróis do esporte. Ele curte se encontrar nestes eventos com estrelas que se tornaram amigos, como exemplo, Kadu Pakinha, Ribamar Galvão e Bruno Lobo. Ontem, ele se sentiu em êxtase ao subir ao palco do Teatro Arthur Azevedo para receber seu troféu.

                                                                                      
Sentado estava eu, à distância, observando meu menininho que peguei em meus braços naquele 15 de maio de 2003, tão frágil e dependente, sendo aclamado como um dos super-heróis do esporte maranhense! Cheio de vigor, saudável, sociável e independente, enfim, um homem feliz e orgulhoso de seus feitos! O que virá pela frente, que seja feita a vontade de Deus. Mas saiba, meu filho, que sua família sempre estará ao seu lado e pronta para novos sorrisos e lágrimas em seus futuros desafios no esporte e na vida". 

George Oliveira (pai)

São Luís, Ma. 26/01/2023
















sábado, 28 de janeiro de 2023

IDEIAS & NOTÍCIAS

 

            OS SETE PILARES                           DA   ADVOCACIA CRIMINAL  

Alan Paiva (*)

Quando iniciei na advocacia criminal, compreendi que para exercer com dignidade e competência a profissão seria preciso adotar alguns princípios que hoje andam esquecidos, mas que no fim das contas mostram o tipo de profissional que você irá se tornar. Talvez isso tenha alguma utilidade para os jovens que sonham enveredar por esse caminho difícil e desafiador. Os princípios a que me refiro são os seguintes:

     AMOR À PROFISSÃO: Sem amor o advogado não poderá jamais enfrentar as dificuldades de toda sorte que encontrará pelo caminho e que começam com as dificuldades para montar um escritório, fazer seu nome, defender as primeiras causas. É o amor e não o dinheiro que fará com que ele não desista do sonho de ser advogado criminal.

     CONHECIMENTO: O advogado não deve deixar de aprender sempre e os livros são instrumentos importantes para se adquirir conhecimento. Hoje existe a internet, mas é importante não confundir informação com verdadeiro conhecimento. Por isso, estude sempre. O advogado uruguaio Eduardo Couture, no seu livro Os Mandamentos do Advogado, deu o seguinte conselho: “O direito está em constante transformação. Se não o acompanhas serás cada dia menos advogado”.

     EFICIÊNCIA: Nessa atividade profissional, não basta conhecimento ou títulos acadêmicos. É preciso ter disposição e ser eficiente na defesa do seu constituinte. Só assim será possível assegurar-lhe uma defesa efetiva e não meramente formal em um processo criminal. Segundo o Dicionário Houaiss, eficiência significa a “capacidade de atingir o efeito esperado, da forma desejada”. E o efeito esperado pelo advogado é sempre o melhor resultado para o acusado, seja a absolvição, seja uma pena menor do que aquela postulada pela acusação.

     COMPAIXÃO: Sentir o sofrimento do próximo, sobretudo do homem que lhe confiou a defesa da sua honra, da sua liberdade e da sua própria vida, é fundamental. O advogado não deve sentir-se superior ao ser humano que pede seu auxílio profissional nem julgá-lo pelo crime que cometeu, pois se assim fizer já não será digno do nome de criminalista. O italiano Francesco Carnelutti, num pequeno livro intitulado As Misérias do Processo Penal, deixou estas palavras comoventes: “O homem delinquente nada mais é que o ser humano como eu, com o seu mal e o seu bem, com as suas sombras e as suas luzes, com a sua incomparável riqueza e a sua miséria espantosa”.

     CORAGEM: Nessa profissão, você irá encontrar policiais e funcionários truculentos, juízes autoritários, promotores de justiça que, às vezes, atuam como fanáticos da repressão penal (felizmente são a minoria). É preciso coragem para enfrentar o sistema, fazer valer os direitos fundamentais da pessoa humana e defender as prerrogativas profissionais. Por isso que Sobral Pinto disse, do alto da sua sabedoria e competência, que “a advocacia não é profissão para covardes”.

     ENTUSIASMO: Essa palavra, cujo significado etimológico é estar cheio de Deus, é essencial para a atuação de qualquer advogado criminal, sobretudo dos mais jovens que devem atuar de maneira incansável na defesa do seu constituinte, usando todos os recursos e argumentos para obter a vitória ou, caso não seja possível, o melhor resultado num processo criminal. O profissional que está cheio de Deus não esmorece na sua missão de defender aquele que também é filho de Deus.

     ÉTICA: Um advogado deve agir com ética esteja ou não no exercício profissional. Disso depende o seu bom nome e aquilo que chamam de sucesso. Sem ética ele não irá muito longe na profissão e logo cairá no esquecimento ou na língua dos detratores de plantão que jamais esquecem. Ele deve, portanto, conjugar uma boa atuação técnica com uma imprescindível atuação ética a fim de ganhar o respeito como profissional competente e probo.

      Talvez esses princípios possam servir de orientação para aqueles que estão iniciando na advocacia criminal e vez por outra se questionam sobre como podem ter sucesso na profissão. Na minha opinião, sucesso nada mais é que o resultado de uma boa atuação profissional, o que envolve estudo, dedicação, competência e princípios que não podem ser deixados de lado em momento algum.

      Confesso que, após vinte e um anos de ininterrupto exercício profissional, durante os quais procurei sempre seguir esses princípios, sinto hoje o mesmo amor e entusiasmo que senti ao vestir a beca pela primeira vez. E posso assegurar que o advogado francês Henri Robert, na sua obra célebre O Advogado, tinha razão ao dizer que “não existe profissão mais bela nem mais apaixonante”.

*Alan Paiva é advogado criminal, em São Luís/MA e escritor. Filho do Radialista sobralense ALOISIO PAIVA e neto do Mestre João Paiva, construtor das grandes obras de Sobral, idealizadas por Dom José.




COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

Os pregadores se esquecem de que Comunicar é tornar comum.

EDIÇÃO DE 28 DE JANEIRO

Em  dezembro, ministrei a disciplina Filosofia da Educação para alunos de uma turma de Juá, Irauçuba. Deixei uma tarefa de pesquisa junto aos Professores locais.

 As mesmas questões debatidas pelos alunos, na sala de aula, cada um tinha a tarefa de ouvir três professores da comunidade. Tivemos ótimas surpresas, com as respostas.

 Estou organizando as respostas para encaminha-las à Secretaria de Educação do Município, por meio do IETOS que promove o Curso.  As respostas poderão ser úteis, num debate num reinicio de ano letivo.

 Vale a pena ler o Comentário da Semana do Mons. Assis Rocha, aqui no Blog, logo abaixo desta coluna. Verdadeira aula sobre a necessidade de atualização da Igreja.

 Há grupos, dentro da Igreja Católica, que são extremamente conservadores. Não se atualizam e preferem manter o velho estilo de pregação que pouco transmite.

 Outros há que aproveitam os momentos dos sermões para verdadeiro exibicionismo em gestos, em expressões e no próprio vocabulário.

 Há pregadores que, de fato, demonstram não se prepararem para transmitir a palavra de Deus. O próprio Evangelho é exemplo da linguagem simples.

 Tenho defendido que todos os dias os alunos devem retornar para casa levando novos conteúdos aprendidos. O mesmo eu penso em relação às pregações.

 Se perguntarmos aos fiéis qual foi o tema da pregação do dia, quase ninguém responderá. Os pregadores se esquecem de que Comunicar é tornar comum.

 Em outras palavras: aquilo que ele prega deve ser entendido pelos ouvintes, do mesmo jeito que o pregador entende. Para isto é necessário preparação, estudo, planejamento.

Mons. Assis Rocha

Se os Pregadores, Sacerdotes ou não, lessem os artigos do Mons. Assis Rocha, certamente fariam ótimos sermões. Todos os sábados ele está aqui, com sua mensagem.

 Interessante como os terroristas que foram às ruas  em combate à corrupção estão compostos de pessoas com problemas com a justiça por drogas, roubos, agressões.

 São as tais “pessoas do bem”. Muitos estão com débitos junto à Receita Federal. E o pior de tudo: o ódio às pessoas e instituições. Muitos, agredindo, com um terço na mão.

 As imagens que surgem a cada dia, revelam a violência dos terroristas, enrolados com a Bandeira do Brasil, agredindo e falando de amor à pátria.  

 No próximo dia 5, a partir das 13 horas, a TV H BR – Tv do Habilidoso, inaugurará um novo estúdio. Recebi o convite de Luiz Regadas, seu criador.

 Trata-se de um canal que se vem firmando cada dia pela qualidade dos temas abordados em seus programas e pela quantidade  dos ouvintes. Parabéns! Veja no Youtube.

 A  boa informação nunca se fez tão necessária. Neste tempo de tantas mentiras divulgadas, semeando ódio, é preciso combater com a verdade libertadora: TV H BR!

 O Ministro Camilo Santana já se reuniu com representantes dos Estudantes brasileiros - UNE. É um novo tempo que se começa a viver. O diálogo em lugar de “fake news”.

 Um bispo cearense, saído do Seminário de Sobral, tinha uma proposta pronta, no Concilio, para ordenar padres casados. Colegas sugeriram não ser oportuno. Ele propôs os diáconos casados. Deu certo.

 Era Dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho, de Afogados da Ingazeira, no agreste de Pernambuco. Nascido em Reriutaba, Ceará. Nosso Reitor no Seminário.

 Inúmeras Dioceses já contam com a colaboração extraordinária de Diáconos casados, menos a diocese de Sobral, de onde saiu Dom Francisco.

 Depois de alguns anos, retorna ao Ceará o primo Antônio Mozar, em companhia da esposa Nila. O casal reside em Dourados, MS. Já foi rever os familiares em Guaraciaba do Norte.

 Classificação que faz vergonha: O Ceará é o segundo estado com mais assassinatos de travestis e transexuais. Será inveja dos que são capazes de assumir?









O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O SEMINÁRIO DE OLINDA:

NOVA MANEIRA DE ESTUDAR, PARA ENSINAR, A NOVA MANEIRA DE PENSAR

Arrisco-me a dar um palpite sobre tema, meio controverso, embora de excelente oportunidade: hoje se celebra, liturgicamente, Santo Tomás de Aquino, grande teólogo, defensor da verdade, baseada na Palavra de Deus, que ilustrava sua fé. Era, extremamente, inteligente e, ao mesmo tempo, simples e piedoso. Para ele, toda verdade vem de Deus e não duvidava de quem lhe falasse com seriedade. Compreendeu que o estudo e a ciência eram instrumentos de amor e de santificação. Foi um modelo admirável pela procura da santidade e do amor à Ciência Sagrada.

             Nasceu no Castelo de seus pais, Landulfo e Teodora, no século XIII, por volta de 1225, no Condado de Aquino, Reino da Sicília, na Itália, hoje Região do Lazio. Seu pai era Cavaleiro das hostes militares, mas sua mãe era do ramo Rossi Caracciolo, de nobre família napolitana.

 Sinibaldo, irmão de Landulfo, era abade do mosteiro beneditino de Monte Cassino e inspiração para o sobrinho seguir uma carreira religiosa que tanto honraria a nobre família do sul da Itália. Logo cedo, com apenas 05 anos, Tomás foi encaminhado para lá, mas não durou muito, pois surgiu um conflito entre o Imperador Frederico II e o papa Gregório IX que atropelou o Mosteiro e sua vida monástica, indo Tomás, agora com 14 anos, para a Universidade, em Nápoles, criada pelo próprio Frederico II. Ali ele foi introduzido em estudos sobre Aristóteles, Averróis, Maimônides e outros importantes influenciadores para sua filosofia teológica. Entre estes, recebeu grande influência de João de São Justino, um pregador da ordem de São Domingos, que mexeu com a cabeça do jovem Tomás. Estava com 19 anos e se sentiu atraído para mudar de ordem religiosa: deixou a congregação beneditina e abraçou a ordem dos Padres Dominicanos. Estes o enviaram logo pra Roma e de lá para Paris.

 Sua vida foi muito curta para a obra que ele fez. Morreu aos 07 de março de 1274. Em tão pouco tempo deixou obras clássicas na filosofia e na teologia, sobretudo na tradição conhecida como Escolástica, que o fez ser chamado de “Doctor Angelicus”, “Doctor Communis”, e “Doctor Universalis”, tornando-o o mais importante proponente clássico da Teologia Natural. Sua influência no pensamento ocidental é considerável e muito da filosofia moderna foi concebida como desenvolvimento ou oposição de suas ideias, particularmente, na ética, lei natural, metafísica e teoria política.

As obras mais conhecidas de São Tomás de Aquino, escritas em latim são a “Summa Theologiae e a “Summa contra gentiles”. Todos os sacerdotes, anteriormente, estudavam estas obras e as conheciam como ensinamento oficial da Igreja. Também seus comentários sobre as Sagradas Escrituras e sobre Aristóteles são parte importante de seu acervo literário que qualquer aluno do Seminário que estudasse para obter as ordens sagradas, tinha que, obrigatoriamente, ter conhecimento e prestar exames sobre elas.

 Por tantos motivos, a Ordem Dominicana mantém uma Universidade em Roma, denominada ANGELICUM, em honra de São Tomás, o “Doctor Angelicus”, onde eu estudei e me formei em Sociologia e em Comunicação Social e outros colegas fizeram e fazem Filosofia, Teologia, História, Direito Canônico e outras matérias eclesiásticas, prestando um grande serviço à Igreja de todo o mundo. Não me arrependo de ter passado por lá, e de ter, ao estudar Sociologia, refletido e aprofundado com colegas latino-americanos, africanos e asiáticos, outra face da filosofia e da Teologia da Libertação, iniciada em Olinda com base nos profetas e reafirmada e legada por Jesus, o Filho de Deus.

 Esta fundamentação da Teologia de São Tomás é a única maneira oficial aceita e ensinada pela Igreja, tanto que justificou a sua canonização para ser cultuado nos altares aos 28/01/1323. Se alguém se destina ao triplo degrau do sacerdócio – diaconato, presbiterato e episcopado - terá que pautar os seus estudos, obrigatoriamente, dentro dos esquemas filosófico e teológico de Santo Tomás. Ele é o modelo de Doutor da Igreja, declarado por Pio V, em 1568 e por Bento XV (1914-1922) como “mestre e patrono das Escolas Católicas”.

 No início eu disse que este tema é “controverso”. Tentarei explicar. Até o início da década de 1960, a Teologia ensinada, divulgada e orientadora do pensamento oficial da Igreja em todo o Mundo, era o da Teologia de Santo Tomás de Aquino, a chamada Teologia Tomista ou Escolástica como falamos.

 Com a realização do Concílio Ecumênico, a partir dos anos 60, o modo de ensinar Teologia - seus esquemas de estudo e aprendizagem - começou a variar daquele tradicional. Passou-se a enfocar melhor na Palavra de Deus que, desde o Antigo Testamento, abordava o tema da libertação, continuado por Jesus ao assumir nossa condição humana.

 Ele mesmo, em Lucas, 4:18, cita Isaias, 6:1-2: “o Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar a boa-nova aos pobres. Ele me enviou para proclamar a liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos”. E acrescentou Jesus: “hoje mesmo se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que acabais de ouvir”.

 No livro dos Salmos, 34:17, lemos: “os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações”. No mesmo livro, já no Salmo 119:45, diz: “andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os teus preceitos”.

 Só mais um pouco de Salmos: 18:19, “Ele me deu total libertação, livrou-me porque me quer bem”. Ou no 144:11: “dá-me libertação; salva-me das mãos dos estrangeiros, que têm lábios mentirosos e que, com a mão direita erguida, juram falsamente”. Está pouco ou precisa mais? Há inúmeros ainda. Vamos mais este, tirado de 2º Samuel, 22:20: “deu-me ampla liberdade; livrou-me, pois me quer bem”. E mais um, do 1º livro da Bíblia, Gênesis, 49:18: “ò Sr.! Eu espero a tua libertação”. No Novo Testamento, igualmente, muitas citações.

 Durante a realização do Concílio Ecumênico, no Vaticano, eu estudava Filosofia e Teologia no Seminário Regional do Nordeste, em Olinda. Também  o Leunam estudava lá. Recebíamos dos seus competentes Professores, a documentação, orientação e reflexão que os Padres Conciliares iam fazendo no Concílio e nos iam enviando, através de nossos bispos e de seus peritos, tudo o que deveria ser repassado aos alunos do Seminário de Olinda, como ensinamento, “quentinho”, chegado de Roma. Todas as disciplinas tinham por base, a nova maneira de estudar, para ensinar, a nova maneira de pensar. 

 Por toda a América Latina surgiam pensadores, peritos do Concílio e Teólogos que começaram a honrar o grupo dos teólogos com a maneira nova de pensar Teologia, à luz do Concílio Ecumênico e a alimentar os esquemas homiléticos de muitos pregadores. Aqui é que surgiram as “controvérsias” a que me referi, por todo o mundo, entre os que se mantinham pregando à moda tradicional, de um Deus distante, como a Teologia Escolástica, e os voltados para a Libertação, tão propagada pela Bíblia, no Antigo e Novo Testamentos, que o enfoque teológico libertador assumiu, com coragem, sua divulgação.

 Disto, todos nós somos testemunhas. Políticos conservadores, católicos tradicionalistas, defensores da liturgia celebrada em latim e toda manobra para desfazer “o novo” e sobressair “o passado” tem tomado vulto na sociedade.












segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

IDEIAS & NOTÍCIAS

 

A INCONFIDÊNCIA  E           OS JESUÍTAS

EUDES DE SOUSA

A  história da Inconfidência Mineira é rica, deveria ser mais aprofundada e difundida pela sua raiz, no período que sucedeu  o movimento, da luta contra a submissão do pensamento religioso ao poder político. Os Jesuítas proclamavam os princípios libertários, começaram defendendo a igualdade jurídica dos Estados. Por isso, deveríamos partir dela e, cada vez mais, compreender a História do Brasil.

Os jesuítas começaram defendendo a igualdade jurídica dos Estados, e, indo bastante longe para o tempo. Pela palavra do  padre João Mariana, os Jesuítas sustentavam que a origem do Estado estava no consentimento dos governantes, e que os poderes eram limitados. O jesuíta francês Roberto Bellarmin, mais tarde Cardial, chegou esboçar o que seria uma democracia moderna. Bellarmin declarava que o melhor regime seria a monarquia se a natureza humana não fosse corruptível. Como se sabe que o é, necessário se tornava que o poder temporal fosse limitado por meio de órgãos representativos da vontade geral.

Abalando a concepção absolutista da origem divina do poder, Bellarmin declarava o povo como detentor da autoridade delegada ao monarca para que este promovesse o bem comum.

Outro Jesuíta, Francisco Suarez, professor da Universidade de Coimbra, caminhando no rastro dos demais, impugnava o poder absoluto, afirmando do que o poder pertencia ao povo, que o transferia aos governantes, sentido lícito retirá-lo se estes, advertidos pelos órgãos representativos da vontade dos governados, se obstinassem em sua má conduta.

Como se sabe, no Brasil colônia, era proibido a divulgação dessa efervescência do pensamento filosófico europeu. Em Vila Rica, nas Minas Gerais, florescera uma aristocracia intelectual, fruto de enriquecimento de uma sociedade que prosperara com o ouro. Este período apresentou impressionante produção na arquitetura, pintura, escultura, música e literatura. E, é claro, o acesso à literatura proibida se produziu, seja porque os jovens ricos iam estudar em Coimbra onde os temas eram discutidos  sobre liberdade, seja porque os padres adquiriam na Europa estas obras filosóficas, que importavam clandestinamente, e divulgavam nas suas igrejas, que, na época, também eram educandários.

 O cônego Luiz Vieira da Silva, nascido em Congonhas do Campo, é um dos muitos exemplos que se pode pegar ao caso: em sua biblioteca, depois confiscada pelo juiz da Devassa em Minas Gerais, lá estava Charles Montesquieu com suas obras capitais: O Espírito das Leis, onde Montesquieu discorre sobre diversos tipos de governos, começando pelo Governo Republicano, onde o povo no seu todo, ou certas famílias temo poder soberano. Lá também se encontrou obra, em dois tomos, do alemão Bierfiel, que privara da amizade de Frederico, o Grande, rei da Prússia. Não nos esquecemos de que o rei Frederico foi o autor de “Ensaio Sobre Formas de Governo e Deveres dos Soberanos”, onde defendia a doutrina de que os reis governam mediante o consentimento dos governados, e refutava a teoria de que o território dos Estados era propriedade dos soberanos, e afirmava que o monarca nada mais é do que o principal servidor de seus súditos. Na mesma biblioteca do curioso cônego, encontrava-se a Enciclopédia, de Denis Diderot, um dos simbolismo do iluminismo, que preparou ideologicamente a Revolução Francesa e, como não podia deixa de ser, a produção poética dos árcades. Desta última obra, numerosos exemplares, circulavam clandestinamente, um dos quais foi adquirido pelo Alferes Joaquim José da Silva Xavier.

O que passou à História com o nome de Inconfidência Mineira foi um movimento, mais de intenções frustradas do que de efetiva ação revolucionária. Os inconfidentes representavam a nata da próspera e culta sociedade das Minas Gerais. Para citar somente alguns: Tomás Antônio Gonzaga, desembargador, um dos maiores poetas da língua portuguesa; padre José da Silva Rolim, homem famoso por sua vasta cultura, e originário de família abastada; o tenente coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, sobrinho de Gomes Freire, cujo pai fora governador das Minas Gerais; Domingos Vidal de Barbosa, que estudou nas Universidades de Monttpellier e Bordeaux; Claudio Manoel da Costa, um dos homens mais ricos da Capitania. No meio daqueles aristocratas, a figura do Alferes Joaquim José não era a socialmente mais expressiva.

Os inconfidentes, mais idealistas do que conspiradores, começavam pelo fim: discutia-se como seria o pavilhão do país independente: no início, pensou-se em uma bandeira com o lema Aut libertas, aut nihil. Ou liberdade, ou nada. O lema não agradou, sendo substituído por libertas a quo spiritu, Liberdade do Espírito. encimado por um gênio quebrando grilhões. Finalmente, decidiram-se pelos versos de Virgílio: líbertas quae sera tamen. Liberdade, ainda que tardia. O escudo seria um triângulo. Antes, havia sido proposto um escudo com três triângulos.

Havia consenso quanto à forma de governo. Seria republicana. Quanto à escravidão, houve divergências: como o número de negros na Capitania era superior ao de brancos, haveria o risco de aqueles apoiarem a Coroa, para se tornarem livres como recompensa. Então propôs-se a libertação dos negros. Mas, depois, o inconfidente José Álvares Maciel ponderou que tal medida, tomada abruptamente, desorganizaria a economia, estruturada no alicerce escravocrata.

O grande poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto, sugeriu que, então, se dessa liberdade imediata aos mulatos, conservando-se ainda por um tempo, no cativeiro, os nascidos na África. A Inconfidência abortou antes de ser esta pendência solucionada. Para os africanos, o libertas quae sera tamen teria um leve sabor de ironia.

 Na atual Ouro Preto, Monumento Nacional e Patrimônio da Humanidade, repousam em austero mausoléu os Inconfidentes de Vila Rica. Mas, onde ali está o Tiradentes? Tiradentes não está. Seu corpo, após a execução, foi esquartejado. O mártir da Inconfidência não teria um funeral cristão. Seus despojos, portanto, não estão em Ouro Preto. Seu túmulo foi a terra do Brasil, que ele, com seu espírito, e até com seu sangue e sua carne, fertilizou.

Precisamos sim, de aprofundar, passagens frustrantes, eventos verdadeiramente heroicos, que muitos historiadores e intérpretes do episódio histórico são forçados a cobrir os claros da informação através da fantasia ou dos caminhos  induzidos pela natureza dos fatos. Nessa atividade, o fator pessoal, movido por sensibilização política ou ideológica, haverá de pesar na configuração do seu discurso  narrativo.

EUDES SOUSA - Jornalista, crítico literário, historiador, membro do Instituto Histórico Geográfico do Maranhão, ex-presidente do II Congresso Nacional de Escritores e presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes








sábado, 21 de janeiro de 2023

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

FREI TITO – UM MÁRTIR CEARENSE, PODERÁ CHEGAR AOS ALTARES!

É preciso começar a pensar na beatificação  do cearense Frei Tito, um verdadeiro mártir, vítima das torturas da ditadura. Provas de seu martírio não faltarão.

 Quem  já viu o filme Batismo de Sangue, sobre Frei Tito, pode avaliar o quanto aquele defensor da liberdade sofreu nas mãos dos torturadores.

Ao visita-lo, na França, o então Padre Assis Rocha, hoje Monsenhor, o viu trepado numa árvore, como se estivesse escondendo, e sempre citando o nome do seu torturador Fleury.

O autor do livro PONTO DE MUTAÇÃO, Frijot Capra, afirma que, estamos vivendo o momento de maior transformação da humanidade. E apresenta três características:

 a: Fim dos combustíveis fósseis; b – Fim do patriarcado e c- Total mudança de paradigmas. É facílimo comprovar.

 No que se refere às mudanças de paradigmas, podemos observar que muitas de nossas crenças do passado estão mudando.

 Muitas de nossas crenças tradicionais foram modificadas. No passado, todas as famílias queriam ter um filho Padre, ou militar, ou bancário. Isto mudou? E não faz muito tempo.

 Chegou a ser emocionante o encontro do Presidente Lula com os Reitores das Universidades. Há muito tempo que isto não acontecia.

 O Ministro Camilo Santana já anunciou um novo piso salarial dos Professores. Agora é rever o que tem sido feito e mãos a obra. A escola não é para aprovar ou reprovar. É para o aluno aprender.

 Todos os dias os alunos, de todos os graus de ensino, devem voltar para casa tendo aprendido algo novo que lhe sirva para a vida. Este é um cuidado diário dos Professores.

 Não se mobilizam milhares de pessoas de uma hora para outra. É preciso um planejamento. O dia 8 de janeiro foi resultado de organização. Quem a conduziu?

 Foi um nível de violência tão alto que se os terroristas tivessem encontrado alguém pelo caminho a situação teria sido muito grave. O ódio acumulado se manifestou. 

Em Bela Cruz, na Fazenda Santa Maria, o Mons. Assis Rocha e muitos familiares, amigos e vizinhos celebraram, no domingo, os 15 anos de João Murilo, seu neto adotivo.

 Houve uma Missa de Ação de Graças e um grande almoço de confraternização. Quase 90 pessoas participaram. João Murilo, campeão de Karatê, fez, com um amigo, uma exibição para os presentes.

 O Ceará, mais uma vez está representado na Comissão Federal de Anistia. O Ministro Silvio Almeida, inteligentemente, reconduziu os componentes da gestão democrática.

Mario Miranda de Albuquerque voltará ao posto que ocupou com muita competência e responsabilidade naquela Comissão.

 Anteriormente, Mário foi Presidente da Comissão Especial Wanda Sidou a quem tenho a honra de substituí-lo, numa tarefa de grande responsabilidade.

 A propósito, nesta segunda feira, participarei de uma entrevista, às nove da manhã, na Rádio Universitária,  Também presente a Professora Lúcia Alencar, da Comissão da Verdade.

 O convite é do comunicador Márcio Rodrigues que apresenta o Programa O Mundo do Trabalho. Poderá ser visto em https://streamyard.com/jkz4tahzed

 Fico triste quando ouço pessoas graduadas dizendo: “Meu Óculos!”,  “Esqueci  meu óculos”. A palavras óculos está sempre no plural, portanto é preciso ter concordância.

 Basta consultar  o Google, ao alcance das mãos, e evitar o grave erro.  Sempre devemos dizer: Meus óculos. Afinal de contas, são duas lentes.

 Melhorando sempre a TV H Br – o Canal mais Habilidoso do Brasil. Luiz Regadas está sempre aperfeiçoando as condições técnicas para ampliar a audiência. Parabéns.



 


O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

 

LEMBRANÇAS DO PASSADO E COMEMORAÇÕES NO PRESENTE

Sempre que tenho motivos de mais alegria por celebrar acontecimentos ou festividades mais intensos em minha vida, eu os comento aqui, para que mais gente se una a mim e se solidarize comigo em ocasiões tão especiais.

 Foi o que se deu nos dois últimos finais de semana: no dia 07, comentando o que iria realizar-se no aprazível e acolhedor Centro de Vivencias Raio de Sol na praia de Quixaba, Município de Aracati, entre Canoa Quebrada e Majorlândia; e no dia 14, véspera da comemoração dos 15 anos de “meu neto” João Murilo, na Fazenda Santa Maria, no Município de Bela Cruz.

Quanto ao Encontro da semana anterior, a Coluna Primeiro Plano, que tem a assinatura do Professor Leunam Gomes, o intitula como “um reencontro histórico que, cerca de 50 anos depois, reuniu amigos que se conheceram no exílio, na Europa, foragidos pela ditadura militar, embora acolhidos pela Anistia Internacional ou por voluntários que se dispuseram em atendê-los”.

À época, eu estava lá, com eles, sempre acompanhado de um colega e irmão no sacerdócio, Padre José Maria, que já está com Deus. No Encontro de Quixaba, eu estive presente, fisicamente, embora o Padre Zemaria tivesse sido lembrado, o tempo todo, pela saudade, pelo seu testemunho e pelas inúmeras cartas que ele dirigia aos exilados, de qualquer país onde estivesse.  Todas essas correspondências foram entregues ao Professor Leunam para que ele possa sistematizá-las, organizar seus conteúdos e dar-lhes uma forma literária para uma possível divulgação que historie o exílio de cada um e o alento que tinham através de pessoas ou de instituições solidárias.

Entre estas, estava o casal alemão, Fred e Bárbara que, dentre outros voluntários alemães, moraram no Nordeste Brasileiro ao tempo em que a ditadura acontecia, fazendo-os não só conhecer os horrores do regime militar, como também, ao voltarem, se solidarizarem com os brasileiros que, lá fora, sofriam a solidão e os horrores do exílio e muito fizeram por eles.

Além de lhes prestarem assistência oficial, pela Anistia Internacional, ainda lhes ajudavam, pessoalmente, providenciando soluções práticas para problemas de adaptação, interpretação da língua, diálogo entre órgãos oficiais, enfim, Fred e Bárbara, Gabriela e outros alemães que sabiam bem as duas línguas, ajudaram, fraternalmente, a brasileiros que tinham dificuldades de comunicação ou de adaptação em terras estrangeiras.

Outro assunto que muito nos tocou no Reencontro de Quixaba” foi a recordação do Frei Tito de Alencar e sua morte. Já havíamos feito sua memória, em abril do ano passado, numa “live”, que reuniu o Dr. João de Paula, o Prof. Leunam e Eu, em Diálogos pela Democracia, numa promoção da Comissão Especial pela Anistia: Wanda Sidou. Como eu estava em Roma - à época: 10 de Agosto de 1974 – falei sobre algum detalhe daquele óbito que não fora ainda divulgado. Neste encontro - agora, presencial - falei de novo sobre a morte de Frei Tito, dizendo que ele não “se suicidou” como foi divulgado. Ele “foi suicidado”. Ele foi “levado ao suicídio”.

Será que as torturas, os choques elétricos: na língua (dizendo ser a comunhão), no ânus ou no pênis, ou os ‘telefonemas’ i.é, as palmadas com as duas mãos nos dois ouvidos, até estourarem, ou os tratamentos grosseiros dos “Fleuris”, da Oban, do DOPS ou dos demais torturadores ou formas de torturas não o levaram ao desespero e a sentir que era melhor morrer? Foi consciente o seu “suicídio” ou ele “foi suicidado” ou “levado ao suicídio”?

Darei mais um argumento, com certa tristeza; mas, o farei.

Quando o Frei Tito foi banido do Brasil, em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos, trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, pelo ditador Médici, seguiu para o Chile e depois pra Itália. Em Roma, procurou o Colégio Pio Brasileiro, onde só habitavam brasileiros. Todos falavam português e italiano, onde ele não teria muita dificuldade de comunicação. Mas os padres jesuítas se recusaram em recebê-lo, alegando ser ele, comunista. Dá pra entender? Foi então para um Convento dos Padres Dominicanos, em Lyon, na França. Não sabia francês, não ouvia bem, pelos ouvidos estourados. Como aprender outra língua? Haja sofrimento! Escondia-se de tudo e de todos. Subia nas árvores mais altas e por lá se refugiava.

Submeteu-se a um tratamento psiquiátrico e foi piorando, até o gesto fatal, aos 10 de agosto de 1974. Foi isto um “suicídio” ou desespero? Foi ele o causador de sua morte ou há muitos atores em seu lugar?

E mais ainda: quando chegou a notícia de sua morte em Roma, os mesmos Padres Jesuítas - que dirigiam o Colégio Brasileiro - discordaram da concelebração que os colegas fizemos, alegando ser ele um suicida. Coitado! Outrora, ‘comunista’. Agora, ‘suicida’. Os ‘ditadores’ ficaram isentos. Anistiados.

O que sobrou para o meu neto? O João Murilo teve um fim de semana cheio de alegrias e de comemorações pelos seus 15 anos, com familiares, amigos e caratecas que participaram de uma Santa Missa em Ação de Graças, presidida pelo seu vovô Padre, com mensagens, as mais carinhosas, emoções, lágrimas, muita música e farta alimentação. Uns 90 convidados encheram os alpendres, corredores e áreas de lazer da Casa da Fazenda Santa Maria, herança de seu trisavô, Doca Rocha, sob a coordenação de seus tios bisavós Fábio e Patrícia e o primo Rafael, Pio e Marlene e a prima Maria Eduarda, Zuzuis, Gracinha e Celina, sua madrinha e mãe do coração, Maria Goretti, coordenadora de todo o evento, Professor Rivelino e Jéssica com o primo João Airton, Itamar Júnior e Mayane, Kátia Ratts, mãe do Delano e sogra da Milani (pais de Sofia e Miguel), Zé Estênio e Hedi, os Pais do aniversariante: José Gerardo Júnior e Sâmia Mara, com seus respectivos familiares (pais e irmãos), o Professor Renato Innecco, sócio do tio Fábio, na Fazenda, ambos, engenheiros agrônomos, onde fazem excelente trabalho de pesquisas com plantas medicinais na produção de óleos, perfumes, sabonetes, pomadas, inseticidas e estão transformando o solo e sua produção agrícola.

Alguns proprietários vizinhos, amigos de longa data, também foram convidados e marcaram presença: Vicente Tomé e Dona Maria, Compadre Xico e Comadre Cleonice, Professores Alexandre Bessa e Sandra Cordeiro, Radialista Edilson Sampaio e Rafael/colo de mãe, José Miguel - Dona Graças e Ana Maria Santos, coirmã de Goretti e muitos outros amigos e amigas que seria impossível enumerá-los. A todos, indistintamente, nosso Muito Obrigado!

Depois do almoço, quando o sol estava mais frio, os “faixa preta/1º Dan” João Murilo (15) e seu colega Karateca, Cauã Cézar (16), fizeram algumas demonstrações de Katá, no Terreiro da Fazenda, sob os olhares e os aplausos de todos. Muitos dos convidados se foram retirando, sobretudo os que iam para Fortaleza, seguidos por outros de lugares mais próximos, antes do anoitecer.

Permanecemos os de casa, até a manhã da 2ª feira, quando também nos fomos, já com uma promessa de reencontro no Carnaval e Semana Santa.

De minha parte, foi só alegria pelas homenagens feitas ao meu neto e filho do coração de Goretti. Da parte dele, foi só gratidão a todos, falando de improviso, com mensagem de princípio, meio e fim que a todos encantou.



 


sábado, 14 de janeiro de 2023

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

REENCONTRO: EXILADOS DA DITADURA E SEUS APOIADORES NA EUROPA

EDIÇÃO DE 14 DE JANEIRO

Um reencontro histórico:  Quinta feia no Centro de Vivências Raio de Sol, em Quixaba, Aracati, reuniram-se, muitos anos depois, amigos que se conheceram no exilio, na Europa.

 De um lado, os então estudantes universitários brasileiros que se protegiam dos rigores da ditadura. Do outro, voluntários que se dispuseram a protegê-los.

Lá estavam o Mons. Assis Rocha que à época, fazia Mestrado na Europa e intermediava o contato dos exilados com suas famílias no Ceará, levando correspondências, gravações...

 O casal alemão, Fred e Barbara, que, tendo bom conhecimento da realidade brasileira e nordestina, apoiava os universitários brasileiros que lá estavam.

 Ruth Cavalcante, de Pedra Branca, e João de Paula Ferreira, de Crateús, tinham sido expressivas lideranças universitárias no Ceará. Foram presos no Congresso de Ibiúna.

 O local para o encontro não poderia ser melhor. O Centro de Vivências Sitio Raio de Sol, a meio quilômetro do distrito de Quixaba, no Aracati, com toda a infraestrutura para encontros de Educação Biocêntrica.

 A própria casa tem suas acomodações dedicadas aos inspiradores da Educação Biocêntrica: Paulo Freire, Edgar Morin, Rolando Toro e Ruth Cavalcante sua criadora.

 O sítio é cercado de pés de caju e sob suas sombras, funciona o refeitório e oferece todo o ambiente de acolhimento. Além da casa alpendrada, há um espaço amplo e coberto para realização de vivências. 

A presença do Mons. Assis Rocha inspirou a Professora Ruth Cavalcante para benzer as instalações daquele espaço de muita inspiração para vivências e convivências.

 Foi um encontro de muitas recordações. Os participantes relembraram muitos momentos de suas vidas no exterior, longe de suas famílias, apoiando-se uns nos outros. Uma dica: o local pode ser alugado.

 Profundamente triste a noticia do falecimento do Professor Roberto Claudio Frota Bezerra, ex-Reitor da Universidade Federal do Ceará.

 Nesta edição, o Mons. Assis Rocha, em seu  Comentário da Semana, presta homenagem ao seu  neto João Murilo que completará 15 anos neste final de semana.

 As comemorações serão no Sitio Santa Maria, em Bela Cruz, para onde se deslocará boa parte da família. No seu artigo, o autor fala de seu aprendizado na convivência com o neto adotivo.

 A brutal invasão aos monumentais prédios da Praça dos Três Poderes, em Brasília, está tendo consequência que jamais os terroristas invasores esperavam.

Achavam que iam quebrar tudo e ainda tomar conta do poder?  Tudo indica que tinham  muito apoio às escondidas. Alguns que não queriam perder gordas vantagens estavam incentivando.

 Os terroristas que pediam intervenção militar, ditadura, AI5 estão vivenciando algumas  experiências que queriam para os outros. Na ditadura, era tudo pior. Havia a tortura do Ustra, exaltado pelo ex-presidente Bolsonaro.

 Segundo a pesquisa do Data Folha, 93% da população é contra o banditismo realizado pelos terroristas. Nada justifica o apoio irracional à violência ao quebra-quebra.

 Os sigilos de Cem Anos, que começaram a ser revelados antes do tempo,  mostram verdadeiros absurdos com o dinheiro público. Vai ser difícil explicar.

 As pessoas presas que se auto intitulam “Pessoas de Bem” acusam “infiltrados”  como os destruidores dos três  palácios de Brasília, na Praça dos Três Poderes.

 E não se viu, em vídeos ou fotos, nenhuma "pessoa de bem" defendendo o patrimônio nacional atacado por terroristas. Outros até se vangloriavam do que haviam feito.

 Mesmo quem nunca foi a Brasília e nunca viu de perto os palácios atacados, se sentiu agredido com tanta violência e ódio. Afinal de contas, são obras de arte que pertencem ao patrimônio mundial.

 Os violentos fatos devem ser debatidos nas salas de aula. Não se pode fazer de conta que não existiram. É importante saber o que os alunos pensam sobre o assunto.









COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...